{"id":348092,"date":"2021-02-25T07:30:29","date_gmt":"2021-02-25T10:30:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=348092"},"modified":"2021-02-25T07:30:29","modified_gmt":"2021-02-25T10:30:29","slug":"25-anos-sem-caio-fernando-abreu-cearenses-escrevem-cartas-ao-literato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/25-anos-sem-caio-fernando-abreu-cearenses-escrevem-cartas-ao-literato\/","title":{"rendered":"25 anos sem Caio Fernando Abreu: cearenses escrevem cartas ao literato"},"content":{"rendered":"<div class=\"m-l-article__header m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg\">\n<h1 class=\"m-l-article__heading \"><\/h1>\n<div class=\"m-l-article__meta m-u-mt-2 m-u-mb-2 m-u-mt-3-md m-u-mb-3-md \">\n<div class=\"m-c-meta m-c-meta--has-time-update m-u-text-sans m-u-text-sm m-u-color-gray-600\">Por Diego Barbosa<\/div>\n<\/div>\n<h2 class=\"m-l-article__subheading \">Autor de \u201cMorangos mofados\u201d e outras obras seminais das letras brasileiras, o escritor, jornalista e dramaturgo \u00e9 reverenciado por artistas do Cear\u00e1 que encontraram, na prosa audaciosa de Caio, um modo de estar no mundo<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__thumbnail m-u-container-hg-lg\">\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image m-u-ratio-16by9\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:1.3051504:1614166354\/img1.jpg?f=16x9&amp;h=720&amp;q=0.8&amp;w=1280&amp;$p$f$h$q$w=c03909d\" alt=\"\" data-src=\"\/image\/contentid\/policy:1.3051504:1614166354\/img1.jpg?f=16x9&amp;h=720&amp;q=0.8&amp;w=1280&amp;$p$f$h$q$w=c03909d\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\">Redigir cartas sempre foi expediente comum de Caio Fernando Abreu, falecido h\u00e1 exatos 25 anos<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"m-l-article__inner m-u-display-flex-lg m-l-article__inner--sidebar m-u-pt-4 m-u-pb-4 m-u-container-lg m-u-container-hg-lg\">\n<div class=\"m-l-article__content \">\n<p><em>\u201cQueridos pai e m\u00e3e,\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>esta \u00e9 uma carta s\u00f3 de boas not\u00edcias, portanto preparem-se. Em primeiro lugar, a minha voz melhorou! Foi uma mudan\u00e7a completa: estou com uma voz muito bonita, grave, forte, perfeitamente normal\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Denso de rotina e afeto, esse trecho de uma das mais famosas cartas escritas por Caio Fernando Abreu (1948-1996), em 29 de outubro de 1969, demonstra a predile\u00e7\u00e3o do autor n\u00e3o somente por registrar o cotidiano, mas encapsula-lo num envelope e despachar via Correios para amigos e familiares.\u00a0<strong>Redigir cartas sempre foi expediente comum do escritor, jornalista e dramaturgo ga\u00facho falecido h\u00e1 exatos 25 anos, em 25 de fevereiro de 1996.<\/strong><\/p>\n<p>Nesta que destacamos \u2013 quando conta aos pais que a voz, outrora motivo de vergonha por soar esgani\u00e7ada, havia mudado para um tom grave e sedutor, o qual se tornou uma de suas marcas registradas \u2013 Caio se alonga em miudezas e fasc\u00ednio. Sobretudo porque escrevia da\u00a0<strong>Casa do Sol<\/strong>, recanto da escritora Hilda Hilst (1930-2004), com quem travou grande amizade e dividia textos e confid\u00eancias. Estar nesse espa\u00e7o onde a arte, o di\u00e1logo e a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria reinavam absolutos era motivo de singular alegria por parte do literato.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que, desde crian\u00e7a, CF j\u00e1 escrevia tudo o que pensava em di\u00e1rios. Com o tempo, o tecer de correspond\u00eancias fez com que enviasse v\u00e1rios textos a leitores, munido do desejo secreto de dividir a rotina com eles \u2013 cada dia mais entusiasmados com o modo de contar do escritor.\u00a0<strong>A partida precoce aos 46 anos, contudo, fez com que os amigos ganhassem autoriza\u00e7\u00e3o para tornarem p\u00fablicas as missivas.<\/strong><\/p>\n<p>A proposta feita pelo Verso a tr\u00eas cearenses com grande apre\u00e7o por Caio \u00e9 que tamb\u00e9m se debrucem sobre o papel para homenagear o autor no dia em que recordamos sua passagem para o eterno. Assim,\u00a0<strong>o escritor Marco Severo, o ator Lucas Sancho e o curador Bitu Cassund\u00e9\u00a0<\/strong>articulam pensamentos e palavras a fim de tamb\u00e9m se lan\u00e7arem nessa redoma de \u00edntimas trocas e confiss\u00f5es. Confira:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image\"><img decoding=\"async\" class=\"lozad\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:7.4498973:1614166489\/Lucas%20Sancho.jpg?f=default&amp;$p$f=1256f28\" alt=\"\" data-src=\"\/image\/contentid\/policy:7.4498973:1614166489\/Lucas%20Sancho.jpg?f=default&amp;$p$f=1256f28\" data-loaded=\"true\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\">O ator, diretor e dramaturgo Lucas Sancho<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Divulga\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&#8220;Talvez resolvesse come\u00e7ar a escrever sem data nem nada, para n\u00e3o contar tudo. Talvez deixasse a carta assim mesmo, s\u00f3 uma data num papel em branco&#8221;\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Caio,<\/p>\n<p>Nesta madrugada pand\u00eamica, na solid\u00e3o do meu quarto, te escrevo e me lembro de drag\u00f5es. H\u00e1 treze anos, quando sa\u00eda de Fortaleza e vinha morar em S\u00e3o Paulo, estava muito desacreditado em mim como ator. &#8220;Mas acontece assim quando voc\u00ea sai de uma cidadezinha que j\u00e1 deixou de ser sua e vai morar noutra cidade, que ainda n\u00e3o come\u00e7ou a ser sua. Voc\u00ea sempre fica meio tonto quando pensa que n\u00e3o quer ficar&#8221;. Foi numa noite de setembro que li seu conto &#8220;Uma praiazinha, de areia bem clara, ali na beira da sanga&#8221;.\u00a0 Nele, o personagem narra a vida na megal\u00f3pole ap\u00f3s ter fugido da sua cidade de origem. Um conto que fala de amor, posse, descontrole e humanidade.<\/p>\n<p>&#8220;Ando t\u00e3o triste que \u00e0s vezes me jogo na cama, meto a cara fundo no travesseiro e tento chorar. Claro que n\u00e3o consigo. Solto uns arquejos, roncos, solu\u00e7os, barulhos de bicho, uns grunhidos de porco ferido de faca no cora\u00e7\u00e3o. Sempre lembro de voc\u00ea nessas horas. Hoje, preferi te escrever.&#8221;<\/p>\n<p>Tua escrita me deu a ousadia para fazer meu primeiro espet\u00e1culo solo &#8220;Dias de Setembro&#8221;. Tua poesia visceral, pungente e crua, por mais contradit\u00f3rio que possa parecer, curou muitas feridas minhas.<\/p>\n<p>Treze anos depois estou desta vez como diretor de um espet\u00e1culo que \u00e9 uma homenagem ao teu esp\u00edrito livre, vanguardista e do\u00eddo. &#8220;Caio, quando o amor n\u00e3o vem&#8221; \u00e9 o nome da pe\u00e7a. Voc\u00ea iria gostar&#8230; Ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>E agora aqui te escrevendo enxergo aquele Lucas que est\u00e1 numa megal\u00f3pole de areia bem clara. Talvez fugindo, talvez se encontrando.<\/p>\n<p>Um grande beijo,<br \/>\nLucas Sancho<\/em><\/p>\n<p><strong>Lucas Sancho \u00e9 ator, diretor e dramaturgo, fundador do n\u00facleo O Ator Maestro, em S\u00e3o Paulo \u2013 grupo de pesquisa e montagem de solos teatrais, tendo o ator como regente da cena. \u00c9 tamb\u00e9m criador da Magn\u00f3lia Cultural, produtora de espet\u00e1culos e projetos independentes desde 2013<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image\"><img decoding=\"async\" class=\"lozad\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:7.4498976:1614166966\/Marco%20Severo.jpg?f=default&amp;$p$f=f6816d1\" alt=\"\" data-src=\"\/image\/contentid\/policy:7.4498976:1614166966\/Marco%20Severo.jpg?f=default&amp;$p$f=f6816d1\" data-loaded=\"true\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\">O escritor Marco Severo<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Isanelle Nascimento<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Caio,<\/em><\/p>\n<p><em>Um quarto de s\u00e9culo se passou desde sua partida e o Brasil que voc\u00ea observava t\u00e3o de perto ficou muito mais bruto desde ent\u00e3o. \u00c0s vezes penso que escritores como voc\u00ea, meio bruxos, ainda assim teriam dificuldade em lidar com esse lodo onde nos enfiamos. Que diria voc\u00ea desse cen\u00e1rio em chamas?<\/em><\/p>\n<p><em>Vale o exerc\u00edcio. Ainda lembro quando li Sargento Garcia, que chegou a mim atrav\u00e9s de um amigo que me falara do lirismo narrativo, apesar da hist\u00f3ria dilacerante \u2013 e o meu espanto, pois aquilo era novo para mim, que tateava meio sem rumo \u2013 o mundo por ser descoberto \u2013 mundo no qual voc\u00ea tamb\u00e9m estava. Por isso mesmo tudo que veio depois: suas cr\u00f4nicas, cartas, sua famosa participa\u00e7\u00e3o no Roda Viva no qual Rachel de Queiroz era a sabatinada da vez, e eu capturava sua maneira de lidar com o que lhe atingia e entendia que suas inquieta\u00e7\u00f5es eram minhas.<\/em><\/p>\n<p><em>Por isso imagino voc\u00ea certo do seu legado. Vinte e cinco anos, o que s\u00e3o, j\u00e1 que o tempo \u00e9 s\u00f3 uma contagem para fingir dar sentido a um mundo ca\u00f3tico?<\/em><\/p>\n<p><strong>Marco Severo \u00e9 escritor, autor dos livros \u201cOs escritores que eu matei\u201d (2015), \u201cTodo naufr\u00e1gio \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de chegada\u201d (2016), \u201cCada forma de aus\u00eancia \u00e9 um retrato da solid\u00e3o\u201d (2017), \u201cCoisas que acontecem se voc\u00ea estiver vivo\u201d (2018)&#8221;, \u201cSe eu te amasse, estas s\u00e3o as coisas que te diria\u201d (2019) e \u201cUm dos nomes inventados para o amor\u201d (2020), todos publicados pela editora Moinhos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure>\n<div class=\"m-b-media m-b-media--image\"><img decoding=\"async\" class=\"lozad\" src=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/image\/contentid\/policy:7.4498975:1614166724\/Bitu%20Cassund%C3%A9%20-%20Foto%20Fabiane%20de%20Paula.jpg?f=default&amp;$p$f=4ff713e\" alt=\"\" data-src=\"\/image\/contentid\/policy:7.4498975:1614166724\/Bitu%20Cassund%C3%A9%20-%20Foto%20Fabiane%20de%20Paula.jpg?f=default&amp;$p$f=4ff713e\" data-loaded=\"true\" \/><\/div><figcaption class=\"m-u-text-sans m-u-mt-2 m-u-px-3 m-u-text-sm m-u-line-height-tight m-u-color-gray-600\">\n<div class=\"m-u-mb-1\">O curador Bitu Cassund\u00e9<\/div>\n<div class=\"m-u-mt-1\"><span class=\"m-u-text-bold\">Foto:\u00a0<\/span>Fabiane de Paula<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Caio querido,<\/em><\/p>\n<p><em>Leia-me ao som de Blues da Piedade (Cazuza) ou Balada da arrasada (Angela Ro Ro), por favor, pois ao escutar estas can\u00e7\u00f5es, sinto ouvir-te sussurrar. Esses artistas t\u00e3o intensos da sua gera\u00e7\u00e3o amplificam o seu gesto po\u00e9tico; nas vozes deles, sua voz tamb\u00e9m ecoa, comungando de lutas, desejos, prazeres e melancolias. Gera\u00e7\u00e3o marcada pela ditadura militar, assistiu a anistia e a desejada democracia, depois foi atropelada pela epidemia da AIDS e sua implac\u00e1vel viol\u00eancia inicial. Nascido em 1974, numa pequena cidade do interior do Cear\u00e1, minha percep\u00e7\u00e3o do mundo foi contaminada por essas quest\u00f5es e tamb\u00e9m pela rica produ\u00e7\u00e3o cultural de sua gera\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Seus livros me chegaram no in\u00edcio da fase adulta. Prosa radical para uma bicha como eu, com a libido ainda mal resolvida, enrijecida numa coreografia de vida que aprisionava meu corpo, e ainda rendida ao exagerado ideal rom\u00e2ntico libriano. Arrebatou-me ler Os drag\u00f5es n\u00e3o conhecem o para\u00edso, ali te encontrei como um verdadeiro amigo, um confidente, e compreendi a pot\u00eancia da comunh\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Anos depois, ao pesquisar com furor a obra do artista cearense Jos\u00e9 Leonilson, retornei \u00e0quela sensa\u00e7\u00e3o de te encontrar. Nas duas po\u00e9ticas, a for\u00e7a do biogr\u00e1fico, da solid\u00e3o, da busca, do amor. Em Porto Alegre, sua cidade natal, organizei uma individual de Leonilson na Funda\u00e7\u00e3o Iber\u00ea Camargo e meu texto de cat\u00e1logo inicia com um fragmento de seu \u201cSobre o vulc\u00e3o\u201d (1989). Nada define voc\u00eas dois t\u00e3o bem quanto um vulc\u00e3o em erup\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>No se puede vivir sin amor.<\/em><\/p>\n<p><em>Bitu Cassund\u00e9<\/em><\/p>\n<p><strong>Bitu Cassund\u00e9 \u00e9 curador e pesquisador. Foi diretor do Museu de Arte Contempor\u00e2nea do Cear\u00e1 e coordenou o Laborat\u00f3rio de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor de \u201cMorangos mofados\u201d e outras obras seminais das letras brasileiras, o escritor, jornalista e dramaturgo \u00e9 reverenciado por artistas do Cear\u00e1 que encontraram, na prosa audaciosa de Caio, um modo de estar no mundo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":348093,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-348092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/caio-fernando.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=348092"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/348092\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/348093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=348092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=348092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=348092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}