{"id":344926,"date":"2021-01-23T14:43:58","date_gmt":"2021-01-23T17:43:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=344926"},"modified":"2021-01-23T14:43:58","modified_gmt":"2021-01-23T17:43:58","slug":"a-emocionante-saga-de-um-sobrevivente-do-genocidio-armenio-no-brasil-atraves-de-diarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-emocionante-saga-de-um-sobrevivente-do-genocidio-armenio-no-brasil-atraves-de-diarios\/","title":{"rendered":"A emocionante saga de um sobrevivente do genoc\u00eddio arm\u00eanio no Brasil, atrav\u00e9s de di\u00e1rios\u00a0"},"content":{"rendered":"<p class=\"lead\">\n<p class=\"autor\">\n<div class=\"addthis_inline_share_toolbox\" data-url=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/a-emocionante-saga-de-um-sobrevivente-do-genocidio-armenio-no-brasil-atraves-de-diarios.phtml\" data-title=\"A emocionante saga de um sobrevivente do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio no Brasil, atrav\u00e9s de di\u00e1rios\" data-description=\"Em entrevista exclusiva ao site Aventuras na Hist\u00f3ria, os autores de Uma Hist\u00f3ria Real do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio: Os di\u00e1rios do meu av\u00f4, Marcelo Arakelian e Roberto Abdallah contam como o av\u00f4 sobreviveu ao triste cap\u00edtulo e conseguiu fugir para o Brasil\">\n<div id=\"atstbx\" class=\"at-resp-share-element at-style-responsive addthis-smartlayers addthis-animated at4-show\" role=\"region\" aria-labelledby=\"at-5fcd1d79-0988-408f-916d-4630b654cf77\"><span id=\"at-5fcd1d79-0988-408f-916d-4630b654cf77\" class=\"at4-visually-hidden\"><\/span><\/p>\n<div class=\"at-share-btn-elements\">Vict\u00f3ria Gearini<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"img-lead\"><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/personagem\/artin_sarkis_arakelian_widelg.jpg\" alt=\"Artin Sarkis Arakelian, sobrevivente arm\u00eanio\" \/><figcaption>Artin Sarkis Arakelian, sobrevivente arm\u00eanio &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o \/ Editora 1915<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p>No fat\u00eddico dia 24 de abril de 1915, o mundo presenciou uma desenfreada matan\u00e7a, que mais tarde, ficou conhecida como\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/almanaque\/5-fatos-crueis-sobre-o-genocidio-armenio-o-holocausto-esquecido.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Genoc\u00eddio Arm\u00eanio<\/a>. Segundo dados coletados pelo Patriarcado Arm\u00eanio, em anos de genoc\u00eddio, mais de 1,4 milh\u00e3o de pessoas foram brutalmente assassinadas pelo governo otomano.<\/p>\n<p>De 1895 a 1922, diferentes regi\u00f5es da Turquia enfrentaram persegui\u00e7\u00f5es e homic\u00eddios em massa. No entanto, durante \u2014 e at\u00e9 mesmo ap\u00f3s \u2014 a\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/do-triunfo-ao-esquecimento-a-intensa-saga-e-milunka-savic-a-combatente-da-primeira-guerra-mundial.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Primeira Guerra Mundial<\/a>\u00a0os \u00edndices de viol\u00eancia contra arm\u00eanios se intensificaram de maneira exponencial.<\/p>\n<p><strong>A brutalidade\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Em 1908, o nacionalismo radical defendido pelos Jovens Turcos, tomou o poder do ent\u00e3o Imp\u00e9rio Otomano, que englobava a Turquia, Arm\u00eania, e partes do L\u00edbano, S\u00edria, Iraque e Palestina.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do governo estava\u00a0<strong>Mehmed Talaat Pasha<\/strong>, o ministro do Interior, que ordenou a pris\u00e3o e a execu\u00e7\u00e3o de 250 intelectuais e l\u00edderes arm\u00eanios, iniciando o que mais tarde ficaria conhecido como o Holocausto Arm\u00eanio.<\/p>\n<p>\u201cDiferentemente do\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/otto-weidt-a-impressionante-saga-do-homem-cego-que-salvou-funcionarios-judeus-durante-o-holocausto.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Holocausto Judeu<\/a>, os turcos foram mais estrat\u00e9gicos no sentido de manter o sigilo e discri\u00e7\u00e3o dos planos de exterm\u00ednio. Eles foram mais inteligentes que os nazistas, pois foram dissimulados nas informa\u00e7\u00f5es dos fatos, e invertem o polo das hist\u00f3rias at\u00e9 os dias de hoje, atrav\u00e9s de ataques na internet, haters e rede de fake news\u201d, explicaram\u00a0<strong>Marcelo Arakelian<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Roberto Abdallah<\/strong>, autores da obra\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/historia-hoje\/autores-resgatam-escritos-de-avo-que-sobreviveu-ao-genocidio-armenio-e-fugiu-para-o-brasil.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma Hist\u00f3ria Real do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio: Os di\u00e1rios do meu av\u00f4.<\/a><\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/legacy\/2018\/04\/19\/genocidio-armenio-1096364.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Restos mortais das v\u00edtimas \/ Cr\u00e9dito: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, idosos, mulheres e crian\u00e7as supostamente tinham o direito de serem transportados, no entanto, h\u00e1 relatos que diversos barcos foram afundados durante a travessia mar\u00edtima. J\u00e1 nas aldeias remotas \u2014 onde o n\u00famero de testemunhas era menor \u2014 mulheres eram estupradas e crian\u00e7as eram crucificadas pelo ex\u00e9rcito otomano.<\/p>\n<p>Mais tarde, as comunidades arm\u00eanias que surgiram ao redor do mundo, foram consequ\u00eancias da di\u00e1spora deste povo, que para sobreviver, buscou ref\u00fagio.<\/p>\n<p>\u201cO negacionismo \u00e9 a principal raz\u00e3o pela qual o Genoc\u00eddio Arm\u00eanio \u00e9 pouco divulgado. A posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica da Turquia na geografia mundial, exerce press\u00e3o sobre as na\u00e7\u00f5es mundiais para que n\u00e3o toquem nessa &#8216;ferida&#8217;, consequentemente muitos pa\u00edses n\u00e3o reconhecem esse fato hist\u00f3rico\u201d, complementaram os escritores.<\/p>\n<p>Di\u00e1rios de um sobrevivente<\/p>\n<figure class=\"image align-left\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/amazon\/livro_m5feDB9.jpg\" alt=\"[Colocar ALT]\" \/><figcaption>Uma Hist\u00f3ria Real do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio: Os di\u00e1rios do meu av\u00f4, de Marcelo Arakelian e Roberto Abdallah (2020) \/ Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Editora 1915<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diante das barb\u00e1ries cometidas pelo governo otomano, v\u00edtimas arm\u00eanias tra\u00e7aram uma longa e \u00e1rdua jornada em busca de sobreviv\u00eancia. Uma dessas pessoas \u00e9\u00a0<strong>Artin Sarkis Arakelian<\/strong>. Sua emocionante hist\u00f3ria foi contada na obra Uma Hist\u00f3ria Real do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio: Os di\u00e1rios do meu av\u00f4, escrita pelos seus netos<strong>\u00a0Marcelo Arakelian<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Roberto Abdallah<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda jovem, o rapaz perdeu o seu pai,\u00a0<strong>Sarkis Arakelian<\/strong>, que foi brutalmente assassinado por dois soldados turcos, em 1917. Pouco tempo depois, um irm\u00e3o, uma irm\u00e3, tr\u00eas tios e v\u00e1rios outros parentes distantes tamb\u00e9m foram mortos durante o genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>A partir disso, todos os dias\u00a0<strong>Artin<\/strong>\u00a0travou uma verdadeira batalha para sobreviver. Do Sol Nascente ao Sol Poente, o jovem de 15 anos enfrentou uma longa e perigosa jornada atravessando a Europa e o Oriente M\u00e9dio, rumo ao Brasil. Entretanto, o mais dif\u00edcil foi enfrentar a escurid\u00e3o e o sil\u00eancio da noite. Para o rapaz, esta foi a pior e mais assustadora parte da travessia.<\/p>\n<p>Ao chegar no porto de Santos,\u00a0<strong>Artin<\/strong> partiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 S\u00e3o Paulo, onde a adapta\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida, por\u00e9m dif\u00edcil. Logo se acostumou com o idioma. Como os arm\u00eanios t\u00eam a tradi\u00e7\u00e3o de serem \u00f3timos negociantes, estabeleceu-se em uma \u00e1rea comercial da capital, onde sustentou uma base econ\u00f4mica para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Novo Mundo, o refugiado casou-se e teve filhos, mas o fardo de sobreviver ao dia a dia de um genoc\u00eddio o marcou at\u00e9 seus \u00faltimos anos de vida, como aponta\u00a0<strong>Marcelo Arakelian<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Roberto Abdallah<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>O legado\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Ao longo de sua vida,\u00a0<strong>Artin<\/strong>\u00a0dedicou-se a escrever um\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/almanaque\/historia-5-diarios-judeus.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">di\u00e1rio<\/a>. Atrav\u00e9s das p\u00e1ginas, relatou todos os horrores que presenciou durante a Primeira Guerra Mundial. O sobrevivente contou, ainda, seus sentimentos mais profundos sobre os anos que precederam o Holocausto Arm\u00eanio.<\/p>\n<p>Os escritos originais foram entregues por\u00a0<strong>Sarkis Arakelian<\/strong>, pai de\u00a0<strong>Marcelo<\/strong>. \u201cEntre umas e outras conversas ele me chamou de canto e entregou os caderninhos originais, abri na primeira p\u00e1gina, li e fiquei em choque com as primeiras frases\u201d, disse\u00a0<strong>Roberto Abdallah<\/strong>.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/capa_genocidio_armenico_historia.jpeg\" alt=\"\" \/><figcaption>Sobreviventes do Genoc\u00eddio Arm\u00eanio \/ Cr\u00e9dito: Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo os autores, o av\u00f4 faleceu quando ainda eram crian\u00e7as, mas isso n\u00e3o foi um empecilho para que uma forte rela\u00e7\u00e3o fosse estabelecida de alguma maneira mais tarde. \u201cAtrav\u00e9s dos anos de transcri\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o dos materiais dos di\u00e1rios, podemos estabelecer uma profunda conex\u00e3o com ele\u201d, revelou\u00a0<strong>Roberto<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Marcelo<\/strong>.<\/p>\n<p>Durante tr\u00eas anos, os primos mapearam todas as regi\u00f5es citadas no di\u00e1rio, e pesquisaram minuciosamente os fatos relatados na obra. Neste per\u00edodo, os autores passaram a se reunir todas as quartas-feiras e ao longo de 6 a 7 horas de trabalho, acendiam incensos e escutavam m\u00fasicas arm\u00eanias para ajud\u00e1-los no processo de cria\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>\u201cFoi um processo bastante chocante e emocionante ao mesmo tempo, tratando de um tema pesado e da nossa ess\u00eancia, s\u00f3 de imaginar que estamos aqui hoje por conta do nosso av\u00f4 e sua resist\u00eancia\u201d, disse\u00a0<strong>Roberto<\/strong>.<\/p>\n<p>Atualmente, os autores est\u00e3o otimistas quanto ao poss\u00edvel lan\u00e7amento de um filme sobre o tema. \u201cCom a conclus\u00e3o do livro, boa aceita\u00e7\u00e3o dos leitores e da m\u00eddia, iniciamos conversas com algumas plataformas de streaming para a produ\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio que se passa nos locais das hist\u00f3rias contadas na obra\u201d, anunciaram os promissores autores.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fat\u00eddico dia 24 de abril de 1915, o mundo presenciou uma desenfreada matan\u00e7a, que mais tarde, ficou conhecida como\u00a0Genoc\u00eddio Arm\u00eanio. 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