{"id":332902,"date":"2020-09-28T07:58:13","date_gmt":"2020-09-28T10:58:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=332902"},"modified":"2020-09-29T05:29:22","modified_gmt":"2020-09-29T08:29:22","slug":"o-traficante-que-deu-origem-ao-culto-do-senhor-do-bonfim-e-outras-descobertas-do-mapa-da-escravidao-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-traficante-que-deu-origem-ao-culto-do-senhor-do-bonfim-e-outras-descobertas-do-mapa-da-escravidao-em-salvador\/","title":{"rendered":"O traficante que deu origem ao culto do Senhor do Bonfim e outras descobertas do &#8216;mapa da escravid\u00e3o&#8217; em Salvador"},"content":{"rendered":"<div class=\"GridItemConstrainedLarge-sc-12lwanc-4 gVouae\">\n<h1 id=\"content\" class=\"Headline-sc-1kh1qhu-0 StyledHeadline-sc-1ffcmag-0 bbZNgo\" tabindex=\"-1\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi StyledByline-uounnc-2 lnSXqy\">\n<div class=\"Container-sc-1dejso6-0 kTUpTi\">\n<p><strong>Camilla Costa\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi StyledTimestamp-uounnc-1 ebSCEt\"><\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/12E08\/production\/_114402377_gettyimages-608950755.jpg 800w\" alt=\"M\u00e3os levantadas diante da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">Igreja que \u00e9 s\u00edmbolo de sincretismo e respeito a religi\u00f5es de matriz africana em Salvador abriga t\u00famulo de um dos maiores traficantes de escravizados da Bahia<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\"><b>Anualmente, no m\u00eas de janeiro, a cidade de Salvador se re\u00fane diante da Igreja do Senhor do Bonfim para uma celebra\u00e7\u00e3o sincr\u00e9tica que re\u00fane cat\u00f3licos e adeptos do candombl\u00e9. A festa teve in\u00edcio com a lavagem que pessoas escravizadas faziam da Igreja e hoje \u00e9 considerada Patrim\u00f4nio Imaterial do Brasil, celebrada por autoridades locais como espa\u00e7o livre de discrimina\u00e7\u00e3o.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Mas a pra\u00e7a diante da igreja homenageia um dos principais traficantes de africanos escravizados da Bahia. Seu t\u00famulo, na verdade, est\u00e1 em destaque dentro do templo, j\u00e1 que ele foi o respons\u00e1vel por trazer a imagem que permitiu o culto ao Senhor do Bonfim no Estado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Em meio ao debate sobre homenagens a traficantes de seres humanos retirados da \u00c1frica \u2014 que ganhou nova for\u00e7a com os protestos de movimentos antirracistas nos Estados Unidos e na Europa neste ano \u2014 um grupo de historiadores decidiu jogar luz sobre esta e outras liga\u00e7\u00f5es esquecidas de homenagens, ruas e locais hist\u00f3ricos de Salvador com a escravid\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Salvador foi o segundo maior porto de desembarque de africanos nas Am\u00e9ricas durante a vig\u00eancia do com\u00e9rcio transatl\u00e2ntico de pessoas escravizadas, atr\u00e1s apenas do Rio de Janeiro. Estima-se que mais de 1,2 milh\u00e3o de africanos chegaram \u00e0 Bahia nos chamados navios negreiros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A iniciativa dos historiadores deu origem ao site\u00a0<a class=\"InlineLink-hkwpaz-0 idscKS\" href=\"https:\/\/www.salvadorescravista.com\/mapa\" aria-label=\"Salvador Escravista, externo\">Salvador Escravista<\/a>, que mapeia homenagens controversas, homenagens reparadoras e tamb\u00e9m lugares esquecidos, onde ocorreram epis\u00f3dios importantes da hist\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra da cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMediumNoMargin-sc-12lwanc-3 ijtfss\">\n<div class=\"RecommendationsWrapper-sc-1p91yk0-0 fwOZeG\">\n<section class=\"StyledConstrainedLargeGrid-opyob2-0 dBGUrB\" role=\"region\" data-e2e=\"recommendations-heading\" aria-labelledby=\"recommendations-heading\">\n<div class=\"Wrapper-sc-1raf5kj-0 hgWAOX\">\n<p id=\"end-of-recommendations\" class=\"EndText-sc-1raf5kj-2 kEyfjd\" tabindex=\"-1\">Fim do Talvez tamb\u00e9m te interesse<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<div class=\"Wrapper-e2169q-0 kopXQT\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;O prop\u00f3sito do site n\u00e3o \u00e9 simplesmente mudar nomes de ruas ou retirar monumentos, mas isso poderia, sim, vir como resultado&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Felipe Azevedo e Souza, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e um dos realizadores do projeto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;O que queremos \u00e9 um debate maior sobre pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a mem\u00f3ria da cidade, que sejam mais democr\u00e1ticas e mais plurais.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O projeto j\u00e1 inspira historiadores de outros Estados, como Pernambuco, Goi\u00e1s e Rio Grande do Sul, a fazer iniciativas semelhantes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Os organizadores tamb\u00e9m pretendem criar um aplicativo que transforme os verbetes do site em um percurso tur\u00edstico que possa dar mais informa\u00e7\u00f5es aos visitantes sobre o lado menos conhecido dos personagens e monumentos da capital baiana \u2014 e do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A BBC News Brasil re\u00fane aqui algumas dessas hist\u00f3rias:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<h2 id=\"O-traficante-de-escravos-que-decorou-a-Igreja-do-Senhor-do-Bonfim\" class=\"SubHeading-sc-1kh1qhu-1 nSlOl\" tabindex=\"-1\">O traficante de escravos que decorou a Igreja do Senhor do Bonfim<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedSmall-sc-12lwanc-1 kfaext\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 iZBNSB\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 kbWGmo\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/8EA8\/production\/_114402563_477ea358-851d-4545-b33c-31a5e1eeb02e.jpg 800w\" alt=\"Teto da Igreja do Senhor do Bonfim em Salvador, Bahia\" width=\"3456\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">A pintura do teto da Igreja do Senhor do Bonfim foi encomendada por Rodrigues de Faria. No canto inferior esquerdo, v\u00ea-se marinheiros carregando a vela de um navio e um homem, que pode ser o pr\u00f3prio capit\u00e3o, entregando o quadro do navio salvo da tempestade, que deu origem a sua devo\u00e7\u00e3o<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 jJyzGv\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O portugu\u00eas Teod\u00f3sio Rodrigues de Faria foi capit\u00e3o de um navio mercante da \u00cdndia por anos e, j\u00e1 com fama de &#8220;grande homem do mar&#8221;, na d\u00e9cada de 1740, se estabeleceu em Salvador, onde passou a investir no com\u00e9rcio \u2014 incluindo o de pessoas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Ao que tudo indica, ele j\u00e1 era devoto do Senhor do Bonfim, que dava nome a um de seus barcos. Segundo o historiador C\u00e2ndido Domingues, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), o navegante invocou a prote\u00e7\u00e3o do Cristo crucificado durante uma tempestade mar\u00edtima em viagem a Lisboa. E, em retribui\u00e7\u00e3o, levou para Salvador uma imagem do Senhor do Bonfim semelhante \u00e0 que existia na cidade portuguesa de Set\u00fabal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;A imagem foi eventualmente colocada na Igreja do Senhor do Bonfim, que estava sendo constru\u00edda na Colina Sagrada. Segundo registros de outros historiadores, Teod\u00f3sio tamb\u00e9m investiu bastante na decora\u00e7\u00e3o da Igreja. Na pintura do teto se v\u00ea um painel em que um grupo de marinheiros entrega aos santos e anjos um quadro representando o navio durante a tempestade, e a vela do navio&#8221;, disse Domingues \u00e0 BBC News Brasil, em entrevista por telefone.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A devo\u00e7\u00e3o e o investimento na igreja tamb\u00e9m lhe renderam lugar de destaque na irmandade do Senhor do Bonfim, que reunia outros comerciantes influentes na sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Quando morreu, em 1757, Teod\u00f3sio Rodrigues foi enterrado dentro da Igreja, que \u00e9 um dos principais cart\u00f5es postais de Salvador e palco de uma de suas maiores festas inter-religiosas, a Lavagem do Bonfim.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedSmall-sc-12lwanc-1 kfaext\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 iZBNSB\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 kbWGmo\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/17C28\/production\/_114402379_dscn0555.jpg 800w\" alt=\"T\u00famulo de Teod\u00f3sio Rodrigues de Faria na Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador\" width=\"3456\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">O traficante est\u00e1 enterrado dentro da igreja como seu &#8220;primeiro benfeitor&#8221;. A pra\u00e7a diante do tempo e uma rua lateral tamb\u00e9m o homenageiam, sem mencionar sua participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio de africanos<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 jJyzGv\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O capit\u00e3o portugu\u00eas tamb\u00e9m d\u00e1 nome \u00e0 pra\u00e7a que fica diante da igreja e a uma rua pr\u00f3xima, tamanha \u00e9 a sua import\u00e2ncia na sua funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;S\u00f3 que, nos anos 1750, Teod\u00f3sio Rodrigues de Faria tamb\u00e9m atuou intensamente no tr\u00e1fico de africanos, um detalhe que costuma ser omitido ou posto em d\u00favida nas homenagens e reportagens sobre ele feitas durante a festa do Bonfim&#8221;, diz o historiador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Em sua pesquisa, C\u00e2ndido Domingues encontrou registros de navios negreiros que Farias possu\u00eda em sociedade com outros traficantes da \u00e9poca e at\u00e9 uma presta\u00e7\u00e3o de contas em que ele reivindica escravizados que lhe pertenciam em um navio cujo dono morreu ao chegar da \u00c1frica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;A import\u00e2ncia de conhecermos e discutirmos isso \u00e9 dar a possibilidade a fieis e cidad\u00e3os de compreender outras hist\u00f3rias que est\u00e3o no nosso passado. A ideia n\u00e3o \u00e9 necessariamente desfazer esses monumentos. Mas, conhecendo as outras partes da nossa hist\u00f3ria, podemos registr\u00e1-las e fazer a cr\u00edtica necess\u00e1ria&#8221;, afirma Domingues.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<h2 id=\"O-Elevador-constru\u00eddo-com-dinheiro-do-com\u00e9rcio-ilegal-de-africanos\" class=\"SubHeading-sc-1kh1qhu-1 nSlOl\" tabindex=\"-1\">O Elevador constru\u00eddo com dinheiro do com\u00e9rcio ilegal de africanos<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O famoso Elevador Lacerda, que liga as partes alta e baixa da capital baiana e chegou a ser o maior do mundo \u00e0 \u00e9poca de sua inaugura\u00e7\u00e3o, em 1873, n\u00e3o foi constru\u00eddo para homenagear um traficante de escravos, como outros monumentos agora pol\u00eamicos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O projeto inicialmente foi chamado de Elevador Hidr\u00e1ulico da Concei\u00e7\u00e3o, e era considerado uma ideia um tanto extravagante. S\u00f3 em 1896 passou a se chamar se chamar Elevador Antonio de Lacerda, em homenagem ao seu idealizador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/4790\/production\/_114402381_gettyimages-1223349849.jpg 800w\" alt=\"Vista de baixo do Elevador Lacerda em Salvador, Bahia\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">O principal cart\u00e3o portal da capital baiana provavelmente n\u00e3o teria sido constru\u00eddo sem uma fortuna obtida com o tr\u00e1fico de africanos, mesmo ap\u00f3s a lei que o proibia, segundo historiadora<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">No entanto, segundo a historiadora Silvana Andrade dos Santos, doutora em Hist\u00f3ria pela Universidade Federal Fluminense (UFF), a obra provavelmente n\u00e3o teria sido feita sem a riqueza acumulada pelo pai de Lacerda, o negociante portugu\u00eas naturalizado brasileiro Antonio Francisco de Lacerda, no tr\u00e1fico ilegal de africanos, ou seja, mesmo ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o por lei.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Pela imagem que pude construir a respeito de Antonio Francisco de Lacerda atrav\u00e9s da minha pesquisa, ele parece um especulador. Sempre que via uma oportunidade de fazer um bom neg\u00f3cio ele fazia e, quando achava que aquilo j\u00e1 n\u00e3o era pra ele, sa\u00eda&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;A historiografia tem demonstrado que cinco anos antes da proibi\u00e7\u00e3o oficial do tr\u00e1fico de pessoas, quando o Brasil come\u00e7ou a negociar os tratados com a Inglaterra, a demanda pela m\u00e3o de obra escravizada aumentou muito. Isso fez com que muitos negociantes entrassem no com\u00e9rcio para obter altos lucros. Pelo que eu consegui perceber, esse foi o caso dele.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A pesquisadora encontrou registros de que Lacerda, o pai, era s\u00f3cio em ao menos duas embarca\u00e7\u00f5es fretadas para fazer viagens negreiras para \u00c1frica no final da d\u00e9cada de 1830 \u2014 a importa\u00e7\u00e3o de escravizados africanos para o Brasil j\u00e1 era proibida desde 1831.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">As embarca\u00e7\u00f5es foram apreendidas e condenadas pela Marinha brit\u00e2nica. Por isso, os registros de seus donos permaneceram arquivados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;A documenta\u00e7\u00e3o sobre o tr\u00e1fico ilegal \u00e9 justamente para as viagens que n\u00e3o deram certo. Quantas outras deram certo e n\u00e3o sabemos?&#8221;, questiona Silvana.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">De acordo com ela, era comum que comerciantes da \u00e9poca entrassem no tr\u00e1fico, realizassem algumas viagens, ganhassem um bom dinheiro e investissem em outros neg\u00f3cios que tinham.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/95B0\/production\/_114402383_gettyimages-526151981.jpg 800w\" alt=\"Vista de fachada do Elevador Lacerda em Salvador, Bahia\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">Lucros com viagens negreiras ilegais permitiram a Antonio Francisco de Lacerda enviar os filhos para estudar no exterior e abrir a Companhia de Transportes Urbanos, que faria o Elevador<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">No caso de Antonio Francisco de Lacerda, o lucro foi usado em empreitadas como uma estrada de ferro, a maior f\u00e1brica de tecidos do pa\u00eds no s\u00e9culo 19, o Banco da Bahia e a Companhia de Transportes P\u00fablicos. Seus filhos foram enviados para estudar em pa\u00edses como Su\u00ed\u00e7a e Estados Unidos, algo que s\u00f3 estava ao alcance de fam\u00edlia abastadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Em 1856, o filho, Antonio de Lacerda, volta ao Brasil sem concluir o curso de Engenharia que havia come\u00e7ado nos Estados Unidos e assume os neg\u00f3cios do pai. Alguns anos mais tarde, ele consumiria boa parte da fortuna familiar na constru\u00e7\u00e3o do Elevador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Discursos da fam\u00edlia reproduzidos em jornais da \u00e9poca, no entanto, d\u00e3o a entender que o Lacerda filho n\u00e3o acreditava ter recebido o devido reconhecimento por sua obra. Um de seus netos reclamou, inclusive, de seu ressentimento por ter que pagar a pr\u00f3pria passagem, que, na \u00e9poca, custava o equivalente a R$ 0,10.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<h2 id=\"O-grito-de-liberdade-eternizado-nas-ruas-13-de-Maio\" class=\"SubHeading-sc-1kh1qhu-1 nSlOl\" tabindex=\"-1\">O grito de liberdade eternizado nas ruas 13 de Maio<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Desde o final dos anos 1970, parte do movimento negro brasileiro questiona a import\u00e2ncia do dia 13 de maio de 1888, quando foi assinada a Lei \u00c1urea, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 narrativa de que a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o teria sido uma generosidade da fam\u00edlia real para com a popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">No entanto, as ruas de Salvador contam outra hist\u00f3ria. Em seu mapeamento, os historiadores do site Salvador Escravista encontraram sete ruas Treze de Maio na cidade, quase todas elas em bairros perif\u00e9ricos, como Liberdade e Paripe, cuja maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/DCC8\/production\/_114402565_nypl.digitalcollections.c0e23dc2-de2a-06ea-e040-e00a18066d7b.001.w.jpg 800w\" alt=\"Trabalhadores escravizados observados por feitor em 1865\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\">&#8220;Muitos senhores baianos apostavam na longevidade da escravid\u00e3o, mesmo sabendo que havia uma movimenta\u00e7\u00e3o para abolir&#8221;, diz a historiadora Iacy Maia Mata<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Segundo a historiadora Iacy Maia Mota, professora na Ufba e autora de uma disserta\u00e7\u00e3o sobre as rea\u00e7\u00f5es \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o na Bahia, a nomea\u00e7\u00e3o das ruas d\u00e1 uma pista sobre a import\u00e2ncia real que a data teve na vida das milhares de pessoas cujas vidas foram impactadas pela lei.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Eu tenho esse debate com ativistas do movimento negro sobre a necessidade que temos de valorizar o 13 de maio. N\u00e3o podemos esvaziar o significado dessa data. Ela foi um resultado da luta abolicionista que as pessoas celebraram. Elas foram para as ruas, desafiaram os ex-senhores, afirmaram sua liberdade&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A lei \u00c1urea, segundo Mata, rompeu com a estrat\u00e9gia de aboli\u00e7\u00e3o gradual da escravid\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o, a liberta\u00e7\u00e3o dos escravizados ocorria atrav\u00e9s de leis como a do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagen\u00e1rios (1875). Mas ambas impunham condi\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade, como a indeniza\u00e7\u00e3o dos ex-senhores ou um tempo extra de servid\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Mas as disputas jur\u00eddicas sobre a legitimidade da escravid\u00e3o come\u00e7aram a crescer no pa\u00eds, assim como o movimento abolicionista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Quando o Brasil se viu internacionalmente isolado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o escravid\u00e3o &#8211; j\u00e1 que foi o \u00faltimo pa\u00eds das Am\u00e9ricas a acabar com ela &#8211; e o abolicionismo virou um movimento de massa, os legisladores brasileiros se viram for\u00e7ados a resolver o que eles chamavam de &#8216;a quest\u00e3o servil'&#8221;, diz a historiadora.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O resultado disso \u00e9 que a lei promulgada em 13 de maio, que tramitou rapidamente no Parlamento e foi sancionada pela princesa Isabel, \u00e9 a \u00fanica sobre o tema a ter somente dois par\u00e1grafos: um acabando com a escravid\u00e3o e outro revogando todas as disposi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Os escravocratas baianos sabiam das discuss\u00f5es no Parlamento, mas n\u00e3o imaginavam que seria aprovada a aboli\u00e7\u00e3o imediata, sem indeniza\u00e7\u00e3o a eles e sem um dispositivo que obrigasse os libertos a continuar trabalhando. Eles foram surpreendidos e reclamaram muito&#8221;, conta Iacy Mata.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Muitos dos rec\u00e9m-libertados, por sua vez, passaram a se recusar ao trabalho nos moldes da escravid\u00e3o. Jornais da \u00e9poca tinham relatos de escravistas que foram abandonados por seus cativos no dia 13 de maio &#8211; alguns retornavam apenas para informar que n\u00e3o trabalhariam mais para ningu\u00e9m.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Entre 1888 e 1889 explodiram pedidos pelo uso da for\u00e7a policial em v\u00e1rias cidades da Bahia, inclusive Salvador, para conter os libertos porque havia muito samba, festas nas ruas e recusa a voltar \u00e0s fazendas. Isso era entendido como insubordina\u00e7\u00e3o aos ex-senhores&#8221;, conta Mata.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedSmall-sc-12lwanc-1 kfaext\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 iZBNSB\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 gsgjzQ\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/103D8\/production\/_114402566_nypl.digitalcollections.510d47df-8ce9-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/103D8\/production\/_114402566_nypl.digitalcollections.510d47df-8ce9-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/103D8\/production\/_114402566_nypl.digitalcollections.510d47df-8ce9-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/447\/cpsprodpb\/103D8\/production\/_114402566_nypl.digitalcollections.510d47df-8ce9-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg 447w\" alt=\"Homem negro liberto na Bahia em 1910\" width=\"447\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">Imediatamente ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei, os rec\u00e9m-libertos come\u00e7aram a abandonar as fazendas e recusar-se a trabalhar para os senhores; eram acusados de insubordina\u00e7\u00e3o<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 jJyzGv\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">No momento da aboli\u00e7\u00e3o, a Bahia abrigava cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o escravizada do Brasil. Os beneficiados pela lei \u00c1urea eram identificados nos registros policiais como &#8220;13 de maio 88 rec\u00e9m-libertados&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Sabemos que a aprova\u00e7\u00e3o da lei n\u00e3o abalou as estruturas fundacionais do Brasil, porque n\u00e3o trouxe inclus\u00e3o para os ex-escravizados na sociedade&#8221;, reconhece a historiadora.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Mas ela colocou em xeque, em alguma medida, a hierarquia racial. Porque a liberdade, em tese, j\u00e1 n\u00e3o tinha cor. Foi uma mudan\u00e7a importante para aquelas pessoas. E o car\u00e1ter popular da lei pode ser visto na geografia da cidade.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Mas, se nas periferias da capital baiana encontram-se algumas ruas Treze de Maio, nos bairros nobres uma \u00fanica avenida &#8211; entre a Gra\u00e7a e a Barra &#8211; \u00e9 dedicada, de certo modo, \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o. Chama-se Princesa Isabel.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<h2 id=\"O-bar\u00e3o-que-tentou-frear-a-aboli\u00e7\u00e3o\" class=\"SubHeading-sc-1kh1qhu-1 nSlOl\" tabindex=\"-1\">O bar\u00e3o que tentou frear a aboli\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Tamb\u00e9m homenageado com uma longa rua no bairro da Cal\u00e7ada, na Cidade Baixa, o bar\u00e3o de Cotegipe foi um dos principais antagonistas da princesa Isabel no tema da aboli\u00e7\u00e3o \u2014 mesmo fazendo parte de seu governo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O bar\u00e3o, cujo nome era Jo\u00e3o Maur\u00edcio Wanderley, foi um dos principais representantes dos interesses escravagistas na pol\u00edtica brasileira. Ele tamb\u00e9m d\u00e1 nome a ruas em cidades do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s e Paran\u00e1 e at\u00e9 de um munic\u00edpio no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Ele foi uma figura relevante em todo o pa\u00eds, mas sua mem\u00f3ria p\u00fablica n\u00e3o d\u00e1 \u00eanfase ao fato de que ele foi o escravocrata mais poderoso dos \u00faltimos anos do Imp\u00e9rio. E tomou muitas medidas em prol da perpetua\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil o historiador Felipe Azevedo e Souza, da Ufba.<img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/2BDE\/production\/_114403211_http___mhn.acervos.museus.gov.br_wp-content_uploads_tainacan-items_24_86407_006485.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/2BDE\/production\/_114403211_http___mhn.acervos.museus.gov.br_wp-content_uploads_tainacan-items_24_86407_006485.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/2BDE\/production\/_114403211_http___mhn.acervos.museus.gov.br_wp-content_uploads_tainacan-items_24_86407_006485.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/412\/cpsprodpb\/2BDE\/production\/_114403211_http___mhn.acervos.museus.gov.br_wp-content_uploads_tainacan-items_24_86407_006485.jpg 412w\" alt=\"Bar\u00e3o de Cotegipe\" width=\"412\" \/><\/p>\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Depois da aboli\u00e7\u00e3o, o bar\u00e3o de Cotegipe chegou a propor um projeto de lei que indenizasse o ex-escravistas afetados, mas foi derrotado<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedSmall-sc-12lwanc-1 kfaext\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentSmall-sc-12lwanc-12 cnXUzO\">\n<div class=\"NestedGridItemChildSmall-sc-12lwanc-7 jJyzGv\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Como presidente do Conselho de Ministros, uma esp\u00e9cie de primeiro-ministro durante a reg\u00eancia da princesa Isabel, ele prop\u00f4s a lei dos Sexagen\u00e1rios, que libertava os escravos com 60 anos ou mais, mas os obrigava a pagar indeniza\u00e7\u00e3o ao senhor e a trabalhar por mais tr\u00eas anos para compens\u00e1-lo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Cotegipe acreditava piamente que a escravid\u00e3o n\u00e3o era, por si s\u00f3, um problema. O problema eram os maus senhores, porque os bons senhores iriam cuidar bem dos escravizados. Ele usava isso como argumento para adiar a aboli\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Souza.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Em 1887, quando se debate o fim da pena de a\u00e7oite aos escravizados, ele se posiciona contra, dizendo que \u00e9 uma maneira de o senhor educar o escravizado como um pai educa um filho &#8216;dando-lhe uma palmada&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Segundo o historiador, o bar\u00e3o havia sido al\u00e7ado ao posto, em 1885, justamente para refrear as tend\u00eancias abolicionistas da princesa. O resultado disso foi que um aumento da repress\u00e3o violenta \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es pela aboli\u00e7\u00e3o, que ganhavam for\u00e7a. L\u00edderes foram presos e ca\u00e7adas humanas a escravizados que fugiam de fazendas, principalmente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, foram promovidas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;O Ex\u00e9rcito foi convocado para atuar na repress\u00e3o, e isso tamb\u00e9m gerou uma crise para o regime. De um lado, boa parte dos jovens oficiais, prendados em filosofia e imbu\u00eddos de um certo idealismo, eram abolicionistas. De outro, os oficiais mais velhos queriam o reconhecimento de her\u00f3is nacionais pela vit\u00f3ria na Guerra do Paraguai e sentiam que estava sendo reduzidos a capit\u00e3es do mato&#8221;, diz Souza.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Sob press\u00e3o, o movimento pela aboli\u00e7\u00e3o recorria cada vez mais a m\u00e9todos radicais, como articular fugas coletivas de escravizados e criar quilombos urbanos para abrig\u00e1-los. E aumentava a tens\u00e3o entre o bar\u00e3o e a princesa, que acabou conseguindo sua ren\u00fancia da presid\u00eancia do Conselho dos Ministros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Cotegipe ainda voltou ao Senado para votar contra a lei \u00c1urea em 1888. E disse \u00e0 princesa Isabel que ela libertou os escravos, mas perdeu o Imp\u00e9rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;O interessante \u00e9 perceber que boa parte da crise que acabou por derrubar o Imp\u00e9rio foi ele mesmo que causou, justamente por ser um escravista inflex\u00edvel. Foi ele que provocou uma crise com os militares e demorou para negociar com os abolicionistas e com os setores progressistas da sociedade&#8221;, conclui o historiador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<h2 id=\"A-revolta-de-escravizados-que-fez-tremer-o-imp\u00e9rio-\u2014-e-foi-apagada-da-cidade\" class=\"SubHeading-sc-1kh1qhu-1 nSlOl\" tabindex=\"-1\">A revolta de escravizados que fez tremer o imp\u00e9rio \u2014 e foi apagada da cidade<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O maior e mais importante levante urbano de africanos escravizados j\u00e1 registrado no Brasil ocorreu durante algumas horas entre os dias 24 e 25 de janeiro de 1835 em Salvador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Em um sobrado na ladeira da Pra\u00e7a, no centro da cidade, cerca de 50 africanos de diversas etnias, muitos deles mu\u00e7ulmanos (conhecidos como imales, na l\u00edngua iorub\u00e1, da \u00c1frica Ocidental), se reuniam quando foram cercados por for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Eles atacaram os soldados e dali sa\u00edram para libertar um de seus l\u00edderes, Pac\u00edfico Licutan, na cadeia p\u00fablica. Enfrentaram mais soldados na pra\u00e7a Municipal e angariaram o apoio de outros grupos de africanos, libertos e escravizados, em um percurso por todo o centro at\u00e9 o Terreiro de Jesus, local onde hoje \u00e9 o bairro do Pelourinho. A batalha sangrenta continuou at\u00e9 \u00c1gua de Meninos, na Cidade Baixa, onde os africanos foram derrotados.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/17520\/production\/_114402559_gettyimages-471124814.jpg 800w\" alt=\"Largo Terreiro de Jesus no Pelourinho em Salvador, na Bahia\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">O Largo Terreiro de Jesus, no Pelourinho, foi palco de uma das batalhas entre os mal\u00eas e os policiais durante a revolta, cujo objetivo final nunca foi conhecido<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Em nenhum desses pontos, no entanto, h\u00e1 qualquer placa, monumento ou marco sobre a Revolta dos Mal\u00eas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Mais de 20 anos atr\u00e1s, eu e alguns militantes do movimento negro colocamos uma placa modesta de madeira marcando o lugar onde provavelmente a revolta come\u00e7ou. N\u00e3o sabemos se a placa caiu ou foi retirada, mas ela n\u00e3o existe mais. Talvez essa tenha sido a primeira a\u00e7\u00e3o de demarca\u00e7\u00e3o da revolta na cidade&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil o historiador Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, da Ufba, autor do livro\u00a0<i class=\"italic-sc-1a0jt7x-0 kSbVzj\">Rebeli\u00e3o Escrava no Brasil &#8211; A Hist\u00f3ria do Levante dos Mal\u00eas em 1835<\/i>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Ap\u00f3s a derrota, muitos dos revoltosos foram a\u00e7oitados em pra\u00e7a p\u00fablica, presos ou deportados \u00e0 \u00c1frica. Quatro deles foram fuzilados no Campo da P\u00f3lvora, na Cidade Baixa, em local tamb\u00e9m mapeado pelo site Salvador Escravista como um dos &#8220;Locais esquecidos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Mesmo africanos que n\u00e3o participaram do levante passaram a ser perseguidos pela pol\u00edcia, e senhores tamb\u00e9m passaram a impor a religi\u00e3o cat\u00f3lica a escravizados mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">O medo de outro epis\u00f3dio como aquele tamb\u00e9m tomou o Imp\u00e9rio. No Rio de Janeiro, africanos escravizados que chegavam da Bahia esperavam muitas vezes por meses dentro de navios sem poder desembarcar, at\u00e9 que tivessem uma ficha corrida aprovada pela pol\u00edcia baiana que provasse que n\u00e3o participaram da revolta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Por que, ent\u00e3o, um momento t\u00e3o importante da resist\u00eancia \u00e0 escravid\u00e3o nunca foi marcado no espa\u00e7o urbano?<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;Isso faz parte de um pacote de apagamento da hist\u00f3ria do negro em todo o Brasil, e aqui em Salvador especificamente. \u00c9 obviamente resultado de uma celebra\u00e7\u00e3o da nossa hist\u00f3ria que privilegia temas n\u00e3o negros na monumentaliza\u00e7\u00e3o ou da nomea\u00e7\u00e3o de logradouros p\u00fablicos. Por outro lado, vejo uma certa tend\u00eancia de melhora&#8221;, diz Reis.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Um projeto aprovado pela C\u00e2mara dos Vereadores da capital baiana quer nomear a esta\u00e7\u00e3o de metr\u00f4 no Campo da P\u00f3lvora em homenagem aos mal\u00eas, e colocar um monumento na pra\u00e7a onde fica a esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Um grupo de pesquisadores, que re\u00fane historiadores e muse\u00f3logos de diversas universidades do Estado, tamb\u00e9m planeja um Museu da Escravid\u00e3o e Inven\u00e7\u00e3o da Liberdade, que contemple n\u00e3o s\u00f3 o per\u00edodo da escravid\u00e3o, mas toda a presen\u00e7a organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra na pol\u00edtica e na cultura brasileiras.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedLargeNoMargin-sc-12lwanc-5 tOkbK\">\n<figure class=\"Figure-sc-6a3dhy-0 gJUCFc\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 fkKpIa\">\n<div class=\"ImagePlaceholder-sc-11u25v2-0 _StyledImagePlaceholder-gu1fm2-0 dWHIXb\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"StyledImg-sc-7vx2mr-0 dQLeqZ\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/4088\/production\/_114402561_revolucao_males.jpg 800w\" alt=\"Vista da rua Revolu\u00e7\u00e3o dos Mal\u00eas em Salvador, Bahia\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"Caption-sc-16x70so-0 kzTJkj\">Apenas uma pequena rua no bairro da Liberdade homenageira o epis\u00f3dio, que foi o levante urbano de escravizados mais importante registrado no Brasil<\/figcaption><div class=\"NestedGridParentLarge-sc-12lwanc-10 hfLVVX\">\n<div class=\"NestedGridItemChildLarge-sc-12lwanc-9 ichKJL\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;\u00c9 fundamental mostrar para as pessoas que os negros escravizados n\u00e3o se acomodaram, n\u00e3o aceitaram a situa\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas. Eles reagiram de muitas maneiras silenciosas, invis\u00edveis, no cotidiano, mas tamb\u00e9m de maneiras barulhentas, espetaculares e espantosas, como foi a Revolta dos Mal\u00eas&#8221;, afirma o historiador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">&#8220;E isso tem que ser inscrito na mem\u00f3ria da cidade, particularmente na mem\u00f3ria dos negros. Mas na dos brancos tamb\u00e9m, serve para todo mundo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">Como contribui\u00e7\u00e3o ao site Salvador Escravista, Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis enviou uma pequena rua encontrada no bairro da Liberdade, conhecido por abrigar a sede de grupos culturais e pol\u00edticos como o bloco afro Il\u00ea Ay\u00ea e o Movimento Negro Unificado (MNU).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"GridItemConstrainedMedium-sc-12lwanc-2 fVauYi\">\n<p class=\"Paragraph-k859h4-0 dSVJxu\">A homenagem torna o levante dos africanos de 1835 vitorioso, mesmo que n\u00e3o se saiba, at\u00e9 hoje, qual era o seu objetivo final \u2014 a rua foi nomeada Revolu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o revolta, dos Mal\u00eas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No momento da aboli\u00e7\u00e3o, a Bahia abrigava cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o escravizada do Brasil. 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