{"id":352927,"date":"2021-04-11T13:48:53","date_gmt":"2021-04-11T16:48:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=352927"},"modified":"2021-04-11T13:48:53","modified_gmt":"2021-04-11T16:48:53","slug":"a-vida-cheia-de-misterio-de-heitor-villa-lobos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-vida-cheia-de-misterio-de-heitor-villa-lobos\/","title":{"rendered":"A vida cheia de mist\u00e9rio de Heitor Villa-Lobos"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<p class=\"lead\"><strong>At\u00e9 hoje, estudiosos n\u00e3o chegaram a um acordo sobre o que \u00e9 verdade e o que \u00e9 mito sobre a vida de Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro<\/strong><\/p>\n<div class=\"addthis_inline_share_toolbox\" data-url=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/villa-lobos-misterio.phtml\" data-title=\"A vida cheia de mist\u00e9rios de Heitor Villa-Lobos\" data-description=\"At\u00e9 hoje, estudiosos n\u00e3o chegaram a um acordo sobre o que \u00e9 verdade e o que \u00e9 mito sobre a vida de Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro\">\n<div id=\"atstbx\" class=\"at-resp-share-element at-style-responsive addthis-smartlayers addthis-animated at4-show\" role=\"region\" aria-labelledby=\"at-b5915524-9cc2-4e6b-a058-2b1f27176e1e\"><span id=\"at-b5915524-9cc2-4e6b-a058-2b1f27176e1e\" class=\"at4-visually-hidden\"><\/span><\/p>\n<div class=\"at-share-btn-elements\"><span class=\"at4-share-count-container\">Jeanne Callegari<\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"img-lead\"><img decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/legacy\/2018\/11\/14\/heitor-villa-lobos-1115017_widelg.jpg\" alt=\"O compositor Heitor Villa-Lobos\" \/><figcaption>O compositor Heitor Villa-Lobos &#8211; Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p>Heitor Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro da hist\u00f3ria, morreu h\u00e1 exatos 59 anos. Muito j\u00e1 foi escrito, ouvido e comentado a seu respeito. O que intriga, por\u00e9m, \u00e9 o que n\u00e3o foi dito: mais de um s\u00e9culo ap\u00f3s seu nascimento, a vida do g\u00eanio continua cercada de um tanto de mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar pelas famosas viagens que o maestro fez pelo interior do Brasil \u2013 de onde tirou inspira\u00e7\u00e3o para desenvolver o nacionalismo presente em sua m\u00fasica, tra\u00e7o pelo qual ficou t\u00e3o conhecido. Parece ter havido certo exagero dele ao relatar suas expedi\u00e7\u00f5es pelos rinc\u00f5es do pa\u00eds. \u201cS\u00f3 a primeira viagem \u00e0 Amaz\u00f4nia, de 1911, est\u00e1 confirmada. Villa estava com uma companhia de operetas como violoncelista. As demais s\u00e3o duvidosas e tudo indica que ele personalizou aventuras contadas por seu cunhado, que trabalhou no projeto Rondon\u201d, diz Vasco Mariz, music\u00f3logo e diplomata, autor do livro Villa-Lobos \u2013 O Homem e a Obra.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, as pesquisas de Vasco Mariz solucionaram um dos epis\u00f3dios mais m\u00edticos da vida do maestro. Corria que ele havia inventado para a imprensa francesa, em 1929, uma hist\u00f3ria de que teria sido seq\u00fcestrado por \u00edndios canibais brasileiros e s\u00f3 escapara da panela por causa de sua m\u00fasica. Na verdade, diz Mariz, quem inventou a hist\u00f3ria foi uma amiga dele, a poetisa francesa Lucie Delarue Mardus, que a publicou na revista Instransigeant. E conseguiu o que queria: fazer lotar o concerto do m\u00fasico.<\/p>\n<p>Se, por\u00e9m, algumas de suas viagens e hist\u00f3rias foram romanceadas, as pesquisas que fez dos sons da natureza, do folclore e da m\u00fasica popular foram, de fato, fundamentais para sua obra. \u201cVilla-Lobos introduziu os sons do Brasil na m\u00fasica, assim como Guimar\u00e3es Rosa introduziu em sua escrita o falar das Gerais\u201d, diz Maria Maia, autora de Villa-Lobos \u2013 Alma Brasileira. Para o maestro, as ousadias formais e as inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que introduziu eram n\u00e3o resultado de um modismo, mas a melhor maneira de retratar a exuber\u00e2ncia da natureza e do povo brasileiro. Antes dele, era considerado desprez\u00edvel aproveitar o folclore na m\u00fasica erudita brasileira, segundo Vasco Mariz.<\/p>\n<p>Nascido no Rio de Janeiro, Villa-Lobos aprendeu violoncelo e clarinete com o pai, que tocava em grupos amadores de m\u00fasica cl\u00e1ssica. Em viagem pelo interior de Minas, onde a fam\u00edlia morou quando tinha 6 anos, o menino aprendeu a gostar da m\u00fasica rural, sertaneja, e seu interesse aumentou ao observar o choro dos bares cariocas. Para tocar aquelas can\u00e7\u00f5es, Villa-Lobos resolveu aprender viol\u00e3o, mas teve que estudar escondido: os pais n\u00e3o aprovavam seu envolvimento com a m\u00fasica popular da boemia carioca. Era dotado de um ouvido musical privilegiado. Conseguia, por exemplo, compor, ouvir r\u00e1dio e conversar, tudo ao mesmo tempo. E chamava esse dom de \u201couvido profundo\u201d.<\/p>\n<p>Depois das viagens que fez ao interior, Villa-Lobos come\u00e7ou a incorporar os elementos nacionais \u00e0s suas composi\u00e7\u00f5es. O sentimento nacionalista se fortaleceu ainda mais durante a Semana de Arte Moderna de 1922, de que participou ativamente \u2013 detalhe: de terno e chinelo de dedo, por causa de uma crise de \u00e1cido \u00farico nos dedos do p\u00e9.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, o sotaque brasileiro de sua obra ficou cada vez mais n\u00edtido. Comparado aos maiores nomes da hist\u00f3ria, como Wagner, Bach e Chopin, o brasileiro foi, e continua sendo, um dos compositores contempor\u00e2neos mais gravados l\u00e1 fora. Ironicamente, quanto mais nacional sua arte ficava, mais se universalizava e conquistava o mundo. Como \u00e9 t\u00edpico dos g\u00eanios.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 hoje, estudiosos n\u00e3o chegaram a um acordo sobre o que \u00e9 verdade e o que \u00e9 mito sobre a vida de Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":352928,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-352927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/villa-lobos.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=352927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/352927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/352928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=352927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=352927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=352927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}