{"id":332635,"date":"2020-09-25T03:06:00","date_gmt":"2020-09-25T06:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=332635"},"modified":"2020-09-25T03:06:00","modified_gmt":"2020-09-25T06:06:00","slug":"um-em-cada-dez-pacientes-graves-de-covid-19-produz-anticorpos-que-pioram-a-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/um-em-cada-dez-pacientes-graves-de-covid-19-produz-anticorpos-que-pioram-a-doenca\/","title":{"rendered":"Um em cada dez pacientes graves de covid-19 produz anticorpos que pioram a doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Estudo internacional revela defeitos gen\u00e9ticos inatos que multiplicam o perigo de uma infec\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/S7Msalzb0NdWmSxENphXtv-80R8=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/EBO3FUIVVBEOTIIPUE3EI52WH4.jpg\" alt=\"Profissional de sa\u00fade se prepara para entrar na UTI de um hospital de Marselha.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Profissional de sa\u00fade se prepara para entrar na UTI de um hospital de Marselha.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">ERIC GAILLARD \/ REUTERS<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center \"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Nu\u00f1o Dom\u00ednguez\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/nuno-dominguez-angulo\/\">NU\u00d1O DOM\u00cdNGUEZ<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons margin_left horizontal  small\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\">Mais de 10% das pessoas com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/covid-19\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">covid-19<\/a>\u00a0grave produzem um tipo de anticorpos que, em vez de proteg\u00ea-las do v\u00edrus, piora a infec\u00e7\u00e3o ao boicotar seu sistema imunol\u00f3gico. \u00c9 o resultado de um estudo internacional que pode explicar por que algumas pessoas passam pela covid-19 sem perceber ou com sintomas muito leves, enquanto outras\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-08-08\/100000-vidas-roubadas-pela-covid-19-um-retrato-da-pandemia-no-brasil-a-prova-de-negacionistas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">desenvolvem uma doen\u00e7a grave ou fatal<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">At\u00e9 agora, tr\u00eas grandes fatores de risco eram conhecidos: ser homem, ser idoso e ter doen\u00e7as anteriores. O trabalho acrescenta um quarto: defeitos gen\u00e9ticos cong\u00eanitos que podem impedir o sistema imunol\u00f3gico de combater e eliminar o v\u00edrus. Esse tipo de problema parece ser muito\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-05-18\/uma-so-enzima-pode-explicar-por-que-o-coronavirus-mata-mais-homens-que-mulheres.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mais comum em homens<\/a>\u00a0do que em mulheres.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEsta descoberta mudar\u00e1 o tratamento de alguns pacientes\u201d, explica Carlos Rodr\u00edguez-Gallego, imunologista do Hospital Universit\u00e1rio de Gran Canaria Doctor Negr\u00edn e coautor do estudo, publicado nesta quinta-feira na revista\u00a0<i>Science<\/i>. \u201cNossa equipe j\u00e1 est\u00e1 estudando como estabelecer testes cl\u00ednicos para identificar os pacientes que produzem esses tipos de autoanticorpos e talvez trat\u00e1-los com outros tipos de anticorpos para neutralizar o problema\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"\">O estudo analisou o sangue de quase 1.000 pacientes com pneumonia muito grave provocada pelo coronav\u00edrus e o comparou com o de 600 infectados assintom\u00e1ticos ou com sintomas leves e com um terceiro grupo de 1.200 volunt\u00e1rios saud\u00e1veis. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-07-02\/o-que-sabemos-atualmente-e-que-quem-deu-positivo-por-anticorpos-esta-protegido.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">anticorpos<\/a>\u00a0que neutralizam o interferon tipo 1, uma mol\u00e9cula essencial para lan\u00e7ar um alarme geral quando um v\u00edrus entra em nosso corpo, foram encontrados em 10,2% dos pacientes graves.<\/p>\n<p class=\"\">Minutos depois de que o SARS-CoV-2 infecta uma c\u00e9lula, a primeira linha de defesa do nosso sistema imunol\u00f3gico entra em a\u00e7\u00e3o. Ao detectar a presen\u00e7a do v\u00edrus, as c\u00e9lulas dendr\u00edticas come\u00e7am a produzir uma prote\u00edna que envia um sinal de alarme para todo o corpo: o interferon 1. Esses interferons podem se ligar \u00e0s c\u00e9lulas de quase todos os tecidos do corpo e modificar seu metabolismo para que ativem seus mecanismos de defesa antiviral.<\/p>\n<p class=\"\">O trabalho observou que uma porcentagem de pacientes tem defeitos gen\u00e9ticos que os levam a produzir anticorpos que, em vez de encontrar e neutralizar o v\u00edrus, foram feitos para bloquear o interferon 1. O estudo encontrou v\u00e1rios tipos de anticorpos contra os interferons nesse 10,2% dos pacientes e aponta que s\u00e3o os causadores de que esses pacientes piorem at\u00e9 ver sua vida em perigo.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cO interferon se chama assim porque interfere na multiplica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e a interrompe\u201d, explica Javier Mart\u00ednez-Picado, pesquisador do ICREA no IrsiCaixa e coautor do estudo. \u201cOs autoanticorpos que esses pacientes produzem sequestram o interferon e o anulam\u201d, destaca.<\/p>\n<p class=\"\">Em outro trabalho tamb\u00e9m publicado na\u00a0<i>Science<\/i>, o mesmo cons\u00f3rcio internacional mostra que determinadas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que afetam a produ\u00e7\u00e3o de interferon explicariam 3,5% dos casos graves de covid-19. Ambos os trabalhos ajudam a explicar por que 14% das pessoas infectadas acabam desenvolvendo uma doen\u00e7a grave que pode mat\u00e1-las.<\/p>\n<p class=\"\">Trata-se do maior estudo realizado at\u00e9 hoje sobre as causas gen\u00e9ticas da covid-19 grave, diz Mart\u00ednez-Picado, principalmente porque demonstra a a\u00e7\u00e3o desses autoanticorpos. Os cientistas demonstraram que se o interferon 1 for acrescentado \u00e0s c\u00e9lulas infectadas com SARS-CoV-2, a infec\u00e7\u00e3o \u00e9 paralisada. Mas se for adicionado plasma de pacientes que produzem esses autoanticorpos, a infec\u00e7\u00e3o reinicia e os v\u00edrus continuam a fazer dezenas de milhares de c\u00f3pias de si mesmos.<\/p>\n<p class=\"\">N\u00e3o \u00e9 que o v\u00edrus ative a produ\u00e7\u00e3o desses anticorpos de efeito negativo, mas que sua produ\u00e7\u00e3o se deve a defeitos gen\u00e9ticos inatos do sistema imunol\u00f3gico. A presen\u00e7a dessas mol\u00e9culas \u201c\u00e9 um mau press\u00e1gio na evolu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica do paciente\u201d, explica Mart\u00ednez-Picado. Um fato muito interessante \u00e9 que 95% dos pacientes que produzem essas mol\u00e9culas s\u00e3o homens. E isso \u00e9 surpreendente, uma vez que as doen\u00e7as autoimunes s\u00e3o mais frequentes em mulheres do que em homens. A detec\u00e7\u00e3o desses anticorpos n\u00e3o \u00e9 pr\u00e1tica cl\u00ednica habitual, mas \u00e9 f\u00e1cil desenvolver testes pouco complexos para detect\u00e1-los e tamb\u00e9m an\u00e1lises gen\u00e9ticas que identifiquem os pacientes que os produzem.<\/p>\n<p class=\"\">Por que jovens sem doen\u00e7as pr\u00e9vias ficam gravemente doentes de covid-19 e inclusive morrem? Essa \u00e9 uma das perguntas que deram in\u00edcio ao trabalho do Projeto de Gen\u00e9tica Humana e Covid, liderado por Jean-Laurent Casanova, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa em Sa\u00fade e Medicina da Fran\u00e7a e da Universidade Rockefeller, nos EUA. Parte da resposta pode estar em defeitos gen\u00e9ticos pouco comuns, de forma que talvez existam tr\u00eas pacientes com a mesma muta\u00e7\u00e3o, um em Nova York, outro em Sydney e mais um em T\u00f3quio. Pode haver dezenas de defeitos gen\u00e9ticos como esses que explicam parte dos casos mais graves e a \u00fanica maneira de identific\u00e1-los e estabelecer um padr\u00e3o \u00e9 formando uma colabora\u00e7\u00e3o internacional como esta, explica Casanova no site do cons\u00f3rcio, composto por centenas de hospitais que contribuem com amostras de sangue e n\u00f3s de sequenciamento gen\u00e9tico em que as amostras s\u00e3o analisadas. Na Espanha, al\u00e9m do hospital Doctor Negr\u00edn, participaram os hospitais Germans Trias i Pujol, Vall d\u2019Hebron de Barcelona e o Hospital Universitario Mutua de Terrassa, bem como os centros de pesquisa Idibell e IrsiCaixa.<\/p>\n<p class=\"\">\u201c\u00c9 um estudo muito interessante que pode explicar em parte por que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-03-24\/por-que-o-coronavirus-e-mais-perigoso-para-os-idosos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">alguns homens idosos<\/a>\u00a0t\u00eam um progn\u00f3stico pior\u201d, explica Manel Juan, imunologista do Hospital Cl\u00ednico de Barcelona. \u201cAgora \u00e9 preciso confirmar essas observa\u00e7\u00f5es com mais pacientes e, principalmente, estudar a presen\u00e7a desses anticorpos ao longo do tempo\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"\">Os dois trabalhos podem ajudar a identificar pacientes com maior risco de pneumonia potencialmente mortal e inclusive buscar tratamentos espec\u00edficos para eles. Entre os tratamentos, Rodr\u00edguez-Gallego aponta dois. O sistema imunol\u00f3gico \u00e9 um conjunto altamente complexo de mol\u00e9culas com fun\u00e7\u00f5es especializadas: anticorpos que neutralizam as part\u00edculas virais, linf\u00f3citos que identificam c\u00e9lulas infectadas e as matam, c\u00e9lulas B capazes de produzir dezenas de milhares de anticorpos, c\u00e9lulas assassinas naturais&#8230; Entre todas elas existem tr\u00eas grandes tipos de interferons e, dentro do tipo um, existem 17 classes diferentes. \u201cSe encontrarmos pacientes que produzem anticorpos contra o interferon alfa, que \u00e9 um tipo de interferon 1, poder\u00edamos trat\u00e1-los com o interferon beta, que j\u00e1 \u00e9 usado como medicamento em outros contextos\u201d, explica o imunologista. A segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 fazer uma plasmaf\u00e9rese: uma filtragem do sangue do paciente para eliminar os anticorpos malignos e tamb\u00e9m outras mol\u00e9culas inflamat\u00f3rias que podem estar agravando a doen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que jovens sem doen\u00e7as pr\u00e9vias ficam gravemente doentes de covid-19 e inclusive morrem? 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