{"id":332121,"date":"2020-09-20T07:07:01","date_gmt":"2020-09-20T10:07:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=332121"},"modified":"2020-09-20T07:07:01","modified_gmt":"2020-09-20T10:07:01","slug":"seis-meses-de-covid19-incertezas-e-esperancas-de-cidadaos-na-pandemia-sem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/seis-meses-de-covid19-incertezas-e-esperancas-de-cidadaos-na-pandemia-sem-fim\/","title":{"rendered":"Seis meses de Covid:19: incertezas e esperan\u00e7as de cidad\u00e3os na pandemia sem fim"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h2 id=\"noticia-olho\"><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"share-page\"><\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<p>Por\u00a0<span id=\"authors-box\"><strong>Thuany Motta<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Felipe Freitas<\/strong>\u00a0<\/span><strong class=\"complemento-credito\">| iG &#8211; \u00daltimo Segundo<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<div class=\"gd12\">\n<figure class=\"foto-legenda \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/statig0.akamaized.net\/bancodeimagens\/aj\/8u\/xw\/aj8uxwio9dpdoi21wld7bhstw.jpg\" alt=\"isolamento\" \/><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>FreePik<\/cite><\/p>\n<div>Isolamento, uso de m\u00e1scara, homeoffice: pandemia for\u00e7ou os cidad\u00e3os a criarem novos h\u00e1bitos<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">A quarentena provocada pela Covid-19 (Sars-Cov-2)\u00a0causou grandes altera\u00e7\u00f5es na rotina dos brasileiros. Desde a maneira como se trabalha at\u00e9 os relacionamentos. Tudo mudou. O\u00a0<strong>iG<\/strong> conversou com pessoas que est\u00e3o conseguindo cumprir \u00e0 risca as orienta\u00e7\u00f5es de isolamento social. E com quem n\u00e3o pode e precisa se arriscar a ser contaminado para n\u00e3o perder o trabalho.<\/p>\n<p>O isolamento fez com que algumas pessoas mudassem, seja de maneira positiva ou negativa. Muitas descobriram talentos. Outros desengavetaram projetos. Seja qual for a mudan\u00e7a, a quarentena trouxe questionamentos. E descobertas de como passar por este per\u00edodo da melhor maneira poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Um\u00a0conjunto de sentimentos negativos, de d\u00favidas e de esperan\u00e7a por dias melhores acompanha Miriane Peregrino, pesquisadora de literatura, que mora na Alemanha. Ela conta que o isolamento social causou uma grande incerteza para o futuro, principalmente por estar longe dos familiares que ainda moram no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;(A quarentena) afetou muito, primeiro com o fechamento das fronteiras. Estar em outro pa\u00eds e saber que estou presa, sem poder sair, longe de todos que amo me causou uma grande ang\u00fastia. Comecei o home office, minhas aulas de alem\u00e3o foram suspensas. Muitas incertezas surgiram.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da psiquiatra Roberta Fran\u00e7a, o ser humano acredita ter controle das coisas, e a pandemia veio, justamente, mostrar essa falta de controle.<\/p>\n<p>&#8220;Lutamos com um v\u00edrus que \u00e9 invis\u00edvel, sabemos que estamos correndo risco, mas n\u00e3o conseguimos enxergar esse risco, n\u00e3o sabemos de onde ele vem. Isso tudo gera ansiedade, ang\u00fastia, inseguran\u00e7a&#8221;, explica a psiquiatra Roberta Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Sonia Prado, coordenadora do curso de Psicologia da Est\u00e1cio Interlagos, endossa o argumento. &#8220;S\u00e3o muitos fatos e informa\u00e7\u00f5es negativas e as pessoas &#8211; sem a possibilidade de busca de ajuda ou de dar uma solu\u00e7\u00e3o ao problema &#8211; se sentem frustradas e impotentes.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com a psic\u00f3loga Aleth\u00e9a Vollmer, estamos &#8220;entre o que deixou de ser e o que ainda n\u00e3o \u00e9&#8221;. &#8220;Neste sentido, temos a constru\u00e7\u00e3o do novo que \u00e9 um grande desafio para o nosso presente, que hoje \u00e9 esperar e ficar atento ao que est\u00e1 por vir. A partir da\u00ed, criamos formas para lidar com a situa\u00e7\u00e3o&#8221;, avalia.<\/p>\n<div class=\"gd12\">\n<figure class=\"foto-legenda undefined\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/statig3.akamaized.net\/bancodeimagens\/1w\/pn\/rq\/1wpnrqw1fzzzfj7pkoxg2xars.jpg\" alt=\"a\" \/><figcaption class=\"undefined\"><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div class=\"undefined\">Casal conseguiu se adaptar \u00e0 nova realidade imposta pela pandemia de Covid-19<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">\n<strong>Novas rotinas, novas frustra\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p class=\"\">A imposi\u00e7\u00e3o de uma nova rotina afetou a vida profissional da jornalista Janaina Caixeta. &#8220;Eu nunca fui f\u00e3 do home office. Estou h\u00e1 quase seis anos na empresa onde eu trabalho. Acordar de manh\u00e3, me arrumar e sair era a rotina de sempre. Passei a ficar muito mais tempo em casa. Meu marido tamb\u00e9m come\u00e7ou a trabalhar home office logo depois de mim e ent\u00e3o fomos adequando a nossa rotina&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Lidar com as frustra\u00e7\u00f5es nesse per\u00edodo de isolamento social significa administrar uma resili\u00eancia humana de forma que se possa lidar com esses conflitos, mas como? &#8220;De que maneira pode ser feito isso? Isso vai depender de que estrat\u00e9gia cada um pode utilizar para poder buscar menor possibilidade de desequil\u00edbrio emocional&#8221;, diz a psic\u00f3loga V\u00e2nia Campos.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns exemplos s\u00e3o: se eu gosto de ler, eu vou ler; se eu preciso arrumar algumas coisas que eu n\u00e3o tinha tempo, eu vou fazer; e, assim, cada um busca alternativas estrat\u00e9gicas que possam lhe favorecer alguma coisa de prazer para compensar essa falta de possibilidades de fazer as suas atividades que sempre fazia de uma forma livre&#8221;, sugere.<\/p>\n<h3>Cad\u00ea a correria do dia a dia?<\/h3>\n<p class=\" \">Foi exatamente isso que Higor Gon\u00e7alves, professor de marketing da ESPM, fez durante o isolamento. &#8220;Sempre trabalhei externo, em escrit\u00f3rios, dando aulas, palestras, e organizando ou participando de eventos. Eu gosto da correria do dia a dia, do contato humano, do fluxo intenso de pessoas.&#8221;<\/p>\n<div class=\"gd12\">\n<figure class=\"foto-legenda \"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/statig3.akamaized.net\/bancodeimagens\/eu\/l3\/am\/eul3amb10uzl2fu3yyckajqgr.jpg\" alt=\"a\" \/><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Arquivo pessoal<\/cite><\/p>\n<div>Higor Gon\u00e7alves viu na pandemia uma oportunidade de desengavetar antigos projetos<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Apesar da mudan\u00e7a brusca na rotina, ele acredita que conseguiu estabelecer bem uma rotina com hor\u00e1rios para trabalho e vida pessoal. &#8220;Uma preocupa\u00e7\u00e3o que tive no in\u00edcio da quarentena foi criar um planejamento fact\u00edvel, estabelecendo hor\u00e1rios para acordar, me exercitar, fazer as refei\u00e7\u00f5es e trabalhar.&#8221;<\/p>\n<p>Preencher o tempo livre com conte\u00fados positivos e atividades que promovam a sa\u00fade f\u00edsica tamb\u00e9m ajuda no processo. &#8220;O importante \u00e9 que as pessoas busquem menos informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto, comecem a selecionar as not\u00edcias e a buscar atividades que preencham o seu dia com situa\u00e7\u00f5es que tenham solu\u00e7\u00f5es e n\u00e3o fiquem t\u00e3o presas a not\u00edcias ruins&#8221;, afirma a psic\u00f3loga Sonia Prado.<\/p>\n<p>Entre as minhas metas para o ano de 2020 de Higor estava a yoga.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, devido \u00e0 correria do dia a dia, eu n\u00e3o estava conseguindo colocar em pr\u00e1tica no come\u00e7o do ano. Com a quarentena, em mar\u00e7o, surgiu a oportunidade. Uni o \u00fatil ao agrad\u00e1vel. Antes da pandemia, eu fazia corridas matinais no parque. Com as medidas de distanciamento social, eu troquei as corridas externas, pela yoga, dentro de casa&#8221;, conta Higor, que era muito ativo fisicamente antes da pandemia, e precisou modificar a rotina para continuar se exercitando. Ele passou a adotar a yoga como atividade f\u00edsica principal.<\/p>\n<h3>Sem visita na casa nova<\/h3>\n<p>J\u00e1 Jana\u00edna diz que fez de tudo nessa quarentena, desde fazer exerc\u00edcios todos os dias at\u00e9 fazer bolos. Al\u00e9m disso, ela comenta que se mudou com o marido recentemente, e que a quarentena n\u00e3o permitiu que a fam\u00edlia visse sua nova casa.<\/p>\n<p>&#8220;Eu e meu marido passamos a P\u00e1scoa sozinhos. Passamos o nosso anivers\u00e1rio, que \u00e9 no mesmo dia, isolados. \u00c9 tudo muito doido, na verdade!\u00a0 Acho que se voc\u00ea parar pra pensar mesmo, voc\u00ea come\u00e7a a dar mais valor ao que realmente importa. A seguran\u00e7a que sua casa traz. A import\u00e2ncia da higiene pessoal, da limpeza da casa, das verduras que voc\u00ea come&#8221;, relata.<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia de coletividade\u00a0durante a quarentena<\/strong><\/p>\n<p>O isolamento provoca uma realidade de individualidade, a partir do momento em que estamos dentro de casa, mas tamb\u00e9m de individualismo, com pessoas que n\u00e3o prezam pelo cuidado ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s nos mostramos nessa pandemia muito mais egoc\u00eantricos e ego\u00edstas do que propriamente um povo que trabalha com o coletivo, e na verdade, tudo que estamos vivendo at\u00e9 aqui na pandemia, principalmente no Brasil, est\u00e1 justamente atrelada \u00e0 nossa falta de cuidado com o outro, nossa falta de responsabilidade social, ao nosso ego\u00edsmo e \u00e0 nossa pr\u00e1tica de achar que o que vale \u00e9 o que eu quero&#8221;, pontua Roberta Fran\u00e7a.<\/p>\n<h3>Ajudar \u00e9 preciso<\/h3>\n<p>Apesar disso, ainda h\u00e1 tempo para que as pessoas se unam e trabalhem de forma coletiva para passar por esses momentos delicados.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de seis meses, as pessoas t\u00eam poucos lugares para procurar ajuda, n\u00e3o temos um lugar especializado de atendimento como o que foi feito em Portugal, por exemplo. Eles criaram um telefone, um espa\u00e7o onde as pessoas pudessem procurar ajuda, grupo de pessoas que ligam umas para as outras apenas para perguntar como est\u00e3o. Precisamos que essa coletividade tenha um pouco mais de voz, que o discurso seja mais un\u00edssono neste sentido&#8221;, finaliza a psic\u00f3loga Aleth\u00e9a.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"tags\" class=\"tags\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O isolamento fez com que algumas pessoas mudassem, seja de maneira positiva ou negativa. Muitas descobriram talentos. Outros desengavetaram projetos. Seja qual for a mudan\u00e7a, a quarentena trouxe questionamentos. 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