{"id":347116,"date":"2021-02-15T07:09:48","date_gmt":"2021-02-15T10:09:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=347116"},"modified":"2021-02-15T07:09:48","modified_gmt":"2021-02-15T10:09:48","slug":"projeto-de-agroecologia-une-producao-camponesa-as-comunas-urbanas-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/projeto-de-agroecologia-une-producao-camponesa-as-comunas-urbanas-na-venezuela\/","title":{"rendered":"Projeto de agroecologia une produ\u00e7\u00e3o camponesa \u00e0s comunas urbanas na Venezuela"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 class=\"title\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"description\" style=\"text-align: justify;\">Em cinco anos, foram distribu\u00eddas 1,5 mil toneladas de alimentos a mais de 300 mil fam\u00edlias do pa\u00eds<\/h2>\n<div class=\"details-bar\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Michele de Mello<\/div>\n<div class=\"place-and-time\">\n<div class=\"place\">Brasil de Fato<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"place translated-links\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"img-container\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/fa44940382c1f2971a90ea568b7351ef.jpeg\" alt=\"\" \/><\/div><figcaption>Com jornadas de distribui\u00e7\u00e3o semanais e organiza\u00e7\u00e3o popular, funda\u00e7\u00e3o Pueblo a Pueblo leva hortifr\u00fati produzido no campo \u00e0 cidade. &#8211; Michele de Mello \/ Brasil de Fato<\/figcaption><\/figure>\n<\/header>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"text-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 o povo salva o povo\u201d. A partir dessa ideia, a Funda\u00e7\u00e3o\u00a0Pueblo a Pueblo\u00a0(Povo a povo, em portugu\u00eas) busca aplicar na realidade a uni\u00e3o e a solidariedade entre campo e cidade. O projeto\u00a0se baseia em levar alimentos produzidos por\u00a0comunas da zona rural venezuelana para comunas urbanas. A proposta \u00e9 acabar com os intermedi\u00e1rios e assegurar a divis\u00e3o social da produ\u00e7\u00e3o: garantindo que o agricultor n\u00e3o perca sua colheita e que o consumidor possa ter acesso a uma cesta b\u00e1sica diversificada e a pre\u00e7o justo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO plano Pueblo a Pueblo surge com esse enfoque principal de trabalhar essa dimens\u00e3o da agroecologia: criar alian\u00e7as com os movimentos populares do campo e da cidade para distribuir alimento saud\u00e1vel\u201d, conta o coordenador do projeto Gabriel Gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tkUHHwl1i1E\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o 90 pequenos produtores associados que, desde 2015, realizaram cerca de 250 jornadas de distribui\u00e7\u00e3o, vendendo mais de 1,5 mil toneladas de legumes, hortali\u00e7as, frutas e, recentemente, come\u00e7aram a criar cabras e porcos para obter latic\u00ednios e prote\u00edna animal. O projeto est\u00e1 estruturado em\u00a0oito estados do pa\u00eds, mais o\u00a0Distrito Capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diferen\u00e7a da iniciativa se nota na qualidade e no pre\u00e7o dos alimentos. Enquanto a m\u00e9dia dos produtos da Pueblo a Pueblo \u00e9 de cerca de R$ 2,15\u00a0por quilo, nos supermercados e feiras por atacado a m\u00e9dia sobe aproximadamente\u00a0R$ 5,50\u00a0por quilo. \u00a0De 15% a 30% do valor final do produto \u00e9 destinado a pagar o combust\u00edvel, gastos com ve\u00edculos e sal\u00e1rios dos que trabalham com a Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da pandemia,\u00a0o plano alcan\u00e7ou\u00a0por volta de 53 mil fam\u00edlias, somente no primeiro semestre de 2020. Com uma economia fortemente debilitada no pa\u00eds, com varia\u00e7\u00e3o de 2.642% no c\u00e2mbio do d\u00f3lar, uma infla\u00e7\u00e3o de 1.460% e uma perda geral de 50% do poder aquisitivo dos venezuelanos, o plano manteve pre\u00e7os est\u00e1veis e muito mais baixos do que os mercados durante todo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, a crise gerada pelo coronav\u00edrus tamb\u00e9m gerou impactos no projeto.\u00a0Antes da pandemia, as distribui\u00e7\u00f5es era mensais, agora podem tardar at\u00e9 dois meses para que os caminh\u00f5es da Pueblo a Pueblo consigam chegar \u00e0 capital venezuelana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0Caracas, uma\u00a0das\u00a0associadas \u00e9 a comuna\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/08\/08\/panal-2021-a-comuna-que-busca-acabar-com-dependencia-do-capitalismo-na-venezuela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Panal 2021<\/a>, lar de 14 mil pessoas\u00a0e localizada na favela 23 de Enero. &#8220;Nossos combos t\u00eam 12 produtos: tomate, cebola, pepino, cebolinha, alho por\u00f3, coentro, batata, sals\u00e3o, e se fizermos uma compara\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os por a\u00ed, somente uma dessas leguminosas custaria mais do que estamos oferecendo&#8221;, explica\u00a0Lilian Garc\u00eda,\u00a0uma das porta-vozes da comunidade durante a primeira feira agroecol\u00f3gica de 2021.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 o povo salva o povo, agora com esse bloqueio e essa infla\u00e7\u00e3o, temos que encontrar a forma de produzir e nos ajudar\u00a0mutuamente&#8221;, defende\u00a0Garc\u00eda.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/71968c5b3cabdd31e853f7be2cbe646a.jpeg\" \/><br \/>\nNa distribui\u00e7\u00e3o na comuna Panal 2021, em Caracas, um combo com 12 produtos custa cerca de R$ 10 (aproximadamente US$ 2), enquanto nos mercados da capital, um quilo\u00a0de tomate pode custar at\u00e9 R$ 16 (por volta de US$ 3)\u00a0\/ Michele de Mello\/Brasil de Fato<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Autonomia para produzir<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem financiamento do Estado, Laura Lorenzo, uma das fundadoras do Pueblo a Pueblo, explica que o segredo \u00e9 compartilhar de maneira transparente os gastos do produtor, para valorizar o trabalho do campon\u00eas, sem explorar os consumidores finais.\u00a0Al\u00e9m disso, o\u00a0acordo estabelecido prev\u00ea que o pagamento deve chegar ao produtor rural em at\u00e9 oito\u00a0dias ap\u00f3s a distribui\u00e7\u00e3o, e parte do valor \u00e9 reservado\u00a0para um fundo comum entre as comunas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 poss\u00edvel, porque h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o, sobretudo em um pa\u00eds com hist\u00f3ria de luta pela terra como o nosso. Sempre houve disputa e explora\u00e7\u00e3o, sempre estavam os latifundi\u00e1rios, os especuladores, aqueles que se aproveitam do trabalho do campon\u00eas e isso obrigou a que os nosso camponeses, em todos os cantos da nossa p\u00e1tria, tivessem esse desejo de se organizar e, principalmente,\u00a0se\u00a0organizar para a produ\u00e7\u00e3o\u201d, relata.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/39830bf0b420e928706bbcc0bb4764be.jpeg\" \/><br \/>\nEm Carache, estado de Trujillo, Laura Lorenzo, Daniel Vel\u00e1squez e demais comuneiros se re\u00fanem todas as semanas para planejar a colheita\u00a0\/ Michele de Mello\/Brasil de Fato<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, o plano foi criado no mesmo ano em que os Estados Unidos impuseram um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/10\/08\/em-seis-anos-de-bloqueio-venezuela-foi-alvo-de-150-sancoes-e-11-tentativas-de-golpe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bloqueio econ\u00f4mico<\/a>\u00a0contra a Venezuela. Na \u00e9poca, um grupo de seis ex-funcion\u00e1rios p\u00fablicos decidiram\u00a0refazer a rota percorrida pela guerrilha venezuelana dos anos 1960, articulando comunas da zona montanhosa que conecta os estados de Trujillo, Lara e Portuguesa, regi\u00e3o centro-ocidental do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCome\u00e7amos fazendo reuni\u00f5es com os produtores, escut\u00e1vamos o que eles necessitavam, para ver como solucionar. E assim come\u00e7amos o trabalho com eles: a planejar o cultivo, de que maneira ir\u00edamos distribui-lo, onde ir\u00edamos distribuir e para quem chegaria essa produ\u00e7\u00e3o. Sempre deixando claro que seria um trabalho social que nos permitiria ter um saldo organizativo tanto no campo\u00a0como na cidade\u201d, explica Ana D\u00e1vila, quem trabalha desde 2015 na funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje o projeto\u00a0possui um centro de abastecimento central, em Barquisimeto, capital do estado de Lara, em uma f\u00e1brica de tratores expropriada pela revolu\u00e7\u00e3o bolivariana, e distribui produtos em nove estados do pa\u00eds, em comunas urbanas, institui\u00e7\u00f5es de ensino e outras organiza\u00e7\u00f5es populares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s temos que demonstrar, de maneira aut\u00f4noma, que podemos fazer. \u00c9 claro que ser\u00e1 muito mais dif\u00edcil. A guerra [imperialista contra a Venezuela] \u00e9 multidimensional e a luta tamb\u00e9m deve ser multidimensional\u201d, declara Gabriel Gil.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images01.brasildefato.com.br\/4bb2865f2e486296ee39c4ca0e3dcbb6.jpeg\" \/><br \/>\nSem possibilidade de realizar a manuten\u00e7\u00e3o dos tratores, os produtores do plano\u00a0Pueblo a Pueblo voltaram a usar tra\u00e7\u00e3o animal\u00a0\/ Michele de Mello\/Brasil de Fato<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Dificuldades pelo caminho<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De 2019 para 2020, as jornadas de distribui\u00e7\u00e3o ca\u00edram quase pela metade. O motivo: falta de combust\u00edvel. \u201cEu produzi abobrinha, berinjela, cebola e cenoura. Lamentavelmente, no ano passado, por conta do problema da gasolina, perdi parte da produ\u00e7\u00e3o de berinjelas e abobrinha. Com a falta de gasolina n\u00e3o havia como mobilizar-se\u201d, conta Luis Loyo, dono de uma pequena propriedade de 7 hectares em Humocaro Alto, no estado de Lara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Loyo relata que alguns produtores abandonaram determinados cultivos, como o milho e o caf\u00e9, porque o pre\u00e7o final n\u00e3o cobre os gastos com a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a escassez e a autoriza\u00e7\u00e3o da venda de combust\u00edvel em d\u00f3lares, o contrabando e o mercado paralelo imperam no interior da Venezuela. Para comprar um litro de diesel ou de gasolina, um agricultor pode passar tr\u00eas dias na fila de um posto e n\u00e3o conseguir abastecer ou pagar at\u00e9 US$ 2 (mais de R$ 10) por litro de combust\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAqui, em geral, o produtor vende a um intermedi\u00e1rio. \u00c9 a \u00fanica op\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem. E se tem carro para chegar no lugar, \u00e9 ainda mais f\u00e1cil, porque o produtor nunca tem um caminh\u00e3o para vender sua produ\u00e7\u00e3o na cidade. O intermedi\u00e1rio leva a produ\u00e7\u00e3o e paga quando tiver pra pagar. \u00c9 melhor assim do que perder todo o esfor\u00e7o feito\u201d, conta Keiner Peraza, quem h\u00e1 dez anos saiu da cidade e voltou para sua terra natal, no interior venezuelano.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/cae31e44f2c307985aae10d1063d5160.jpeg\" \/><br \/>\nCom a Funda\u00e7\u00e3o\u00a0Pueblo a Pueblo, os agricultores passaram a produzir seus pr\u00f3prios insumos agroecol\u00f3gicos\u00a0\/ Michele de Mello\/Brasil de Fato<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Agroecologia x Agroneg\u00f3cio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fundadores do plano destacam como os governos chavistas retomaram um processo de reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds, concedendo as terras a camponeses que ali trabalhavam. A redistribui\u00e7\u00e3o do solo produtivo veio aliada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o ou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de empresas agr\u00edcolas que conformaram uma estrat\u00e9gia de combate \u00e0 fome, que tamb\u00e9m foi elogiada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2017, o presidente Nicol\u00e1s Maduro autorizou a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.badellgrau.com\/?pag=230&amp;ct=2307\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conglomerado Agrosur,<\/a>\u00a0que unia todas as empresas estatais vinculadas \u00e0 agricultura. No entanto, com as san\u00e7\u00f5es e o embargo econ\u00f4mico de pot\u00eancias estrangeiras, as empresas foram perdendo capacidade de importar e subsidiar insumos para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, o que fez com que o pa\u00eds mantivesse n\u00edveis de importa\u00e7\u00e3o de cerca de 70% da cesta b\u00e1sica alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe pud\u00e9ssemos ativar a P de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/06\/03\/entenda-o-clap-programa-que-combate-a-fome-com-a-forca-das-comunidades-venezuelanas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">CLAP [Comit\u00ea Local de Abastecimento e Produ\u00e7\u00e3o]<\/a>, que significa produ\u00e7\u00e3o seria extraordin\u00e1rio, porque ent\u00e3o a bolsa CLAP viria com particularidades locais. E que exista essa proposta de integra\u00e7\u00e3o entre a comunidade camponesa produtora, o governo e os consumidores\u201d, explica o engenheiro agr\u00f4nomo\u00a0Gabriel Gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Comit\u00eas Locais de Abastecimento e Produ\u00e7\u00e3o (CLAP) s\u00e3o um projeto do governo\u00a0de distribui\u00e7\u00e3o de\u00a0cestas b\u00e1sicas em todo o territ\u00f3rio nacional e que\u00a0buscam organizar a popula\u00e7\u00e3o venezuelana para combater a especula\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o dos alimentos. Periodicamente, os cidad\u00e3os do pa\u00eds inscritos no programa recebem as bolsas CLAP, como uma cesta b\u00e1sico com produtos essenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, desde 2019, diante da crise, o Minist\u00e9rio de Agricultura e Terras revisou sua estrat\u00e9gia de recupera\u00e7\u00e3o produtiva, direcionando recursos para grandes propriedades. O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.minec.gob.ve\/gobierno-nacional-invirtio-mas-de-200-millones-de-dolares-en-el-plan-de-siembra-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plano Siembra 2020\u00a0<\/a>liberou cerca de US$ 200 milh\u00f5es (mais de R$ 1,07 bilh\u00e3o) em insumos, tratores e outros materiais: tudo para o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s dizemos, com todo respeito ao presidente Nicol\u00e1s Maduro, mas h\u00e1 interesses com a importa\u00e7\u00e3o de alimentos. Saiu a m\u00e1fia importadora opositora e entrou uma nova m\u00e1fia que, em partes, \u00e9 composta por militares. E esse enfoque de burguesia revolucion\u00e1ria, de ajudar aos grandes e n\u00e3o aos pequenos \u00e9 o que est\u00e1 nos afetando\u201d, critica Gil.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-img-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/8e280aad977b70961f12c8e21b55c838.jpeg\" \/><br \/>\nO plano percorre a rota Argemiro Gabald\u00f3n, nome de um dos guerrilheiros, que na d\u00e9cada de 1960,\u00a0lutou contra a ditadura, organizando os camponeses da zona montanhosa do pa\u00eds\u00a0\/ Michele de Mello\/Brasil de Fato<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Soberania alimentar e pol\u00edtica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da gasolina, os fertilizantes e at\u00e9 mesmo as sementes se tornaram inacess\u00edveis ao pequeno produtor. Um saco de 35 quilos\u00a0de fertilizante, por exemplo, pode custar US$ 35 (cerca de R$ 190), enquanto uma lata com 450 gramas\u00a0de sementes de cebola j\u00e1 \u00e9 vendida a US$ 80 (cerca de R$ 440).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, os criadores do plano Pueblo a Pueblo oferecem oficinas para produ\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios insumos agroecol\u00f3gicos e resgatam\u00a0as sementes crioulas venezuelanas. Para 2021, a proposta \u00e9 criar uma agroescola na regi\u00e3o de Humocaro Alto, interior do estado de Lara, para promover a agroecologia como modelo de produ\u00e7\u00e3o e de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstar com a Pueblo a Pueblo \u00e9 uma experi\u00eancia a mais.\u00a0Antes, a gente se sentia \u00e0 parte, agora temos as reuni\u00f5es e isso nos gera mais confian\u00e7a, mais clareza\u00a0com a produ\u00e7\u00e3o\u201d, conta Daniel Vel\u00e1squez, agricultor do estado de Trujillo, onde surgiu o plano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o social da produ\u00e7\u00e3o, a proposta \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para que os camponeses permane\u00e7am nas zonas rurais: garantindo acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, incentivando o esporte, recuperando as vias para escoar o cultivo e criando postos fixos de venda de hortifr\u00fati e artesanatos no interior e na capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s j\u00e1 demonstramos que somos capazes de produzir o que vai nos alimentar. Agora precisamos entender que somente a unidade, a consci\u00eancia de classe: saber de onde viemos, quem somos, com quem devemos estar. Por tudo isso, essa \u00e9 a mensagem que Ch\u00e1vez nos deixou: estamos aqui, em p\u00e9 de luta. Seguimos avan\u00e7ando com for\u00e7a e acreditamos na unidade regional, nacional e latino-americana, porque acreditamos na P\u00e1tria Grande de Bol\u00edvar e Ch\u00e1vez\u201d, conclui Laura Lorenzo, uma das fundadoras do Pueblo a Pueblo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da gasolina, os fertilizantes e at\u00e9 mesmo as sementes se tornaram inacess\u00edveis ao pequeno produtor. 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