{"id":332803,"date":"2020-09-26T11:29:46","date_gmt":"2020-09-26T14:29:46","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=332803"},"modified":"2020-09-26T11:29:46","modified_gmt":"2020-09-26T14:29:46","slug":"o-calvario-de-jackie-shane-a-cantora-trans-de-voz-prodigiosa-que-disse-nao-a-motown-e-desapareceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-calvario-de-jackie-shane-a-cantora-trans-de-voz-prodigiosa-que-disse-nao-a-motown-e-desapareceu\/","title":{"rendered":"O calv\u00e1rio de Jackie Shane, a cantora trans de voz prodigiosa que disse \u201cn\u00e3o\u201d \u00e0 Motown e desapareceu"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Ela sumiu da noite para o dia e ficou 40 anos esquecida, mas um document\u00e1rio a resgatou e lhe permitiu recuperar o amor dos f\u00e3s do melhor R&amp;B, antes de sua morte, em 2019<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Carlos Sala\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/smoda\/\">CARLOS SALA<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<figure class=\"lead_art |  \"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/Jc25MeowjXSVGNxMqAvc82iglas=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/3WH6CWI3DRF5HF2M3AXCKVHCGE.jpg\" alt=\"Jackie Shane num show em Toronto, em 1967.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">Jackie Shane num show em Toronto, em 1967.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Ningu\u00e9m nasce antes do seu tempo, nem se antecipa \u00e0 sua \u00e9poca. Essa express\u00e3o n\u00e3o faz sentido. S\u00f3 que, \u00e0s vezes, parece que certas pessoas nasceram para corrigir uma realidade est\u00fapida e obstinada. Esse \u00e9 o caso de\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jackie_Shane\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Jackie Shane<\/a>, uma das vozes mais fascinantes dos anos 1960, dona de uma personalidade \u00fanica, cheia de energia vulc\u00e2nica e sensibilidade extrema. Cantava sobre a liberdade, sobre os sentimentos em seu estado mais bruto e sobre o poder de reivindicar seu pr\u00f3prio espa\u00e7o no mundo. Foi a primeira\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/transexualidad\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mulher trans<\/a>\u00a0a entrar nas paradas de sucesso, mas seu nome nunca passou de uma nota de rodap\u00e9 dentro da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/soul\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">hist\u00f3ria can\u00f4nica do soul<\/a>. Entretanto, o processo de corre\u00e7\u00e3o come\u00e7ou. Jackie Shane \u2015 recordem o nome desta mulher, porque ele n\u00e3o deve mais ser escrito com letras pequenas, e sim ao lado dos grandes.<\/p>\n<p class=\"\">Sua vida nunca refletiu os estere\u00f3tipos e preconceitos associados \u00e0 transexualidade. Jackie Shane parecia sempre gritar: \u201cN\u00e3o ache que me conhece pelas roupas que visto!\u201d. N\u00e3o havia lugares comuns no seu caminho. Nasceu em 1940 em Nashville, no sul profundo dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/estados-unidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Estados Unidos<\/a>, e, embora isto pare\u00e7a a primeira frase de uma hist\u00f3ria triste, uma biografia que come\u00e7a com uma inf\u00e2ncia cheia de humilha\u00e7\u00f5es, rejei\u00e7\u00e3o e dor, o fato \u00e9 que Shane sempre viveu alheia a problemas. Teve sorte e teve descaramento. Por qu\u00ea? Sua m\u00e3e e seus av\u00f3s sempre a defenderam. Isso faz diferen\u00e7a. Aos cinco anos, cal\u00e7ava salto alto, botava um vestido e sa\u00eda com sua enorme bolsa sendo a menina mais feliz do bairro, e ningu\u00e9m lhe dizia nada, porque se n\u00e3o teria que se ver com a m\u00e3e dela, e ningu\u00e9m era t\u00e3o valente.<\/p>\n<p class=\"\">Aos 13 anos come\u00e7ou a cantar no coro da igreja, mas sua voz extraordin\u00e1ria fez que j\u00e1 fosse direto para o grupo dos adultos, sem passar pelo coro infantil. Sua voz era sincera, poderosa, honesta, mas capaz de brincar, de se divertir e de despertar vontades, e aquela cidade logo ficou pequena para demonstrar todo seu talento. Entrou para uma banda itinerante e come\u00e7ou a viajar at\u00e9 que, chegando ao\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/canada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Canad\u00e1<\/a>, come\u00e7ou a viver como sempre quis. \u201cTodo o meu enfoque sempre foi enfrentar o mal. N\u00e3o me curvo, n\u00e3o me ajoelho. O mais baixo que chegarei \u00e9 \u00e0 parte de cima da minha cabe\u00e7a. Esta \u00e9 a Jackie!\u201d, afirmava essa aut\u00eantica for\u00e7a da natureza.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/Xu-gFyzWc5c8-_gExRg9CTxYobo=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/NBSUKX54ARBIZPWTA2M6PJIW54.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\"><span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"\">Uma vez no Canad\u00e1, conhece\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Frank_Motley\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Frank Motley<\/a>\u00a0em Montreal e entra para a banda dele, chamada Motley Crew (n\u00e3o confundir com o M\u00f6tley Cr\u00fce, her\u00f3is do glam metal), mesmo que\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vince_Neil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Vince Neill<\/a>\u00a0estivesse disposto a pagar milh\u00f5es para ter a voz e o carisma de Jackie. Logo ser\u00e1 sua voz solo e sua imagem, com um look \u00fanico, vestindo cal\u00e7as, palet\u00f3 de cores pastel e maquiagem carregada. \u201cMuitos achavam que era uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/lesbianas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">l\u00e9sbica<\/a>\u201d, recordaria. Nessa forma\u00e7\u00e3o chegaria a fazer um relativo sucesso com\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wiDVfi5dVp0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Any Other Way<\/i><\/a>, a c\u00e9lebre can\u00e7\u00e3o de William Bell que ela transforma em libelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/lgtb\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">LGTBI+<\/a>. \u201cDiga-lhe que sou feliz, diga-lhe que sou\u00a0<i>gay<\/i>, diga que eu n\u00e3o queria de outro jeito\u201d, canta, aproveitando-se do duplo sentido em ingl\u00eas da palavra\u00a0<i>gay<\/i>, que pode significar \u201calegre\u201d ou \u201chomossexual\u201d.<\/p>\n<p class=\"\">Em 1961, estabelecida em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/toronto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Toronto<\/a>, come\u00e7a a ganhar f\u00e3s. O conjunto logo \u00e9 rebatizado como Jackie Shane, Frank Motley and the Hitchhickers. O interesse cresce e come\u00e7am as turn\u00eas pelos Estados Unidos. Algu\u00e9m sabe quem \u00e9 essa a\u00ed?, perguntam-se, alucinados, os empres\u00e1rios musicais, produtores e promotores de shows ao v\u00ea-la sobre o palco. At\u00e9 Barry Gordy, grande chefe da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Motown_Records\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Motown<\/a>, tentou contrat\u00e1-la para o seu selo, mas ela n\u00e3o queria ser um produto, queria ser um sentimento, e disse que n\u00e3o. \u201cTinham toda uma s\u00e9rie de baldes de gelo com garrafas de champanhe. Tinham me dito v\u00e1rias vezes que Gordy ficava com o dinheiro dos artistas, e eu n\u00e3o queria estar metida nisso\u201d, admitiria. Depois, n\u00e3o ter\u00e1 pruridos em rejeitar o pr\u00f3prio George Clinton para os extraordin\u00e1rios Funkadelic. \u201cAli era um homem com uma fralda de beb\u00ea. N\u00e3o era para mim\u201d, contaria Jackie.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wiDVfi5dVp0\" width=\"656\" height=\"369\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Sempre teve ideias claras sobre o que queria ou n\u00e3o, e seu desejo era que sua carreira se guiasse por um \u00fanico motor, o de seus desejos. \u00c9 curioso: quando voc\u00ea passa a vida toda ouvindo que o que voc\u00ea sente n\u00e3o faz sentido, o que \u00e9 uma barbaridade, a \u00fanica coisa que lhe resta \u00e9 o que voc\u00ea sente e defende a todo custo. Assim foi Jackie Shane, cuja \u00fanica aproxima\u00e7\u00e3o com a realeza do soul foi quando aceitou sair em turn\u00ea com\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Etta_James\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Etta James<\/a>, outra grande artista, imortalizada no cinema por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/beyonce\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Beyonc\u00e9<\/a>.<\/p>\n<p class=\"\">No come\u00e7o da d\u00e9cada de 1970 come\u00e7a a se aborrecer com as intermin\u00e1veis turn\u00eas e a vida na estrada. Como era a \u00fanica respons\u00e1vel por sua carreira, decide mandar tudo ao diabo e retorna a Nashville sem nenhuma conta pendente nem arrependimento algum. A partir da\u00ed, cuidar\u00e1 da sua m\u00e3e doente com total dedica\u00e7\u00e3o, grata por ter sido ela quem lhe encheu o cora\u00e7\u00e3o de coragem para ser como quisesse. \u201cMinha m\u00e3e e meus av\u00f3s foram os aut\u00eanticos suportes de minha vida. Entendiam-me e me apoiavam\u201d, reconheceu em uma de suas \u00faltimas entrevistas.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yUYW2iwimBw\" width=\"492\" height=\"369\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">Em 2010 \u00e9 feito\u00a0<i>I Got Mine: the Story of Jackie Shane<\/i>, um document\u00e1rio em sua homenagem, sem saber se estava viva ou morta, j\u00e1 que a cantora desapareceu por completo dos holofotes e sua vida virou um mist\u00e9rio, uma lenda. Assim como aconteceu com o filme\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Searching_for_Sugar_Man\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Searching for Sugar Man<\/i><\/a><i>,\u00a0<\/i>sobre a hist\u00f3ria do cantor Sixto D\u00edaz Rodr\u00edguez, ao final, o talento de Shane \u00e9 novamente reconhecido e celebrado antes dela morrer. Em 2017 \u00e9 lan\u00e7ado\u00a0<i>Any Other Way<\/i>, uma colet\u00e2nea das suas melhores grava\u00e7\u00f5es. Em 2018, o trabalho \u00e9 indicado a um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/premios-grammy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Grammy<\/a>\u00a0como melhor \u00e1lbum hist\u00f3rico.<\/p>\n<p class=\"\">Voltam as entrevistas e o interesse por sua vida, mas ela, vaidosa, sempre jogar\u00e1 com a ambiguidade. \u201cSe alguma vez me virem em um restaurante ou caminhando pela rua e n\u00e3o ouvir sussurrarem, rirem ou me apontarem, acharei estranho e terei que ir correndo ao banheiro me olhar ao espelho. Mostrarei a l\u00edngua para ver se n\u00e3o estou doente ou simplesmente terei perdido o toque\u201d, afirma, deixando claro qual era seu car\u00e1ter e sua for\u00e7a para enfrentar todas as m\u00e1s l\u00ednguas do mundo. Sabe quem \u00e9, sabe o que quer ser, e sabe de sobra o que isto pode provocar nos outros. N\u00e3o se surpreende, s\u00f3 levanta o rosto com orgulho e diz: \u201cSou linda, n\u00e9?!\u201d.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nrtVEGMURmo\" width=\"492\" height=\"369\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"\">\u201cSabem qual \u00e9 meu lema? Fa\u00e7a o que quiser, s\u00f3 pense no que faz\u201d, afirma na grava\u00e7\u00e3o ao vivo em que interpreta a cl\u00e1ssica\u00a0<i>Money<\/i>, uma das faixas de\u00a0<i>Any Other Way<\/i>. Outras maravilhas do disco s\u00e3o suas vers\u00f5es de\u00a0<i>Cruel Cruel World<\/i>\u00a0e\u00a0<i>I\u2019ve Really Got the Blues<\/i>. Porque ela se considera, sobretudo, uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">cantora de blues<\/a>. Nunca cantou em uma boate gay, porque n\u00e3o \u00e9 uma cantora gay, \u00e9 uma cantora de blues. \u201cAcredito sinceramente que foi o destino, como se fosse algo que n\u00e3o se podia evitar. Realmente acredito que encontrei um lugar ao lado de pessoas maravilhosas. O que eu disse, o que fiz, sempre me dizem que tornou suas vidas melhores, e comemoro\u201d, disse, quando seu nome voltou a ressurgir das cinzas.<\/p>\n<p class=\"\">A cantora morreu em 21 de fevereiro de 2019, aos 78 anos. O excelente\u00a0<i>Any Other Way<\/i>\u00a0ficou como testamento de um talento inigual\u00e1vel e de um carisma esmagador. O disco nem sequer cont\u00e9m can\u00e7\u00f5es, e sim eventos, maravilhas, efervesc\u00eancias. Sua voz \u00e9 uma torrente, como um jorro de \u00e1gua fria que jogassem em cima de voc\u00ea e lhe obrigasse a sobreviver. Sim! Essa \u00e9\u00a0<i>Little<\/i>\u00a0Jackie Shane.<\/p>\n<figure class=\"f | margin_top\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/U6vRQBQ0fEWPKneaDx_fV_hL0CM=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/OLYYBAOUXVGQ5GAMI7MAWO2BXY.jpg\" alt=\"Jackie Shane (1940-2019) se apresenta no teatro Palais Royale, em Toronto, em 1967. \" \/><figcaption class=\"f_c | border_bottom border_1 border_gray_ultra_light_warm text_align_right padding_vertical color_gray_medium\">Jackie Shane (1940-2019) se apresenta no teatro Palais Royale, em Toronto, em 1967.\u00a0<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">GETTY<\/p>\n<p><\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela sumiu da noite para o dia e ficou 40 anos esquecida, mas um document\u00e1rio a resgatou e lhe permitiu recuperar o amor dos f\u00e3s do melhor R&#038;B, antes de sua morte, em 2019<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":332804,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-332803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/viado-preto.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=332803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/332803\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/332804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=332803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=332803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=332803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}