{"id":332788,"date":"2020-09-26T10:34:23","date_gmt":"2020-09-26T13:34:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=332788"},"modified":"2020-09-26T10:34:23","modified_gmt":"2020-09-26T13:34:23","slug":"paradoxo-na-calcada-da-historia-por-marcelo-cavalcanti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/paradoxo-na-calcada-da-historia-por-marcelo-cavalcanti\/","title":{"rendered":"\u201cParadoxo na cal\u00e7ada da hist\u00f3ria\u201d, por Marcelo Cavalcanti"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"jeg_post_title\"><\/h1>\n<div class=\"jeg_meta_container\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_post_meta_1\">\n<div class=\"meta_left\"><\/div>\n<div class=\"meta_right\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_featured featured_image\">\n<div class=\"thumbnail-container animate-lazy\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-jnews-featured-750 size-jnews-featured-750 wp-post-image lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-750x450.jpg\" sizes=\"auto, 750px\" srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-750x450.jpg 750w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1.jpg 1000w\" alt=\"\u201cParadoxo na cal\u00e7ada da hist\u00f3ria\u201d, por Marcelo Cavalcanti\" width=\"750\" height=\"450\" data-src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-750x450.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-750x450.jpg 750w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/passeios-imperdiveis-recife-1-1.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto\" data-expand=\"700\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_share_top_container\">\n<div class=\"jeg_share_button clearfix\">\n<div class=\"jeg_share_stats\">\n<div class=\"jeg_share_count\">\n<div class=\"counts\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content no-share\">\n<div class=\"jeg_share_button share-float jeg_sticky_share clearfix share-monocrhome\">\n<div class=\"jegStickyHolder\">\n<div class=\"theiaStickySidebar\">\n<div class=\"jeg_share_float_container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-inner \">\n<p><strong>*Por Marcelo Cavalcanti<\/strong><\/p>\n<p>Desde o seu surgimento, como uma povoa\u00e7\u00e3o de pescadores, sua trajet\u00f3ria tem sido de muitos desafios.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de outras capitais brasileiras e, at\u00e9, de outros pa\u00edses das Am\u00e9ricas, o Recife nunca teve, enquanto urbe, a vida facilitada. Cidades como, Salvador, Belo Horizonte, Fortaleza, Bras\u00edlia, Palmas, Cidade do M\u00e9xico, nasceram predestinadas a serem capitais e algumas foram guindadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que hoje ostentam, por circunst\u00e2ncias fortuitas.<\/p>\n<p>Nosso Recife, entretanto, apesar das substanciais modernidades implantadas pela gest\u00e3o maur\u00edcia, teve que roubar um pelourinho, fazer a Guerra dos Mascates, para ser, em definivo, uma cidade. O porto lhe deu o melhor alento cosmopolita, trazendo h\u00e1bitos e usos europeus, de vanguarda: dos novos ventos filos\u00f3ficos, passando pelo tr\u00e2nsito de trupes teatrais e desaguando em uma prostitui\u00e7\u00e3o disseminada, a nossa Cal\u00e7ada do Atl\u00e2ntico formou-se como uma panela de costumes heterog\u00eaneos.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, foi metr\u00f3pole quando resto das Am\u00e9ricas engatinhava construindo vilas e povoados extrativistas. A substitui\u00e7\u00e3o da cultura aut\u00f3ctone pela civiliza\u00e7\u00e3o europeia foi acelerada pelo conflito luso-holand\u00eas. Ali, a guerra foi parteira da Hist\u00f3ria. Muitas foram as controv\u00e9rsias. Os historiadores, disc\u00edpulos de Calabar, argumentam, at\u00e9 hoje, que a perman\u00eancia dos helv\u00e9ticos seria vantajosa para o futuro recifense. S\u00e3o especula\u00e7\u00f5es v\u00e3s. A cidade acabou por se impor como centro comercial e sede decis\u00f3ria da prov\u00edncia, por constru\u00e7\u00e3o, tijolo a tijolo, dos elementos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e culturais que lhe deram o destaque singular.<\/p>\n<p>Todavia, tudo foi erigido com muito esfor\u00e7o, com o caldo grosso de sangue, suor, cal e p\u00f3lvora.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39668\" class=\"wp-caption alignnone\" aria-describedby=\"caption-attachment-39668\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-39668\" src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Nicolaes_Visscher_-_Pharnambuci_Pernambuco_Brazil.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Nicolaes_Visscher_-_Pharnambuci_Pernambuco_Brazil.jpg 1000w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Nicolaes_Visscher_-_Pharnambuci_Pernambuco_Brazil-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Nicolaes_Visscher_-_Pharnambuci_Pernambuco_Brazil-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Nicolaes_Visscher_-_Pharnambuci_Pernambuco_Brazil-750x450.jpg 750w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"600\" data-pin-no-hover=\"true\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39668\" class=\"wp-caption-text\">Cerco a Olinda e Recife em 1630, mapa de Nicolaes Visscher. Olinda foi saqueada e incendiada pelos holandeses, que escolheram o Recife como a capital da Nova Holanda.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Bem, aqui, tamb\u00e9m, cabem alguns reparos. Um deles \u00e9 essa hist\u00f3ria mal contada de que somos assim, por sermos um \u201cpolo multicultural\u201d \u00e9 estult\u00edcia ideol\u00f3gica, que beira estupidez e tergiversa obviedades antropol\u00f3gicas. Afinal, que cultura contempor\u00e2nea n\u00e3o aglutina diversidades culturais n\u00edtidas. Nosso jeito mameluco de ser tem evidentes nuances, que mais que amorenam nossa face. Crist\u00e3os, pontilhamos de igrejas toda a plan\u00edcie do delta do Capibaribe. Recebemos o ressoar dos tambores dos terreiros de ra\u00edz afro atenuada, vindo dos morros e sub\u00farbios perif\u00e9ricos. A quase sempre presente fei\u00e7\u00e3o acaboclada de muitos de n\u00f3s, testemunha as sobreviv\u00eancias gen\u00e9ticas de comunidades nativas, que foram dilu\u00eddas pela miscigena\u00e7\u00e3o progressiva. Tudo sob uma \u00e9gide de elementos civilizat\u00f3rios europeus modernos, contempor\u00e2neos.<\/p>\n<p>O Recife, deste modo, constituiu sua voca\u00e7\u00e3o cosmopolita, adestrada pela fun\u00e7\u00e3o de capital de prov\u00edncia, pragm\u00e1tica pela experi\u00eancia e interesse comercial e de temperamento irredentista pela necessidade de assumir o seu destino hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Consideramos que as diversas contribui\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas foram importantes na evolu\u00e7\u00e3o do cosmopolitismo recifense. Por\u00e9m, a tradi\u00e7\u00e3o portuguesa \u00e9 tijolo angular e esteio, constituindo o principal modelador da fei\u00e7\u00e3o af\u00e1vel e pl\u00e1cida da cidade. Nossos bairros mais tradicionais s\u00e3o de semblante neolusitano e como tais, carregam as contribui\u00e7\u00f5es adjacentes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_39672\" class=\"wp-caption alignnone\" aria-describedby=\"caption-attachment-39672\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-39672\" src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rua-do-bomjesusruados-judeus.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rua-do-bomjesusruados-judeus.jpg 1000w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rua-do-bomjesusruados-judeus-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rua-do-bomjesusruados-judeus-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/rua-do-bomjesusruados-judeus-750x450.jpg 750w\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"600\" data-pin-no-hover=\"true\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-39672\" class=\"wp-caption-text\">A Rua do Bom Jesus, antiga Rua dos Judeus, em 1855 e nos dias atuais.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como facilmente podemos verificar, o paradoxo chamado Recife \u00e9 evidente e destacado, menos pelos contrastes em conv\u00edvio, que pela desarmonia cordial (os \u201cpoliticamente corretos\u201d odeiam esta express\u00e3o), que faz amena a umidade morna das tardes primaveris.<\/p>\n<p>Somos a Foz do Capibaribe cantado em versos \u00e1speros por Jo\u00e3o Cabral, o firmamento azul \u2013 particularmente azul \u2013 dos sonetos de Carlos Pena; somos as saudades de Ant\u00f4nio Maria e inspira\u00e7\u00e3o da eloqu\u00eancia antropol\u00f3gica multidisciplinar de Gilberto Freyre.<\/p>\n<p>A \u201cCal\u00e7ada Ilustre do Atl\u00e2ntico\u201d simplesmente \u00e9, al\u00e9m de ide\u00e1rios f\u00e1tuos e afirma\u00e7\u00f5es fr\u00edvolas.<br \/>\n______________________<br \/>\n<strong>*Marcelo Cavalcanti \u00e9 soci\u00f3logo, ativista social e dirigente de institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o seu surgimento, como uma povoa\u00e7\u00e3o de pescadores, sua trajet\u00f3ria tem sido de muitos desafios.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de outras capitais brasileiras e, at\u00e9, de outros pa\u00edses das Am\u00e9ricas, o Recife nunca teve, enquanto urbe, a vida facilitada. 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