{"id":344609,"date":"2021-01-20T17:26:16","date_gmt":"2021-01-20T20:26:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=344609"},"modified":"2021-01-20T17:52:22","modified_gmt":"2021-01-20T20:52:22","slug":"a-curiosa-historia-de-colonia-do-sacramento-cidade-portuguesa-na-america-que-nao-e-parte-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-curiosa-historia-de-colonia-do-sacramento-cidade-portuguesa-na-america-que-nao-e-parte-do-brasil\/","title":{"rendered":"A curiosa hist\u00f3ria de Col\u00f4nia do Sacramento, cidade portuguesa na Am\u00e9rica que n\u00e3o \u00e9 parte do Brasil"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"lead\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Palco de conflitos entre portugueses e espanh\u00f3is, a hist\u00f3ria local \u00e9 impressionante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Francisco Botelho e Andreas M\u00fcller<\/p>\n<figure class=\"img-lead\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/brasil\/sacramentodndn_widelg.jpg\" alt=\"Col\u00f4nia do Sacramento atualmente\" \/><figcaption>Col\u00f4nia do Sacramento atualmente &#8211; Wikimedia Commons &#8211; Adri\u00e1n Sesia<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos confins do Uruguai, \u00e0s margens do estu\u00e1rio da Prata e a apenas 50 km de Buenos Aires, est\u00e1 o \u00faltimo basti\u00e3o do imp\u00e9rio lusitano no sul das Am\u00e9ricas: Col\u00f4nia de Sacramento, fundada pelos portugueses, nas barbas de seus inimigos espanh\u00f3is, em fins do s\u00e9culo 17.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, tornou-se um emaranhado suave e tranquilo de ruas de pedra cheias de turistas e soprada pela brisa fresca do Prata &#8211; no passado, uma cidade-fortaleza sempre a postos para a guerra, cercada por terra e por mar, na esquina de dois imp\u00e9rios em atrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante 97 anos &#8211; entre 1680 e 1777 -, foi o pomo da disc\u00f3rdia entre os espanh\u00f3is da atual Argentina e os luso-brasileiros. Perdida entre as \u00e1guas do Prata e a regi\u00e3o da Campanha, Sacramento passou por 5 cercos, foi destru\u00edda 3 vezes e reconstru\u00edda outras tantas &#8211; mudando de dono durante quase um s\u00e9culo.<\/p>\n<div class=\"injected_arroba mb-2 mx-auto\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"banner-300x250-2-area\" data-mobile=\"300x250\" data-desktop=\"300x250\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/8804\/parceiros\/aventuras_na_historia_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O troca-troca entre portugueses e espanh\u00f3is \u00e9 vis\u00edvel hoje na arquitetura da cidade. As casas portuguesas do per\u00edodo colonial, de pedra e com telhados de 2 ou 4 \u00e1guas, enfileiram-se ao lado de moradas em estilo espanhol &#8211; de tijolos, com terra\u00e7os planos no teto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas ruas t\u00eam nomes lusitanos, como Dom Manuel Lobo, o fundador da cidade, e Hip\u00f3lito da Costa &#8211; nascido em Sacramento em 1774 e que fundaria o primeiro jornal do Brasil, o Correio Braziliense. Apesar da import\u00e2ncia, a cidade foi por muito tempo esquecida pelos brasileiros. Ningu\u00e9m gosta de remoer derrotas, e Col\u00f4nia de Sacramento \u00e9 a cidade que o Brasil perdeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Duelo\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A briga entre Portugal e Espanha pelo estu\u00e1rio do Prata &#8211; a conflu\u00eancia dos rios Paran\u00e1 e Uruguai &#8211; vinha desde o tempo dos descobrimentos. As na\u00e7\u00f5es j\u00e1 trocavam tiros ao longo da costa da \u00c1frica desde o s\u00e9culo 15. Em 1494, diplomatas se reuniram em Tordesilhas para fatiar o globo. O mapa-m\u00fandi foi dividido por uma linha imagin\u00e1ria, 370 l\u00e9guas a oeste de Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que ficasse para l\u00e1 da linha seria espanhol. Os territ\u00f3rios a leste ficariam para Portugal. S\u00f3 que o arquip\u00e9lago de Cabo Verde tem dez ilhas e o tratado n\u00e3o especificou a partir de qual delas deveriam ser contadas as l\u00e9guas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E espanh\u00f3is e portugueses nem concordavam sobre a extens\u00e3o exata de uma l\u00e9gua&#8230; O resultado foram s\u00e9culos de guerra ao longo de uma fronteira imprecisa. &#8220;Para Portugal, ela chegava at\u00e9 a Patag\u00f4nia. Para os espanh\u00f3is, ela passava por Cananeia&#8221;, diz Paulo Possamai, da Universidade Federal de Pelotas, autor de A Vida Quotidiana em Col\u00f4nia do Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tri\u00e2ngulo formado pelos rios Paran\u00e1 e Uruguai foi um dos pontos de disputa. Dependendo de quem riscasse a tal linha imagin\u00e1ria, a regi\u00e3o podia ser espanhola ou lusitana. O mesmo acontecia com a chamada Banda Oriental &#8211; a margem nordeste do Prata, que virou o Uruguai.<\/p>\n<figure class=\"image\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/brasil\/sacramendnd.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Col\u00f4nia do Sacramento &#8211; Wikimedia Commons\/<a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20161028045140\/http:\/www.panoramio.com\/user\/6793236?with_photo_id=105037149\">Ricardo Freitas<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os portugueses foram os primeiros a navegar pelo estu\u00e1rio, em 1512. Mas os espanh\u00f3is ergueram a primeira cidade: Buenos Aires, em 1535, na margem sul do Prata. Na \u00e9poca, os portugueses estavam ocupados colonizando o Brasil &#8211; mas sua cobi\u00e7a foi despertada com as not\u00edcias da descoberta das minas de prata de Potos\u00ed, hoje na Bol\u00edvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caminho mais r\u00e1pido entre Potos\u00ed e o Atl\u00e2ntico era o estu\u00e1rio do Paran\u00e1 e do Uruguai, que, por isso mesmo, passou a ser chamado de rio da Prata. O duelo nas Am\u00e9ricas foi adiado por uma reviravolta na Europa. Em 1580, o rei espanhol Felipe 2\u00ba reclamou a coroa vizinha. Portugal e suas col\u00f4nias ficaram incorporadas \u00e0 Espanha durante 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1640, os portugueses se libertaram do dom\u00ednio espanhol. Depois de chutar os vizinhos na Europa, os lusitanos resolveram acertar os ponteiros na Am\u00e9rica. E foi ent\u00e3o que a peleja por aqui realmente come\u00e7ou. A tarefa de fincar a bandeira lusitana nas margens do Prata coube a dom Manuel Lobo, fidalgo nascido em Portugal e governador da capitania do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma carta secreta, a Coroa portuguesa o incumbiu de viajar at\u00e9 os confins meridionais e encontrar um &#8220;s\u00edtio c\u00f4modo&#8221; para uma fortaleza e um porto na margem superior do Prata, em 1679. Os espanh\u00f3is n\u00e3o haviam explorado a Banda Oriental &#8211; e os portugueses queriam aproveitar a oportunidade para marcar ali a fronteira meridional de seu imp\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A coroa portuguesa procurou balizar seus dom\u00ednios pelos maiores rios descobertos &#8211; o Amazonas, ao norte, e o Prata, ao sul. N\u00e3o porque fossem fronteiras naturais, mas para garantir o controle das vias de acesso ao interior do continente&#8221;, escreveu Possamai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante meses, Manuel Lobo fez preparativos secretos. Juntou 400 soldados, recrutados no Rio e em S\u00e3o Paulo. Quatro navios foram carregados de mantimentos e armados com 18 canh\u00f5es. Enquanto a frota portuguesa se aproximava, espi\u00f5es espanh\u00f3is levaram a not\u00edcia at\u00e9 Buenos Aires. As inten\u00e7\u00f5es dos portugueses n\u00e3o estavam claras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corria o boato de que Portugal pretendia invadir Buenos Aires e conquistar as minas de prata. O governador espanhol, Jos\u00e9 de Garro, enviou barcos para fazer o reconhecimento do estu\u00e1rio. Procurou os portugueses por todos os lados &#8211; sem sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os espanh\u00f3is n\u00e3o imaginavam que Manuel Lobo, ap\u00f3s 20 dias de viagem, havia desembarcado defronte de Buenos Aires, em uma ba\u00eda atr\u00e1s da ilha de S\u00e3o Gabriel, na outra margem do Prata &#8211; onde batizou o acampamento de Col\u00f4nia do Sant\u00edssimo Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias ap\u00f3s o desembarque, um grupo de espanh\u00f3is foi cortar lenha por ali e avistou barracas, canh\u00f5es e soldados. Voltaram a Buenos Aires com a not\u00edcia de que os inimigos estavam estacionados a pouco mais de 50 km. Furioso, Garro enviou um mensageiro a dom Manuel, exigindo que sa\u00edsse de terras da Coroa espanhola. Lobo respondeu que a margem norte do Prata pertencia a Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E rematou a resposta com um desafio fidalgo: &#8220;Vossa Merc\u00ea fa\u00e7a o que bem desejar, que para tudo me h\u00e1 de achar pront\u00edssimo, para o servir com particular gosto&#8221;. Garro preparou o revide. Com 480 soldados espanh\u00f3is e 3 mil guaranis, atravessou o Prata em um navio de guerra.<\/p>\n<div class=\"injected_arroba mb-2 mx-auto\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"banner-300x250-8-area\" data-mobile=\"300x250\" data-desktop=\"300x250\" data-google-query-id=\"COK9kJerq-4CFU0FuQYdgLUDxQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/8804\/parceiros\/aventuras_na_historia_8__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na madrugada de 7 de agosto, um grupo de guaranis escalou a pali\u00e7ada e degolou os sentinelas. A rec\u00e9m-nascida Col\u00f4nia foi saqueada e incendiada em horas. Dom Manuel acabou seus dias preso em Buenos Aires. Mas Portugal n\u00e3o largou o osso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo ap\u00f3s a vit\u00f3ria, a Espanha n\u00e3o se animou a colonizar a Banda Oriental: a Coroa espanhola, na \u00e9poca em conflito com a Holanda, n\u00e3o queria entrar em guerra com Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, um ano depois, l\u00e1 estavam os portugueses novamente, nas ru\u00ednas do acampamento de Lobo. Agora, a expedi\u00e7\u00e3o n\u00e3o trazia s\u00f3 soldados e armas mas tamb\u00e9m uma divis\u00e3o de prostitutas &#8211; para afagar o moral das tropas e evitar deser\u00e7\u00f5es. Mais tarde, viriam fam\u00edlias de imigrantes dos A\u00e7ores e da regi\u00e3o portuguesa de Tr\u00e1s-os-Montes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Asfixia<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao redor da fortaleza, surgiram planta\u00e7\u00f5es de trigo, pomares de p\u00eassegos e figos, fazendas de gado. As pali\u00e7adas e barracas de couro deram lugar a casas de pedra, igrejas, armaz\u00e9ns e a uma muralha enfeitada com o bras\u00e3o portugu\u00eas. Mas o burgo lusitano voltou a ser atacado e conquistado pelos espanh\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por quase um s\u00e9culo, os portugueses sempre davam um jeito de voltar e reconstruir tudo. A hist\u00f3ria militar da Col\u00f4nia \u00e9 uma sinuca: foi tomada outra vez pelos espanh\u00f3is em 1705 e fundada pela terceira vez em 1717.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltou \u00e0s m\u00e3os espanholas em 1762 e passou outra vez aos lusitanos um ano depois. As idas e vindas se explicam, em parte, pela alian\u00e7a de Portugal com a Inglaterra &#8211; que, al\u00e9m do escudo diplom\u00e1tico, enviou sua esquadra para proteger Col\u00f4nia de Sacramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem tudo foi uma troca de chumbo. Na maior parte do tempo, os habitantes de Col\u00f4nia e Buenos Aires n\u00e3o brigavam &#8211; contrabandeavam. O com\u00e9rcio era controlado de forma ferrenha pela Coroa espanhola e o porto de Buenos Aires era proibido de receber produtos vindos diretamente da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com isso, os lucros dos comerciantes iam \u00e0s alturas: sem concorr\u00eancia, os pre\u00e7os inflacionavam e a maioria dos produtos chegava a Buenos Aires valendo o dobro. E \u00e9 a\u00ed que a proximidade do inimigo luso-brasileiro veio a calhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo antes da funda\u00e7\u00e3o de Col\u00f4nia, navios carregados de produtos j\u00e1 desciam da Bahia e do Rio de Janeiro. &#8220;Aos olhos do imp\u00e9rio espanhol, esse com\u00e9rcio era ilegal. Oficialmente, a Coroa portuguesa dizia n\u00e3o autorizar o contrabando &#8211; mas na verdade o estimulava e o auxiliava&#8221;, diz Fabr\u00edcio Prado, professor do College of William and Mary, nos EUA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos objetivos da Coroa portuguesa ao fundar a nova col\u00f4nia era aproveitar ao m\u00e1ximo aquele mercado obl\u00edquo. E foi assim que, no final do s\u00e9culo 17 e in\u00edcio do 18, o trajeto entre Buenos Aires e Sacramento virou um ninho de contrabandistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Navios carregados de a\u00e7\u00facar, melado, tabaco e farinha vinham at\u00e9 Sacramento desde Pernambuco, Bahia ou S\u00e3o Paulo e de Portugal chegavam pipas de sardinha, sal, azeite, pimenta, vinhos, tecidos, utens\u00edlios dom\u00e9sticos, m\u00f3veis&#8230; Sob a vista grossa das autoridades de Col\u00f4nia, os contrabandistas portugueses levavam os produtos at\u00e9 as ilhotas que pontuam o delta dos rios Paran\u00e1 e Uruguai em barcos a remo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1, encontravam os clientes portenhos &#8211; que pagavam com a prata vinda da Bol\u00edvia. &#8220;Todo o dinheiro que daquelas partes se tira \u00e9 roubando e defraudando os direitos de el-Rei de Espanha. E nem por isso deixam de tirar dali muito, porque todo o dinheiro que corre no Brasil de l\u00e1 vem&#8221;, escreveu o viajante franc\u00eas Fran\u00e7ois Pyrard.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O gado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra riqueza que transformou Sacramento em uma ilha de prosperidade foi o gado. Jesu\u00edtas vindos do Paraguai haviam trazido ao Rio Grande do Sul centenas de touros e vacas. Sem currais nem cercas, os animais voltaram ao estado selvagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo 18, os habitantes de Col\u00f4nia passaram a organizar expedi\u00e7\u00f5es de ca\u00e7a ao gado bravio para consumir a carne e para tirar o couro, exportado para a Europa. &#8220;A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial estava come\u00e7ando. Todas as correias das m\u00e1quinas eram feitas de couro&#8221;, explica Prado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do gado, os cavalos tamb\u00e9m proliferaram no pampa. Em 1535, os fundadores espanh\u00f3is de Buenos Aires trouxeram cerca de 70 cavalos andaluzes &#8211; que se multiplicaram at\u00e9 dar origem a enormes manadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndios charruas e minuanos, tribos n\u00f4mades que habitavam a regi\u00e3o, aprenderam a domar os cavalos bravios &#8211; e adquiriram o costume de comer carne no espeto, mal e mal chamuscada no fogo de ch\u00e3o. Os luso-brasileiros de Col\u00f4nia tamb\u00e9m passaram a domar os cavalos da Banda Oriental e, com eles, formavam grandes expedi\u00e7\u00f5es &#8211; ou tropeadas &#8211; para levar gado, por terra, at\u00e9 os dom\u00ednios portugueses ao norte (o trajeto n\u00e3o podia ser feito por mar, pois o gado n\u00e3o sobrevivia a viagens longas em navios). Os tropeiros levavam cerca de 70 dias at\u00e9 chegar \u00e0 cidade portuguesa mais pr\u00f3xima &#8211; Laguna, no atual litoral de Santa Catarina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a festa n\u00e3o durou muito &#8211; a partir de 1737, o para\u00edso dos contrabandistas virou pris\u00e3o a c\u00e9u aberto. Os comerciantes de Buenos Aires cobi\u00e7avam o couro uruguaio e resolveram acabar com a competi\u00e7\u00e3o de Sacramento. Como a Espanha n\u00e3o queria atrair a ira dos ingleses, em vez de atacar Col\u00f4nia, limitou-se a cerc\u00e1-la. Fazendas e pomares foram incendiados e guardas posicionados ao redor das muralhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os espanh\u00f3is determinaram que os habitantes de Sacramento s\u00f3 poderiam se afastar da cidade no raio de 3 km &#8211; &#8220;A dist\u00e2ncia de um tiro de canh\u00e3o&#8221;. O bloqueio durou, com intervalos, 40 anos. Sem acesso ao pampa, a comida escasseou. Em momentos dram\u00e1ticos, a popula\u00e7\u00e3o chegou a comer ratos. Para piorar, em 1776 estourou a Revolu\u00e7\u00e3o Americana, nos EUA. Vendo que os brit\u00e2nicos n\u00e3o poderiam acudir os portugueses, o rei espanhol Carlos 3\u00ba resolveu expulsar de uma vez os lusos do Prata. Em 1777, nomeou o fidalgo Pedro de Ceballos como vice-rei do Prata e o enviou pelo Atl\u00e2ntico com um ex\u00e9rcito de 9 mil homens e 400 navios. Em poucos dias de combate, os espanh\u00f3is arrasaram o \u00faltimo basti\u00e3o portugu\u00eas no calcanhar das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Palco de conflitos entre portugueses e espanh\u00f3is, a hist\u00f3ria local \u00e9 impressionante<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":344610,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-344609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/sacramento.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=344609"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/344609\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/344610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=344609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=344609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=344609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}