{"id":349255,"date":"2021-03-07T11:17:35","date_gmt":"2021-03-07T14:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=349255"},"modified":"2021-03-07T13:54:42","modified_gmt":"2021-03-07T16:54:42","slug":"governo-negou-3-vezes-ofertas-da-pfizer-e-perdeu-ao-menos-3-milhoes-de-doses-de-vacina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/governo-negou-3-vezes-ofertas-da-pfizer-e-perdeu-ao-menos-3-milhoes-de-doses-de-vacina\/","title":{"rendered":"Governo negou 3 vezes ofertas da Pfizer e perdeu ao menos 3 milh\u00f5es de doses de vacina"},"content":{"rendered":"<div class=\"title-noticia\">\n<h1><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"cont-divisor\">\n<div class=\"left\">\n<article class=\"news-interna\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" title=\"Governo negou 3 vezes ofertas da Pfizer e perdeu ao menos 3 milh\u00f5es de doses de vacina\" src=\"https:\/\/imagem.bnews.com.br\/fotos\/bocao_noticias\/isdWAI1EReDaWERT0fvuqg\/810x400\/299199-IMAGEM_NOTICIA_0.jpg\" alt=\"[Governo negou 3 vezes ofertas da Pfizer e perdeu ao menos 3 milh\u00f5es de doses de vacina]\" \/><\/picture><figcaption><i class=\"far fa-clock\"><\/i><\/figcaption>&nbsp;<\/figure>\n<div class=\"editor\">\n<p>O governo brasileiro rejeitou no ano passado tr\u00eas ofertas da farmac\u00eautica Pfizer, deixando de obter ao menos 3 milh\u00f5es de doses em meio \u00e0 escassez de vacinas contra a Covid-19. O volume, que era previsto at\u00e9 fevereiro, \u00e9 equivalente a cerca de 20% das doses j\u00e1 distribu\u00eddas no pa\u00eds at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>O an\u00fancio feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade nesta \u00faltima semana de que pretende comprar doses da vacina da empresa norte-americana ocorreu quase sete meses ap\u00f3s a primeira oferta apresentada, que previa que as primeiras entregas fossem feitas ainda em dezembro de 2020.<\/p>\n<p>Duas das propostas feitas antes da que o governo diz ter aceitado agora \u2014o contrato ainda n\u00e3o foi assinado\u2014 previam vacinas j\u00e1 em dezembro, quando imunizante passou a ser aplicado em pa\u00edses como Reino Unido e EUA. A terceira previa as vacinas em janeiro. Agora, membros do minist\u00e9rio tentam negociar com a empresa entregas a partir de maio.<\/p>\n<p>A Pfizer n\u00e3o foi a \u00fanica a ter propostas rejeitadas. Documentos mostram que outros laborat\u00f3rios tamb\u00e9m tiveram ofertas que previam entregas mais cedo ignoradas, a exemplo do Instituto Butantan, que hoje \u00e9 respons\u00e1vel por pelo menos 78% das vacinas j\u00e1 distribu\u00eddas no pa\u00eds contra a Covid.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, embora o ministro da Sa\u00fade, o general Eduardo Pazuello, tenha afirmado recentemente que encontrou dificuldade em negocia\u00e7\u00f5es com o cons\u00f3rcio Covax Facility, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, pessoas ligadas \u00e0s conversas apontam que foi da pasta a decis\u00e3o de adquirir doses para apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o por meio da iniciativa.<\/p>\n<p>Hoje, al\u00e9m da Coronavac, o Brasil aplica a vacina Oxford\/AstraZeneca, cuja entrega tem enfrentado atrasos. Nesta semana, diante do agravamento da crise e do aumento da press\u00e3o de governadores, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade Sa\u00fade anunciou que prepara contratos com Pfizer, Janssen e Moderna para obter 151 milh\u00f5es de doses entre maio e dezembro de 2021.<\/p>\n<p>O contrato com a Pfizer deve ser assinado nos pr\u00f3ximos dias, depois que o presidente Jair Bolsonaro sancionar projeto de lei aprovado pelo Congresso que cria um ambiente jur\u00eddico mais favor\u00e1vel para que as cl\u00e1usulas exigidas pela farmac\u00eautica sejam atendidas, como a que isenta a empresa de responsabilidade por eventuais eventos adversos.<\/p>\n<p>Embora tenha feito reuni\u00f5es anteriores com representantes do governo, a farmac\u00eautica fez a primeira oferta em 14 de agosto de 2020, segundo informa\u00e7\u00f5es obtidas pela Folha. A proposta previa 500 mil doses ainda em dezembro de 2020, totalizando 70 milh\u00f5es at\u00e9 junho deste ano.<\/p>\n<p>A Pfizer aumentou a oferta inicial quatro dias depois, elevando para 1,5 milh\u00e3o o n\u00famero de doses ainda em 2020, com possibilidade de mais 1,5 milh\u00e3o at\u00e9 fevereiro de 2021 e o restante nos meses seguintes.<\/p>\n<p>Sem aprova\u00e7\u00e3o do governo, uma nova proposta foi apresentada em 11 de novembro. Com o passar do tempo, governos de outros pa\u00edses foram tomando o lugar do Brasil, e as primeiras doses ficariam para janeiro e fevereiro \u20142 milh\u00f5es de unidades. Dessa vez, o contrato ficou em vias de ser assinado, segundo pessoas envolvidas nas negocia\u00e7\u00f5es disseram \u00e0 Folha.<\/p>\n<p>Em 7 de dezembro, o governador de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o Doria (PSDB), anunciou o plano para iniciar a vacina\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo no dia 25 de janeiro com as doses da Coronavac, envasadas pelo Instituto Butantan, ligado ao estado.<\/p>\n<p>Bolsonaro, ent\u00e3o, ensaiou rea\u00e7\u00e3o na tentativa de contrapor o advers\u00e1rio pol\u00edtico. Dias depois, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegou a anunciar um memorando de inten\u00e7\u00e3o para obter doses da Pfizer, mas a assinatura do contrato foi brecada pelo governo por causa das cl\u00e1usulas contratuais envolvidas na negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, pressionado por n\u00e3o ter fechado o acordo, o governo passou a fazer cr\u00edticas p\u00fablicas \u00e0 empresa.<\/p>\n<p>Em 23 de janeiro, o minist\u00e9rio divulgou carta em que afirma que um eventual acordo causaria &#8220;frustra\u00e7\u00e3o aos brasileiros\u201d por envolver apenas 2 milh\u00f5es de doses na entrega inicial. Naquela mesma semana, no entanto, a pasta comemorava ter importado n\u00famero semelhante de doses do imunizante Oxford\/AstraZeneca por meio da Fiocruz.<\/p>\n<p>Em 15 de fevereiro, a Pfizer fez nova oferta ao governo, a que est\u00e1 em vigor, de 100 milh\u00f5es de doses, 30 milh\u00f5es a mais que a primeira oferta, mas com in\u00edcio apenas em junho \u2014prazo que o minist\u00e9rio agora tenta adiantar para maio.<\/p>\n<p>Pessoas que participam das tratativas viram a decis\u00e3o de anunciar inten\u00e7\u00e3o de compra antes mesmo de Bolsonaro sancionar o projeto de lei aprovado pelo Legislativo como uma nova rea\u00e7\u00e3o a Doria, que externou interesse em negociar com Pfizer e Janssen.<\/p>\n<p>Antes de fechar com o Butantan, em janeiro, o governo federal recebeu ao menos tr\u00eas ofertas do Instituto Butantan para compra da Coronavac, segundo of\u00edcios divulgados pelo laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A primeira foi feita em 30 de julho de 2020 e previa possibilidade de entrega de 60 milh\u00f5es de doses ainda no \u00faltimo trimestre do ano passado, mas n\u00e3o houve retorno.<\/p>\n<p>Ainda assim, uma segunda oferta foi feita em agosto, quando a previs\u00e3o de entrega no \u00faltimo trimestre foi revista para 45 milh\u00f5es de doses, com as 15 milh\u00f5es restantes no primeiro trimestre de 2021. Novamente foi ignorada.<\/p>\n<p>Em novembro, o instituto refez a mesma proposta, adicionando mais 40 milh\u00f5es de doses na sequ\u00eancia das entregas, mas a guerra pol\u00edtica em torno da vacina j\u00e1 estava em curso havia pelo menos um m\u00eas, quando Bolsonaro fez o minist\u00e9rio recuar em uma inten\u00e7\u00e3o de acordo com o instituto.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 mudou em 7 de janeiro, quando a pasta, enfim, anunciou ter fechado contrato poucos dias antes de o instituto entrar com pedido de uso emergencial da vacina na Anvisa (Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) e em meio a press\u00e3o do governo paulista, que j\u00e1 havia anunciado data de in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o no estado.<\/p>\n<p>No caso da iniciativa Covax Facility, documentos mostram que cada pa\u00eds poderia optar por doses para 20% da popula\u00e7\u00e3o ou mais.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala em 42 milh\u00f5es de doses, o pessoal abre o olho. S\u00e3o 10% da popula\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 que foram 42 milh\u00f5es \u2013s\u00f3 10%. \u00c9 o m\u00e1ximo que a gente conseguiu nessa primeira negocia\u00e7\u00e3o\u201d, disse Pazuello em fevereiro.<\/p>\n<p>Segundo pessoas que acompanharam as discuss\u00f5es, a op\u00e7\u00e3o por apenas 10% veio do governo brasileiro, que apostava \u00e9poca em um acordo com a Fiocruz \u2014que, at\u00e9 agora, s\u00f3 conseguiu entregar 4 milh\u00f5es de doses.<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>Em audi\u00eancia no Senado na quinta-feira (4), o secret\u00e1rio-executivo da pasta, Elcio Franco, disse que o minist\u00e9rio faz discuss\u00f5es sobre vacinas desde abril de 2020, mas que \u00f3bices \u201ct\u00e9cnicos\u201d e \u201clegais\u201d impediram fechar acordos mais cedo.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Pfizer e \u00e0 Janssen, n\u00f3s t\u00ednhamos \u00f3bices legais, como tamb\u00e9m com o Butantan\u201d, disse ele, segundo quem a contrata\u00e7\u00e3o do instituto paulista s\u00f3 foi poss\u00edvel ap\u00f3s medida provis\u00f3ria aprovada em janeiro.<\/p>\n<p>A MP dizia que era poss\u00edvel fechar acordos para compra antes do registro da Anvisa, o que n\u00e3o foi obst\u00e1culo para que o governo acordasse com a AstraZeneca ainda em setembro de 2020.<\/p>\n<div class=\"banner\"><\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo brasileiro rejeitou no ano passado tr\u00eas ofertas da farmac\u00eautica Pfizer, deixando de obter ao menos 3 milh\u00f5es de doses em meio \u00e0 escassez de vacinas contra a Covid-19. 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