{"id":35009,"date":"2013-12-26T08:50:07","date_gmt":"2013-12-26T11:50:07","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=35009"},"modified":"2013-12-26T08:50:07","modified_gmt":"2013-12-26T11:50:07","slug":"documento-mostra-que-ocultacao-de-crimes-franquistas-comecou-ja-em-1943","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/documento-mostra-que-ocultacao-de-crimes-franquistas-comecou-ja-em-1943\/","title":{"rendered":"Documento mostra que oculta\u00e7\u00e3o de crimes franquistas come\u00e7ou j\u00e1 em 1943"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\">\n<p>\u201cA Guerra Civil espanhola foi a primeira batalha da Segunda Guerra Mundial.\u201d Para o jurista \u00c1lvarez del Vayo, o conflito que se estendeu de 1936 a 1939 encenou o primeiro ato de uma guerra j\u00e1 moderna e mundializada: a disputa entre fascismo e antifascismo. Em 1\u00ba de abril de 1939, ap\u00f3s declarar \u201cA guerra acabou\u201d, o general Francisco Franco \u2014 conspirador militar que organizou o massacre de mais de 3 mil trabalhadores da Comuna de Ast\u00farias em 1934 \u2014 deu in\u00edcio \u00e0 maior onda de repress\u00e3o pol\u00edtica da hist\u00f3ria espanhola.<\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o\/&#8221;El Franquismo&#8221;, de Stanley G. Payne<br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2fprisioneiros20131223163543_00001.jpg\" \/><br \/>\nRepress\u00e3o e encarceramento em massa prosseguem ao final da Guerra Civil, em 1939, que registrou o auge das deten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\/&quot;El Franquismo&quot;, de Stanley G. Payne\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2fsaudacao_20131223163648_00001.jpg\" \/><\/p>\n<p>Desde a eclos\u00e3o do golpe militar antirrepublicano em julho de 1936, a coaliz\u00e3o de falangistas, cat\u00f3licos e conservadores passou a legislar na zona nacionalista sob o seu comando. Um m\u00eas depois, este autoproclamado Movimento Libertador, lan\u00e7ado do Marrocos espanhol, substituiria a bandeira republicana e colocaria no lugar o emblema anterior \u00e0 queda da monarquia.<\/p>\n<p><em>[Crian\u00e7as em sauda\u00e7\u00e3o fascista diante de retrato de Franco, &#8220;O primeiro vencedor no mundo do bolchevismo no campo de batalha&#8221; ]<\/em><\/p>\n<p>Em setembro desse mesmo ano, vetaria a reforma agr\u00e1ria, devolvendo aos propriet\u00e1rios suas terras e direitos. Sem esperar o fim da guerra civil, seu l\u00edder Franco \u00e9 proclamado \u201cGeneral\u00edssimo\u201d, \u201cchefe do governo do Estado\u201d. Um ano e meio depois, receberia o \u201cpoder supremo de ditar normas jur\u00eddicas de car\u00e1ter geral\u201d e editaria uma lei que lhe permitiria perseguir todos os opositores do golpe militar. Detalhe: desde 1934.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"WikiCommons\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2f347px-Eduardo_Aunos.jpg\" \/><\/p>\n<p>Foi o que se fez com \u201cespartano acento\u201d. Pol\u00edtica e juridicamente, responsabilizou-se at\u00e9 mesmo a \u201ca\u00e7\u00e3o passiva\u201d daqueles que \u201cproduziram ou facilitaram a criminalidade\u201d da Frente Popular \u2013 a coliga\u00e7\u00e3o de esquerda antifascista que atingiu, pela via eleitoral, maioria de deputados em fins de 1935. Em 1943, o \u201cGeneral\u00edssimo\u201d nomeou ministro da Justi\u00e7a o pol\u00edtico e jurista catal\u00e3o Eduardo Aun\u00f3s (1884-1967). T\u00e3o logo assumiu, Aun\u00f3s, representando o falangismo cat\u00f3lico, se encarregou de redigir e difundir um documento intitulado\u00a0Causa Geral. A domina\u00e7\u00e3o vermelha na Espanha. O livreto pretendia demonstrar a \u201ccriminalidade\u201d da Frente Popular, buscando documentar o que se assinala como uma \u201cverdade hist\u00f3rica indiscut\u00edvel\u201d, fruto da \u201cinvestiga\u00e7\u00e3o realizada pelos Magistrados do Minist\u00e9rio P\u00fablico\u201d.\u00a0(clique aqui para ler a \u00edntegra do documento, em espanhol)<\/p>\n<p><em>[Eduardo Aun\u00f3s, no ex\u00edlio durante toda II Rep\u00fablica, assumiu o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a do Estado Novo franquista em 1943, permanecendo no cargo at\u00e9 1945]<\/em><\/p>\n<p>Criada por decreto em 1940, a chamada \u201cCausa Geral\u201d atribu\u00eda ao Minist\u00e9rio P\u00fablico espanhol poderes para fixar, investigar e reprimir \u201ca atividade criminosa das for\u00e7as subversivas que em 1936 atentaram abertamente contra a exist\u00eancia dos valores da P\u00e1tria\u201d. Tais for\u00e7as da Frente Popular, prossegue o documento, praticaram \u201cuma verdadeira tirania por detr\u00e1s da m\u00e1scara da legalidade\u201d. Da\u00ed o levante nacional resultar \u201cinevit\u00e1vel\u201d, tomado como \u201cleg\u00edtimo movimento de defesa\u201d diante da \u201conda de crime e sangue aberta pelo marxismo e seus aliados\u201d, aparecendo por d\u00e9cadas, no discurso oficial, como \u201craz\u00e3o suprema de um povo em risco de aniquilamento\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\/&quot;A morte de Lorca&quot;, de Ian Gibson\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2fcemitErio_20131223163733_00001.jpg\" \/><\/p>\n<p>Conforme se explicita textualmente, a \u201cCausa Geral\u201d somente exerceria suas fun\u00e7\u00f5es investigadoras \u201cnaquela parte do territ\u00f3rio espanhol que esteve submetida \u00e0 domina\u00e7\u00e3o vermelha\u201d, a \u201czona marxista\u201d, sob \u201co terror por toda a Espanha submetida ao marxismo\u201d. Claramente, v\u00ea-se que o \u00edmpeto persecut\u00f3rio \u00e9 seletivo: permaneceria impune o chamado \u201cterror branco\u201d, largamente praticado na zona militarizada sob o controle dos nacionalistas. Na \u00e9poca, o cen\u00e1rio era de \u201cduas Espanhas\u201d cindidas pela guerra civil. Dessa forma, o aparelho estatal franquista somente procurou, obviamente, averiguar as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos cometidas na zona republicana. Ao outro lado \u2014 \u00e0 Frente Popular \u2014, restavam a brutal criminaliza\u00e7\u00e3o de suas atividades e a fabrica\u00e7\u00e3o de provas judici\u00e1rias que subsidiassem a repress\u00e3o e os expurgos pol\u00edticos do p\u00f3s-guerra civil.<\/p>\n<p><em>[Cemit\u00e9rio clandestino de Granada (1966), tomada como zona nacionalista pelo &#8220;terror branco&#8221;, at\u00e9 hoje n\u00e3o investigado pelo Estado espanhol]<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 hoje, investiga\u00e7\u00f5es de um lado s\u00f3<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o\/&quot;Causa General. La Dominaci\u00f3n Roja en Espa\u00f1a&quot;\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2fdocumento_20131223163847_00001.jpg\" \/>Mais adiante, o documento\u00a0<em>Causa Geral. A domina\u00e7\u00e3o vermelha na Espanha<\/em>\u00a0mapeia em diversos cap\u00edtulos toda a atua\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de resist\u00eancia armada contra a ditadura franquista. Em \u201cPersegui\u00e7\u00f5es religiosas\u201d, por exemplo, o livro elenca nomes e fotos dos m\u00e1rtires mortos pelo \u201cterror vermelho\u201d, advertindo que, na zona marxista, simultaneamente \u201ca Religi\u00e3o \u00e9 perseguida de morte e a propriedade \u00e9 socializada ou simplesmente espoliada\u201d. Estas explos\u00f5es sociais, muito antes inclusive dos inc\u00eandios de igrejas e conventos em maio de 1931, eram nutridas por um secular anticlericalismo de um pa\u00eds em que a Igreja, aos olhos das massas camponesas e oper\u00e1rias, encarnava toda a tradi\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria dos poderosos e seus asseclas.<\/p>\n<p>[<em>Causa General. La Dominaci\u00f3n Roja en Espa\u00f1a. Avance de la Informaci\u00f3n Instru\u00edda por el Minist\u00e9rio P\u00fablico. Pr\u00f3logo del Excmo. Ministro de Justicia, Eduardo Aun\u00f3s&#8221;, dezembro de 1943]<\/em><\/p>\n<p>A pol\u00edtica do jurista de exce\u00e7\u00e3o Eduardo Aun\u00f3s, enfim, negava de modo manipulat\u00f3rio que realmente tivesse ocorrido alguma crueldade \u201cno campo nacional\u201d, \u201cnem inclusive em meio do terr\u00edvel fragor da contenda\u201d. Sua tese, contudo, n\u00e3o resiste a uma an\u00e1lise mais criteriosa: \u201cas pr\u00f3prias autoridades nacionalistas n\u00e3o publicaram qualquer estat\u00edstica das mortes a eles atribu\u00eddas\u201d na zona nacionalista, durante a guerra civil, j\u00e1 que \u201ca justificativa legal para todas\u201d as suas execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias \u201cfoi simplesmente o estado de guerra que havia sido proclamado\u201d nos dias de golpe militar em julho de 1936, segundo escreve o historiador brit\u00e2nico Hugh Thomas em\u00a0<em>A guerra civil espanhola<\/em>.<\/p>\n<p>A impunidade dos vitoriosos com o golpe militar de 1936 pelos crimes de lesa humanidade \u2014 conforme reconhecidos pela mais coet\u00e2nea tend\u00eancia do direito internacional p\u00fablico \u2014, que praticaram na zona nacionalista durante a guerra civil e na longeva ditadura, at\u00e9 1975, permanecer\u00e1 enquanto perdurar a lei de anistia de 1977. Esp\u00e9cie de lei \u201cdo ponto final\u201d, a Espanha recentemente foi mais de uma vez\u00a0<a href=\"http:\/\/operamundi.uol.com.br\/conteudo\/reportagens\/33067\/Onu+pede+que+espanha+modifique+lei+de+anistia+e+crie+comissao+da+verdade.shtml\" target=\"_blank\">incitada pela ONU<\/a>\u00a0a constituir sua Comiss\u00e3o da Verdade.<\/p>\n<p>A zona republicana j\u00e1 foi detalhadamente esquadrinhada pelo informe do Minist\u00e9rio P\u00fablico e pela m\u00e1quina p\u00fablica franquista. A nacionalista, que ecoa todo o terrorismo de Estado praticado na Espanha, at\u00e9 hoje, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Reprodu\u00e7\u00e3o\/&#8221;Causa General. La Dominaci\u00f3n Roja en Espa\u00f1a&#8221;<br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/bay173.mail.live.com\/Handlers\/ImageProxy.mvc?bicild=&amp;canary=5K4JFDfPrN24GWjgipBsoHT3YAF0%2f56VQdQ5SaakqKc%3d0&amp;url=http%3a%2f%2fwww.operamundi.com.br%2fmedia%2fimages%2figreja_20131223164036_00001.jpg\" \/><br \/>\n&#8220;Vermelhos&#8221; posando para foto com trajes saqueados da Igreja, n\u00e3o longe de ser a maior latifundi\u00e1ria do pa\u00eds<\/p>\n<p>Fonte: \u00d3pera Mundi<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><\/div>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><\/div>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><\/div>\n<div align=\"center\"><span style=\"color: #366092;\"><b><a target=\"_blank\">\u00a0<\/a><\/b><\/span><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-35010\" alt=\"ImageProxy (1)\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/ImageProxy-125-300x198.jpg\" width=\"300\" height=\"198\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA Guerra Civil espanhola foi a primeira batalha da Segunda Guerra Mundial.\u201d Para o jurista \u00c1lvarez del Vayo, o conflito que se estendeu de 1936 a 1939 encenou o primeiro ato de uma guerra j\u00e1 moderna e mundializada: a disputa entre fascismo e antifascismo. 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