{"id":338814,"date":"2020-11-22T08:52:21","date_gmt":"2020-11-22T11:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=338814"},"modified":"2020-11-22T08:54:26","modified_gmt":"2020-11-22T11:54:26","slug":"camaras-so-de-lordes-90-cidades-baianas-nao-elegeram-mulheres-para-o-legislativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/camaras-so-de-lordes-90-cidades-baianas-nao-elegeram-mulheres-para-o-legislativo\/","title":{"rendered":"C\u00e2maras (s\u00f3) de lordes: 90 cidades baianas n\u00e3o elegeram mulheres para o legislativo; Pil\u00e3o Acardo faz parte da triste lista"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_217371\" aria-describedby=\"caption-attachment-217371\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-217371 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-620x422.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-620x422.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-300x204.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-768x523.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-160x109.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado-640x436.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/camara-de-pilao-arcado.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-217371\" class=\"wp-caption-text\">Mais uma vez Pil\u00e3o Arcado faz parte de uma triste hist\u00f3ria<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Em 21,5% dos munic\u00edpios do Estado, apenas homens v\u00e3o representar, nos pr\u00f3ximos quatro anos, os cidad\u00e3os e uma maioria de cidad\u00e3s<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Elas tentaram estimular. O primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es municipais de 2020 j\u00e1 se aproximava quando um grupo de mulheres em Teixeira de Freitas, no Extremo-Sul da Bahia, criou uma conta no Instagram, a @votenelastx. O objetivo era estimular o voto e a elei\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, de mulheres na cidade, onde a maior parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 feminina. Mas n\u00e3o surtiu efeito. Teixeira, que \u00e9 o 10\u00ba maior col\u00e9gio eleitoral do estado, \u00e9 tamb\u00e9m um dos 90 munic\u00edpios baianos que n\u00e3o elegeram, no \u00faltimo domingo (15), uma \u00fanica mulher ao legislativo municipal.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\" data-google-query-id=\"CIyEnbCJlu0CFSgvuQYd5moNtw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_minhabahia_300x250_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em oitenta destas cidades, isso significa dizer que, pelos pr\u00f3ximos quatro anos, n\u00e3o haver\u00e1 por l\u00e1 nenhuma representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica feminina. No caso das outras dez cidades, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco diferente: apesar das C\u00e2maras Municipais inteiramente masculinas, os moradores elegeram mulheres para a prefeitura.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Se, em Teixeira, n\u00e3o faltou est\u00edmulo para que mulheres fossem eleitas, no restante da Bahia tamb\u00e9m n\u00e3o faltou op\u00e7\u00e3o. Segundo dados da plataforma DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Bahia teve, este ano, 13.196 mulheres candidatas a vereadoras nos 417 munic\u00edpios, quase 2 mil a mais do que em 2016. Mesmo assim, 21,5% dos munic\u00edpios n\u00e3o conseguiram eleger mulheres.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">E mesmo onde elas foram eleitas, n\u00e3o representam a maioria das casas legislativas, salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es (leia mais ao lado). A aus\u00eancia de mulheres vereadoras, ali\u00e1s, n\u00e3o se resume a cidades menores. Outros dois munic\u00edpios entre os maiores col\u00e9gios eleitorais da Bahia tamb\u00e9m seguir\u00e3o sem representa\u00e7\u00e3o feminina: Sim\u00f5es Filho, na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador (RMS), e Valen\u00e7a, no Sul da Bahia. As duas, assim como Teixeira de Freitas, elegeram homens para a prefeitura.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O resultado est\u00e1 longe de ser uma realidade exclusivamente baiana. \u00c9 o que explica a pesquisadora Denise Paiva, doutora em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela USP e professora da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG). \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o da Bahia espelha o que aconteceu no \u00e2mbito nacional. N\u00f3s tivemos 12,2% de prefeitas eleitas no primeiro turno e 16% de vereadoras. N\u00e3o obstante alguns incentivos nacionais, como as cotas partid\u00e1rias, esse d\u00e9ficit de g\u00eanero continua\u201d, avalia.<\/p>\n<div id=\"CW\" class=\"galeria-single-modal galeria-single-modal--theme1\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"galeria-single-modal__slide slick-initialized slick-slider slick-dotted\" data-modal=\"1\">\n<div class=\"slick-list draggable\" aria-live=\"polite\">\n<div class=\"slick-track\" role=\"listbox\">\n<div class=\"galeria-single-modal__slide__item slick-slide slick-cloned\" tabindex=\"-1\" data-slick-index=\"8\" aria-hidden=\"true\">\n<div class=\"galeria-single-modal__slide__item__content\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Condi\u00e7\u00f5es diferentes<\/strong><br \/>\nPara Denise Paiva, \u00e9 poss\u00edvel enxergar algum avan\u00e7o. O n\u00famero de vereadoras eleitas na Bahia este ano &#8211; 609 &#8211; \u00e9 maior do que as 552 de 2016.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cA gente percebe um n\u00famero maior de pessoas trans, negras sendo eleitas, mas isso tem acontecido de forma ainda muito t\u00edmida. Por um lado, mostra que n\u00e3o necessariamente h\u00e1 uma rejei\u00e7\u00e3o do eleitorado em votar em mulheres. Mas, os partidos, al\u00e9m de indicar candidatas, precisam criar condi\u00e7\u00f5es para que elas sejam igualmente competitivas\u201d<\/strong>, diz Denise Paiva.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">E isso pode vir num gesto relativamente simples, como possibilitar que uma candidata tenha um n\u00famero de urna f\u00e1cil de memorizar, por exemplo. Ou, como afirmaa cientista pol\u00edtica Teresa Sacchet, professora da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Estudos Interdisciplinares em Mulheres, G\u00eaneroe Feminismo da Ufba (PPGNeim), ditribuindo de maneira justo os recursos para as campanhas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No ano passado, uma resolu\u00e7\u00e3o do TSE estabeleceu que os partidos deveriam destinar ao menos 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para mulheres. Mas muitas candidatas se queixaram que, j\u00e1 bem pr\u00f3ximo do 1\u00ba turno, o dinheiro n\u00e3o tinha chegado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSe isso de fato aconteceu, se as mulheres n\u00e3o receberam dinheiro ou se s\u00f3 receberam no final da campanha, voc\u00ea tem um problema s\u00e9rio\u201d, explica a pesquisadora, que coordenou este ano, no Neim\/Ufba, um curso chamado \u2018Represente: Mais Mulheres na Pol\u00edtica\u2019.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Talvez, por isso, o resultado deste ano seja, para ela, desolador, ainda que enxergue algum avan\u00e7o a passos lentos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201c\u00c9 um cen\u00e1rio muito desoldor. Imagina voc\u00ea n\u00e3o ter nenhuma mulher na C\u00e2mara em 21% das cidades, \u00e9 muita coisa. Eu vi essas elei\u00e7\u00f5es com um olhar muito positivo, ent\u00e3o a gente esperava mais. O que tivemos foi um ganho muito grande em termos de ret\u00f3rica pr\u00f3-mulher e pr\u00f3-negros. MasTtm muita desigualdade no processo de disputa pelo voto\u201d<\/strong>, afirma Teresa Sacchet.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Denise Paiva ainda chama a aten\u00e7\u00e3o para a desiguldade de condi\u00e7\u00f5es de competir. As mulheres pouco ocupam cargos de dire\u00e7\u00e3o nos partidos e ainda t\u00eam outros desafios.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cElas s\u00e3o profissionais, t\u00eam que cuidar dos filhos, do trabalho. \u00c9 um desafio. Quando um homem decide se candidatar, ele vai se dedicar full time a isso. A mulher, n\u00e3o\u201d, pontua.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Sa\u00edda de cena<\/strong><br \/>\n\u00c9, provavelmente, isso que explica a percep\u00e7\u00e3o da estudante Paula Luana Freitas, 30, que mora h\u00e1 13 anos em Sim\u00f5es Filho e viu, em 2020, a C\u00e2mara sem uma \u00fanica representante feminina. Para ela, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o conhecidas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cTem uma mulher que sempre se candidatou e se elegeu, mas este ano ela n\u00e3o disputou porque j\u00e1 \u00e9 deputada estadual. Outras tamb\u00e9m se candidatavam, mas a quantidade de mulheres candidatas aqui sempre foi pouca. Falta oportunidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Das 383 candidaturas este ano ao legislativo de Sim\u00f5es Filho &#8211; 15\u00ba maior col\u00e9gio eleitoral da Bahia -, 132 eram mulheres, quase tr\u00eas vezes menos do que os homens.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A aus\u00eancia feminina na representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Valen\u00e7a \u00e9 uma frustra\u00e7\u00e3o para a estudante J\u00falia Silva dos Santos, que tem 17 anos, mora l\u00e1 desde que nasceu, mas ainda n\u00e3o tirou o t\u00edtulo eleitoral &#8211; por isso, n\u00e3o p\u00f4de votar em nenhuma das 109 candidatas a vereadoras por l\u00e1.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Se pudesse, teria levado o g\u00eanero em conta:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cEsse ano, aprendi muito sobre representatividade. Um dos crit\u00e9rios seria esse, al\u00e9m dos planos para a estrutura da cidade\u201d<\/strong>, afirma J\u00falia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em 2016, tr\u00eas mulheres se elegeram l\u00e1, mas elas \u2018sumiram\u2019 do cen\u00e1rio este ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Representatividade<\/strong><br \/>\nAos 27 anos, a estudante e militante pelos direitos das mulheres Thalita Nascimento da Silva vive a falta de representatividade em dois lugares: Teixeira de Freitas, onde mora, e Mucuri, cidade a 99 quil\u00f4metros da primeira, onde vota.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAs duas cidades se enquadram num perfil muito parecido, de uma pol\u00edtica de coronelismo, antiga, ultrapassada. Apesar de a gente ver grandes avan\u00e7os na pauta das mulheres, na pauta feminista, nessas cidades do interior isso ainda \u00e9 muito distante\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Para Thalita, os eleitos s\u00e3o sempre os mesmos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cA nossa cidade passa a vis\u00e3o de que pol\u00edtico \u00e9 um homem branco. A gente n\u00e3o consegue enxergar e pensar em colocar mulheres para ocupar esses cargos. \u00c9 uma cultura muito amarrada ainda no machismo\u201d<\/strong>, diz Thalita.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na elei\u00e7\u00e3o passada, Teixeira de Freitas tamb\u00e9m elegeu uma mulher. Este ano, teve 126 candidatas, mas n\u00e3o elegeu nenhuma. O mesmo aconteceu com Mucuri, que teve 80 candidatas este ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de vereadores em cada cidade varia de acordo com a popula\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que uma cidade, apenas por ter um n\u00famero maior de vereadoras, tem mais representatividade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Salvador, por exemplo, tem 43 vagas na C\u00e2mara Municipal. Este ano, elegeu nove mulheres &#8211; o maior n\u00famero em um \u00fanico munic\u00edpio do estado. Mas, isso representa apenas 20,9% do total. Feira de Santana e Lauro de Freitas, com 21 vagas, elegeram \u00a0tr\u00eas vereadoras cada uma &#8211; 14,2%.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Vit\u00f3ria da Conquista ter\u00e1 apenas duas vereadoras (9,5%), enquanto Itabuna e Juazeiro, apenas uma (4,7%).<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a Bahia lan\u00e7ou o manifesto Mais Mulheres na Pol\u00edtica, proposto pelo Parlamento Feminista da Bahia, aprovado na Assembleia Legislativa do Estado (Alba). Um dos objetivos \u00e9 justamente fortalecer a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Vit\u00f3ria da Conquista ter\u00e1 apenas duas vereadoras (9,5%), enquanto Itabuna e Juazeiro, apenas uma (4,7%).<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a Bahia lan\u00e7ou o manifesto Mais Mulheres na Pol\u00edtica, proposto pelo Parlamento Feminista da Bahia, aprovado na Assembleia Legislativa do Estado (Alba). Um dos objetivos \u00e9 justamente fortalecer a participa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Mulheres s\u00e3o maioria nas C\u00e2maras de tr\u00eas cidades do interior da Bahia<\/strong><br \/>\nTr\u00eas cidades do interior da Bahia, todas com menos de 30 mil habitantes, conseguiram um feito raro nesta elei\u00e7\u00e3o: eleger mais mulheres do que homens nas C\u00e2maras Municipais. \u00c9 o caso de Rodelas, no Vale do S\u00e3o Francisco, Jo\u00e3o Dourado, no Centro-Norte, e Palmas de Monte Alto, no Centro-Sul da Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Rodelas tem menos de 10 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), e apenas nove vagas na C\u00e2mara Municipal. Destas, cinco ser\u00e3o ocupadas por mulheres a partir do ano que vem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Dourado, cidade com nome de homem, tamb\u00e9m elegeu mais mulheres &#8211; elas ocupam seis das 11 vagas no legislativo municipal. \u00c9 uma mulher a mais votada: Kel do Riacho teve 1.135 votos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em Palmas de Monte Alto, o feito foi ainda maior: a cidade tem a maioria da popula\u00e7\u00e3o masculina, mas tr\u00eas mulheres foram as mais votadas este ano &#8211; Patr\u00edcia do Rancho, Selma de Leot\u00e9rio e Rose da Barriguda somam 2.140 votos. A cidade tem 11 vereadores &#8211; seis mulheres eleitas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Para a cientista pol\u00edcia Denise Paiva, doutora pela USP e professora da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), alguns estudos mostram que \u00e9 mesmo a pol\u00edtica local a porta de entrada das mulheres.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cAlgumas s\u00e3o ex-primeiras-damas, v\u00eam de fam\u00edlias tradicionais, o que facilita para que consigam se eleger. Com os homens tamb\u00e9m \u00e9 assim e n\u00e3o h\u00e1 nenhum dem\u00e9rito nisso. Mas \u00e9 importante que elas consigam avan\u00e7ar na carreira\u201d<\/strong>, aponta a pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Um pr\u00f3ximo passo \u00e9, quem sabe, crescer o n\u00famero de prefeitas eleitas. Em 2016, \u00a0Bahia elegeu 56 mulheres, segundo o TRE-BA. Este ano foram 53. \u201c\u00c9 preciso ter uma mudan\u00e7a cultural na sociedade, avan\u00e7ar mais para que na pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o a gente n\u00e3o precise perguntar mais pelas mulheres na pol\u00edtica, para que elas estejam l\u00e1 e isso seja naturalizado\u201d, defende Denise.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja a lista das cidades que n\u00e3o elegeram mulheres para as C\u00e2maras Municipais no \u00faltimo domingo (15):<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Acajutiba<br \/>\nAlcoba\u00e7a<br \/>\nBarra do Rocha<br \/>\nBarro Alto<br \/>\nBom Jesus da Lapa<br \/>\nBoquira<br \/>\nBotupor\u00e3<br \/>\nCaatiba<br \/>\nCairu<br \/>\nCandeal<br \/>\nCandiba<br \/>\nCansan\u00e7\u00e3o<br \/>\nCapela do Alto Alegre<br \/>\nCapim Grosso<br \/>\nCardeal da Silva<br \/>\nCarinhanha<br \/>\nCetanos<br \/>\nCocos<br \/>\nConde<br \/>\nCordeiros<br \/>\nCravol\u00e2ndia<br \/>\nD\u00e1rio Meira<br \/>\nEntre Rios<br \/>\nFilad\u00e9lfia<br \/>\nGavi\u00e3o<br \/>\nGentio do Ouro<br \/>\nGongogi<br \/>\nIa\u00e7u<br \/>\nIbirataia<br \/>\nIgua\u00ed<br \/>\nInhambupe<br \/>\nIpecaet\u00e1<br \/>\nIramaia<br \/>\nIraquara<br \/>\nIrec\u00ea<br \/>\nItaberaba<br \/>\nItacar\u00e9<br \/>\nItaet\u00e9<br \/>\nItagib\u00e1<br \/>\nItamari<br \/>\nItanagra<br \/>\nItanh\u00e9m<br \/>\nItarantim<br \/>\nItiru\u00e7u<br \/>\nJaguarari<br \/>\nJiquiri\u00e7\u00e1<br \/>\nJussara<br \/>\nLafaiete Coutinho<br \/>\nLivramento de Nossa Senhora<br \/>\nMalhada de Pedras<br \/>\nManoel Vitorino<br \/>\nMatina<br \/>\nMucuri<br \/>\nMuqu\u00e9m de S\u00e3o Francisco<br \/>\nNova Soure<br \/>\nOliveira dos Brejinhos<br \/>\nOuri\u00e7angas<br \/>\nPalmeiras<br \/>\nP\u00e9 de Serra<br \/>\nPedro Alexandre<br \/>\nPil\u00e3o Arcado<br \/>\nPindoba\u00e7u<br \/>\nPiritiba<br \/>\nPlanalto<br \/>\nPonto Novo<br \/>\nPotiguar\u00e1<br \/>\nQuixabeira<br \/>\nRemanso<br \/>\nRiach\u00e3o do Jacu\u00edpe<br \/>\nSanta In\u00eas<br \/>\nSanta Luzia<br \/>\nSantaluz<br \/>\nSantana<br \/>\nS\u00e3o Desid\u00e9rio<br \/>\nS\u00e3o Domingos<br \/>\nS\u00e3o Jos\u00e9 do Jacu\u00edpe<br \/>\nSapea\u00e7u<br \/>\nSento S\u00e9<br \/>\nSim\u00f5es Filho<br \/>\nSobradinho<br \/>\nTanha\u00e7u<br \/>\nTeixeira de Freitas<br \/>\nUba\u00edra<br \/>\nUrandi<br \/>\nUtinga<br \/>\nValen\u00e7a<br \/>\nValente<br \/>\nV\u00e1rzea Nova<br \/>\nVereda<br \/>\nWanderley<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja as cidades com maior percentual feminino nas C\u00e2maras*<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">1\u00ba Rodelas 55,5%<br \/>\n2\u00ba Jo\u00e3o Dourado \u00a054,5%<br \/>\n3\u00ba\u00a0Palmas de Monte Alto \u00a054,5%<br \/>\n4\u00ba\u00a0S\u00e3o Francisco do Conde \u00a046,1%<br \/>\n5\u00ba\u00a0Coaraci \u00a045,4%<br \/>\n6\u00ba\u00a0Cotegipe \u00a044,4%<br \/>\n7\u00ba\u00a0El\u00edsio Medrado \u00a044,4%<br \/>\n8\u00ba\u00a0Ichu \u00a044,4%<br \/>\n9\u00ba\u00a0Itagi \u00a044,4%<br \/>\n10\u00ba\u00a0Riacho de Santana \u00a038,4%<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">*Raz\u00e3o entre total de vagas em cada munic\u00edpio e n\u00famero de mulheres eleitas nestes locais<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Correio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 21,5% dos munic\u00edpios do Estado, apenas homens v\u00e3o representar, nos pr\u00f3ximos quatro anos, os cidad\u00e3os e uma maioria de 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