{"id":353437,"date":"2021-04-17T09:45:45","date_gmt":"2021-04-17T12:45:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=353437"},"modified":"2021-04-17T09:45:45","modified_gmt":"2021-04-17T12:45:45","slug":"por-que-brasil-vacinou-88-mi-em-3-meses-contra-h1n1-e-agora-patina-contra-covid","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-brasil-vacinou-88-mi-em-3-meses-contra-h1n1-e-agora-patina-contra-covid\/","title":{"rendered":"Por que Brasil vacinou 88 mi em 3 meses contra H1N1 e agora patina contra Covid"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">Pa\u00eds foi exemplo a ser seguido na imuniza\u00e7\u00e3o durante a \u00faltima pandemia, mas falta de vacinas causada por erros do governo federal nos colocam em uma situa\u00e7\u00e3o bastante diferente desta vez<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<p>Por\u00a0<span id=\"authors-box\"><strong>BBC News Brasil<\/strong><\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Por que Brasil vacinou 88 milh\u00f5es em 3 meses contra H1N1 e agora patina contra covid-19\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/04\/a3\/at\/04a3attot056y6km5i13qfhlc.jpg\" alt=\"Por que Brasil vacinou 88 milh\u00f5es em 3 meses contra H1N1 e agora patina contra covid-19\" width=\"652\" height=\"408\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Reprodu\u00e7\u00e3o: BBC News Brasil<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">Por que Brasil vacinou 88 milh\u00f5es em 3 meses contra H1N1 e agora patina contra covid-19<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil virou um exemplo a ser seguido na pandemia. O pa\u00eds superou sua meta e\u00a0<strong>vacinou mais de 88 milh\u00f5es<\/strong>\u00a0de pessoas.<\/p>\n<p>Quando a campanha come\u00e7ou, a maioria das doses necess\u00e1rias j\u00e1 estavam nas m\u00e3os do governo federal, que tinha desde o ano anterior acordos para a compra de tr\u00eas imunizantes.<\/p>\n<p>O governo tamb\u00e9m lan\u00e7ou uma campanha contra os boatos que colocavam em xeque a efic\u00e1cia e a seguran\u00e7a das vacinas.<\/p>\n<p>O resultado: mais de 45% dos habitantes j\u00e1 est\u00e3o imunizados. Nenhum lugar do mundo vacinou tanto quanto aqui.<\/p>\n<p>Essa era a situa\u00e7\u00e3o do Brasil em junho de 2010, tr\u00eas meses depois do come\u00e7o da campanha de imuniza\u00e7\u00e3o contra a gripe su\u00edna, doen\u00e7a causada por uma variante do\u00a0<strong>v\u00edrus H1N1<\/strong>\u00a0que causou uma crise global.<\/p>\n<p>O Brasil chega agora, na luta contra a covid-19, \u00e0 mesma marca dos tr\u00eas meses de vacina\u00e7\u00e3o, mas em uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente.<\/p>\n<p>Pouco mais de 25 milh\u00f5es de pessoas, cerca de 12% da popula\u00e7\u00e3o, receberam ao menos uma dose desde 17 de janeiro, e s\u00f3 8,5 milh\u00f5es, em torno de 4%, tomaram as duas doses necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;A gente continua a ser um exemplo, s\u00f3 que o pior e n\u00e3o mais o melhor como a gente j\u00e1 foi&#8221;, diz Cristina Bonorino, integrante do comit\u00ea cient\u00edfico da Sociedade Brasileira de Imunologia.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/0332\/production\/_118081800_a901b556-3961-4e87-8f77-ffb45e7bd9c9.jpg\" alt=\"Pessoa \u00e9 vacinada contra covid-19\" \/><\/p>\n<footer>EPA<\/footer><figcaption>Pouco mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o foi vacinada contra a covid-19 at\u00e9 agora<\/figcaption><\/figure>\n<p>A pesquisadora diz que essa diferen\u00e7a \u00e9 por causa da falta de vacinas. &#8220;Se n\u00e3o fosse por isso, certamente n\u00e3o estar\u00edamos onde estamos hoje&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es, acha a mesma coisa. &#8220;\u00c9 o \u00fanico limitador&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Ele acredita que hoje mais gente poderia estar vacinada a essa altura do que h\u00e1 dez anos, porque a covid-19 \u00e9 uma doen\u00e7a mais perigosa que a gripe su\u00edna.<\/p>\n<p>&#8220;O que move as pessoas \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de risco. Teria filas e filas, pessoas estariam sendo vacinadas 24 horas por dia. Mas estamos em uma campanha de vacina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem vacina.&#8221;<\/p>\n<p>A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou a campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra H1N1 e esteve \u00e0 frente do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00e3o entre 2011 e 2019, diz que a campanha atual \u00e9 mais complexa.<\/p>\n<p>Isso porque as vacinas hoje s\u00e3o aplicadas em duas doses, em vez de uma como a para H1N1, e os imunizantes t\u00eam regimes diferentes de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas ela acredita que o pa\u00eds tinha o potencial de estar em uma posi\u00e7\u00e3o melhor, porque a popula\u00e7\u00e3o quer se vacinar e toda a estrutura estava pronta para essa campanha.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 lament\u00e1vel. Temos um programa que \u00e9 refer\u00eancia, mas estamos na rabeira mundial, junto com pa\u00edses que n\u00e3o t\u00eam a menor capacidade de fazer vacina\u00e7\u00e3o por causa de quest\u00f5es pol\u00edtica e erros estrat\u00e9gicos que levaram \u00e0 escassez de vacinas&#8221;, diz Domingues.<\/p>\n<h3>Os erros do governo Bolsonaro<\/h3>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/5152\/production\/_118081802_82d36ca3-8dc4-4e01-b2e2-5239c732278b.jpg\" alt=\"Rosto de Jair Bolsonaro\" \/><\/p>\n<footer>Reuters<\/footer><figcaption>Presidente questionou diversas vezes efic\u00e1cia e seguran\u00e7a das vacinas<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os tr\u00eas especialistas ouvidos pela BBC News Brasil tamb\u00e9m concordam neste outro ponto: a falta de vacinas \u00e9 uma consequ\u00eancia de decis\u00f5es do governo de Jair Bolsonaro (sem partido).<\/p>\n<p>O governo brasileiro apostou por muito tempo em um \u00fanico imunizante, o da farmac\u00eautica AstraZeneca, que foi desenvolvido em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido.<\/p>\n<p>Bolsonaro se recusou a comprar doses da CoronaVac, vacina criada pela chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, em meio a uma disputa pol\u00edtica com o governador paulista, Jo\u00e3o Doria (PSDB).<\/p>\n<p>O instituto, ligado ao governo de S\u00e3o Paulo, diz que ofereceu em julho do ano passado 160 milh\u00f5es de doses, mas n\u00e3o teve resposta.<\/p>\n<p>O presidente inclusive desautorizou o general Eduardo Pazuello depois do ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade anunciar em outubro a compra de 46 milh\u00f5es de doses da CoronaVac.<\/p>\n<p>&#8220;Mandei cancelar&#8221;, disse o presidente. &#8220;N\u00e3o compraremos vacina chinesa.&#8221;<\/p>\n<p>Seu argumento era de que s\u00f3 adquiriria vacinas aprovadas pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), ignorando que seu governo j\u00e1 tinha desde julho um acordo para adquirir a vacina de Oxford, que tamb\u00e9m n\u00e3o tinha sido chancelada pela ag\u00eancia \u00e0quela altura.<\/p>\n<p>O presidente tamb\u00e9m n\u00e3o quis comprar a vacina da Pfizer. A farmac\u00eautica americana disse que ofereceu 70 milh\u00f5es de doses em agosto.<\/p>\n<p>Bolsonaro se justificou dizendo que uma cl\u00e1usula do contrato previa que o governo federal, em vez da empresa, se responsabilizaria por danos \u00e0 sa\u00fade causados pelo imunizante, que usa uma tecnologia in\u00e9dita em vacinas baseada em engenharia gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea virar um jacar\u00e9, \u00e9 problema de voc\u00ea, p\u00f4&#8221;, ironizou o presidente, em meados de dezembro.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/11056\/production\/_118081796_7453333e-e396-4719-a054-82483a4720d0.jpg\" alt=\"Pessoas manipulam fracos de CoronaVac em linha de produ\u00e7\u00e3o\" \/><\/p>\n<footer>Reuters<\/footer><figcaption>Em meio a disputa pol\u00edtica com Doria, Bolsonaro se recusou a comprar doses da CoronaVac<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas a\u00ed a vacina de Oxford atrasou. Erros na pesquisa obrigaram os cientistas a fazer mais testes, e a AstraZeneca teve \u2014 e ainda tem \u2014 dificuldades para produzir o que prometeu.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro acabou fechando um acordo com o Butantan em janeiro e com a Pfizer em mar\u00e7o, mas j\u00e1 havia perdido um tempo importante.<\/p>\n<p>Um outro acordo foi acertado com a Covax Facility, alian\u00e7a liderada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) para levar vacinas contra a covid-19 aos pa\u00edses mais pobres.<\/p>\n<p>Mas o governo brasileiro, que tinha a op\u00e7\u00e3o de encomendar doses suficientes para at\u00e9 50% da popula\u00e7\u00e3o, optou pela cobertura m\u00ednima, de 10%.<\/p>\n<p>&#8220;O governo n\u00e3o encomendou as vacinas quando elas estavam sendo encomendadas por outros pa\u00edses. N\u00e3o diversificou por achar que n\u00e3o era necess\u00e1rio. S\u00f3 teve escolha errada. N\u00e3o teve uma certa. Assim fica dif\u00edcil&#8221;, diz a imunologista Cristina Bonorino.<\/p>\n<h3>O que fizemos de diferente h\u00e1 dez anos<\/h3>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/15A2A\/production\/_118081688_65c9afe2-58ad-418e-b051-e6690beb1d71.jpg\" alt=\"Pessoas em fila de vacina\u00e7\u00e3o contra H1N1 em 2010\" \/><\/p>\n<footer>ABR<\/footer><figcaption>Vacina\u00e7\u00e3o em 2010 foi apenas para os grupos de risco<\/figcaption><\/figure>\n<p>O governo federal agiu de maneira bem diferente uma d\u00e9cada atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, ent\u00e3o no fim do seu segundo mandato, anunciou a compra do de um imunizante do laborat\u00f3rio franc\u00eas Sanofi Pasteur, que ainda estava sendo testado, em agosto de 2009.<\/p>\n<p>Fazia dois meses que a OMS havia reconhecido que o surto de H1N1 havia se transformado em uma pandemia.<\/p>\n<p>A nova variedade tinha sido identificada em abril daquele ano no M\u00e9xico e nos Estados Unidos \u2014 no Brasil, os primeiros casos foram confirmados no in\u00edcio de maio.<\/p>\n<p>Um dia depois da OMS declarar a pandemia, a uma farmac\u00eautica su\u00ed\u00e7a, a Novartis, anunciou a produ\u00e7\u00e3o de uma vacina contra a gripe su\u00edna.<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque j\u00e1 existiam imunizantes contra a gripe comum, e os laborat\u00f3rios s\u00f3 precisaram desenvolver vers\u00f5es que protegessem contra o novo H1N1.<\/p>\n<p>Os termos acertados entre o governo brasileiro e a Sanofi previam a importa\u00e7\u00e3o de 18 milh\u00f5es de doses. Depois, tamb\u00e9m a fabrica\u00e7\u00e3o de mais 33 milh\u00f5es de doses pelo Instituto Butantan, que tinha um acordo de transfer\u00eancia de tecnologia com essa empresa.<\/p>\n<p>O Brasil comprou outras 40 milh\u00f5es de doses da canadense GlaxoSmithKlein em novembro de 2009. Um terceiro contrato foi fechado em janeiro de 2010, com a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade, bra\u00e7o da OMS nas Am\u00e9ricas, para mais 10 milh\u00f5es de doses.<\/p>\n<p>O governo federal disse na \u00e9poca que esperaria ter a maioria das doses em m\u00e3os para dar in\u00edcio \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 come\u00e7ou de fato em mar\u00e7o de 2010, seis meses depois da China se tornar o primeiro pa\u00eds do mundo a imunizar contra H1N1.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2010, teve planejamento. Mais de 50% das doses j\u00e1 estavam no pa\u00eds quando a vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, e todo o quantitativo chegou durante a campanha&#8221;, diz Carla Domingues.<\/p>\n<h3>Desorganiza\u00e7\u00e3o, confus\u00e3o e ansiedade<\/h3>\n<p>A epidemiologista avalia que outra diferen\u00e7a entre aquela \u00e9poca e hoje foi que o calend\u00e1rio de vacina\u00e7\u00e3o foi sido divulgado dois meses antes da primeira dose ser aplicada.<\/p>\n<p>Desde janeiro, j\u00e1 se sabia quando seria imunizado cada um dos seis grupos de risco da gripe su\u00edna: profissionais de sa\u00fade, gestantes, ind\u00edgenas, pessoas com comorbidades, crian\u00e7as entre 6 meses e 2 anos de idade e adultos saud\u00e1veis entre 20 e 29 anos. Depois, foram inclu\u00eddos adultos entre 30 e 39 anos.<\/p>\n<p>Domingues recorda que houve uma campanha nacional na \u00e9poca para explicar como seria a vacina\u00e7\u00e3o e que as pessoas deveriam esperar sua vez.<\/p>\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o entendeu isso. N\u00e3o teve gente indo pra outra cidade para tomar vacina ou tentando furar a fila porque n\u00e3o sabe quando vai conseguir se vacinar&#8221;, afirma a especialista.<\/p>\n<p>Desta vez, o governo Bolsonaro divulgou o esbo\u00e7o de um plano de imuniza\u00e7\u00e3o contra a covid-19 em meados de dezembro, mas sem um cronograma \u2014 e chegou a ser cobrado pelo Supremo Tribunal Federal por causa disso.<\/p>\n<p>Questionado, o ministro Pazuello disse que a vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7aria &#8220;no dia D, na hora H&#8221;. Dias depois, ele anunciou em um encontro com prefeitos que seria em 20 de janeiro, uma quarta-feira.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/15E76\/production\/_118081798_cf038822-250f-40ed-9744-39768f610187.jpg\" alt=\"Policial \u00e9 vacinado em S\u00e3o Paulo em 2021\" \/><\/p>\n<footer>Reuters<\/footer><figcaption>Diferen\u00e7as nos crit\u00e9rios de vacina\u00e7\u00e3o entre Estados e munic\u00edpios deixa popula\u00e7\u00e3o confusa, diz epidemiolgista<\/figcaption><\/figure>\n<p>Pego no contrap\u00e9 por Doria, que mandou aplicar a primeira dose da CoronaVac assim que a Anvisa aprovou a vacina, no pr\u00f3prio dia 17, o general adiantou o come\u00e7o da campanha nacional para a segunda-feira.<\/p>\n<p>A vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7ou com 6 milh\u00f5es de doses da CoronaVac. O primeiro lote da vacina de Oxford s\u00f3 chegou ao pa\u00eds cinco dias depois.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, o que estamos vendo \u00e9 a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de um plano desorganizado. O governo federal abriu m\u00e3o de definir a pol\u00edtica e deixou cada Estado e munic\u00edpio fazer como quiser&#8221;, diz Domingues.<\/p>\n<p>Enquanto alguns lugares est\u00e3o vacinando quem tem 65 anos, diz a epidemiologista, outros ainda est\u00e3o aplicando em quem tem 70. Alguns j\u00e1 imunizam professores e profissionais de seguran\u00e7a, enquanto outros n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Olha a confus\u00e3o que isso causa na cabe\u00e7a das pessoas&#8230; Muita gente fica ansiosa.&#8221;<\/p>\n<h3>As mentiras que contam sobre as vacinas<\/h3>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/10C0A\/production\/_118081686_d1e00d76-a348-4354-9a81-3bb331d613dd.jpg\" alt=\"Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o, ex-ministro da Sa\u00fade, em 2010\" \/><\/p>\n<footer>ABR<\/footer><figcaption>&#8216;\u00c9 a maior vacina\u00e7\u00e3o que j\u00e1 aconteceu (no pa\u00eds)&#8217;, disse o ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o na \u00e9poca<\/figcaption><\/figure>\n<p>Assim como hoje, com os imunizantes contra covid-19, a vacina contra H1N1 tamb\u00e9m foi alvo de mentiras que circulavam pela internet e no boca-a-boca.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade disse na \u00e9poca que esses boatos eram &#8220;irrespons\u00e1veis&#8221; e lan\u00e7ou uma campanha para esclarecer que a vacina n\u00e3o causava autismo, paralisia, rea\u00e7\u00f5es al\u00e9rgicas potencialmente fatais, problemas neurol\u00f3gicos ou malforma\u00e7\u00e3o do feto em gestantes, entre outras coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve nenhum esfor\u00e7o deste tipo agora, pelo contr\u00e1rio. O pr\u00f3prio Bolsonaro j\u00e1 questionou a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia das vacinas em mais de uma ocasi\u00e3o, mesmo depois de elas serem aprovadas pela Anvisa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 disse diversas vezes que n\u00e3o as tomaria, porque j\u00e1 tinha sido infectado, contrariando as recomenda\u00e7\u00f5es das principais autoridades no assunto.<\/p>\n<p>&#8220;A grande falha do governo foi o negacionismo, de todas as vacinas. N\u00e3o deram ouvidos \u00e0 ci\u00eancia. Agora, estamos sem vacina no pior momento da pandemia&#8221;, diz o imunologista Renato Kfouri.<\/p>\n<p>O clima no pa\u00eds era radicalmente diferente a esta altura do campeonato em 2010. Em meados de junho daquele mesmo ano, o governo federal veio a p\u00fablico anunciar que tinha vacinado 88% dos 92 milh\u00f5es de brasileiros que faziam parte dos grupos priorit\u00e1rios tinham sido vacinados.<\/p>\n<p>Havia conseguido bater assim a meta original, de aplicar em 80% dessa popula\u00e7\u00e3o. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade divulgou depois que o resultado final tinha sido ainda melhor e que mais de 88 milh\u00f5es de pessoas haviam sido imunizadas nos tr\u00eas meses de campanha.<\/p>\n<p class=\" \">Foi &#8220;a maior vacina\u00e7\u00e3o que j\u00e1 aconteceu (no pa\u00eds)&#8221;, como disse o ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o em uma entrevista coletiva na \u00e9poca.<\/p>\n<p>O pa\u00eds pode agora superar essa marca, porque o governo federal diz j\u00e1 ter comprado mais de 562 milh\u00f5es de doses, que ser\u00e3o entregues at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>A campanha de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 pode entrar assim para a hist\u00f3ria, como tudo mais que diz respeito a essa pandemia. Mas a imunologista Cristina Bonorino diz que n\u00e3o est\u00e1 otimista.<\/p>\n<p>&#8220;Quantas vezes as previs\u00f5es do governo j\u00e1 foram alteradas? Muda toda semana. D\u00e1 para confiar que teremos 500 milh\u00f5es de doses at\u00e9 o final do ano?&#8221;<\/p>\n<div id=\"ad_mrec_intext3\" data-google-query-id=\"CP-EktCmhfACFV8DuQYd_J0AEw\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nova variedade tinha sido identificada em abril daquele ano no M\u00e9xico e nos Estados Unidos \u2014 no Brasil, os primeiros casos foram confirmados no in\u00edcio de maio.<\/p>\n<p>Um dia depois da OMS declarar a pandemia, a uma farmac\u00eautica s<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":353438,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-353437","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/vacinas-fabricadas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=353437"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/353437\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/353438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=353437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=353437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=353437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}