{"id":349138,"date":"2021-03-06T08:13:04","date_gmt":"2021-03-06T11:13:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=349138"},"modified":"2021-03-06T08:13:04","modified_gmt":"2021-03-06T11:13:04","slug":"1-ano-de-covid-o-brasileiro-perdeu-o-medo-entenda-a-baixa-adesao-ao-isolamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/1-ano-de-covid-o-brasileiro-perdeu-o-medo-entenda-a-baixa-adesao-ao-isolamento\/","title":{"rendered":"1 ano de Covid: o brasileiro perdeu o medo? Entenda a baixa ades\u00e3o ao isolamento"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">O iG conversou com especialistas e, tamb\u00e9m, com pessoas que flexibilizaram os cuidados contra a Covid-19 para entender o porqu\u00ea da baixa ades\u00e3o \u00e0s medidas restritivas no combate \u00e0 pandemia<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<p>Por\u00a0<span id=\"authors-box\"><strong>Carlos Eduardo Vasconcellos<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Aglomera\u00e7\u00e3o na Praia do Pep\u00ea, na Barra da tijuca, Rio de Janeiro\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/ek\/gn\/ci\/ekgnciiatm5727ph460upttg1.jpg\" alt=\"Aglomera\u00e7\u00e3o na Praia do Pep\u00ea, na Barra da tijuca, Rio de Janeiro\" width=\"906\" height=\"509\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>C\u00edntia Cruz\/Ag\u00eancia O Globo<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">Aglomera\u00e7\u00e3o na Praia do Pep\u00ea, na Barra da tijuca, Rio de Janeiro<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No dia 3 de mar\u00e7o, quando o Brasil registrava recorde de mortes desde o inicio da\u00a0<strong>pandemia<\/strong>\u00a0\u00a0\u2014\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.ig.com.br\/coronavirus\/2021-03-03\/em-novo-recorde-brasil-registra-1910-mortes-por-covid-19-em-24-horas.html\">1.910, segundo o Conass (Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade)<\/a>\u00a0\u2014, Paulo Eduardo, 61 anos, tomava uma cerveja em um bar da zona norte de S\u00e3o Paulo \u00e0s 11 horas da manh\u00e3. Com a m\u00e1scara no queixo, o comerciante, portador de\u00a0<strong>diabetes<\/strong>\u00a0, disse \u00e0 reportagem do\u00a0<strong><em>iG<\/em>\u00a0<\/strong>que n\u00e3o tem mais medo de contrair o v\u00edrus. &#8220;Se n\u00e3o peguei at\u00e9 agora, n\u00e3o pego mais&#8221;.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o da gravidade do que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 exclusividade do comerciante. No pior momento da pandemia, o brasileiro abandonou uma das principais medidas de conten\u00e7\u00e3o ao cont\u00e1gio: o\u00a0<strong>isolamento social.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo dados da startup In Loco, que disponibiliza o \u00edndice de isolamento social de cada estado desde o in\u00edcio da pandemia, S\u00e3o Paulo registrou, no dia 4 de mar\u00e7o,\u00a0<strong>30,2%<\/strong>\u00a0de pessoas isoladas. No in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria, quando as primeiras medidas de mitiga\u00e7\u00e3o foram instaladas, o percentual no estado beirava os 60%. O que mudou de l\u00e1 para c\u00e1?<\/p>\n<p>Segundo\u00a0<strong>Ana Gabriela Andriani<\/strong>\u00a0, doutora em psicologia pela Unicamp, a ades\u00e3o maior no in\u00edcio da pandemia\u00a0se deu, entre outros fatores, pelo &#8220;susto&#8221;, isto \u00e9, o\u00a0<strong>&#8220;medo do desconhecido&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Era uma situa\u00e7\u00e3o absolutamente nova. Um v\u00edrus que ningu\u00e9m sabia como se propagava, era um\u00a0contato com algo amea\u00e7ador nunca vivido antes. L\u00e1 atr\u00e1s, ningu\u00e9m estava muito acostumado a ouvir sobre cont\u00e1gio, ou sobre relato de mortes todos os dias&#8230; Por exemplo, n\u00e3o ouvimos todos os dias relatos de quantas pessoas foram assassinadas. Ent\u00e3o, acho que houve um susto no in\u00edcio. E agora, as pessoas est\u00e3o se acostumando a viver essa realidade&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do &#8220;novo&#8221;, a psic\u00f3loga enxerga a mudan\u00e7a de comportamento como reflexo de uma s\u00e9rie de outros fatoes como: solid\u00e3o, esgotamento, mental, dessensibiliza\u00e7\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p><strong>Floriano Pesaro<\/strong>\u00a0, soci\u00f3logo pela Universidade de S\u00e3o Paulo e ex-deputado federal eleito em 2014, v\u00ea um\u00a0<strong>esgotamento mental<\/strong>\u00a0por parte da sociedade. &#8220;Um cansa\u00e7o com a crise de modo geral. Esse esgotamento tem efeitos psicol\u00f3gicos, sociais e econ\u00f4micos&#8221;.<\/p>\n<p>Floriano tamb\u00e9m se at\u00e9m ao fato de que, com a suspens\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-03-03\/auxilio-emergencial-maes-receberao-mais-que-quem-mora-sozinho-veja-os-valores.html\">aux\u00edlio emergencial\u00a0<\/a>ou qualquer subs\u00eddio do governo para manter empregos, as pessoas \u2014 apesar da ci\u00eancia do risco \u2014\u00a0 acabam saindo em busca de renda.<\/p>\n<p><strong>Anderson Fiori<\/strong>\u00a0, de 25 anos, abandonou as medidas de isolamento social em\u00a0<strong>setembro<\/strong>\u00a0. &#8220;Decidi levar a vida normal para n\u00e3o ficar doente da cabe\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Ele diz que sai normalmente para festas, bares e restaurantes. O jovem \u00e9 contra as medidas de isolamento social, como fechamento dos bares, restaurantes e com\u00e9rcios.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no bar depois das 20h que a\u00a0<strong>Covid-19<\/strong>\u00a0se transmite. Imagine a quantidade de pessoas que v\u00e3o a supermercados e passam horas em transportes p\u00fablicos. Por que esses lugares n\u00e3o fecham?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>O relato converge com o discurso do presidente\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-03-04\/vamos-combater-o-virus-mas-nao-de-forma-suicida-diz-bolsonaro.html\"><strong>Jair Bolsonaro<\/strong>\u00a0\u00a0\u2014 opositor ass\u00edduo das medidas de isolamento<\/a>\u00a0. Segundo o soci\u00f3logo\u00a0<strong>Floriano Pesaro<\/strong>\u00a0, essa descren\u00e7a na ci\u00eancia promovida pelas autoridades, incluindo o presidente da Rep\u00fablica, contribui para o descontrole da doen\u00e7a no Brasil.<\/p>\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Bolsonaro promovendo aglomera\u00e7\u00e3o de apoiadores durante visita em Fortaleza (CE); Semanalmente o presidente promove aglomera\u00e7\u00f5es sem utilizar m\u00e1scara\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/cs\/3x\/gt\/cs3xgtso0mroeuqhllby4vimj.jpg\" alt=\"Bolsonaro promovendo aglomera\u00e7\u00e3o de apoiadores durante visita em Fortaleza (CE); Semanalmente o presidente promove aglomera\u00e7\u00f5es sem utilizar m\u00e1scara\" width=\"906\" height=\"509\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Clauber Cleber Caetano\/PR<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">Bolsonaro promovendo aglomera\u00e7\u00e3o de apoiadores durante visita em Fortaleza (CE); Semanalmente o presidente promove aglomera\u00e7\u00f5es sem utilizar m\u00e1scara<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\" \">&#8220;Isso ajudou no desconcerto social que estamos vivendo hoje. Essas\u00a0<strong>informa\u00e7\u00f5es distorcidas<\/strong>\u00a0e propositalmente equivocadas foram e continuam sendo difundidas fartamente. O\u00a0<a href=\"https:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/brasil\/2021-03-04\/se-o-ministerio-da-saude-nao-e-negacionista-demonstre-com-acoes-diz-pacheco.html\"><strong>negacionismo cient\u00edfico<\/strong>\u00a0<\/a>aprofundou a crise socioecon\u00f4mica e sanit\u00e1ria&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje temos um efeito pr\u00e1tico disso em duas frentes:o claro atraso na vacina\u00e7\u00e3o devido \u00e0 in\u00e9pcia do governo federal, e um percentual da popua\u00e7\u00e3o que aderiu ao discurso negacionista e hoje s\u00e3o vetores da doen\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<h3>Dessensibiliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e falta de perspectivas<\/h3>\n<p>Um ano ap\u00f3s a chegada da pandemia no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 indicativos de que a situa\u00e7\u00e3o v\u00e1 se reverter t\u00e3o rapidamente. O pa\u00eds vive colapso do sistema de sa\u00fade em diversos munic\u00edpios e, segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.ig.com.br\/coronavirus\/2021-03-05\/ministerio-preve-ate-3-mil-mortes-diarias-por-covid-em-marco-diz-jornal.html\">prev\u00ea o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o m\u00eas de mar\u00e7o pode ser avassalador, chegando \u00e0 marca de 3 mil mortes di\u00e1rias.<\/a><\/p>\n<p><strong>Aline Lima<\/strong>\u00a0, 26 anos, estudante do curso de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, passou sair mais de casa, dentre outros motivos, quando perdeu as esperan\u00e7as de melhora na crise sanit\u00e1ria em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&#8220;Vou \u00e0 casa de amigos e passei a frequentar espa\u00e7os abertos. Tamb\u00e9m viajo a outros estados&#8221;, conta. &#8220;Acredito que a vida no Brasil s\u00f3 vai se normalizar quando a maioria estiver vacinada, e n\u00e3o fa\u00e7o ideia de quando isso vai acontecer&#8221;, lamenta a estudante.<\/p>\n<p>Segundo a psic\u00f3loga\u00a0Ana Gabriela Andriani, a falta de um &#8220;prazo&#8221; para que a situa\u00e7\u00e3o melhore faz a popula\u00e7\u00e3o perder as esperan\u00e7as. &#8220;As pessoas come\u00e7am a retomar suas vidas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Cria-se um processo de\u00a0<strong>nega\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0. A nega\u00e7\u00e3o \u00e9 um mecanismo de defesa para n\u00e3o entrarmos em contato com o sofrimento proveniente disso.\u00a0Muita pessoas, desde o come\u00e7o da pandemia, j\u00e1 estavam nesse processo de &#8216;nada est\u00e1 acontecendo, vamos tocar a vida normalmente&#8217;, e isso se intensificou&#8221;, continua.<\/p>\n<p>Andriani tamb\u00e9m afirma que o brasileiro, em geral, tem uma cultura individualista, pautada primeiramente no prazer pr\u00f3prio. &#8220;Em outras culturas, vemos que as pessoas n\u00e3o querem ser as respons\u00e1veis pela contamina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m.\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.ig.com.br\/2021-03-04\/brasileiro-e-povo-no-mundo-que-mais-sente-solidao-na-pandemia-aponta-ranking.html\">J\u00e1 o brasileiro \u00e9 mais do toque, da festa<\/a>\u00a0.\u00a0Os asi\u00e1ticos, por exemplo, j\u00e1 saiam de m\u00e1scara muito antes da pandemia&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Ela pede que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o perca as esperan\u00e7as e relembra: &#8220;A gripe espanhola passou. Levou dois anos, mas passou. Com imunidade de rebanho. Felizmente n\u00e3o vamos viver isso, j\u00e1 que, com o avan\u00e7o da ci\u00eancia, j\u00e1 temos as vacinas&#8221;.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Floriano Pesaro aborda um tom mais cr\u00edtico sobre a dessensibiliza\u00e7\u00e3o dos brasileiros no \u00e2mbito da quantidade alarmante de mortes diarias.<\/p>\n<p>&#8220;Estat\u00edsticas de mortes em um pa\u00eds que assassina mais de 40 mil pessoas por ano n\u00e3o chocam. Isso est\u00e1 mais claro com a pandemia. Especialmente em se tratando dos mais pobres\u00a0\u2014 sobretudo a popula\u00e7\u00e3o negra\u00a0\u2014\u00a0 onde a viol\u00eancia atinge end\u00eamica e cotidianamente. A morte sempre foi uma infeliz presen\u00e7a&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nega\u00e7\u00e3o da gravidade do que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o \u00e9 exclusividade do comerciante. 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