{"id":335002,"date":"2020-10-17T18:08:07","date_gmt":"2020-10-17T21:08:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=335002"},"modified":"2020-10-17T18:08:07","modified_gmt":"2020-10-17T21:08:07","slug":"ken-follett-os-vikings-eram-como-a-mafia-da-idade-media-violentos-ladroes-e-assassinos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ken-follett-os-vikings-eram-como-a-mafia-da-idade-media-violentos-ladroes-e-assassinos\/","title":{"rendered":"Ken Follett: \u201cOs vikings eram como a m\u00e1fia da Idade M\u00e9dia: violentos, ladr\u00f5es e assassinos\u201d"},"content":{"rendered":"<header class=\"a_h | col desktop_12 tablet_8 mobile_4\">\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h1 class=\"a_t | font_secondary color_gray_ultra_dark \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \" style=\"text-align: justify;\">Em seu novo \u2018The evening and the morning\u2019, hist\u00f3ria que antecede os \u2018Os pilares da Terra\u2019, o romancista descreve a obscura Inglaterra do ano 1000<\/h2>\n<\/div>\n<figure class=\"lead_art |  \" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"block width_full\" src=\"https:\/\/imagens.brasil.elpais.com\/resizer\/yz0032QHDHtxsBKTnjnH5tZ-aKY=\/1500x0\/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com\/prisa\/NKLUZJLJGZBBXHTMCR5W3QUQQQ.jpg\" alt=\"O escritor Ken Follett, no povoado anglo-sax\u00e3o reconstru\u00eddo de West Stow.\" \/><figcaption class=\"f_c | color_gray_medium border_bottom border_1 border_gray padding_vertical text_align_right\">O escritor Ken Follett, no povoado anglo-sax\u00e3o reconstru\u00eddo de West Stow.<span class=\"f_a | color_black margin_left uppercase light\"><span class=\"author\">OLIVIER FAVRE<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\" data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><span class=\"a_aut | margin_bottom uppercase flex align_items_center margin_right\"><a class=\"a_aut_n | color_black\" title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Ant\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto-anton\/\">JACINTO ANT\u00d3N<\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"\">\n<div class=\"a_pt | uppercase color_gray_medium_lighter \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"a_w | col desktop_8 tablet_8 mobile_4\">\n<div class=\"a_b article_body | color_gray_dark\">\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Retorno a Kingsbridge.\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ken_Follett\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Ken Follett\u00a0<\/a>volta ao mundo que come\u00e7ou a construir em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Os_Pilares_da_Terra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Os Pilares da Terra<\/i><\/a>\u00a0com uma nova novela, a quarta, sobre a cidade e seu priorado. Neste caso, depois de duas sequ\u00eancias, nas quais avan\u00e7ou do s\u00e9culo XII do primeiro livro at\u00e9 o XIV e o XVI de\u00a0<i>Mundo Sem Fim<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Coluna de Fogo<\/i>, respectivamente, retrocede ao final do s\u00e9culo X em uma\u00a0<i>prequela<\/i>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Evening-Morning-Ken-Follett\/dp\/144727878X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>The Evening and the Morning<\/i><\/a>\u00a0(\u201ca noite e a manh\u00e3\u201d, in\u00e9dito no Brasil), que mostra as origens de um lugar que j\u00e1 faz parte do grande mapa universal das fic\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias. No romance, tr\u00eas protagonistas principais, uma nobre normanda, Ragna, um construtor de navios, Edgar, e um monge, Aldred, rodeados por uma constela\u00e7\u00e3o de secund\u00e1rios, enfrentam um grande elenco de vil\u00f5es tendo como sombrio pano de fundo a Alta Idade M\u00e9dia na Gr\u00e3-Bretanha e a amea\u00e7a dos<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/vikingos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0vikings<\/a>. Como \u00e9 habitual em Follet (Cardiff, 71 anos), muita emo\u00e7\u00e3o, muitos sentimentos, muito sexo e muitas p\u00e1ginas (930). A entrevista com o autor foi feita atrav\u00e9s de videoconfer\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Entre os quatro romances, de 1989 a 2020, Ken Follet j\u00e1 passou os \u00faltimos 30 anos na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/19\/internacional\/1563535022_261422.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Idade M\u00e9dia<\/a>; \u00e9 o que costumava levar a constru\u00e7\u00e3o de uma catedral. \u201c\u00c9 verdade\u201d, ri Follet com seu habitual bom humor. \u201cNa \u00e9poca n\u00e3o era muito. Pelo menos minha saga n\u00e3o durou tanto como a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-09-17\/sagrada-familia-so-acabara-em-2026-se-houver-um-milagre.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Sagrada Fam\u00edlia<\/a>; se n\u00e3o, eu j\u00e1 teria morrido\u201d. De novo nos encontramos com uma Idade M\u00e9dia, neste caso a Alta Idade M\u00e9dia, ainda mais dura, em que n\u00e3o gostar\u00edamos de ter vivido, para n\u00e3o falar do banho uma vez por ano, da escassez de livros e do quase nulo uso de roupa interior. \u201cSem d\u00favida, mas isso \u00e9 parte de seu atrativo; sentimo-nos \u00e0 vontade ao ler sobre gente que passa mal, que sofre sempre de fome e frio e padece terr\u00edveis viol\u00eancias, enquanto n\u00f3s estamos comodamente instalados em um sof\u00e1, num c\u00f4modo aquecido, depois de jantar bem e com uma ta\u00e7a de conhaque na m\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">No romance assistimos a mortes brutais (o pr\u00f3prio Edgar, de resto \u00f3tima pessoa, amassa os miolos de um viking com a tocha deste), infantic\u00eddios, estupros, deflora\u00e7\u00f5es, doen\u00e7as ven\u00e9reas, execu\u00e7\u00f5es\u2026 Em uma passagem, um r\u00e9u \u00e9 castrado com um alicate e em seguida o verdugo o cega afundando os dedos em seus olhos. Tro\u00e7o impressionante, essa Alta Idade M\u00e9dia! \u201cEra assim de selvagem, mas n\u00e3o devemos nos esquecer de que, \u00e0 parte a nossa acomodada exist\u00eancia na Gr\u00e3-Bretanha ou na Espanha, em algumas partes do mundo hoje continua sendo assim. A<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-03-30\/combate-a-tortura-poderia-diminuir-os-efeitos-da-pandemia-nas-prisoes-brasileiras.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0tortura continua existindo<\/a>, como a mutila\u00e7\u00e3o e a crueldade contra crian\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a partir da capa, com um\u00a0<i>drakkar<\/i>, sugere-se que se trata de um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/23\/estilo\/1490299523_475804.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">romance de vikings<\/a>. Na verdade, estes s\u00e3o bastante secund\u00e1rios, est\u00e3o em segundo plano, exceto pela incurs\u00e3o no princ\u00edpio (com algumas mulheres guerreiras, ali\u00e1s) e a batalha na praia, al\u00e9m da men\u00e7\u00e3o de passagem a Sven Barba-Bifurcada. \u201cSim, sua fun\u00e7\u00e3o no relato \u00e9 ser uma amea\u00e7a constante. Eles assustavam muit\u00edssimo, mas n\u00e3o est\u00e3o em cena no romance frequentemente, s\u00f3 algumas vezes. Entretanto, todo mundo os teme. A verdade \u00e9 que eu n\u00e3o queria escrever um livro excessivamente violento, desagrad\u00e1vel, e se \u00e9 dado um papel relevante aos vikings voc\u00ea n\u00e3o pode escapar dessa viol\u00eancia cont\u00ednua. S\u00e3o um bom elemento, conferem um ponto de interesse, mas \u00e9 um perigo que condicionem a narrativa. \u00c9 melhor t\u00ea-los longe, \u00e0 espreita.\u201d Follet confessa que n\u00e3o tem particular<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/23\/estilo\/1490299523_475804.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0interesse pelos vikings<\/a>. \u201cVi a s\u00e9rie\u00a0<i>Vikings<\/i>, claro. As pessoas acham os vikings atraentes, mas eu discordo. Minha vis\u00e3o \u00e9 diferente. Eram um povo de escravistas, assassinos e ladr\u00f5es, parecem a m\u00e1fia daquele tempo. Tem gente que acha a m\u00e1fia atrativa, mas eu n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Edgar \u00e9 um artes\u00e3o construtor de navios e, no come\u00e7o do livro, achamos que acabar\u00e1 construindo um belo\u00a0<i>drakkar<\/i>. \u201cBom, constr\u00f3i uma pequena embarca\u00e7\u00e3o de estilo viking, mas Edgar n\u00e3o \u00e9 um guerreiro, essa n\u00e3o \u00e9 sua fun\u00e7\u00e3o. Ele constr\u00f3i barcos e outras coisas, um canal, uma ponte, uma igreja. \u00c9 um homem criativo, um construtor.\u201d Este novo romance volta a demonstrar o interesse e a paix\u00e3o de Ken Follet pelo artesanato, a engenharia e a bricolagem. Desde como se constr\u00f3i um transbordador de rio a um arco de meio ponto, passando pela maneira como se falsifica moeda. \u201cAcredito que construir foi sempre muito importante na hist\u00f3ria. H\u00e1 um construtor neste livro como havia em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.editoraarqueiro.com.br\/livros\/mundo-sem-fim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Mundo Sem Fim<\/i><\/a>\u00a0e em\u00a0<i>Os Pilares da Terra<\/i>\u2026 Os construtores me fascinam, constru\u00edram a Inglaterra, as casas, os canais, as pontes, as igrejas. Criar um pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 coisas espirituais, h\u00e1 uma parte material, f\u00edsica.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">Ragna e Emma da Normandia<\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O novo romance mostra mulheres muito fortes, Ragna, sua m\u00e3e, a m\u00e3e de Edgar, a m\u00e3e do conde Wilf, Cwenburg, que se casa com dois homens ao mesmo tempo\u2026 \u201cRagna tem que lutar muito para ser poderosa e livre, isso n\u00e3o lhe vem automaticamente. A verdade \u00e9 que a hist\u00f3ria apoia o tipo de personagens femininas que descrevo, a possibilidade de que uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-03-08\/a-verdade-da-mulher-e-que-esta-arrancando-o-poder-dos-homens.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">mulher pudesse ser livre e poderosa<\/a>\u00a0nessa \u00e9poca. Claro que eram casos excepcionais, mas houve. Para Ragna, me baseei em parte na Emma da Normandia (987-1052), que como ela chegou \u00e0 Inglaterra para se casar. No caso com o rei Etelredo e depois com seu sucessor, Canuto, o viking dinamarqu\u00eas que conquistou o reino. Mais tarde reinou o filho que teve com Etelredo, Eduardo, o Confessor. Emma esteve no centro pol\u00edtico da Inglaterra durante d\u00e9cadas. E demonstra que era poss\u00edvel uma personagem como a minha Ragna. Isso me deu confian\u00e7a. Na hist\u00f3ria sempre houve mulheres e homens que se rebelaram contra o papel que pareciam condenados a ter, s\u00e3o os mais interessantes.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muito sexo em\u00a0<i>The Evening and the Morning<\/i>, com algumas cenas realmente t\u00f3rridas. \u201cH\u00e1 sexo em meus relatos porque a tens\u00e3o emocional exige uma resolu\u00e7\u00e3o f\u00edsica. \u00c9 como em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/smoda\/2019-12-15\/por-que-anna-karina-se-divorciou-de-godard.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\"><i>Anna Karenina<\/i><\/a>, em que o conflito interno se resolve com ela atirando-se \u00e0s vias do trem. Ou em\u00a0<i>Rebeca<\/i>, com Manderley sucumbindo ao fogo. Quando duas pessoas est\u00e3o apaixonadas, uma cena de sexo \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o natural dessa tens\u00e3o emocional. \u00c9 importante para o leitor: quando ao longo de centenas de p\u00e1ginas eles se conectaram com essa hist\u00f3ria de amor, querem desfrutar de sua consuma\u00e7\u00e3o. S\u00e3o raz\u00f5es realmente liter\u00e1rias.\u201d Bom, mas al\u00e9m desse sexo amoroso h\u00e1 outro de perfil bem diferente, inclu\u00edda a fela\u00e7\u00e3o em um bispo. \u201cH\u00e1 mil anos o sexo era usado igual agora, como forma de persegui\u00e7\u00e3o e tortura, e os homens o empregavam tamb\u00e9m como hoje, como express\u00e3o de poder. H\u00e1 alguns anos entrevistei uma s\u00e9rie de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-05-17\/como-se-atreveram-a-rodar-estes-12-filmes-que-quebraram-todas-as-regras-nos-anos-30.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">detetives especialistas em crimes sexuais<\/a>\u00a0e todos concordaram que o estupro n\u00e3o tem a ver com sexo, e sim com poder.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Se os vikings aparecem muito em segundo plano, o medo da virada do mil\u00eanio simplesmente n\u00e3o entra. \u00c9 estranho em se tratando de um romance ambientado em torno do ano 1000. \u201c\u00c9 verdade, havia gente que achava que chegaria o fim do mundo nessa data, e ignorei. Era um terror falso, evidentemente, e faz\u00ea-lo aparecer significava introduzir um elemento decepcionante na novela, gerar expectativas de algo que n\u00e3o ia acontecer.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">O romance mostra com exatid\u00e3o que a Igreja demorou a estender seu controle sobre a sociedade. Vemos como nessa \u00e9poca o casamento estava fora da sua jurisdi\u00e7\u00e3o. \u201cA Igreja ainda era fraca, sua<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2013\/11\/26\/sociedad\/1385464009_115602.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0influ\u00eancia era sobretudo moral<\/a>, a introdu\u00e7\u00e3o do cristianismo na Inglaterra foi muito lenta. Nessa \u00e9poca os vikings ainda eram pag\u00e3os.\u201d A dicotomia moral est\u00e1 muito exacerbada em\u00a0<i>The Evening and the Morning<\/i>, com mocinhos muito bons e vil\u00f5es muito malvados. \u201cAcredito que haja gente boa e gente m\u00e1. Costumam ser vistos matizes, sobretudo por parte da cr\u00edtica liter\u00e1ria, e se diz que todos temos uma parte boa e m\u00e1. Eu n\u00e3o penso assim. Na vida real h\u00e1 gente muito m\u00e1, e tamb\u00e9m gente muito boa. Eu gosto que nos meus romances o grande malvado seja desprez\u00edvel, e o mocinho seja ador\u00e1vel. S\u00e3o decis\u00f5es liter\u00e1rias. Em todo caso, nos meus romances os mocinhos e vil\u00f5es funcionam muito bem\u201d. Follet prefere os vil\u00f5es? \u201c\u00c9 muito mais f\u00e1cil criar um malvado, eles me divertem mais. Os bonzinhos podem ser um pouco chatos.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Em<i>\u00a0The Evening and the Morning<\/i>, Ken Follet faz uma arqueologia de sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o, descrevendo as origens de Kingsbridge na aldeia de Dreng\u2019s Ferry. \u201cFoi muito bonito, sim, comecei com\u00a0<i>Os Pilares da Terra<\/i>\u00a0e fui para tr\u00e1s me perguntando que aconteceu 200 anos antes. Eu me diverti muito. Interessa-me especialmente como chegou a prosperidade, como esse lugar pequeno se transformou com o tempo em uma cidade pr\u00f3spera. Esse processo me parece algo fundamental. Passamos fome e frio na maior parte da nossa hist\u00f3ria, e ver de onde saiu a riqueza de que desfrutamos, saber de onde vem, para mim \u00e9 apaixonante.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Seria este livro uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/19\/internacional\/1563535022_261422.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">despedida da Idade M\u00e9dia<\/a>? \u201cN\u00e3o \u00e9 um adeus definitivo, talvez um at\u00e9 logo. N\u00e3o neste momento, mas, sim, mais adiante \u00e9 muito poss\u00edvel que retorne. Certamente haver\u00e1 outro romance, e se passar\u00e1 em Kingsbridge.\u201d Muitos leitores que apreciaram\u00a0<i>O Buraco da Agulha<\/i>,\u00a0<i>A Chave de Rebecca<\/i>,\u00a0<i>Voo Final<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Jackdaws<\/i>\u00a0gostariam que Follet voltasse \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/cultura\/2020-05-08\/o-que-acreditavamos-sobre-a-segunda-guerra-mundial-e-nao-e-verdade.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Segunda Guerra Mundial<\/a>. \u201c\u00c9 uma possibilidade, mas atualmente tem muita gente fazendo\u00a0<i>thrillers<\/i>\u00a0ambientados nessa \u00e9poca, est\u00e1 muito na moda. Na verdade, n\u00e3o acredito que volte, embora, quem sabe, se encontrar uma boa hist\u00f3ria\u2026\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Falando em\u00a0<i>A Chave de Rebecca\u00a0<\/i>(1980), pergunto a Follet se n\u00e3o se surpreendeu ao ver que ap\u00f3s seu romance sa\u00eda\u00a0<i>O Paciente Ingl\u00eas<\/i>\u00a0(1992), de Michael Ondaatje, sobre uma hist\u00f3ria com tantos pontos de contato, embora Follet tenha deixado passar o conde Alm\u00e1sy. \u201cVi que a inspira\u00e7\u00e3o era a mesma e quando deram um pr\u00eamio a Ondaatje e nos vimos, eu lhe disse: \u2018Voc\u00ea percebe que\u00a0<i>O Paciente Ingl\u00eas<\/i>\u00a0se baseia na mesma hist\u00f3ria de espionagem?\u2019. Respondeu-me que sim. Os dois romances t\u00eam muito a ver, embora um seja um\u00a0<i>thriller<\/i>, e o outro um romance liter\u00e1rio em que na verdade nada acontece: o protagonista est\u00e1 o tempo todo na cama.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Follet reconhece que\u00a0<i>O Paciente Ingl\u00eas<\/i>\u00a0\u201cera bastante bom, com uma atmosfera potente, embora n\u00e3o seja o meu tipo de romance, n\u00e3o tenha muito argumento\u201d. Do filme diz que gostou. \u201cVi com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/08\/30\/cultura\/1440953094_967040.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Frederick Forsyth<\/a>, e ao acabar ele tinha dormido.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\" style=\"text-align: justify;\">\u201c<b>As medidas contra a Covid j\u00e1 eram usadas na Peste Negra\u201d<\/b><\/h3>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Ken Follet, que descreveu a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/ciencia\/2020-05-25\/as-licoes-da-pior-pandemia-da-historia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Peste Negra<\/a>, tem alguma chave para a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">pandemia atual<\/a>? \u201cSurpreendeu-me quantas medidas que usamos agora contra a covid-19 foram empregadas contra as pragas no s\u00e9culo XIV. As freiras que cuidavam dos doentes desenvolveram as m\u00e1scaras de linho para se protegerem e lavavam as m\u00e3os com frequ\u00eancia, quando ent\u00e3o n\u00e3o se tinha muita higiene. O pr\u00f3prio conceito de quarentena \u00e9 inventado com a Peste Negra, que ali\u00e1s n\u00e3o desapareceu \u2013 ela retornou para continuar afligindo a humanidade. N\u00f3s a tivemos em Londres no tempo de Shakespeare; as pessoas partiam para o campo quando havia surtos. Suponho que a covid-19 evoluiria como outras doen\u00e7as, embora esperemos que n\u00e3o seja igual e tenhamos uma solu\u00e7\u00e3o permanente.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Acha que a pandemia pode ser um ant\u00eddoto contra o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/01\/31\/internacional\/1580494832_099752.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Brexit<\/a>? \u201cN\u00e3o, n\u00e3o funciona assim. N\u00e3o acho que a luta contra o v\u00edrus tenha nos unido na Europa, pelo contr\u00e1rio: \u00e9 cada um na sua. N\u00e3o acredito que o Brexit se freie, n\u00e3o vejo esse efeito. Vamos continuar, e em 30 anos nossos filhos voltar\u00e3o a bater na porta da Europa para que lhes deixem voltar a entrar, e ent\u00e3o lhes dir\u00e3o que n\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p class=\"\" style=\"text-align: justify;\">Quanto a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/04\/15\/internacional\/1555356902_708073.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">Notre Dame<\/a>, mostra-se confiante de que \u201ccom a Olimp\u00edada de 2024 j\u00e1 se possa celebrar missa normalmente na catedral\u201d, embora a restaura\u00e7\u00e3o total leve mais tempo. \u201cO principal era consolid\u00e1-la e refor\u00e7\u00e1-la para que depois do<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/incendio-notre-dame-paris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0inc\u00eandio<\/a>\u00a0n\u00e3o ca\u00edsse. Essa fase j\u00e1 est\u00e1 feita.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo romance mostra mulheres muito fortes, Ragna, sua m\u00e3e, a m\u00e3e de Edgar, a m\u00e3e do conde Wilf, Cwenburg, que se casa com dois homens ao mesmo tempo\u2026 \u201cRagna tem que lutar muito para ser poderosa e livre, isso n\u00e3o lhe vem automaticamente. A verdade \u00e9 que a hist\u00f3ria apoia o tipo d<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":333183,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-335002","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/vikins1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=335002"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335002\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/333183"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=335002"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=335002"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=335002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}