{"id":335292,"date":"2020-10-20T06:45:56","date_gmt":"2020-10-20T09:45:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=335292"},"modified":"2020-10-20T06:45:56","modified_gmt":"2020-10-20T09:45:56","slug":"o-caso-da-escola-de-defesa-sul-americana-um-fracasso-planejado-da-integracao-regional-em-ambito-securitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-caso-da-escola-de-defesa-sul-americana-um-fracasso-planejado-da-integracao-regional-em-ambito-securitario\/","title":{"rendered":"O caso da Escola de Defesa Sul Americana, um fracasso planejado da integra\u00e7\u00e3o regional em \u00e2mbito securit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"tdi_78_ebf\" class=\"tdc-row stretch_row_1200 td-stretch-content\">\n<div class=\"vc_row tdi_79_5ef  wpb_row td-pb-row\">\n<div class=\"vc_column tdi_81_53f  wpb_column vc_column_container tdc-column td-pb-span12\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"td_block_wrap tdb_title tdi_83_b57 tdb-single-title td-pb-border-top td_block_template_2\" data-td-block-uid=\"tdi_83_b57\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<h1 class=\"tdb-title-text\"><\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_subtitle tdi_84_252 td-pb-border-top td_block_template_2\" data-td-block-uid=\"tdi_84_252\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<p><strong>Com o estabelecimento de parcerias de Col\u00f4mbia e Brasil com a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), em 2018 e 2019, respectivamente, o continente caminha para um maior afastamento dos mecanismos de integra\u00e7\u00e3o regional, seja politicamente ou em defesa e seguran\u00e7a<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_author tdi_85_e45 td-pb-border-top td_block_template_2 tdb-post-meta\" data-td-block-uid=\"tdi_85_e45\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<div class=\"tdb-author-name-wrap\"><span class=\"tdb-author-by\">Por <\/span>Ivan Longo<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_post_share tdi_87_975 td-pb-border-top td_block_template_2\" data-td-block-uid=\"tdi_87_975\">\n<div id=\"tdi_87_975\" class=\"td-post-sharing tdb-block td-ps-bg td-ps-notext td-ps-rounded td-post-sharing-style3 \">\n<div class=\"td-post-sharing-visible\">\n<div class=\"td-social-but-icon\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"tdi_88_5fe\" class=\"tdc-row stretch_row_1200 td-stretch-content\">\n<div class=\"vc_row tdi_89_b5f td-ss-row wpb_row td-pb-row\">\n<div class=\"vc_column tdi_91_5e8  wpb_column vc_column_container tdc-column td-pb-span8\">\n<div class=\"wpb_wrapper\">\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_featured_image tdi_92_d85 tdb-content-horiz-left td-pb-border-top td_block_template_2\" data-td-block-uid=\"tdi_92_d85\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"entry-thumb lazyautosizes lazyloaded\" title=\"Unasur_afundando_ilustra\u00e7\u00e3o Rafael Costa\" src=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa-696x466.jpg\" sizes=\"auto, 784px\" srcset=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa-696x466.jpg 696w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa.jpg 1392w\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"466\" data-src=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa-696x466.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa-696x466.jpg 696w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/unasur-afundando-ilustracao-rafael-costa.jpg 1392w\" data-sizes=\"auto\" \/><figcaption class=\"tdb-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: Rafael Costa<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_content tdi_93_ea5 td-pb-border-top td_block_template_2 td-post-content tagdiv-type\" data-td-block-uid=\"tdi_93_ea5\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<div class=\"code-block code-block-34\">\n<div id=\"audiome-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"code-block code-block-19 ai-viewport-1 ai-viewport-2\">\n<div class=\"ad-box w728\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1596287700384-0\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/96014957\/Novo_17_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Por Pedro Guedes e Bruno Lima Rocha, ilustra\u00e7\u00e3o de Rafael Costa<\/em><\/p>\n<p>Existe uma pol\u00eamica, dilema de profundidade, debatendo qual o papel, quais os pap\u00e9is das For\u00e7as Armadas na Am\u00e9rica Latina. Um conceito demonstrado nas d\u00e9cadas de 60 e 70 do s\u00e9culo XX dizia que \u201cnenhuma for\u00e7a reacion\u00e1ria \u00e9 anti-imperialista\u201d. No auge do realismo regional, a Guerra das Malvinas demonstrou cabalmente essa hip\u00f3tese. Na Am\u00e9rica Central, havia dois caminhos. Um, mais formal, o Ex\u00e9rcito era transformado em Guarda Nacional operando como defesa interna, ou a manuten\u00e7\u00e3o da ordem. Outro, menos c\u00ednico, era Guarda Nacional de Somoza, da dinastia dos tr\u00eas somozas, varridos para o lixo com a Revolu\u00e7\u00e3o Nicaraguense.<\/p>\n<p>Outro problema grave \u00e9 o nacionalismo, ou a falta deste, ou a no\u00e7\u00e3o do que seria um \u201cnacionalismo latino-americano\u201d. Nosso continente tem uma dimens\u00e3o profunda, de povos origin\u00e1rios, territ\u00f3rios resistentes de matrizes afro-americanas, lutas sem tr\u00e9gua de uma pobreza miscigenada e que a moderniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o incorporou em definitivo. Por outro lado, nossos pa\u00edses t\u00eam, em maior ou menor grau \u2013 e o Brasil\u00a0 em elevad\u00edssimo grau \u2013 uma no\u00e7\u00e3o de \u201cnacionalismo\u201d onde a na\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o espelho do povo, dos povos dos brasis, mas sim um espelho retorcido de uma elite reacion\u00e1ria, pat\u00e9tica, colonizada e submissa. \u00c9 nojento mesmo, incluindo o alto escal\u00e3o das for\u00e7as armadas, cuja vers\u00e3o mais \u201csincera\u201d \u00e9 a nata dos milicos de Pinochet, que acabaram com a infraestrutura independente do pa\u00eds e o deixaram empobrecido e totalmente incorporado \u00e0s redes transnacionais do eixo do Pac\u00edfico, capitais asi\u00e1ticos inclu\u00eddos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste s\u00e9culo, quando da conjun\u00e7\u00e3o de governos social-democratas e nacional-desenvolvimentistas fomentados pela Venezuela chavista e Alian\u00e7a Bolivarian (ALBA), nossos pa\u00edses experimentaram um momento superior de aproxima\u00e7\u00e3o e conjun\u00e7\u00e3o. De novo, longe est\u00e1vamos de formar ex\u00e9rcitos populares, como o republicano liberal-radical que enfrentou a invas\u00e3o gringa, a ditadura de Santa Anna, fizeram a Guerra da Reforma e expulsaram os invasores franceses, mas era um passo relevante, em especial para os estamentos que formam a espinha dorsal das institui\u00e7\u00f5es castrenses. Neste sentido e com todos os \u201csen\u00f5es\u201d a Escola de Defesa Sul Americana (EDSA) foi um dos passos mais audaciosos de integra\u00e7\u00e3o regional na \u00e1rea de Defesa e Seguran\u00e7a j\u00e1 realizados.<\/p>\n<p>Sua cria\u00e7\u00e3o adveio da necessidade de coordenar esfor\u00e7os de defesa em \u00e2mbito regional na Am\u00e9rica do Sul. \u00c9 da l\u00f3gica, se os Estados Maiores das for\u00e7as armadas fomentam e insuflam competi\u00e7\u00f5es regionais (como Brasil X Argentina; Chile X Argentina; Peru X Chile, Bol\u00edva X Paraguai; Peru X Equador; Venezuela X Col\u00f4mbia, Venezuela X Rep\u00fablica da Guiana), a mentalidade de competi\u00e7\u00e3o no mesmo bloco continental chega a um n\u00edvel de tens\u00f5es como o j\u00e1 vivido na d\u00e9cada de \u201970 (na disputa argentina e chilena), ou nos anos de \u201990 (com peruanos e equatorianos declarando guerra). Ainda que o subcontinente seja uma regi\u00e3o considerada pacifica, se comparada com outras regi\u00f5es do ponto de vista geopol\u00edtico, possui problemas e gargalos, como narcotr\u00e1fico, pol\u00edticas de moderniza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ensejem corridas armamentistas e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de seguran\u00e7a regional que se encaixem nas peculiaridades da regi\u00e3o. Logo, se em \u00faltima an\u00e1lise a Escola ampliasse vis\u00f5es anti-imperialistas deixando de priorizar as agendas securit\u00e1rias do Comando Sul do Imp\u00e9rio dos EUA j\u00e1 significaria um consider\u00e1vel avan\u00e7o.<\/p>\n<p>A EDSA foi criada tendo estes problemas em mente. A princ\u00edpio, este \u00f3rg\u00e3o seria o espa\u00e7o onde militares dos pa\u00edses membros completariam seus estudos, objetivando responder a essas quest\u00f5es, com o m\u00ednimo de inger\u00eancia ou doutrina\u00e7\u00e3o de pa\u00edses externos \u00e0 realidade e especificidades da Am\u00e9rica do Sul[1]. Ainda, esta Escola Militar serviria como f\u00f3rum de discuss\u00e3o de pol\u00edticas conjuntas de defesa entre os pa\u00edses membros, dentro do \u00e2mbito do Conselho de Defesa da UNASUL (Consejo de Defensa Suramericano em espanhol, sigla:CDS)[2]. Logo, em se mantendo a Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es do Sul e garantindo a coexist\u00eancia da Alian\u00e7a Bolivariana para os Povos da Nossa Am\u00e9rica (ALBA) e a proje\u00e7\u00e3o maior, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a Escola seria uma anti-Escola das Am\u00e9ricas, um intento de contrapor a permanente influ\u00eancia dos gringos e pot\u00eancias com tradi\u00e7\u00e3o imperialista nas fileiras de oficiais das for\u00e7as armadas de nosso Continente. \u00c9 importante compreender que quanto mais integradas, menor o risco de cair em manipula\u00e7\u00f5es da CIA, DEA, FBI, NSA e outras inger\u00eancias cl\u00e1ssicas dos Estados Unidos em nossas sociedades.<\/p>\n<p>Como explicamos acima, mesmo que sem maiores conflitos desde a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870[3], a Am\u00e9rica do Sul experimentou uma s\u00e9rie de conflitos militares ao longo do S\u00e9culo XX. Ainda que a maioria destas conflagra\u00e7\u00f5es seja de car\u00e1ter fronteiri\u00e7o, como a Guerra do Chaco, de 1932 a 1935 e mais recentemente a Guerra de Cenepa, de 1995[4], houve ainda um enfrentamento armado envolvendo um pa\u00eds sul americano ante uma pot\u00eancia imperialista europeia. Esse conflito, ocorrido entre abril e junho de 1982, foi a Guerra das Malvinas\/Falklands, opondo a Argentina ao Reino Unido[5]. Pela l\u00f3gica da UNASUL-ALBA-CELAC, um conflito como o das Malvinas n\u00e3o seria deflagrado sem o aval dos demais pa\u00edses membros e menos ainda tolerar\u00edamos mais ditaduras militares como a Junta Militar que promovera um genoc\u00eddio contra a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Somadas a essas experi\u00eancias, o narcotr\u00e1fico nos anos 90 mostrou-se um problema complexo e quase insuper\u00e1vel para os pa\u00edses da regi\u00e3o, culminando na interven\u00e7\u00e3o estadunidense na Col\u00f4mbia nos anos 90[6], por meio de seu plano de suporte e equipamento ao governo local .Ainda temos relacionado a esse problema, a fal\u00eancia do estado peruano, na mesma d\u00e9cada, acossado pelo auto golpe dado pelo presidente Fujimori[7]. A din\u00e2mica securit\u00e1ria imposta pelo Plano Col\u00f4mbia \u00e9 muito preocupante; a inten\u00e7\u00e3o dos gringos era a de invers\u00e3o de envio de recursos \u2013 do varejo do tr\u00e1fico para o pa\u00eds dos carteis de Medell\u00edn, Cali e Norte do Valle; para, empr\u00e9stimos dos gringos que alteram a l\u00f3gica da soberania nacional colombiana. Logo, um trabalho coordenado entre ag\u00eancias latino-americanas sem passar pelo comando e a \u201ccolabora\u00e7\u00e3o\u201d das ag\u00eancias imperialistas seria um triunfo no sentido de maior autonomia e menos depend\u00eancia.<\/p>\n<p>A partir desse panorama, agravado pelo esc\u00e2ndalo da espionagem realizada pela NSA (National Security Agency), em 2013, a diplomacia brasileira trabalhou para que a Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul Americanas (UNASUL) incorporasse em seu conjunto de objetivos, cuidar da forma\u00e7\u00e3o dos quadros militares do alto oficialato dos pa\u00edses membros[8]. Como resultado, foi criada a EDSA, dentro do guarda chuva organizacional do Conselho de Defesa da UNASUL, em 2015[9]. Como \u00e9 observ\u00e1vel, a Escola durou pouco e chegou tarde, j\u00e1 na virada da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, com a social-democracia perdendo espa\u00e7o no Brasil e na Argentina e com a elei\u00e7\u00e3o do Equador se aproximando da trai\u00e7\u00e3o que adveio.<\/p>\n<p>Em termos de articula\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, o Itamaraty operou bem. A fim de evitar cr\u00edticas de busca pela hegemonia dentro da UNASUL, o que afastaria a maior parte dos membros do \u00f3rg\u00e3o, e como prova de boa f\u00e9, o Brasil apoiou a escolha da cidade de Quito, no Equador, para ser a sede de ambos o Conselho de Defesa e da Escola de Defesa Sul americana[10]. Para o Brasil, a EDSA teria como finalidade, al\u00e9m dos objetivos citados, permitir uma instru\u00e7\u00e3o \u201climpa\u201d de seus oficiais de alta gradua\u00e7\u00e3o (de majores at\u00e9 generais).<\/p>\n<p>Limpa de influ\u00eancias organizacionais, pol\u00edticas e \u201cideol\u00f3gicas\u201d que adv\u00e9m em grande medida dos estudos realizados por esses oficiais em lugares como a Escola Superior de Guerra, local marcadamente afeito a ideias de submiss\u00e3o geoestrat\u00e9gica e ideol\u00f3gica aos EUA[11]. Como resultado do comportamento anti-integracional das For\u00e7as Armadas Brasileiras, que enxergavam (e enxergam) com desd\u00e9m e hostilidade a UNASUL e seus \u00f3rg\u00e3os de defesa (CDS e EDSA), aliado a uma fobia exagerada a pol\u00edticas consideradas \u201cbolivarianas\u201d, teceram pesadas e infundadas cr\u00edticas \u00e0 EDSA e a UNASUL como um todo[12]. Enquanto avan\u00e7ava a passo de ganso a conspira\u00e7\u00e3o da alta c\u00fapula militar rumo \u00e0s amea\u00e7as de golpe pelo Twitter e cresciam tanto a \u201cnova direita\u201d como a \u201cextrema direita\u201d, a diplomacia brasileira corria em paralelo no sentido da EDSA. Faltou intelig\u00eancia no governo que estava por ser deposto.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o golpe com apelido de impeachment de Dilma Rousseff (politicamente orquestrado, com base jur\u00eddica fr\u00e1gil) em abril de 2016, o pa\u00eds iniciou um processo de afastamento e desidrata\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es da UNASUL, afetando inclusive, a EDSA[13]. Em abril de 2019, o Brasil, juntamente com Argentina, Col\u00f4mbia, Equador se retiraram definitivamente da organiza\u00e7\u00e3o sul-americana, marcando o fracasso do processo de integra\u00e7\u00e3o e transformando a UNASUL em um diminuto bloco, contendo hoje a Venezuela, Suriname e Guiana, com o Peru tendo suspendido sua participa\u00e7\u00e3o e a Bol\u00edvia tendo iniciado as tratativas de sa\u00edda em novembro do mesmo ano[14].<\/p>\n<p>O abandono da EDSA pelo Brasil e outros dos antigos membros da UNASUL relegou a Escola Militar Sul-americana a um ostracismo institucional gigantesco. Hoje, h\u00e1 apenas um curso ministrado pela Escola Superior de Guerra, datado de 2017[15]. Sem informa\u00e7\u00f5es de atualiza\u00e7\u00e3o curricular ou se ainda \u00e9 ministrado[16]. Ainda, o site oficial da EDSA n\u00e3o funciona, oque contrasta com o abandono dessa entidade pelos ex e atuais membros[17].<\/p>\n<p>Com o estabelecimento de parcerias de Col\u00f4mbia e Brasil com a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), em 2018 e 2019 [18,19] respectivamente, o continente caminha para um maior afastamento dos mecanismos de integra\u00e7\u00e3o regional, seja politicamente ou em defesa e seguran\u00e7a. A escolha das elites pol\u00edticas e militares sul americanas por uma organiza\u00e7\u00e3o militar internacional tendo no pr\u00f3prio continente mecanismos semelhantes, com o b\u00f4nus de n\u00e3o contar com a imposi\u00e7\u00e3o neocolonial de uma lideran\u00e7a estrangeira, demonstra que a independ\u00eancia em \u00e2mbito internacional n\u00e3o \u00e9 uma prioridade.<\/p>\n<p>Novamente o componente \u201cideol\u00f3gico\u201d \u2013 o da subservi\u00eancia e n\u00e3o o da independ\u00eancia e autonomia -, somado aos dist\u00farbios pol\u00edticos causados por grupos e partidos alinhados a direita e extrema direita pol\u00edtica em Brasil (a partir de 2015) e Bol\u00edvia (com o golpe de 2019), alinhados com governos convenientes com o desmonte das pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o, como na Argentina (Governo Macri) e Col\u00f4mbia (sucessivamente desde o Plano Col\u00f4mbia, mas com \u00eanfase ap\u00f3s o governo do paramilitar e narcotraficante \u00c1lvaro Uribe V\u00e9lez e seus herdeiros pol\u00edticos) solaparam mais uma vez os esfor\u00e7os pol\u00edticos pela integra\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o de um ambiente securit\u00e1rio mais propenso \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana, o anti-imperialismo e autodetermina\u00e7\u00e3o de nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Definitivamente \u00e9 o momento para que de uma vez por todas o conjunto das esquerdas deste Continente compreenda que n\u00e3o h\u00e1 \u201cneutralidade\u201d no tema das for\u00e7as armadas e n\u00e3o basta deix\u00e1-las intactas como fizemos no Brasil por 30 anos de democracia liberal. A tradi\u00e7\u00e3o castrense em nossos pa\u00edses \u00e9, majoritariamente, colonialista, p\u00f3s-colonial e submissa. O complexo de vira-latas, comandando regimentos e organiza\u00e7\u00f5es militares, \u00e9 sempre danoso e como tal deve ser recha\u00e7ado. Como sabemos em nosso pr\u00f3prio territ\u00f3rio, \u00e9 absurda a ideia de que as for\u00e7as de Caxias, Eduardo Gomes e Tamandar\u00e9 v\u00e3o defender a soberania popular em Palmares e Pindorama. Como nos ensina Jos\u00e9 Gervasio Artigas, general de homens e mulheres livres, \u201csomente podemos contar com n\u00f3s mesmos\u201d.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p><em><strong>Pedro Guedes \u00e9 internacionalista e graduando em direito (E-mail\u00a0<a href=\"mailto:pedro_0141@hotmail.com\">pedro_0141@hotmail.com<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Bruno Lima Rocha, \u00e9 militante socialista libert\u00e1rio e editor dos canais do Estrat\u00e9gia &amp; An\u00e1lise, a an\u00e1lise pol\u00edtica para a esquerda mais \u00e0 esquerda.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Contato:\u00a0blimarocha@gmail.com\u00a0| facebook.com\/blimarocha<\/p>\n<p>Blog: www.estrategiaeanaliseblog.com<\/p>\n<p>facebook.com\/estrategiaeanaliseoficial<\/p>\n<p>Twitter: twitter.com\/estanalise<\/p>\n<p>YouTube: Estrat\u00e9gia e An\u00e1lise Blog<\/p>\n<p>Telegram: t.me\/estrategiaeanalise<\/p>\n<p><em><strong>Rafael Costa \u00e9 desenhista e cartunista (E-mail-\u00a0Rafael.martinsdacosta@yahoo.com.br.\u00a0Instagram- @chargesecartuns)<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Bibliografia:<\/p>\n<p>1:<a href=\"https:\/\/cienciapolitica.org.br\/index.php\/system\/files\/documentos\/eventos\/2017\/04\/conselho-defesa-sul-americano-cds-balanco-e-perspectivas-714.pdf\">https:\/\/cienciapolitica.org.br\/index.php\/system\/files\/documentos\/eventos\/2017\/04\/conselho-defesa-sul-americano-cds-balanco-e-perspectivas-714.pdf<\/a>\u00a0p\u00e1g.09.<\/p>\n<p>2:https:\/\/nuso.org\/articulo\/o-brasil-e-a-criacao-do-conselho-de-defesa-sul-americano-uma-convergencia-de-vantagens\/<\/p>\n<p>3:https:\/\/super.abril.com.br\/mundo-estranho\/quais-foram-as-principais-guerras-entre-paises-da-america-do-sul\/<\/p>\n<p>4: https:\/\/noticias.r7.com\/internacional\/ultimo-confronto-militar-entre-sul-americanos-foi-ha-24-anos-23022019<\/p>\n<p>5: https:\/\/mundoestranho.abril.com.br\/materia\/o-que-foi-a-guerra-das-malvinas<\/p>\n<p>6: https:\/\/diplomatique.org.br\/nas-fronteiras-do-plano-colombia\/<\/p>\n<p>7: http:\/\/almanaque.folha.uol.com.br\/mundo_07abr1992.htm<\/p>\n<p>8: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/04\/150417_escola_defesa_unasul_mc<\/p>\n<p>9:https:\/\/www.congresso2019.fomerco.com.br\/resources\/anais\/9\/fomerco2019\/1568848319_ARQUIVO_548dd6afcd1e9e726d05136f23fbd025.pdf<\/p>\n<p>10: https:\/\/www.gov.br\/defesa\/pt-br\/assuntos\/noticias\/ultimas-noticias\/07-06-2013-defesa-brasil-apoia-proposta-de-criacao-da-escola-de-defesa-sul-americana-diz-amorim<\/p>\n<p>11:https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,escola-de-defesa\u2013sul-americana,1721200<\/p>\n<p>12:<\/p>\n<p>13:https:\/\/gedes-unesp.org\/suspensao-da-participacao-na-unasul-reflexos-sobre-a-seguranca-e-a-defesa-regional\/<\/p>\n<p>14:<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2019-04\/brasil-formaliza-saida-da-unasul-para-integrar-prosul\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2019-04\/brasil-formaliza-saida-da-unasul-para-integrar-prosul<\/a><\/p>\n<p>15:https:\/\/www.esg.br\/cursos-regulares\/cad-sul<\/p>\n<p>16:https:\/\/www.esg.br\/cursos-regulares\/cad-sul<\/p>\n<p>17: http:\/\/www.unasursg.org\/es\/consejo-defensa-suramericano-unasur\/<\/p>\n<p>18:https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2019-08\/estados-unidos-designam-oficialmente-brasil-como-aliado-extra-otan<\/p>\n<p>19:https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2018\/05\/colombia-e-aceita-na-otan-e-se-torna-o-1o-pais-da-america-latina-na-alianca.shtml<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o estabelecimento de parcerias de Col\u00f4mbia e Brasil com a Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (OTAN), em 2018 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