{"id":331880,"date":"2020-09-17T14:55:03","date_gmt":"2020-09-17T17:55:03","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=331880"},"modified":"2020-09-17T14:55:03","modified_gmt":"2020-09-17T17:55:03","slug":"com-uso-de-aplicativo-e-posto-de-saude-aldeia-indigena-no-xingu-registra-zero-mortes-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/com-uso-de-aplicativo-e-posto-de-saude-aldeia-indigena-no-xingu-registra-zero-mortes-por-covid-19\/","title":{"rendered":"Com uso de aplicativo e posto de sa\u00fade, aldeia ind\u00edgena no Xingu registra zero mortes por covid-19"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Estrat\u00e9gia tem sucesso no combate \u00e0 pandemia, mas aldeia Ipatse teme que fuma\u00e7a dos inc\u00eandios no Pantanal agrave o quadro respirat\u00f3rio dos infectados<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"f f__v video_player | clearfix relative lead_art \">\n<div class=\"pointer  \">\n<div id=\"video_20200904163619178\" class=\"player | relative z_index_1\" tabindex=\"0\">\n<div><a class=\"posicionador\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/I1D_TsRzx0rB_6LChtgVywnw2PE=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/XK5XS7YAMBAZDC3TQSDFU66LMA.jpg\" width=\"975\" height=\"548\" \/><\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"f_c | border_1 border_bottom border_gray_ultra_light_warm padding_vertical text_align_right color_gray_medium  width_full\">Yanam\u00e1 Kuikuro mostra aplicativo usado para rastrear casos de coronav\u00edrus na aldeia Ipatse, no Xingu. No v\u00eddeo, profissionais de sa\u00fade contam sobre a estrat\u00e9gia de combate ao v\u00edrus na aldeia.<span class=\"f_a | color_black uppercase author light\">FOTO:AIKAX|V\u00cdDEO:TAKUM\u00c3 KUIKURO<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Beatriz Juc\u00e1\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/beatriz-juca-pinheiro\/\">BEATRIZ JUC\u00c1<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Em meio aos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-12\/pantanal-sofre-a-maior-devastacao-de-sua-historia-enquanto-voluntarios-lutam-para-salvar-os-animais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">inc\u00eandios que destroem o Pantanal\u00a0<\/a>e amea\u00e7am expor as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da regi\u00e3o \u00e0 covid-19, boas not\u00edcias s\u00e3o raras. Uma delas vem da aldeia Ipatse \u2015uma das 109 comunidades ind\u00edgenas do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/09\/12\/opinion\/1568300730_780955.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Xingu<\/a>\u2015, que atingiu um objetivo abra\u00e7ado coletivamente h\u00e1 seis meses: n\u00e3o perder nenhuma vida para o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">novo coronav\u00edrus<\/a>. Historicamente submetido a um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/09\/18\/politica\/1442527885_431504.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sistema de sa\u00fade mais fr\u00e1gil<\/a> \u2015sem a presen\u00e7a di\u00e1ria da equipe m\u00e9dica ou hospitais pr\u00f3ximos ao territ\u00f3rio\u2015, o povo Kuikuro desta comunidade se mobiliza, desde mar\u00e7o, para criar uma estrat\u00e9gia pr\u00f3pria e frear a doen\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"\">Um aplicativo de celular foi adaptado para rastrear casos suspeitos. Uma grande oca tamb\u00e9m foi levantada para isolar pacientes, enquanto a comunidade determinava sua quarentena. As a\u00e7\u00f5es at\u00e9 retardaram em alguns meses a dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, mas em julho os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-17\/covid-19-se-espalha-entre-indigenas-brasileiros-e-ja-ameaca-povos-isolados.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">casos come\u00e7aram a crescer<\/a>. Foi quando os Kuikuro inauguraram uma unidade pr\u00f3pria de sa\u00fade, com cilindros de oxig\u00eanio para estabilizar pacientes, e contrataram uma m\u00e9dica e um enfermeiro para permanecerem no territ\u00f3rio. Tudo com o dinheiro de doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"\">A aldeia \u2015na qual vivem cerca de 400 ind\u00edgenas e que conta cerca de 77 infectados\u2015 at\u00e9 agora tem tido \u00eaxito no seu objetivo de mortalidade zero pelo coronav\u00edrus. O novo temor s\u00e3o os impactos do inferno que se alastra pelo Pantanal e pelo Parque do Xingu para a sa\u00fade dos ind\u00edgenas, em plena pandemia. O fogo come\u00e7a a se aproximar da Ipatse, e a fuma\u00e7a \u00e9 constante. Pelo menos, a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave como a vivida em outras aldeias na \u00e1rea do Pantanal, que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-15\/incendios-no-pantanal-obrigam-remocao-de-populacoes-indigenas-que-ficam-expostas-a-covid-19.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">precisaram ser removidas por conta dos inc\u00eandios<\/a>. \u201cNenhuma aldeia foi evacuada, por enquanto. Estamos trabalhando com o instituto IPAM Amaz\u00f4nia pra coordenar com os brigadistas do Ibama para tentar amenizar a situa\u00e7\u00e3o\u201d, conta o pesquisador Bruno Moraes, que trabalha com os Kuikuro. Mas a situa\u00e7\u00e3o acende um alerta. Ind\u00edgenas e indigenistas afirmam que a fuma\u00e7a constante j\u00e1 tem piorado o quadro respirat\u00f3rio de pacientes infectados pelo novo coronav\u00edrus em alguns locais, como na aldeia Mayene, a 20 quil\u00f4metros dali. Na Ipatse, o temor \u00e9 que essas complica\u00e7\u00f5es podem chegar em breve.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEntrou o v\u00edrus aqui na aldeia, mas n\u00e3o teve ainda morte. Acho que o nosso plano deu resultado positivo, deu controle\u201d, diz o l\u00edder ind\u00edgena Yanama Kuikuro, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Kuikuro do Alto Xingu. Ele conta que a preocupa\u00e7\u00e3o de como a aldeia enfrentaria a pandemia come\u00e7ou quando os jornais \u2015transmitidos para a comunidade nas TVs alimentadas por um gerador\u2015 noticiaram que o v\u00edrus estava se espalhando pelo territ\u00f3rio brasileiro, em mar\u00e7o. Naquele momento, o cacique Afukaka j\u00e1\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-23\/coronavirus-deixa-povos-indigenas-em-alerta-apos-dois-casos-suspeitos.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">acendeu um alerta<\/a>\u00a0sobre a necessidade de se cuidar e come\u00e7ou a conversar com a comunidade para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-04-04\/estamos-assustados-e-fazemos-o-impossivel-para-que-a-aldeia-fique-em-casa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">implementar uma quarentena volunt\u00e1ria<\/a>.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/tvJBPSVAO2ksJ48zlYSJcBgEd5Y=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/GPR2MCFFKNE5TIPCGFKHSXOMDE.jpeg\" alt=\"Aldeia Mayene, no Xingu, sofre com inc\u00eandios do Pantanal.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Aldeia Mayene, no Xingu, sofre com inc\u00eandios do Pantanal.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">AIKAX<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">\u00c9 que as tarefas mais usuais da comunidade \u2015que vive basicamente de ro\u00e7a e pesca\u2015 poderiam trazer grandes riscos. Os ind\u00edgenas que vivem na Ipatse costumam viajar cerca de 160 quil\u00f4metros at\u00e9 as cidades mais pr\u00f3ximas (como Ga\u00facha do Norte e Canarana) para comprar alimentos que n\u00e3o produzem na aldeia, combust\u00edvel para seus barcos e equipamentos usados na pesca. Esses deslocamentos constantes foram mapeados por meio do aplicativo desenvolvido por um coletivo transnacional de pesquisadores e cientistas sociais.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/XqYc2TDVY6Fde2x-23Bc7mQ8qoQ=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/HMMH5LAFIJD5NMULWBTJDG645I.jpg\" alt=\"Mantimentos s\u00e3o distribu\u00eddos para evitar viagens at\u00e9 a cidade.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Mantimentos s\u00e3o distribu\u00eddos para evitar viagens at\u00e9 a cidade.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">AIKAX \/ ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Os Kuikuro j\u00e1 utilizavam a ferramenta para mapear s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e \u00e1reas cultivadas, al\u00e9m de monitorar regi\u00f5es com risco de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/08\/31\/politica\/1567273764_557825.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">desmatamento e inc\u00eandios florestais<\/a>. E decidiram, com seus parceiros, adapt\u00e1-la para mitigar a crise de sa\u00fade. O aplicativo acabou servindo para fazer um grande censo na comunidade. Agentes comunit\u00e1rios ind\u00edgenas foram registrando o n\u00famero de casas e os homens, mulheres e crian\u00e7as que viviam nelas. Tamb\u00e9m colocavam no sistema informa\u00e7\u00f5es que iam dos perfis com comorbidades at\u00e9 os motivos que estimulavam a sa\u00edda dos \u201cviajantes ind\u00edgenas\u201d. E organizaram a\u00e7\u00f5es para levar alimentos e equipamentos na aldeia, evitando esses deslocamentos e aumentando os \u00edndices de isolamento. Os pr\u00f3prios ind\u00edgenas tamb\u00e9m produziram v\u00eddeos em Karib, o idioma local, para estimular que as pessoas permanecessem em casa.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cQuer\u00edamos entender o porqu\u00ea da sa\u00edda da aldeia para conseguir diminuir a circula\u00e7\u00e3o. 70% dos ind\u00edgenas iam na cidade pra comprar alimento e combust\u00edvel. Come\u00e7amos a distribuir isso e de fato a gente viu uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica, de 20 pessoas viajando por semana para tr\u00eas. As viagens que continuaram foram de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-08\/bolsonaro-veta-obrigacao-do-governo-de-garantir-acesso-a-agua-potavel-e-leitos-a-indigenas-na-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">tratamento de Sa\u00fade<\/a>, de gestantes que tinham que fazer o pr\u00e9-natal\u201d, explica o pesquisador Bruno Moraes, que tem trabalhado remotamente no monitoramento, de sua casa em Bel\u00e9m. Os t\u00e9cnicos geoespaciais tamb\u00e9m alimentam o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/sociedade\/2020-04-03\/contra-coronavirus-startup-brasileira-lanca-indice-de-isolamento-e-alertas-inspirados-em-modelo-sul-coreano.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">sistema com informa\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0sobre os viajantes de cada fam\u00edlia e se apresentaram sintomas nos \u00faltimos 14 dias \u2015 dados cruciais para isolar os contactantes de casos suspeitos e quebrar a cadeia de cont\u00e1gio.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/6kM7RbbEIkAzVurxFa6_YzxEpBA=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/VKAXBMYPIBGRVMUCPWEJ4OJ7U4.jpeg\" alt=\"Unidade de sa\u00fade criada para tratar infectados pelo coronav\u00edrus na aldeia.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Unidade de sa\u00fade criada para tratar infectados pelo coronav\u00edrus na aldeia.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Mesmo quando o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-27\/nove-indigenas-xavante-morrem-em-24-horas-com-sintomas-de-covid-19-denunciam-liderancas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">coronav\u00edrus j\u00e1 avan\u00e7ava pela regi\u00e3o do Xingu<\/a>, a aldeia Ipatse viveu os primeiros meses de crise com relativa tranquilidade. E essa primeira fase foi de vigil\u00e2ncia e prepara\u00e7\u00e3o de uma resposta para quando os casos chegassem. Enquanto tr\u00eas ind\u00edgenas alimentavam diariamente o aplicativo com informa\u00e7\u00f5es dos pacientes, uma grande oca foi constru\u00edda caso precisasse de um lugar para isolar os infectados. Mas quando um Kuikuro adoece, ele observa tamb\u00e9m se h\u00e1 enfermidade espiritual. E tente a recolher-se em casa e proteger o esp\u00edrito. Por isso a casa de isolamento acabou sendo mais utilizada para a quarentena dos que precisaram ir at\u00e9 a cidade. Os viajantes ficavam ali antes de retornar ao conv\u00edvio da comunidade como mais uma medida de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"\">Uma estrutura de alvenaria tamb\u00e9m foi adaptada para virar uma unidade de atendimento aos doentes. O dinheiro das doa\u00e7\u00f5es \u2015cerca de 200.000 reais\u2015 foi usado para comprar medicamentos, camas e cilindros de oxig\u00eanio. Um pequeno ambulat\u00f3rio foi organizado para atender e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-20\/coronavirus-avanca-e-brasil-recomenda-isolar-todos-os-pacientes-com-sintomas-de-gripe-mesmo-sem-teste.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">isolar os infectados<\/a>, com autoriza\u00e7\u00e3o do Governo Federal. A unidade hoje est\u00e1 a cargo de uma m\u00e9dica e um enfermeiro que foram contratados por seis meses para o enfrentamento da pandemia na aldeia. \u201cTer m\u00e9dico aqui todo dia deixou a gente mais seguro na pandemia. A Sesai [Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena, do Governo Federal] manda m\u00e9dico tamb\u00e9m, que vem por uma semana e depois vai pra outra comunidade\u201d, conta Yanama. O novo equipamento de Sa\u00fade oferece oxigenoterapia a pacientes com desconforto respirat\u00f3rio. Nesta semana, recebeu dois ind\u00edgenas que foram estabilizados e n\u00e3o precisaram de remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/cTIPYF_xhb7HhzSRrjtbMgwbj2o=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/4XFMSITL4RCGNM27W3CF7G5WQA.jpg\" alt=\"A m\u00e9dica Giulia Parise Balb\u00e3o e o enfermeiro Kadmiel Junior da Silva, contratados para atuar na aldeia.\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">A m\u00e9dica Giulia Parise Balb\u00e3o e o enfermeiro Kadmiel Junior da Silva, contratados para atuar na aldeia.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">AIKAX \/ ARQUIVO PESSOAL<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">A estrutura da Ipatse acabou virando refer\u00eancia para cerca de seis aldeias do entorno. Todos os dias, por meio do r\u00e1dio, a m\u00e9dica Giulia Parise Balb\u00e3o se comunica com outras comunidades para dar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-12\/os-yanomami-contra-o-coronavirus-e-contra-a-diarreia-as-lombrigas-e-os-garimpeiros.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">orienta\u00e7\u00f5es de sa\u00fade<\/a>\u00a0e fazer consultas de telemedicina. \u201cQuando cheguei, j\u00e1 estava muito definido que o objetivo era n\u00e3o perder nenhuma vida na aldeia. As pessoas j\u00e1 estavam trabalhando incansavelmente. Eu vim apenas me somar a essa equipe\u201d, conta Balb\u00e3o. A estrat\u00e9gia aplicada ali tamb\u00e9m est\u00e1 sendo expandida para outras localidades, com dados sendo colhidos para o mesmo aplicativo que os Kuikuro utilizam. \u201cJ\u00e1 come\u00e7amos a fazer o monitoramento destas aldeias vizinhas tamb\u00e9m. Estamos exportando a ideia como um todo. O tratamento mesmo deve ficar concentrado na Ipatse, mas esperamos conseguir contratar mais m\u00e9dicos para dar essa assist\u00eancia a 12 aldeias, que comp\u00f5em o total 13% da popula\u00e7\u00e3o do Parque do Xingu\u201d, afirma Moraes.<\/p>\n<p class=\"\">At\u00e9 o in\u00edcio desta semana, a Apib (Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil) contabiliza 806 mortes devido \u00e0 covid-19 entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena no Brasil todo. O Governo registra 419 \u00f3bitos, porque n\u00e3o considera ind\u00edgenas em \u00e1reas urbanas.<\/p>\n<p class=\"\">No \u00faltimo m\u00eas,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-27\/nove-indigenas-xavante-morrem-em-24-horas-com-sintomas-de-covid-19-denunciam-liderancas.html?rel=listapoyo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">os casos de coronav\u00edrus entre ind\u00edgenas t\u00eam crescido<\/a>. No in\u00edcio de julho, a aldeia Ipatse confirmou seus primeiros casos, de dois ind\u00edgenas que provavelmente foram infectados na unidade de sa\u00fade da cidade e tiveram alta antes de serem testados. Semanas depois, outros moradores da aldeia apresentaram sintomas ap\u00f3s participarem de um enterro. Os t\u00e9cnicos geoespaciais \u2015que diariamente monitoram a situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias\u2015 rapidamente identificaram essas pessoas, que foram monitoradas pela equipe m\u00e9dica. Testes realizados na aldeia d\u00e3o conta que ao menos 77 pessoas j\u00e1 contra\u00edram o v\u00edrus. O cacique e uma idosa de 90 anos adoeceram e se recuperaram. A morte dos mais velhos \u00e9 uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-06-14\/a-morte-do-futuro-covid-19-entre-os-povos-originarios.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">grande preocupa\u00e7\u00e3o da comunidade<\/a>, cuja hist\u00f3ria \u00e9 guardada e repassada especialmente pelos anci\u00e3os. A vigil\u00e2ncia segue firme com o mesmo objetivo assumido seis meses atr\u00e1s: a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-11\/o-coronavirus-esta-quebrando-a-nossa-crenca-o-luto-imposto-aos-povos-indigenas-na-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mortalidade zero pelo coronav\u00edrus<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuer\u00edamos entender o porqu\u00ea da sa\u00edda da aldeia para conseguir diminuir a circula\u00e7\u00e3o. 70% dos ind\u00edgenas iam na cidade pra comprar alimento e combust\u00edvel. Come\u00e7amos a distribuir isso e de fato a gente viu uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica, de 20 pessoas viajando por semana para tr\u00eas. 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