{"id":351457,"date":"2021-03-27T16:15:43","date_gmt":"2021-03-27T19:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=351457"},"modified":"2021-03-27T16:15:43","modified_gmt":"2021-03-27T19:15:43","slug":"155-anos-da-batalha-do-riachuelo-o-episodio-mais-brutal-da-guerra-do-paraguai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/155-anos-da-batalha-do-riachuelo-o-episodio-mais-brutal-da-guerra-do-paraguai\/","title":{"rendered":"155 anos da batalha do Riachuelo, o epis\u00f3dio mais brutal da Guerra do Paraguai\u00a0"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<p class=\"lead\"><strong>No combate naval ocorrido no Rio Paran\u00e1, com navios, canh\u00f5es e fuzis, os paraguaios tentaram encurralar os brasileiros, mas tiveram milhares de baixas<\/strong><\/p>\n<p class=\"autor\">\n<div class=\"addthis_inline_share_toolbox\" data-url=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/historia-guerra-do-paraguai-a-batalha-riachuelo.phtml\" data-title=\"155 anos da Batalha do Riachuelo, o epis\u00f3dio mais brutal da Guerra do Paraguai\" data-description=\"No combate naval ocorrido no Rio Paran\u00e1, com navios, canh\u00f5es e fuzis, os paraguaios tentaram encurralar os brasileiros, mas tiveram milhares de baixas\">\n<div id=\"atstbx\" class=\"at-resp-share-element at-style-responsive addthis-smartlayers addthis-animated at4-show\" role=\"region\" aria-labelledby=\"at-d364e8ff-b186-4823-bc31-53978504a731\"><span id=\"at-d364e8ff-b186-4823-bc31-53978504a731\" class=\"at4-visually-hidden\"><\/span><\/p>\n<div class=\"at-share-btn-elements\"><span class=\"at4-share-count-container\">Leandro Narloch<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"img-lead\"><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/brasil\/riachueloammdmd_widelg.jpg\" alt=\"A Batalha de Riachuelo\" \/><figcaption>A Batalha de Riachuelo &#8211; Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p>Em 11 de junho de 1865, aconteceu a maior batalha naval da Am\u00e9rica do Sul. Foi num domingo ensolarado, no rio Paran\u00e1. Em jogo estava o poder sobre o rio, o acesso do Paraguai ao mar. Sem tr\u00e2nsito livre, o pa\u00eds ficaria isolado do mundo. Dezessete navios paraguaios e brasileiros, com canh\u00f5es e homens armados de fuzis, se posicionaram para o combate. Foi uma luta de quatro horas, que encheu o rio de fuma\u00e7a, sangue, barulho de canh\u00f5es, tiros e gritos.<\/p>\n<p>Os primeiros navios que debandaram foram os paraguaios. A sa\u00edda fluvial para o mundo estava perdida. Ap\u00f3s o embate no rio, havia tanta fuma\u00e7a vinda dos canh\u00f5es e da chamin\u00e9 dos barcos que mal se viam os navios em guerra.<\/p>\n<p>Cortando o nevoeiro negro, duas fragatas brasileiras, atingidas pelos canh\u00f5es paraguaios, rumaram para os bancos de areia na tentativa desesperada de encalhar para n\u00e3o afundar.<\/p>\n<p>Outro barco teve o leme despeda\u00e7ado e abrigou uma luta de espadas, baionetas e fuzis que deixariam mais de 200 mortos. Por toda aquela curva do rio Paran\u00e1, em frente \u00e0 foz do riacho de Riachuelo, ainda ouviam-se explos\u00f5es, berros e sobretudo o zumbido dos quase 6 mil fuzis em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Batalha de Ricahuelo fora planejada pelos paraguaios como um\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/terra-brasilis\/guerra-do-paraguai-o-plano-secreto-de-solano-lopez.phtml\">ataque de surpresa<\/a>. Mas o plano tinha muitos problemas. Para destruir a esquadra brasileira, ancorada perto de Corrientes, o l\u00edder paraguaio Solano L\u00f3pez juntou oito vapores da esquadra paraguaia \u2013 entre eles o navio brasileiro Marqu\u00eas de Olinda, tomado pelo inimigo meses antes \u2013 deveriam se aproximar dos brasileiros antes do amanhecer, com os motores desligados, pegando o inimigo de surpresa.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/mo2marqus.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Navio Marqu\u00ea de Olinda, roubada do Brasil pelo Paraguai \/ Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os paraguaios contavam com 2,8 mil homens e 36 canh\u00f5es a bordo, al\u00e9m das poderosas chatas (pequenos barcos carregando um canh\u00e3o, cada um), 30 canh\u00f5es e 3 mil soldados com fuzis escondidos no barranco da margem esquerda do rio Paran\u00e1.<\/p>\n<p>A ideia era se aproximar dos navios brasileiros a ponto de os tripulantes invadirem os barcos sem danific\u00e1-los para depois fazer deles uma arma paraguaia.<\/p>\n<p>Era uma estrat\u00e9gia criativa, mas que come\u00e7ou a dar errado desde o in\u00edcio. Os paraguaios cometeram erros b\u00e1sicos: esquecer de embarcar objetos essenciais, como cordas, ganchos e escadas. Mas o pior foi que um dos navios guaranis, o Ipor\u00e1, teve problemas na h\u00e9lice, e o ataque atrasou tr\u00eas horas.<\/p>\n<p>Em vez de adiar a batalha para o dia seguinte, Solano L\u00f3pez, num de seus muitos erros estrat\u00e9gicos, resolveu atacar assim mesmo, perdendo a escurid\u00e3o e a vantagem da surpresa. Outro problema \u00e9 que, seguindo a fama que o pa\u00eds teria s\u00e9culos depois, os navios de guerra eram falsificados: tratava-se de navios comerciais adaptados, muito mais fr\u00e1geis. Apesar disso, n\u00e3o foi uma batalha t\u00e3o f\u00e1cil para os brasileiros. Pelo contr\u00e1rio, foi dram\u00e1tica \u2013 e quase perdida em alguns momentos do combate.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/fragata_a_vapor_amazonas.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Fragata Amazonas, da frota brasileira \/ Cr\u00e9dito: Wikimedia commons<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0s 9 horas da manh\u00e3, num domingo de dia claro, os brasileiros avistaram as embarca\u00e7\u00f5es paraguaias se aproximando. Imediatamente, o navio Amazonas, que liderava a esquadra brasileira, levantou bandeiras sinalizadoras alertando inimigo \u00e0 vista e despertar fogo das m\u00e1quinas. Em 25 minutos, conseguiram chamar a tripula\u00e7\u00e3o que estava na margem, reunir a lenha, acender as fornalhas e tomar a ra\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, tradicional antes das batalhas para dar coragem aos soldados.<\/p>\n<p>Enquanto a popula\u00e7\u00e3o de Corrientes ia para a margem do rio assistir \u00e0 batalha, a esquadra guarani passou a pouco mais de 1 km dos navios brasileiros e abriu fogo. \u201cAs duas esquadras pareciam enormes serpentes\u201d, disse o almirante brasileiro In\u00e1cio da Fonseca. As duas armadas trocaram tiros.<\/p>\n<p>Os barcos paraguaios Jejuy, Ipor\u00e1 e Marqu\u00eas de Olinda foram atingidos, e a esquadra se refugiou um pouco mais abaixo do rio, na foz do Riachuelo. Atr\u00e1s deles, estava toda a artilharia paraguaia em terra.<\/p>\n<p>\u00c0s 10h50, os brasileiros conseguiram se mover e foram para cima dos paraguaios. O vapor Belmonte se adiantou. No Amazonas, logo atr\u00e1s, o almirante Barroso, comandante brasileiro, percebeu que podia se tratar de uma armadilha e resolveu deter seu navio para bloquear uma poss\u00edvel fuga paraguaia rio acima. A esquadra brasileira, por\u00e9m, ficou indecisa entre parar ou seguir rio abaixo. O resultado foi uma surra dada pela artilharia paraguaia.<\/p>\n<p>O Belmonte foi duramente atingido pelos canh\u00f5es instalados no barranco. Teve 22 rombos de um lado e 15 do outro, o que fez a \u00e1gua entrar violentamente no por\u00e3o. Para n\u00e3o afundar, foi at\u00e9 um banco de areia e encalhou. O mesmo aconteceu com o Jequitinhonha, que continuou sendo atingido pela artilharia mesmo encalhado. Em seu socorro, a canhoeira Parna\u00edba se aproximou, mas teve o leme despeda\u00e7ado pela artilharia inimiga. Ficou im\u00f3vel, indefesa frente a tr\u00eas navios paraguaios. Uma luta violenta, corpo a corpo, aconteceu no conv\u00e9s.<\/p>\n<p>\u201cOs paraguaios saltaram furiosos, com machados enormes, que cortavam um cabelo no ar e arrebentando as redes de abordagem\u201d, escreveu anos depois o capit\u00e3o italiano Antonio Valentino, que atuava como pr\u00e1tico do Parna\u00edba. \u201cA \u00e1gua do rio parecia ferver por causa das balas de canh\u00e3o e fuzil de todos os tamanhos que ca\u00edam nela fazendo um zumbido aterrador.\u201d Um dos soldados paraguaios tentou retirar a bandeira imperial do Parna\u00edba, mas foi morto por um brasileiro, tamb\u00e9m atingido fatalmente por um paraguaio.<\/p>\n<p>Os outros seis barcos brasileiros conseguiram completar a passagem pelas tropas inimigas com menos danos. Foi quando o almirante Barroso, ou seu pr\u00e1tico, o argentino Bernardo Guastavino, teve a id\u00e9ia de usar como arma n\u00e3o os canh\u00f5es, mas a sali\u00eancia de a\u00e7o de seu navio, que destruiria os barcos de madeira paraguaios.<\/p>\n<p>O Amazonas era o maior e mais potente navio, com 188 p\u00e9s e 462 tripulantes. Enquanto as artilharias trocavam tiros, ele se aproximou dos barcos que cercavam o Parna\u00edba e os atingiu com o casco.<\/p>\n<p>O estrondo foi enorme, e os barcos racharam com a batida. O capit\u00e3o Meza, comandante da frota paraguaia, caiu morto com um tiro de fuzil. Assustados com o contra-ataque, os outros navios paraguaios subiram o rio em debandada. A esquadra brasileira tinha conseguido controlar a a\u00e7\u00e3o paraguaia e reter quatro navios inimigos.<\/p>\n<figure class=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/uploads\/quiribibex10.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Esquema gr\u00e1fico do Vapor Pirabeb\u00e9, do Paraguai \/ Cr\u00e9dito: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos quatro navios apreendidos e mais de 2 mil mortos, a derrota em Riachuelo chegou aos ouvidos de Solano L\u00f3pez muito mais abrandada. Impulsivo e ditador, ele provocava terror entre os subordinados, que evitavam contar as m\u00e1s not\u00edcias.<\/p>\n<p>Solano ouviu deles que, \u201capesar de terem perdido quatro navios, os soldados se portaram como her\u00f3is\u201d. A derrota tamb\u00e9m era censurada nos jornais de Assun\u00e7\u00e3o, e a popula\u00e7\u00e3o, proibida de\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/almanaque\/historia-maes-seguiam-soldados-na-guerra-do-paraguai.phtml\">chorar a perda de filhos<\/a>\u00a0em p\u00fablico. Pior: todos eram convocados para ir a festas e bailes para manter o otimismo do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Atos her\u00f3icos, muitas vezes in\u00fateis, foram bem comuns em guerras do s\u00e9culo 19. Isso tamb\u00e9m aconteceu na<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/historia-guerra-do-paraguai-em-fotos-conheca-algumas-imagens-raras.phtml\">\u00a0Guerra do Paraguai<\/a> e na Batalha do Riachuelo. Um exemplo foi a morte do tenente Ezequiel Robles, que assumiu o comando paraguaio depois da morte de Meza.<\/p>\n<p>Atingido por um mastro que caiu, Robles teve um bra\u00e7o seriamente ferido. Depois, foi levado a bordo do Amazonas, onde recebeu aux\u00edlio m\u00e9dico e teve o bra\u00e7o amputado. Em vez de esperar o ferimento cicatrizar, ele arrancou os curativos, dizendo que preferia morrer a ser preso pelos brasileiros. Um dia depois, morreu mesmo.<\/p>\n<p>Com a Batalha de Riachuelo, o momento de ataque paraguaio tinha terminado. Tamb\u00e9m ficou sem mercadorias b\u00e1sicas, como roupas, papel e tinta para escrever. Restava ao Paraguai somente a defesa.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No combate naval ocorrido no Rio Paran\u00e1, com navios, canh\u00f5es e fuzis, os paraguaios tentaram encurralar os brasileiros, mas tiveram milhares de baixas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":351458,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-351457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/batalha-do-riachuelo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=351457"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/351457\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/351458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=351457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=351457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=351457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}