{"id":34777,"date":"2013-12-24T03:34:45","date_gmt":"2013-12-24T06:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=34777"},"modified":"2013-12-24T03:34:45","modified_gmt":"2013-12-24T06:34:45","slug":"a-esquerda-de-que-o-pais-precisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-esquerda-de-que-o-pais-precisa\/","title":{"rendered":"A esquerda de que o pa\u00eds precisa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2><a title=\"A esquerda de que o pa\u00eds precisa\" href=\"http:\/\/www.folhape.com.br\/blogdafolha\/?p=144323\" rel=\"bookmark\">\u00a0<\/a><\/h2>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><em>Paulo Rubem Santiago*<\/em><\/p>\n<p>Os partidos pol\u00edticos no Brasil e no mundo passam por longo processo de abandono de ideias e perda de legitimidade. Em especial, aqueles de esquerda. Vencido o regime militar em nosso pa\u00eds, retomamos o calend\u00e1rio eleitoral e chegamos \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de Lula para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Desde ent\u00e3o, as esquerdas se esmeram, com algumas exce\u00e7\u00f5es, em defender o legado social do per\u00edodo Lula-Dilma, destacando a redu\u00e7\u00e3o da pobreza, a amplia\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia e do consumo nas classes populares. N\u00e3o discutem publicamente a grav\u00edssima crise deflagrada a partir de 2008 mundo afora, com a derrocada dos neg\u00f3cios financeiros lastreados em hipotecas habitacionais nos Estados Unidos e seus reflexos nas demais economias e or\u00e7amentos nacionais, em especial na Europa e Am\u00e9rica Latina. Nada disso serviu para revitalizar nas esquerdas a an\u00e1lise cr\u00edtica dos novos padr\u00f5es de acumula\u00e7\u00e3o do capital, iniciados nos anos de 1970 e hoje amplamente consolidados na livre circula\u00e7\u00e3o de capitais, na desregulamenta\u00e7\u00e3o, no enfraquecimento dos estados nacionais n\u00e3o centrais, na nova divis\u00e3o internacional do trabalho, nas transa\u00e7\u00f5es com c\u00e2mbio, pap\u00e9is p\u00fablicos e bolsas de valores.<\/p>\n<p>Ref\u00e9ns do conservadorismo pol\u00edtico exercido em nome da governabilidade, os partidos de esquerda renovam velhas oligarquias a favor dos governos de coaliza\u00e7\u00e3o que integram e s\u00e3o poucos aqueles partidos que, nessas situa\u00e7\u00f5es, praticam rupturas reestruturadoras em seus pa\u00edses. No Brasil, avan\u00e7amos pouco nessa dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se fez reforma tribut\u00e1ria, reforma pol\u00edtica de fato, reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o se democratizou a comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram aprovadas as leis para a regulamenta\u00e7\u00e3o do sistema financeiro, bem como n\u00e3o se inseriu o Estado numa agenda nacional efetiva, sist\u00eamica, de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O planejamento do desenvolvimento cedeu \u00e0s pol\u00edticas de curto prazo. Enquanto o governo de Rafael Correa fez no Equador a auditoria da d\u00edvida p\u00fablica reduzindo-a em 35%, os governos brasileiros simplesmente abandonaram a Norma Constitucional de 1988 que determinava o mesmo. Seguiram servis \u00e0 voracidade dos investidores e das pol\u00edticas monet\u00e1rias ditatoriais. O medo da infla\u00e7\u00e3o levou os mandatos de FHC, Lula e Dilma, a caminharem na mesma trilha, com juros alt\u00edssimos, com diferen\u00e7as pequenas de intensidade aqui e acol\u00e1, como bem registrou o Engenheiro Amir Khair em dois artigos publicados recentemente na Ag\u00eancia Carta Maior (www.cartamaior.com.br).<\/p>\n<p>Abandonando as reformas urgentes, setores da esquerda governista permanecem encastelados em minist\u00e9rios e empresas p\u00fablicas, abdicando do dever de pensar o pa\u00eds a m\u00e9dio e longo prazo, confundindo-se com a velha direita. H\u00e1 os que apelam para tudo resolver com \u201cchoque de gest\u00e3o\u201d. Sacrifica-se o projeto de Na\u00e7\u00e3o, a capacidade de investimento do Estado que, impedido por isso de investir no futuro, entrega ao capital privado a infraestrutura do pa\u00eds, com privatiza\u00e7\u00f5es maquiadas de concess\u00f5es ou parcerias p\u00fablico privadas, onde alguns poucos grupos s\u00e3o sempre beneficiados, com novos encargos tarif\u00e1rios \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>Capitula-se \u00e0 supremacia dos gastos com juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida nas contas nacionais, sangradas pelos ganhos financeiros de uma minoria, bem entrincheirada na m\u00eddia e junto \u00e0s autoridades econ\u00f4micas. Com isso, a pol\u00edtica monet\u00e1ria linha dura atrai capitais especulativos. O c\u00e2mbio \u00e9 valorizado. A produ\u00e7\u00e3o industrial cai no Produto Interno Bruto \u2013 PIB. O mercado \u00e9 inundado por importa\u00e7\u00f5es enquanto seguimos exportando comoditties e produtos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Olhemos para a Na\u00e7\u00e3o, para alguns estados e veremos situa\u00e7\u00f5es de aut\u00eantica calamidade p\u00fablica, urbana e rural, in\u00e9rcia econ\u00f4mica, \u00e9tica e social. O pa\u00eds patina em educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o cresce, n\u00e3o se desenvolve, n\u00e3o se desconcentra regionalmente. Norte e Nordeste arrastam-se com atrasad\u00edssimos indicadores e a viol\u00eancia crescente vitima assustadoramente jovens e adolescentes, em especial negros e pobres. O futuro exige rupturas, nas ruas, com uma nova esquerda capaz de construir um programa de emancipa\u00e7\u00e3o com soberania nos campos da economia, do investimento, do conhecimento, da democracia pol\u00edtica real, da justi\u00e7a fiscal, do combate \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o e \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 o caminho.<\/p>\n<p><em>*Paulo Rubem \u00e9 deputado Federal (PDT)<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os partidos pol\u00edticos no Brasil e no mundo passam por longo processo de abandono de ideias e perda de legitimidade. Em especial, aqueles de esquerda. 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