{"id":353271,"date":"2021-04-15T05:46:23","date_gmt":"2021-04-15T08:46:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=353271"},"modified":"2021-04-15T05:46:23","modified_gmt":"2021-04-15T08:46:23","slug":"a-luta-de-um-homem-negro-pela-liberdade-entre-caribe-brasil-africa-e-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-luta-de-um-homem-negro-pela-liberdade-entre-caribe-brasil-africa-e-europa\/","title":{"rendered":"A luta de um homem negro pela liberdade entre Caribe, Brasil, \u00c1frica e Europa"},"content":{"rendered":"<div class=\"bbc-1151pbn e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h1 id=\"content\" class=\"bbc-1lsgtu3 e1yj3cbb0\" tabindex=\"-1\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"e1j2237y6 bbc-q4ibpr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1atl7vu e1c9i7u14\">\n<p><strong>Juliana Sayuri<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"e1j2237y7 bbc-q4ibpr e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<div class=\"bbc-1ka88fa e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-189y18v e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1k5hvrj e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\"><img decoding=\"async\" class=\"bbc-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/10800\/production\/_117848576_gettyimages-1204448486.jpg 800w\" alt=\"Escravid\u00e3o\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">Historiadores v\u00eam tentando resgatar a trajet\u00f3ria de pessoas negras escravizadas na \u00e9poca colonial a partir de um amplo leque de documentos da \u00e9poca<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\"><b>Em 1739, Jo\u00e3o Jos\u00e9 registrou um requerimento ao Rei Dom Jo\u00e3o 5\u00ba, de Portugal, reivindicando sua liberdade.<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Foi a culmina\u00e7\u00e3o de uma saga: Jo\u00e3o Jos\u00e9, um homem negro, nascido livre, feito prisioneiro e depois escravizado, \u00e0quela altura teria cruzado o Atl\u00e2ntico duas vezes, de Havana (capital da atual Cuba) a S\u00e3o Tom\u00e9 (maior ilha de S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, na \u00c1frica), do Rio de Janeiro a Londres, at\u00e9 protocolar seu pedido de liberdade em Lisboa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Diz Jo\u00e3o Jos\u00e9, homem preto que nascendo livre de pais ing\u00eanuos na cidade de Sam Christov\u00e3o de La Habana Indiaz de Espanha, e servindo nas naus de S. Majestade cat\u00f3lica foi aprisionado por hum navio ingl\u00eas, com os quais navegou alguns tempos, at\u00e9 que indo em outra embarca\u00e7\u00e3o arribado a Ilha de S. Tom\u00e9 conquista deste Reino, fugiu o suplicante [&#8230;]&#8221;, diz um trecho da a\u00e7\u00e3o judicial, que est\u00e1 no Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino de Portugal.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Ing\u00eanuos&#8221; era a express\u00e3o da \u00e9poca para se referir a filhos de escravos que nasceram livres. Jo\u00e3o Jos\u00e9 era filhos de pais livres, mas pobres em Havana, principal porto dos colonizadores espanh\u00f3is no s\u00e9culo 18. Trabalhava como subalterno nas naus do porto, at\u00e9 que foi aprisionado por um navio ingl\u00eas em alto mar, segundo o documento. Teria trabalhado na nova embarca\u00e7\u00e3o por um tempo at\u00e9 aportar na ilha de S\u00e3o Tom\u00e9, col\u00f4nia portuguesa na costa africana.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">L\u00e1, Jos\u00e9 conseguiu fugir, mas, quando foi encontrado pelos portugueses n\u00e3o portava nenhum documento que atestasse sua liberdade (o que era exigido a pessoas negras na \u00e9poca), o que o levou a ser preso novamente. Ap\u00f3s passar meses na pris\u00e3o, ele foi vendido como escravo ao vig\u00e1rio-geral Manoel Luiz Coelho, um posto que \u00e9 indicado pelo bispo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Tempos depois, Coelho alforriou Jos\u00e9 (o que n\u00e3o era incomum de religiosos cat\u00f3licos portugueses) e o levou consigo para o\u00a0<a class=\"bbc-n8oauk e1cs6q200\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c06gq6krk66t\">Rio de Janeiro<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Jos\u00e9 era um homem livre de novo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ek1plzs1 bbc-9m7iam e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-rprdln e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-su4vll e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\">\n<div class=\"lazyload-wrapper \"><img decoding=\"async\" class=\"css-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/154DA\/production\/_117885278_docescravidao.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/154DA\/production\/_117885278_docescravidao.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/154DA\/production\/_117885278_docescravidao.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/154DA\/production\/_117885278_docescravidao.jpg 480w\" alt=\"Documento do Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino de Portugal\" width=\"480\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">Documento em que Jo\u00e3o Jos\u00e9 reivindica sua liberdade<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No Rio, Coelho morreu e Jos\u00e9 assumiria sua casa. Entretanto, a ideia n\u00e3o agradou o irm\u00e3o do vig\u00e1rio-geral, o c\u00f4nego Domingos Lu\u00eds Coelho \u2014 um homem que, nas palavras de Jos\u00e9, era &#8220;cheio de ambi\u00e7\u00e3o e de pouco temor de Deus&#8221;, tomou sua carta de alforria e pediu sua pris\u00e3o ao governador da ilha de S\u00e3o Tom\u00e9, D. Jos\u00e9 Caetano Souto Maior. O pedido foi atendido e Jos\u00e9 foi preso com grilh\u00f5es nos p\u00e9s e no pesco\u00e7o, maltratado e mais uma vez vendido como escravo \u2014 desta vez, a um capit\u00e3o franc\u00eas, que o levou \u00e0 Europa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">L\u00e1, Jos\u00e9 fugiu &#8220;de porto em porto&#8221;, passando por Londres at\u00e9 Lisboa, segundo seu relato ao Rei Dom Jo\u00e3o 5\u00ba, a quem pede piedade, liberdade e indeniza\u00e7\u00e3o pelas inj\u00farias passadas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Porque ao suplicante se tem feito na Ilha de S\u00e3o Tom\u00e9 tantas inj\u00farias vendendo-o por duas vezes; e usurpando-lhe o que tinha metendo-o em pris\u00f5es p\u00fablicas e privadas [&#8230;] recorre a piedade e clem\u00eancia de Vossa Majestade que n\u00e3o consente estes insultos de seus vassalos para que se digne mandar passar ordem ao governador e Justi\u00e7a da Ilha de S\u00e3o Tom\u00e9 porque sendo verdade o referido constando certamente ser\u00e1 o suplicante livre [e] lhe fa\u00e7am restituir todos os seus bens, e ressarcir seus danos e inj\u00farias deixando-o usar de sua liberdade que sempre teve [&#8230;]&#8221;, diz o documento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Que odisseia&#8221;, pensou o historiador brasileiro Rodrigo de Aguiar Amaral, ao descobrir o documento, um dos 97 registros da caixa 7 da s\u00e9rie sobre S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe dos arquivos do Conselho Ultramarino de 1530 a 1833.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;H\u00e1 muitos casos interessantes nos arquivos. Temos acesso a relatos como este pois, durante suas trajet\u00f3rias, os autores conheceram algu\u00e9m com dom\u00ednio da escrita e das leis e passaram os depoimentos para o papel para mandar para o rei&#8221;, diz Amaral, que no doutorado passou uma temporada de pesquisa junto \u00e0 Universidade T\u00e9cnica de Lisboa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O mais extraordin\u00e1rio \u00e9 que o documento sobreviveu ao tempo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Trajet\u00f3rias-extraordin\u00e1rias\" class=\"bbc-l3e97o e14hemmw0\" tabindex=\"-1\">Trajet\u00f3rias extraordin\u00e1rias<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A partir de documentos como peti\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es de liberdade, cartas de alforria, interrogat\u00f3rios, processos criminais, invent\u00e1rios e testamentos, historiadores v\u00eam tentando resgatar a trajet\u00f3ria de pessoas negras escravizadas na \u00e9poca colonial.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;\u00c9 como montar um quebra-cabe\u00e7a de muitas pe\u00e7as perdidas&#8221;, define Amaral, que transcreveu e destacou o caso de Jo\u00e3o Jos\u00e9 (um &#8220;andarilho cubano&#8221;, segundo sua express\u00e3o) na sua tese de doutorado defendida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 2010, e publicada no livro\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Cativeiro, desigualdade e brutalidade: uma hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es sociais entre elite e subalternos no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (c.1750-c.1850)<\/i>\u00a0(editora Autografia, 2018).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">A busca desses vest\u00edgios vem se desenrolando desde a d\u00e9cada de 1980, quando historiadores passaram a olhar para os ditos grupos subalternos com outros olhos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Escravos, forros, livres pobres, camponeses, mulheres e trabalhadores eram vistos como coisas, n\u00e3o pessoas. Passaram a ser considerados atores sociais, sujeitos hist\u00f3ricos&#8221;, acrescenta o historiador, atualmente professor do Centro Universit\u00e1rio UniCBE, no Rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">\u00c9 dif\u00edcil precisar qu\u00e3o comum ou incomum foram trajet\u00f3rias transatl\u00e2nticas como a de Jo\u00e3o Jos\u00e9, marcada por per\u00edodos de liberdade, pris\u00f5es e epis\u00f3dios de escravid\u00e3o. Mas \u00e9 certo dizer que era muito presente o medo de ser reescravizado devido \u00e0 cor da pele, no Brasil e em outras sociedades escravistas &#8211; &#8220;basta lembrar da hist\u00f3ria de Solomon Northup&#8221;, exemplifica o historiador brasileiro Thiago Krause, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) e um dos autores de\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Brazil-Africa Relations in the 21st Century<\/i>\u00a0(editora Springer, 2021).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Northup (1808-1863), um afro-americano nascido livre no Estado de Nova York, foi sequestrado por mercadores de escravos e passou doze anos torturado por seus senhores no Estado de Louisiana. Ap\u00f3s reconquistar sua liberdade, escreveu e publicou o livro de mem\u00f3rias\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Doze anos de escravid\u00e3o<\/i>, em 1863, que se tornou filme em 2013.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-1ka88fa e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-189y18v e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1k5hvrj e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\">\n<div class=\"lazyload-wrapper \"><img decoding=\"async\" class=\"css-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/0226\/production\/_117305500_thiagokrause-arquivopessoal.jpg 800w\" alt=\"Foto de Krause em frente a estante de livros\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">&#8216;O estudo de trajet\u00f3rias individuais tem sido uma estrat\u00e9gia recorrente na historiografia&#8217;, explica Thiago Krause<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Krause lembra que quest\u00f5es importantes muitas vezes n\u00e3o podem ser respondidas (ou quantificadas) por historiadores devido \u00e0 aus\u00eancia de documentos para ancor\u00e1-las.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Nesse contexto, o estudo de trajet\u00f3rias individuais tem sido uma estrat\u00e9gia recorrente na historiografia. N\u00e3o se trata de investigar uma pessoa por sua import\u00e2ncia intr\u00ednseca, mas de, atrav\u00e9s de um &#8216;causo&#8217; como esse, refletir sobre tem\u00e1ticas mais amplas&#8221;, diz o acad\u00eamico, que recentemente divulgou o link do documento do Arquivo Hist\u00f3rico Ultramarino, no Twitter.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Esses casos t\u00eam, portanto, duas fun\u00e7\u00f5es: uma heur\u00edstica, ao usar uma documenta\u00e7\u00e3o excepcional (como a peti\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Jos\u00e9) para explorar quest\u00f5es mais gerais que usualmente n\u00e3o ficam registradas na documenta\u00e7\u00e3o; a outra de comunica\u00e7\u00e3o, pois narrativas pessoais podem ser apreendidas com mais facilidade pelos leitores, pois \u00e9 mais f\u00e1cil desenvolver empatia por indiv\u00edduos do que por grupos abstratos&#8221;, pondera.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">N\u00e3o se sabe, por exemplo, as datas exatas em que Jos\u00e9 viveu em Havana ou passou por S\u00e3o Tom\u00e9, Rio e Londres at\u00e9 bater \u00e0 porta da corte de Lisboa, em 1739. Sabe-se, por\u00e9m, que Havana era parada importante para as frotas que levavam prata e ouro da Am\u00e9rica espanhola para a Espanha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"De-Havana-a-S\u00e3o-Tom\u00e9\" class=\"bbc-l3e97o e14hemmw0\" tabindex=\"-1\">De Havana a S\u00e3o Tom\u00e9<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Desde o s\u00e9culo 16, Havana era um porto estrat\u00e9gico nas Am\u00e9ricas. Cuba, a ilha no mar do Caribe, era &#8220;a art\u00e9ria por onde passava o fluxo de riquezas para cruzar o Atl\u00e2ntico rumo \u00e0 Espanha&#8221;, define a historiadora americana Elena Schneider, professora da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley e autora de\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">The Occupation of Havana<\/i>\u00a0(editora UNC Press, 2018). No porto trabalhavam muitos homens negros, nascidos livres, como militares e marinheiros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Havana era base naval e o maior estaleiro ent\u00e3o. Navios de diversas partes passavam por l\u00e1 para serem consertados e abastecidos antes de cruzar o oceano, o que tornava a cidade um alvo de ataques de contrabandistas, cors\u00e1rios e piratas, principalmente ingleses. Entre 1739 e 1748 enfrentaram-se frotas e tropas coloniais da Gr\u00e3-Bretanha e da Espanha no Caribe. Em 1762, os brit\u00e2nicos invadiram e ocuparam Havana.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"ek1plzs1 bbc-9m7iam e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-rprdln e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-qayaa1 e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\">\n<div class=\"lazyload-wrapper \"><img decoding=\"async\" class=\"css-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/12F10\/production\/_117848577_gettyimages-1023489620.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/12F10\/production\/_117848577_gettyimages-1023489620.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/12F10\/production\/_117848577_gettyimages-1023489620.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/419\/cpsprodpb\/12F10\/production\/_117848577_gettyimages-1023489620.jpg 419w\" alt=\"Solomon Northup\" width=\"419\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">Solomon Northup, afro-americano nascido livre em Nova York, foi sequestrado por mercadores de escravos e passou doze anos torturado por seus senhores na Louisiana; \u00e9 dele a hist\u00f3ria de &#8217;12 Anos de Escravid\u00e3o&#8217;<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-vx18wi e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Tanto Gr\u00e3-Bretanha quanto Espanha recrutavam milhares de marinheiros de ascend\u00eancia africana para lutar na linha de frente.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;Nesses conflitos, se fossem capturados por inimigos, marinheiros negros n\u00e3o eram tratados como prisioneiros de guerra. Eram escravizados e, mesmo que portassem documentos, era improv\u00e1vel que fossem reconhecidos ou legitimados como livres&#8221;, diz Schneider. Um documento de 1745, por exemplo, registra reclama\u00e7\u00f5es da Coroa espanhola contra a captura de seus soldados e marinheiros &#8220;de color quebrado&#8221; de Cuba por navios brit\u00e2nicos e vendidos como escravos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No s\u00e9culo 18, pessoas de ascend\u00eancia africana eram metade da popula\u00e7\u00e3o de Havana, entre negros (&#8220;morenos&#8221;, em espanhol, na \u00e9poca), mulatos (&#8220;pardos&#8221;, em espanhol), &#8220;criollos&#8221; (de origem africana, nascidos em Cuba), livres e escravos. &#8220;Esse era o mundo onde Jo\u00e3o Jos\u00e9 nasceu e viveu.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Devido ao conflito, \u00e9 poss\u00edvel compreender a presen\u00e7a de brit\u00e2nicos na hist\u00f3ria de Jos\u00e9. Desembarcar em S\u00e3o Tom\u00e9, entretanto, lhe traria outro contexto. Dominada pelos portugueses, a ilha se tornou no in\u00edcio do s\u00e9culo 16 um produtor importante de a\u00e7\u00facar, ancorado no trabalho de africanos escravizados &#8211; o que se tornaria um tipo de modelo para as planta\u00e7\u00f5es a\u00e7ucareiras que depois se desenvolveriam no litoral da Am\u00e9rica portuguesa. Em 1757, negros escravos e &#8220;forros&#8221; (libertos) eram 99% da popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Tom\u00e9: a cada 10 habitantes, 1 era considerado branco, 7 eram escravos negros e os demais eram livres ou rec\u00e9m-libertos, destaca o livro de Rodrigo de Aguiar Amaral, da UniCBE.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O caso de Jos\u00e9 indica hierarquia e ilustra estrat\u00e9gias das rela\u00e7\u00f5es dentro dessa estrutura de escravid\u00e3o. Ele foi arrematado por um vig\u00e1rio, que lhe concedeu alforria &#8211; muitos senhores prometiam, e muitas vezes cumpriam, dar liberdade a seus escravos, como um tipo de negocia\u00e7\u00e3o, o que fortalecia um v\u00ednculo entre eles&#8221;, analisa Amaral. &#8220;Depois de passar pelo Rio e das demais reviravoltas, ele n\u00e3o pediu piedade a qualquer um, mas foi direto ao rei de Portugal, no topo da hierarquia, algu\u00e9m que poderia ordenar, e ser obedecido, pelos demais: o governador de S\u00e3o Tom\u00e9, o ouvidor e, por fim, o irm\u00e3o do vig\u00e1rio para libert\u00e1-lo.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-1ka88fa e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-189y18v e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1k5hvrj e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\">\n<div class=\"lazyload-wrapper \"><img decoding=\"async\" class=\"css-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/D675\/production\/_113610945_mediaitem113610944.jpg 800w\" alt=\"Mais de 12 milh\u00f5es de africanos foram transportados \u00e0 for\u00e7a de um lado ao outro do Atl\u00e2ntico para trabalhar como escravos nas Am\u00e9ricas\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">Mais de 12 milh\u00f5es de africanos foram transportados \u00e0 for\u00e7a de um lado ao outro do Atl\u00e2ntico para trabalhar como escravos nas Am\u00e9ricas<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Do-Rio-a-Lisboa\" class=\"bbc-l3e97o e14hemmw0\" tabindex=\"-1\">Do Rio a Lisboa<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">No s\u00e9culo 18, o Rio de Janeiro vivia dias de crescimento econ\u00f4mico e demogr\u00e1fico, come\u00e7ando a ultrapassar Salvador como principal possess\u00e3o ultramarina portuguesa. &#8220;O aumento do tr\u00e1fico de africanos escravizados e o desenvolvimento urbano tinham ampliado muito o n\u00famero de cativos, que provavelmente perfaziam cerca de metade da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, assinala Thiago Krause, da Unirio. Na \u00e9poca, tamb\u00e9m se ampliava a concess\u00e3o de alforrias, o que fez aumentar o n\u00famero de homens livres &#8220;de cor&#8221; na cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;O Rio tinha poucas conex\u00f5es com S\u00e3o Tom\u00e9 e contatos praticamente inexistentes com Cuba, pois o regime dos ventos, a falta de complementaridade econ\u00f4mica e as restri\u00e7\u00f5es mercantilistas limitariam sobremaneira esses contatos. Assim, \u00e9 prov\u00e1vel que o caso de Jo\u00e3o Jos\u00e9 tenha sido \u00fanico&#8221;, acrescenta Krause, coautor de\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">A Am\u00e9rica portuguesa e os sistemas atl\u00e2nticos na \u00e9poca moderna<\/i>\u00a0(editora FGV, 2013).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Na \u00e9poca, franceses frequentavam o litoral do Rio de Janeiro, de olho no contrabando. Em 1711, por exemplo, uma esquadra francesa invadiu a ba\u00eda de Guanabara, destruiu navios portugueses e tomou a cidade como &#8220;ref\u00e9m&#8221; por meses, s\u00f3 a liberando ap\u00f3s receber o pagamento de um resgate em dinheiro, caixas de a\u00e7\u00facar e bois.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Levado pelos franceses, Jos\u00e9 teria passado por diferentes portos europeus at\u00e9 chegar a Lisboa, onde fez, finalmente, seu requerimento \u00e0 Coroa portuguesa. Livros como\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Em defesa da liberdade\u00a0<\/i>(editora Fino Tra\u00e7o, 2018), de Fernanda Domingos Pinheiro, e\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 ewc4zcb0\">Liberata, a lei da ambiguidade<\/i>\u00a0(Relume Dumar\u00e1, 1994), de Keila Grinberg, tratam de a\u00e7\u00f5es de liberdade reivindicadas por escravos e libertos nos s\u00e9culos 18 e 19. N\u00e3o era incomum, portanto, levar a causa \u00e0s autoridades da \u00e9poca &#8211; e, \u00e0s vezes, os autores eram bem-sucedidos nas suas demandas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-1ka88fa e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<figure class=\"bbc-1qdcvv9 e6bmn90\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-189y18v e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-1k5hvrj e1whu0\" data-e2e=\"image-placeholder\">\n<div class=\"lazyload-wrapper \"><img decoding=\"async\" class=\"css-fat2bc e1enwo3v0\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/640\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg\" srcset=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/240\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg 240w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/320\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg 320w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/480\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg 480w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg 624w, https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/800\/cpsprodpb\/5046\/production\/_117305502_elenaschneider.jpg 800w\" alt=\"Retrato de Elena Schneider em est\u00fadio; ela aparece sorrindo\" width=\"976\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"bbc-1t9zlwf eede9f50\" dir=\"ltr\">Elena Schneider trabalha em projeto que reconstroi narrativas de pessoas que foram escravizadas e\/ou fugiram ou reivindicaram sua liberdade e seus direitos<\/p>\n<\/figcaption><div class=\"bbc-172p16q e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<div class=\"bbc-3edg7g e57qer20\" dir=\"ltr\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Narrativas-de-liberdade\" class=\"bbc-l3e97o e14hemmw0\" tabindex=\"-1\">Narrativas de liberdade<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Para Elena Schneider, de Berkeley, \u00e9 importante dar visibilidade a tais trajet\u00f3rias.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">&#8220;S\u00e3o milhares de an\u00f4nimos, escravizados, torturados. Pessoas sistematicamente silenciadas que, quando tiveram a oportunidade de contar sua hist\u00f3ria de vida, elas contaram. O registro ficou. Devemos escavar esses arquivos para tornar essas hist\u00f3rias conhecidas&#8221;, diz a historiadora, que atualmente est\u00e1 trabalhando em um projeto intitulado &#8220;Freedom Narratives&#8221;, que busca reconstruir e analisar narrativas de pessoas que foram escravizadas e\/ou fugiram ou reivindicaram sua liberdade e seus direitos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Uma delas \u00e9 a de Antonio de Soledad, um soldado negro que, depois de lutar por Havana e receber medalhas como um her\u00f3i de guerra, passou a ser maltratado na ilha, que caminhava para um acirramento do tr\u00e1fico negreiro com o boom do a\u00e7\u00facar no in\u00edcio do s\u00e9culo 19. Soledad escreveu uma carta de protesto, assinada junto a outros soldados negros, e a encaminhou para a Coroa espanhola, em 1789.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">Outra \u00e9 a de Antonio de Flores, um carpinteiro mulato, que tamb\u00e9m lutou para defender Havana, era livre e viu seus filhos impedidos de estudar, pois n\u00e3o era permitido para crian\u00e7as &#8220;de cor&#8221;. Em 1759, Flores escreveu \u00e0 Espanha para pedir que eles pudessem ingressar na universidade para poderem buscar as profiss\u00f5es que quisessem no futuro. O pedido foi negado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">N\u00e3o se sabe, por\u00e9m, o desfecho do caso de Jos\u00e9, nem sequer se viveu seus \u00faltimos dias em Lisboa ou se voltou a Havana. Rodrigo de Aguiar Amaral considera que, se seu pedido n\u00e3o foi atendido pelas vias legais, o destino mais prov\u00e1vel de Jos\u00e9 seria fugir e\/ou tentar assassinar seu senhor, n\u00e3o necessariamente nessa ordem. &#8220;Atos de rebeldia e viol\u00eancia desse tipo eram o extremo, o \u00faltimo recurso.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr e57qer20\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-bm53ic e1cc2ql70\" dir=\"ltr\">J\u00e1 Thiago Krause pondera que, considerando que n\u00e3o era incomum a Coroa aceitar esse tipo de peti\u00e7\u00e3o extrajudicial, talvez Jos\u00e9 tenha obtido sua liberdade. &#8220;A imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o historiador.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadores v\u00eam tentando resgatar a trajet\u00f3ria de pessoas negras escravizadas na \u00e9poca colonial a partir de um amplo leque de documentos da \u00e9poca<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":353272,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-353271","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/escravos-amarrados.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353271","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=353271"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353271\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/353272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=353271"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=353271"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=353271"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}