{"id":33208,"date":"2013-12-13T14:00:08","date_gmt":"2013-12-13T17:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=33208"},"modified":"2013-12-13T08:28:27","modified_gmt":"2013-12-13T11:28:27","slug":"fundacao-oswaldo-cruz-diz-que-agrotoxico-vinculado-a-sementes-transgenicas-causa-danos-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/fundacao-oswaldo-cruz-diz-que-agrotoxico-vinculado-a-sementes-transgenicas-causa-danos-a-saude\/","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz diz que agrot\u00f3xico vinculado a sementes transg\u00eanicas causa danos \u00e0 sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Um levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz mostra que a maior parte dos estudos conduzidos de 2006 para c\u00e1 por universidades e institutos aponta o agrot\u00f3xico 2,4-D, usado para combater ervas daninhas de folha larga, como causador de danos \u00e0 sa\u00fade humana, animal ou ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora e toxicologista Karen Friedrich, respons\u00e1vel pelo levantamento, os resultados contrastam com os encontrados por empresas privadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 subst\u00e2ncia. Os dados foram apresentados durante audi\u00eancia p\u00fablica no Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) para discutir a libera\u00e7\u00e3o no mercado de sementes transg\u00eanicas de milho e soja resistentes a esse tipo de agrot\u00f3xico.<\/p>\n<p>O MPF e alguns pesquisadores temem o aumento do uso de 2,4-D por produtores rurais caso esses organismos geneticamente modificados sejam autorizados no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para Karen, a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) deveria reavaliar a permiss\u00e3o para uso do herbicida no pa\u00eds. Consequentemente, n\u00e3o poderiam, tamb\u00e9m, ser permitidas as sementes transg\u00eanicas resistentes a ele. &#8220;Um produto transg\u00eanico resistente ao 2,4-D s\u00f3 vai causar o aumento do consumo de um agrot\u00f3xico que era para ser proibido. Estudos de pesquisadores isentos mostram rela\u00e7\u00e3o com danos como m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o fetal, muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, c\u00e2ncer. A maioria foi feita em animais de laborat\u00f3rio, mas alguns em popula\u00e7\u00e3o humana&#8221;, destacou a pesquisadora.<\/p>\n<p>De acordo com Karen, uma entidade da sociedade civil ou um parlamentar pode encaminhar o pedido de reavalia\u00e7\u00e3o \u00e0 Anvisa. A subst\u00e2ncia foi reavaliada pela \u00faltima vez em 2006, e mantida. No entanto, de acordo com a pesquisadora, de l\u00e1 para c\u00e1 foram feitas mais pesquisas sobre o 2,4-D.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-33209\" alt=\"embalagens-vazias-de-agrotoxicos\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/embalagens-vazias-de-agrotoxicos-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/embalagens-vazias-de-agrotoxicos-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/embalagens-vazias-de-agrotoxicos-620x413.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/embalagens-vazias-de-agrotoxicos-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/embalagens-vazias-de-agrotoxicos.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Karen Friedrich ressalta ainda que a Anvisa enfrenta dificuldades nos processos de reavalia\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o interrompidos por muitos recursos judiciais. &#8220;Em 2008, ela [Anvisa] indicou 14 [agrot\u00f3xicos para reavalia\u00e7\u00e3o] e ainda n\u00e3o conseguiu terminar a an\u00e1lise de todos. Proibiu quatro, manteve dois e os outros ainda est\u00e3o aguardando&#8221;, informou. No Brasil, diferentemente do modelo adotado em pa\u00edses em que h\u00e1 reavalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica, quando um agrot\u00f3xico \u00e9 registrado, sua autoriza\u00e7\u00e3o \u00e9 permanente. Ela pode ser revista, no entanto, caso estudos evidenciem que a subst\u00e2ncia pode trazer riscos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ou ao meio ambiente.<\/p>\n<p>Outro representante da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, Luiz Cl\u00e1udio Meirelles, destacou o fato de que o 2,4-D est\u00e1 na classe dos herbicidas que podem liberar dioxina em seu processo de fabrica\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma impureza suspeita de causar danos reprodutivos e alguns tipos de c\u00e2ncer. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo fato de o Brasil n\u00e3o ter laborat\u00f3rio adequado para medir a dosagem de dioxina na sust\u00e2ncia. &#8220;Acho que \u00e9 um produto que, no m\u00ednimo, tem que ser descontinuado, caminhando para o banimento.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto, na avalia\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, o 2,4-D n\u00e3o \u00e9 adequado para uso, empresas privadas alegam que o herbicida n\u00e3o causa danos, desde que usado da maneira e na dosagem corretas. O m\u00e9dico toxicologista Fl\u00e1vio Zambrone, presidente do Instituto Brasileiro de Toxicologia e consultor da For\u00e7a Tarefa, grupo formado por quatro empresas \u2013 Dow Agrosciences, Atanor, Milenia e Nufarm \u2013, afirma que n\u00e3o h\u00e1 dados conclusivos vinculando o 2,4-D a danos \u00e0 sa\u00fade e ao meio ambiente.<\/p>\n<p>&#8220;O perigo \u00e9 inerente \u00e0 subst\u00e2ncia. Mas, se a exposi\u00e7\u00e3o for em dose segura, n\u00e3o apresenta risco&#8221;, disse Zambrone. Segundo ele, o agrot\u00f3xico apresentou o mesmo pacote de dados que outros pesticidas e passou por testes em animais antes de ser aprovado no Brasil. &#8220;Quando voc\u00ea passa de animais para homens, as doses s\u00e3o em um valor 100 vezes menor.&#8221;<\/p>\n<p>Outro argumento favor\u00e1vel ao 2,4-D apresentado toxicologista \u00e9 que o herbicida est\u00e1 registrado em 70 pa\u00edses e, at\u00e9 o momento, n\u00e3o foi suspenso por eles. Recentemente, houve reavalia\u00e7\u00e3o no Canad\u00e1 e nos Estados Unidos, com manuten\u00e7\u00e3o da permiss\u00e3o para o produto. Quanto \u00e0 dioxina, ele acredita que a aus\u00eancia de um laborat\u00f3rio que me\u00e7a a dosagem no Brasil n\u00e3o \u00e9 motivo para descontinuar o uso do agrot\u00f3xico. &#8220;\u00c9 uma impureza s\u00e9ria, mas tem dose segura. Se n\u00e3o temos laborat\u00f3rio, temos que criar ou fazer [o teste da dosagem] fora&#8221;, defendeu.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a audi\u00eancia p\u00fablica de hoje, equipes t\u00e9cnicas do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal v\u00e3o redigir pareceres. A partir desse material \u00e9 que o \u00f3rg\u00e3o vai decidir os pr\u00f3ximos passos com rela\u00e7\u00e3o ao 2,4-D e \u00e0s sementes resistentes ao agrot\u00f3xico. Atualmente, est\u00e3o em curso inqu\u00e9ritos civis instaurados pelo MPF, para avaliar irregularidades na libera\u00e7\u00e3o das sementes transg\u00eanicas pela Comiss\u00e3o Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio) e a seguran\u00e7a da perman\u00eancia do 2,4-D no mercado brasileiro.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz mostra que a maior parte dos estudos conduzidos de 2006 para c\u00e1 por universidades e institutos aponta o agrot\u00f3xico 2,4-D, usado para combater ervas daninhas de folha larga, como causador de danos \u00e0 sa\u00fade humana, animal ou ao meio ambiente. 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