{"id":333126,"date":"2020-09-29T09:49:08","date_gmt":"2020-09-29T12:49:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=333126"},"modified":"2020-09-29T09:49:08","modified_gmt":"2020-09-29T12:49:08","slug":"em-praca-publica-o-terceiro-reich-promoveu-a-cruel-queima-de-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-praca-publica-o-terceiro-reich-promoveu-a-cruel-queima-de-livros\/","title":{"rendered":"Em pra\u00e7a p\u00fablica: O Terceiro Reich promoveu a cruel queima de livros\u00a0"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<p class=\"lead\"><strong>Com a subida de Adolf Hitler ao poder, campanhas para &#8220;purifica\u00e7\u00e3o da cultura alem\u00e3&#8221; se fortaleceram e conseguiram ganhar espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p class=\"autor\">Joseane Pereira<\/p>\n<figure class=\"img-lead\"><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/book_burn_capa_nazzi_widelg.jpg\" alt=\"Queima de livros em pra\u00e7a p\u00fablica\" \/><figcaption>Queima de livros em pra\u00e7a p\u00fablica &#8211; Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p>Era 30 de janeiro de 1933, quando Adolf Hitler subiu ao poder. Alguns meses depois, integrantes do Partido Nazista protagonizaram a primeira queima de livros escritos por intelectuais n\u00e3o alem\u00e3es, judeus e pessoas contr\u00e1rias \u00e0s medidas de extrema direita a\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/galeria\/holocausto-nao-pode-ser-perdoado.phtml\">irromper no horizonte.<\/a><\/p>\n<p>Seriam algumas das pr\u00e1ticas comuns no regime liderado por Hitler, que se iniciou com a queima de livros considerados &#8220;impuros&#8221; e &#8220;nocivos&#8221; e, j\u00e1 em fins da Segunda Guerra Mundial, queimou pessoas sob a mesma condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A queima de livros em pra\u00e7a p\u00fablica fazia parte dos planos do Minist\u00e9rio da Propaganda, Joseph\u00a0Goebbels. A equipe de Goebbels, com cartazes, filmes, agita\u00e7\u00f5es nas ruas e exposi\u00e7\u00f5es de &#8220;arte degenerada&#8221;, procurava convencer a popula\u00e7\u00e3o sobre a necessidade de exterm\u00ednio de movimentos culturais contr\u00e1rios \u00e0s concep\u00e7\u00f5es\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/historia-hoje\/hitler-chamava-de-idiota-quem-confundia-o-nazismo-com-esquerda.phtml\">dos nacional-socialistas.<\/a>\u00a0Essas a\u00e7\u00f5es propagand\u00edsticas foram organizadas de 10 de maio a 21 de junho de 1933.<\/p>\n<div class=\"injected_arroba mb-2 mx-auto\">\n<div id=\"banner-300x250-2-area\" data-mobile=\"300x250\" data-desktop=\"300x250\" data-google-query-id=\"CNmyxZKxjuwCFQQC1Aod-g8J4g\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/8804\/parceiros\/aventuras_na_historia_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/nazi13785.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Convencimento popular foi essencial para a ascens\u00e3o do Nazismo \/ Cr\u00e9dito: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A noite da grande fogueira<\/p>\n<p>Na noite de 10 de maio, in\u00fameros livros foram queimados no mesmo dia em v\u00e1rios pontos da Alemanha, mas o epis\u00f3dio na pra\u00e7a central de Berlim deixou maiores registros. A a\u00e7\u00e3o orquestrada por Goebbels contou com a presen\u00e7a de policiais, bombeiros, autoridades p\u00fablicas e professores universit\u00e1rios. Curiosamente, a queima foi protagonizada por estudantes universit\u00e1rios, integrantes da Liga dos Estudantes Alem\u00e3es Nacional-Socialistas criada em 1926.<\/p>\n<div class=\"injected_arroba mb-2 mx-auto\">\n<div id=\"banner-300x250-3-area\" data-mobile=\"300x250\" data-desktop=\"300x250\" data-google-query-id=\"CO7e0ZKxjuwCFd0AuQYdzp4CtA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/8804\/parceiros\/aventuras_na_historia_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/goebbels666.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Discurso de Goebbels na noite de 10 de maio \/ Cr\u00e9dito: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trajando os not\u00f3rios uniformes marrons com emblema da su\u00e1stica, os estudantes invadiram a biblioteca, onde hoje fica a Faculdade de Direito da Universidade de Humboldt, e roubaram mais de 20 mil livros escritos por &#8220;degenerados&#8221; e levando-os \u00e0 pra\u00e7a p\u00fablica de Opernplatz (hoje Bebelplatz), no centro de Berlim.<\/p>\n<p>Milhares de pessoas assistiram o evento com ineg\u00e1vel aprova\u00e7\u00e3o, enquanto Goebbels discursava ao lado da fogueira sobre a pretensa &#8220;reeduca\u00e7\u00e3o&#8221; da Alemanha. Em meio \u00e0s cinzas de obras queimadas que voavam pelo ar, uma multid\u00e3o se aglomerava encantada com a possibilidade de purificar sua na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os autores degenerados<\/p>\n<p>Entre os livros queimados naquela noite, estavam obras dos judeus\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/personagem\/sigmund-freud-judeu-que-revolucionou-estudos-mente-humana.phtml\">Sigmund Freud,<\/a>\u00a0Karl Marx, Albert Einstein e Walter Benjamin, do fil\u00f3sofo Friedrich Nietszche, do romancista Thomas Mann e do dramaturgo Bertolt Brecht, assim como livros escritos por intelectuais da Rep\u00fablica de Weimar.<\/p>\n<p>Tais livros seriam contr\u00e1rios\u00a0aos ideais do \u201cesp\u00edrito germ\u00e2nico\u201d, pregando a decad\u00eancia moral e cultural e &#8220;falsificando a Hist\u00f3ria&#8221;. A maior parte da lista negra era composta por obras de Ci\u00eancias Humanas.<\/p>\n<p>Deveriam ser banidos principalmente livros de hist\u00f3ria, filosofia, sociologia e ci\u00eancias pol\u00edticas que desafiassem a ideologia do regime ou abrissem espa\u00e7o para um debate, assim como obras de literatura que promovessem reflex\u00f5es sobre o sistema.<\/p>\n<p>Embora o epis\u00f3dio tenha marcado o auge da persegui\u00e7\u00e3o aos intelectuais, a opini\u00e3o p\u00fablica ofereceu pouca resist\u00eancia. Editoras reagiram com oportunismo, universidades n\u00e3o se manifestaram e pa\u00edses estrangeiros acompanharam o ocorrido de forma distanciada. A\u00a0responsabilidade pelo ocorrido foi passada aos &#8220;estudantes fan\u00e1ticos&#8221;, em uma tentativa de minimizar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os poucos intelectuais que reconheceram o perigo da situa\u00e7\u00e3o estavam\u00a0Thomas Mann, Nobel de Literatura de 1929, e\u00a0Ricarda Huch, da\u00a0Academia Prussiana de Artes. Em abril de 1933, ap\u00f3s retirar-se da Academia, Huch criticou os atos do regime nazista: &#8220;A centraliza\u00e7\u00e3o, a opress\u00e3o, os m\u00e9todos brutais, a difama\u00e7\u00e3o dos que pensam diferente, os autoelogios, tudo isso n\u00e3o combina com meu modo de pensar&#8221;, justificou.<\/p>\n<p>Pra\u00e7a atual: o memorial da queima<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/memorial88.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Memorial \/ Cr\u00e9ditos: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem visita a pra\u00e7a de Bebelplatz hoje em dia, encontra uma lembran\u00e7a do ato perpetrado contra a diversidade. No ch\u00e3o da pra\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel entrever por um painel de vidro uma sala branca subterr\u00e2nea contendo prateleiras vazias com espa\u00e7o para 20 mil livros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m comp\u00f5e o memorial uma frase do poeta judeu Heinrich Heine, escrita mais de cem anos antes do nazismo: &#8220;Aquilo foi somente um prel\u00fadio; onde se queimam livros, ao final queimam-se tamb\u00e9m pessoas&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a subida de Adolf Hitler ao poder, campanhas para &#8220;purifica\u00e7\u00e3o da cultura alem\u00e3&#8221; se fortaleceram e conseguiram ganhar espa\u00e7o<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":333124,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-333126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/queima-de-livros-pelos-nazistas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333126\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/333124"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}