{"id":34803,"date":"2013-12-24T04:53:22","date_gmt":"2013-12-24T07:53:22","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=34803"},"modified":"2013-12-24T04:53:22","modified_gmt":"2013-12-24T07:53:22","slug":"legado-de-chico-mendes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/legado-de-chico-mendes\/","title":{"rendered":"Legado de Chico Mendes"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\">Legado de Chico Mendes, morto h\u00e1 25 anos, ainda divide o Acre<\/h1>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Para alguns seringueiros, manejo da floresta para a explora\u00e7\u00e3o de madeira \u00e9 uma maneira de legalizar o desmatamento; outros afirmam que proposta \u00e9 uma forma de evitar o predom\u00ednio da atividade pecu\u00e1ria<\/h3>\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs-1\">\n<div>\n<div>Leonencio Nossai<\/div>\n<div>\n<p>Madeira e carne de boi s\u00e3o os produtos que animam negociantes e aventureiros a percorrer a estrada de terra da Sib\u00e9ria, regi\u00e3o in\u00f3spita de floresta em Xapuri, no Acre. As fam\u00edlias desse lugar isolado da Amaz\u00f4nia t\u00eam dificuldades para escoar at\u00e9 o centro do munic\u00edpio, a 40 quil\u00f4metros, a borracha e a castanha, marcas do modelo de desenvolvimento sustent\u00e1vel defendido pelo l\u00edder seringueiro Chico Mendes, morto h\u00e1 exatos 25 anos.<\/p>\n<p><strong>Veja tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"link\" src=\"http:\/\/render.estadao.com.br\/ext\/selos\/icone-bullet.gif\" border=\"0\" \/> <a title=\"'Ele defendia uma reforma agr\u00e1ria diferente da do PT'\" href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,ele-defendia-uma-reforma-agraria-diferente-da-do-pt-,1111416,0.htm\"><strong>&#8216;Ele defendia uma reforma agr\u00e1ria diferente da do PT&#8217;<\/strong> <\/a><br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"link\" src=\"http:\/\/render.estadao.com.br\/ext\/selos\/icone-bullet.gif\" border=\"0\" \/> <a title=\"Figura do l\u00edder \u00e9 lembrada em tr\u00eas museus em Xapuri\" href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,figura-do-lider--e-lembrada-em-tres-museus-em-xapuri-,1111414,0.htm\"><strong>Figura do l\u00edder \u00e9 lembrada em tr\u00eas museus em Xapuri<\/strong> <\/a><br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"link\" src=\"http:\/\/render.estadao.com.br\/ext\/selos\/icone-bullet.gif\" border=\"0\" \/> <a title=\"Chico Mendes no Acervo Estad\u00e3o\" href=\"http:\/\/acervo.estadao.com.br\/noticias\/personalidades,chico-mendes,916,0.htm\"><strong>Chico Mendes no Acervo Estad\u00e3o<\/strong> <\/a><\/p>\n<div>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo sobre os habitantes de comunidades pr\u00f3ximas a Xapuri, onde viveu Chico Mendes - Dida Sampaio\/Estad\u00e3o\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo sobre os habitantes de comunidades pr\u00f3ximas a Xapuri, onde viveu Chico Mendes - Dida Sampaio\/Estad\u00e3o\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/fotos\/ChicoMendes-especial-DidaSampaio-Estadao288.jpg\" \/><\/div>\n<div>Dida Sampaio\/Estad\u00e3o<\/div>\n<div>Reprodu\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo sobre os habitantes de comunidades pr\u00f3ximas a Xapuri, onde viveu Chico Mendes<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um jovem casal de seringueiros que era crian\u00e7a quando o ambientalista sofreu emboscada tem perdido o sono com a proposta de manejo florestal. Francisco Diogo da Silva, 39 anos, a mulher Eliz\u00e2ngela, 33, e cinco filhos vivem numa &#8220;coloca\u00e7\u00e3o&#8221;, um peda\u00e7o de terra numa \u00e1rea extrativista. Ele \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 proposta recebida de uma associa\u00e7\u00e3o certificada para explorar a madeira. A mulher rejeita a ideia. &#8220;O manejo \u00e9 uma tira\u00e7\u00e3o geral de \u00e1rvores. Nunca achei que seria legal. Se \u00e9 reserva, tem de proteger&#8221;, afirma Eliz\u00e2ngela. O marido diz acreditar que a retirada de cedros pode ser uma ajuda a mais. &#8220;A seringa e a castanha n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o bom. Vou participar no primeiro ano. Se n\u00e3o tiver fundamento, n\u00e3o trabalho mais.&#8221;<\/p>\n<p>O legado de Chico Mendes rende discuss\u00f5es di\u00e1rias nas terras transformadas em reservas extrativistas ou desapropriadas pelo governo logo ap\u00f3s o assassinato. Para uns, o manejo \u00e9 a legaliza\u00e7\u00e3o do desmatamento. Para outros, uma forma de evitar o predom\u00ednio da pecu\u00e1ria. A explora\u00e7\u00e3o comercial de madeira divide at\u00e9 aliados do ambientalista que hoje controlam a pol\u00edtica do Acre.<\/p>\n<p>Francisco vive na &#8220;coloca\u00e7\u00e3o&#8221; desde a adolesc\u00eancia, quando o pai participava dos &#8220;empates&#8221; &#8211; movimentos de resist\u00eancia organizados por Chico Mendes \u00e0 entrada de pecuaristas que compravam a pre\u00e7os baixos seringais, expulsando fam\u00edlias de trabalhadores. Nesses \u00faltimos 25 anos, a Sib\u00e9ria perdeu parte de sua floresta. A ca\u00e7a desapareceu da mata. Quando o Estado chegou \u00e0 &#8220;coloca\u00e7\u00e3o&#8221;, o casal estava fora, numa ca\u00e7a. Sani, o filho mais velho, de 13 anos, diz que nos dias anteriores os pais voltaram sem &#8220;bicho&#8221; nas costas.<\/p>\n<p><strong>Desmate.<\/strong>\u00a0Desde a noite de 22 de dezembro de 1988, quando caiu na porta dos fundos de sua casa, atingido pelo tiro de escopeta disparado pelo filho de um fazendeiro, Chico Mendes, amigo do pai de Francisco, transformou-se num \u00edcone internacional e expandiu o movimento em defesa do meio ambiente no Pa\u00eds. O mito, por\u00e9m, n\u00e3o evitou que a \u00e1rea desmatada do Acre passasse de 6 mil para 19 mil km\u00b2. O Estado perdeu um trecho de cobertura vegetal que corresponde a nove vezes a \u00e1rea do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo &#8211; ainda assim, a floresta cobre mais de 85% do territ\u00f3rio acriano. Em Xapuri, onde se concentra a agricultura de subsist\u00eancia e as atividades de extrativismo, o desmatamento atinge 22% das terras.<\/p>\n<p>Francisco e Eliz\u00e2ngela afirmam que a vida melhorou &#8220;bastante&#8221; desde o tempo em que ouviam as conversas dos pais com Chico Mendes. Uma pequena motocicleta no quintal de casa \u00e9 um bem que orgulha a fam\u00edlia. Eles observam, no entanto, que o dia a dia continua duro. Eliz\u00e2ngela reclama da dificuldade em garantir os estudos dos filhos.<\/p>\n<p>O motorista contratado pela prefeitura para fazer o transporte escolar na regi\u00e3o deixou de aparecer. O filho Sani costuma ir sozinho na motocicleta da fam\u00edlia para a escola, localizada a seis quil\u00f4metros. &#8220;Quando Francisco n\u00e3o est\u00e1 em casa, a gente \u00e9 obrigada a colocar o Sani em cima da moto. \u00c9 um crime, mas n\u00e3o tem outro jeito&#8221;, diz a m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>Renda.<\/strong>\u00a0Em outro ponto da floresta de Xapuri, o seringueiro Silvano Moreira Gomes, 59 anos, da &#8220;coloca\u00e7\u00e3o&#8221; Equador, diz que j\u00e1 &#8220;manejou&#8221; madeira tr\u00eas vezes. &#8220;N\u00e3o arranjei renda. Madeira n\u00e3o d\u00e1 futuro.&#8221; Ele ocupa h\u00e1 27 anos uma \u00e1rea de 300 hectares, com tr\u00eas estradas de seringa, 150 a 180 \u00e1rvores em cada uma. Ganha R$ 220 por quinzena com a seringa. Ele mostra uma pequena montanha de 20 toras de angelins, \u00e1rvore de madeira nobre, num descampado perto de sua propriedade. As madeiras foram arrancadas em agosto pela empresa que faz o manejo. Avalia que receber\u00e1 R$ 8 mil pelos troncos. &#8220;Pagam R$ 60 por um metro de madeira, mas demoram para pagar&#8221;, diz. &#8220;No clandestino, vale R$ 800.&#8221;<\/p>\n<p>Silvano conta que a retirada no manejo n\u00e3o impede que \u00e1rvores &#8220;av\u00f3s&#8221;, grandes esp\u00e9cies que servem para garantir sementes, caiam depois com ventos, e estradas de seringas sejam destru\u00eddas. &#8220;Se eu tivesse outra renda, n\u00e3o deixaria tirarem as \u00e1rvores&#8221;, diz. &#8220;Se ele (Chico Mendes) estivesse vivo, o manejo n\u00e3o sairia. Est\u00e1 explorando a floresta do mesmo jeito e deixando o seringueiro sem \u00e1rvore alta dentro.&#8221;<\/p>\n<p>Ele mora com a fam\u00edlia de tr\u00eas filhos numa casa de cinco c\u00f4modos. Silvano observa que o pai, Jasson Moreira Gomes, que chegou ao Acre no tempo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), morreu sem ter uma terra pr\u00f3pria. &#8220;Agora, moro no que \u00e9 meu. Com todas as dificuldades que a gente vive, acho que o Chico foi um vencedor. Se n\u00e3o fosse ele, quem estaria aqui agora falando com voc\u00eas era fazendeiro.&#8221;<\/p>\n<p>Quem percorre a regi\u00e3o da Equador e da Sib\u00e9ria percebe que os planos de manejo garantidos por normas criadas pelo governo federal enfrentam problemas. Na semana passada, o Imaflora, uma entidade que d\u00e1 certifica\u00e7\u00e3o ambiental, cancelou o selo de 14 madeireiras do Estado, alegando que foram usadas \u00e1rvores de reservas ambientais e constatadas fraudes em documentos de cortes. No papel, o manejo corta apenas \u00e1rvores de mais de 20 anos em \u00e1reas delimitadas, garantindo a recupera\u00e7\u00e3o da floresta. A fiscaliza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 ineficiente.<br \/>\nFonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para alguns seringueiros, manejo da floresta para a explora\u00e7\u00e3o de madeira \u00e9 uma maneira de legalizar o desmatamento; outros afirmam que proposta \u00e9 uma forma de evitar o predom\u00ednio da atividade pecu\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":34804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-34803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/chico.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34803","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34803"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34803\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34803"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34803"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34803"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}