{"id":343103,"date":"2021-01-05T07:21:58","date_gmt":"2021-01-05T10:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=343103"},"modified":"2021-01-05T07:21:58","modified_gmt":"2021-01-05T10:21:58","slug":"os-padres-alvo-de-ataques-racistas-dos-proprios-fieis-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-padres-alvo-de-ataques-racistas-dos-proprios-fieis-no-brasil\/","title":{"rendered":"Os padres alvo de ataques racistas dos pr\u00f3prios fi\u00e9is no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"css-7yf5z7-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h1 id=\"content\" class=\"css-1jgs8so-Headline e1yj3cbb0\" style=\"text-align: justify;\" tabindex=\"-1\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"e1j2237y2 css-1btxek-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"css-s561j-Container e1c9i7u10\">\n<p><strong>Andr\u00e9 Bernardo<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"e1j2237y1 css-1btxek-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"css-hxtc46-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"css-m91nxa-Figure e6bmn90\">\n<div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-eytg6c-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-oijotl-ImagePlaceholder e1whu0\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"css-1vsigzm-StyledImg-fadeIn e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/15B75\/production\/_116194988_whatsubject.jpg 800w\" alt=\"Par\u00f3quia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, na Gl\u00f3ria, Zona Sul do Rio, montou pres\u00e9pio tem\u00e1tico no Largo da Gl\u00f3ria. Um dos temas foi o combate ao racismo\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"css-1glfc7s-Caption eede9f50\">Par\u00f3quia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, na Gl\u00f3ria, Zona Sul do Rio, montou pres\u00e9pio tem\u00e1tico no Largo da Gl\u00f3ria. Um dos temas foi o combate ao racismo<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-npc68-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\"><b>O frei franciscano David Raimundo dos Santos tinha 24 anos quando sofreu um dos mais duros golpes de sua vida. Ele estava em um semin\u00e1rio no interior de S\u00e3o Paulo quando, no dia 13 de maio de 1976, alguns novi\u00e7os, descendentes de italianos e alem\u00e3es, convidaram os poucos colegas negros e pardos da turma para um suposto almo\u00e7o em confraterniza\u00e7\u00e3o pelo Dia da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura. Logo, frei David descobriu que a aparente gentileza escondia uma brincadeira de p\u00e9ssimo gosto: no centro do refeit\u00f3rio, havia uma mesa decorada com as palavras: \u201cNavio negreiro\u201d.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Visivelmente aborrecido, frei David se recusou a participar do trote, mas foi praticamente for\u00e7ado por alguns companheiros de batina.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Naquele mesmo dia, frei David arrumou as malas, mas foi convencido por um sacerdote a ficar. Mais do que isso: foi encorajado, dali em diante, a transformar aquela ofensa em bandeira de luta por um mundo melhor. \u201cQuando aqueles seminaristas mexeram comigo e meus companheiros, e praticaram aquilo que chamamos de \u2018racismo recreativo\u2019, n\u00e3o tinham a inten\u00e7\u00e3o de nos ofender ou humilhar. N\u00e3o havia, naquela \u00e9poca, a clareza que temos hoje de que essas goza\u00e7\u00f5es s\u00e3o, na verdade, humilha\u00e7\u00f5es\u201d, avalia o diretor da ONG Educafro, que defende a pol\u00edtica de cotas para estudantes negros e carentes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cHoje, o racismo \u00e9 muito mais cruel. Os semin\u00e1rios precisam despertar seus seminaristas negros para a negritude e encoraj\u00e1-los a beber na fonte da hist\u00f3ria do povo negro. Uma hist\u00f3ria de muita luta, dor e sofrimento\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No caso dele, o preconceito partiu de outros seminaristas. Mas, \u00e0s vezes, parte dos pr\u00f3prios fi\u00e9is. Foi o que aconteceu na Par\u00f3quia Santo Ant\u00f4nio, em Adamantina, a 578 km de S\u00e3o Paulo (SP). Desde que assumiu a igreja matriz, em 2012, o padre Wilson Lu\u00eds Ramos alegou ter sido v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o por parte de alguns fi\u00e9is. Houve quem dissesse que \u201cdeveriam trocar o galo de bronze do alto da igreja por um urubu\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Depois de um ano e dez meses na par\u00f3quia, o sacerdote foi transferido para o Santu\u00e1rio Nossa Senhora de F\u00e1tima, em Dracena, onde assumiu como p\u00e1roco e reitor. Procurado pela reportagem, o padre Wilson n\u00e3o quis dar entrevista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Outro caso de preconceito racial foi registrado na Par\u00f3quia Nossa Senhora do Bom Conselho, em Serra Preta, a 150 km de Salvador (BA). A v\u00edtima da vez foi o Padre Gilmar Assis. No dia 3 de junho de 2017, ele disse ter tomado um susto ao ouvir um \u00e1udio no WhatsApp com ofensas e amea\u00e7as, como \u201cneg\u00e3o\u201d, \u201cburro\u201d e \u201canimal\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Em nota, a Arquidiocese de Feira de Santana, que abrange a Par\u00f3quia Nossa Senhora do Bom Conselho, declarou que repudia \u201cmanifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio\u201d, afirmou que n\u00e3o compactua com atitudes que \u201cferem a dignidade humana\u201d e prestou solidariedade a todos aqueles que \u201csofrem qualquer tipo de preconceito e discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cA Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 somente o padre e o bispo. \u00c9 o povo de Deus tamb\u00e9m. Infelizmente, a mentalidade da \u2018Casa Grande\u2019 ainda est\u00e1 presente em nosso povo\u201d, lamenta Dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA) e bispo da Pastoral Afro-Brasileira, da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). \u201cA constru\u00e7\u00e3o da paz passa pelo direito \u00e0 igualdade racial. Por essa raz\u00e3o, n\u00e3o podemos admitir preconceito ou discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"e46rrwz0 css-r7b94e-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"css-m91nxa-Figure e6bmn90\">\n<div class=\"css-1c6mers-StyledVideoContainer eveuav30\"><iframe class=\"css-v3kkbc-StyledIframe eqo19v61\" title=\"Media player\" src=\"https:\/\/bbc.com\/ws\/av-embeds\/cps\/portuguese\/brasil-55394062\/p08h0q6g\/pt-BR\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div><figcaption class=\"css-1glfc7s-Caption eede9f50\"><span class=\"css-ow3j0s-VisuallyHiddenText e1yt7oin0\">Legenda do v\u00eddeo,<\/span>As estat\u00edsticas que revelam a desigualdade racial no Brasil e nos EUA<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Para o soci\u00f3logo Osvaldo Jos\u00e9 da Silva, doutorando em Ci\u00eancias Sociais e membro do Observat\u00f3rio do Racismo da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC\u2013SP), n\u00e3o chega a surpreender o fato de algumas comunidades crist\u00e3s ainda se apoiarem no racismo institucional. Segundo ele, seus membros est\u00e3o contaminados pela ignor\u00e2ncia racial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cO mal do racismo est\u00e1 impregnado em todas as institui\u00e7\u00f5es brasileiras. E, em muitas pessoas, \u00e9 muito mais comum do se imagina\u201d, alerta o soci\u00f3logo. \u201cCasos de preconceito racial contra padres, freiras e religiosos negros podem parecer isolados ou pontuais. Mas, fazem parte de um senso comum equivocado de que os negros s\u00e3o inferiores aos brancos.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 id=\"Dentro-da-igreja-mas-longe-de-Deus\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">&#8216;Dentro da igreja, mas longe de Deus&#8217;<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Uma recente demonstra\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia racial veio de Alfenas, a 335 km de Belo Horizonte (MG). Em setembro, o padre Riva Rodrigues de Paula, de 42 anos, assumiu como vig\u00e1rio da Par\u00f3quia S\u00e3o Jos\u00e9 e Nossa Senhora das Dores. Logo, a secretaria paroquial come\u00e7ou a receber os primeiros telefonemas pedindo que a matriz avisasse com anteced\u00eancia quando \u201co padre preto fosse celebrar a Santa Missa\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Na Semana da Consci\u00eancia Negra, padre Riva chegava para rezar uma missa \u00e0s sete da manh\u00e3 quando, j\u00e1 dentro da igreja, foi abordado por um casal que o teria chamado de \u201cpreto fedido\u201d. Diante da ofensa, a diocese de Guaxup\u00e9 (MG) soltou uma nota de rep\u00fadio que foi lida nas oito par\u00f3quias de Alfenas no domingo, dia 22: \u201cS\u00e3o inaceit\u00e1veis atos de racismo em qualquer esfera da sociedade, principalmente em \u00e2mbito religioso, cujo lugar \u00e9 propagar o respeito, o amor e o di\u00e1logo\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">O vig\u00e1rio paroquial n\u00e3o quis registrar boletim de ocorr\u00eancia. Em vez disso, preferiu conscientizar a comunidade do pecado grav\u00edssimo que \u00e9 o racismo. Mas, caso volte a sofrer inj\u00faria racial, durante uma missa, casamento ou batizado, o padre Riva foi aconselhado pelo bispo de Guaxup\u00e9 (MG), d. Jos\u00e9 Lanza Neto, a interromper a cerim\u00f4nia, chamar a pol\u00edcia e fazer a den\u00fancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cQuis mostrar que, dentro do ambiente religioso, tamb\u00e9m h\u00e1 racismo. N\u00e3o d\u00e1 mais para aceitar esse tipo de atitude. Amanh\u00e3, se tiver um papa negro \u00e0 frente da Igreja, vamos deixar de ser cat\u00f3licos?\u201d, indagou o sacerdote, durante uma homilia no domingo, dia 22. \u201cTenho pena dessas pessoas e rezo muito por elas porque precisam de convers\u00e3o. Est\u00e3o dentro da igreja, mas longe de Deus.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No Instituto Acolher, onde trabalha h\u00e1 16 anos no atendimento psicoterap\u00eautico a padres, religiosos e seminaristas, o psic\u00f3logo Eduardo Galindo diz j\u00e1 ter atendido a algumas v\u00edtimas de preconceito racial. Em muitas par\u00f3quias, os fi\u00e9is s\u00e3o t\u00e3o r\u00edgidos e conservadores que, muitas vezes, n\u00e3o toleram quando os padres tentam promover mudan\u00e7as na rotina paroquial. Em alguns casos, organizam abaixo-assinados ou fazem piadas nas redes sociais. Em outros, mais extremos, reagem de maneira hostil aos sacerdotes.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cAs feridas do racismo causam profundo sofrimento mental. Sem tratamento, podem levar o padre a sofrer de estresse, depress\u00e3o, ansiedade e at\u00e9 alcoolismo\u201d, adverte Eduardo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 id=\"Sagrada-Fam\u00edlia-negra\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">Sagrada Fam\u00edlia negra<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Se, em Alfenas, o padre Riva preferiu n\u00e3o registrar boletim de ocorr\u00eancia, no Rio, a invas\u00e3o de uma igreja no dia da Consci\u00eancia Negra virou caso de pol\u00edcia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Membros de uma associa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica conservadora tentaram impedir a celebra\u00e7\u00e3o de uma missa em homenagem ao Dia da Consci\u00eancia Negra de 2019 na Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, na Gl\u00f3ria, zona sul do Rio. Durante a cerim\u00f4nia, que contou com m\u00fasicas, dan\u00e7as e instrumentos de origem afro, cerca de 20 manifestantes come\u00e7aram a rezar em voz alta o ter\u00e7o em latim. Terminada a celebra\u00e7\u00e3o, trocaram ofensas e agress\u00f5es com paroquianos. O caso foi investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi), que indiciou cinco homens por intoler\u00e2ncia religiosa e alguns por racismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No \u00faltimo ano, a Arquidiocese do Rio cancelou, por medida de seguran\u00e7a, a tradicional missa em homenagem ao Dia da Consci\u00eancia Negra da Par\u00f3quia do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, realizada h\u00e1 16 anos. Um v\u00eddeo postado nas redes sociais por integrantes da associa\u00e7\u00e3o conclamava os leigos cat\u00f3licos a se reunirem do lado de fora da igreja para rezar em desagravo ao que chamou de \u201csacril\u00e9gio\u201d e \u201cprofana\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A missa em homenagem ao Dia da Consci\u00eancia Negra foi cancelada, mas o tradicional pres\u00e9pio da Igreja do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, com temas seculares e controversos, como corrup\u00e7\u00e3o e desmatamento, n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Uma representa\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus na gruta de Bel\u00e9m foi inaugurada no \u00faltimo 7 de dezembro, com a ben\u00e7\u00e3o do arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta. O pres\u00e9pio traz uma Sagrada Fam\u00edlia negra e anjos segurando uma faixa com os dizeres: \u201cDiga n\u00e3o ao racismo\u201d. A obra, composta por 16 pe\u00e7as em tamanho natural, foi criada pelo padre Wanderson Guedes, que \u00e9 artista pl\u00e1stico.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u201cDe uns anos para c\u00e1, os temas do pres\u00e9pio se tornaram, por assim dizer, mais seculares e menos religiosos. O racismo \u00e9 um tema atual. Um tema que, infelizmente, n\u00e3o est\u00e1 superado no Brasil. N\u00e3o faz sentido um pa\u00eds t\u00e3o miscigenado como o nosso ser racista. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, o preconceito racial era velado. Hoje, n\u00e3o. As pessoas perderam o pudor de dizerem que s\u00e3o racistas\u201d, lamenta o p\u00e1roco Wanderson.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hxtc46-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"css-m91nxa-Figure e6bmn90\">\n<div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-eytg6c-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-oijotl-ImagePlaceholder e1whu0\">\n<div class=\"lazyload-wrapper\"><img decoding=\"async\" class=\"css-1vsigzm-StyledImg-fadeIn e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/18285\/production\/_116194989_whatsubject.jpg 800w\" alt=\"Pres\u00e9pio criado pelo p\u00e1roco Wanderson Guedes traz uma Sagrada Fam\u00edlia negra e anjos segurando uma faixa com os dizeres: &quot;Digam n\u00e3o ao racismo&quot;.\" width=\"976\" \/><\/div>\n<p class=\"css-19db9gm-Copyright etq3yw90\" role=\"text\"><span class=\"css-ow3j0s-VisuallyHiddenText e1yt7oin0\">CR\u00c9DITO,<\/span><span lang=\"en-GB\">PASCOM\/PAR\u00d3QUIA DO SAGRADO CORA\u00c7\u00c3O DE JESUS<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"css-1glfc7s-Caption eede9f50\">Pres\u00e9pio criado pelo p\u00e1roco Wanderson Guedes traz uma Sagrada Fam\u00edlia negra e anjos segurando uma faixa com os dizeres: &#8220;Digam n\u00e3o ao racismo&#8221;.<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"css-2d6yrt-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"css-npc68-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 id=\"Ouvi-o-clamor-deste-povo\" class=\"css-4qzrek-SubHeading e14hemmw1\" tabindex=\"-1\">&#8216;Ouvi o clamor deste povo!&#8217;<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Autor de\u00a0<i class=\"css-h1y5j7 ewc4zcb0\">Quest\u00f5es Raciais na Igreja Cat\u00f3lica<\/i>\u00a0(Appris, 2019), o historiador Ronaldo Pimentel Baptista lembra que, em 1988, o ano do Centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o, a CNBB dedicou a Campanha da Fraternidade ao tema: \u201cA Fraternidade e o Negro\u201d. O lema original, \u201cNegro: Um Clamor de Justi\u00e7a\u201d, no entanto, fora substitu\u00eddo por \u201cOuvi o Clamor Deste Povo\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No Rio, o cardeal Dom Eug\u00eanio Sales manteve o tema, mas adotou um lema diferente do da CNBB: \u201cV\u00e1rias Ra\u00e7as, Um S\u00f3 Povo\u201d. \u201cJ\u00e1 \u00e9 passada a hora de n\u00e3o s\u00f3 a CNBB, mas, a Igreja Cat\u00f3lica propor n\u00e3o s\u00f3 uma campanha tempor\u00e1ria, mas uma a\u00e7\u00e3o permanente que extrapole o \u00e2mbito religioso no combate efetivo ao racismo no mundo.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Na opini\u00e3o do historiador Baptista, a Igreja pode e deve empreender mais esfor\u00e7os para combater o racismo e reduzir a exclus\u00e3o social do negro no Brasil. Entre outras iniciativas, cita a ado\u00e7\u00e3o de uma pr\u00e1tica reflexiva constante sobre o racismo e a discrimina\u00e7\u00e3o, principalmente em seu pr\u00f3prio interior. E a possibilidade de ascens\u00e3o de negros aos seus mais altos cargos hier\u00e1rquicos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"css-hl9dz2-GridComponent e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"css-1ikvhrr-Paragraph e1cc2ql70\" dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, apenas 37 dos 483 cardeais, bispos e arcebispos brasileiros s\u00e3o negros. Esse n\u00famero corresponde a 7,6% do total. \u201cEssas medidas poderiam, de certa forma, contribuir na luta contra o racismo, uma chaga aberta que permanece sangrando em nossa sociedade e dilacerando os negros, os mais pobres entre os pobres.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O frei franciscano David Raimundo dos Santos tinha 24 anos quando sofreu um dos mais duros golpes de sua vida. 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