{"id":354154,"date":"2021-04-25T09:33:24","date_gmt":"2021-04-25T12:33:24","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=354154"},"modified":"2021-04-25T09:33:24","modified_gmt":"2021-04-25T12:33:24","slug":"covid-19-longa-em-criancas-como-identificar-sintomas-e-sequelas-nos-mais-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/covid-19-longa-em-criancas-como-identificar-sintomas-e-sequelas-nos-mais-jovens\/","title":{"rendered":"Covid-19 longa em crian\u00e7as: como identificar sintomas e sequelas nos mais jovens"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">Ainda h\u00e1 muitas d\u00favidas sobre a chamada covid longa em crian\u00e7as e adolescentes, faixa et\u00e1ria que acabou em segundo plano por ser proporcionalmente menos atingida pela doen\u00e7a<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<p>Por\u00a0<span id=\"authors-box\"><strong>BBC News Brasil<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Covid longa em crian\u00e7as: como identificar sintomas e sequelas da doen\u00e7a nos mais jovens\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/eh\/54\/83\/eh5483khtol6inwcgqf6fuysv.jpg\" alt=\"Covid longa em crian\u00e7as: como identificar sintomas e sequelas da doen\u00e7a nos mais jovens\" width=\"652\" height=\"408\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Cristiane Martins &#8211; De Londres para a BBC News Brasil<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">Covid longa em crian\u00e7as: como identificar sintomas e sequelas da doen\u00e7a nos mais jovens<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o*, de cinco anos, acorda rouco todos os dias desde que contraiu covid-19, um m\u00eas atr\u00e1s. Ele n\u00e3o chegou a ser internado, mas desde ent\u00e3o tosse sem parar, tem uma coceira irritante e incessante no nariz, passou a salivar muito mais, sente cansa\u00e7o nos bra\u00e7os e uma dor que vem e vai no p\u00e9 esquerdo. &#8220;\u00c9 uma montanha-russa. Ele reclama e pergunta quando vai ficar bom&#8221;, conta sua m\u00e3e, moradora de Duque de Caxias (RJ).<\/p>\n<p>A resposta para essa pergunta, que ela ainda n\u00e3o encontrou, vem sendo buscada por cada vez mais pais, pesquisadores e profissionais de sa\u00fade ao redor do mundo, \u00e0 medida que avan\u00e7a a pandemia de coronav\u00edrus. Mas ainda h\u00e1 muitas d\u00favidas sobre a chamada covid longa em crian\u00e7as e adolescentes, uma vez que essa faixa et\u00e1ria acabou ficando em segundo plano por ser proporcionalmente menos atingida pela doen\u00e7a, menos ainda com sintomas persistentes.<\/p>\n<p>Dos mais de 370 mil mortos por covid-19 no Brasil, cerca de 2 mil t\u00eam menos de nove anos, segundo pesquisadores brasileiros.<\/p>\n<p>E se os sintomas persistentes em adultos foram tema de centenas de estudos, por outro lado h\u00e1 at\u00e9 agora poucos estudos que investigam a covid longa em crian\u00e7as e adolescentes, incluindo pa\u00edses como Su\u00e9cia, It\u00e1lia e Reino Unido.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/C6B2\/production\/_118166805_gettyimages-1253521205.jpg\" alt=\"Crian\u00e7as com m\u00e1scaras\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>Poucos estudos que investigam a covid longa em crian\u00e7as e adolescentes<\/figcaption><\/figure>\n<p>A maioria dos pacientes dessa faixa et\u00e1ria enfrentou por meses sintomas como ins\u00f4nia, congest\u00e3o nasal, fadiga, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e dores.<\/p>\n<p>Cientistas, profissionais de sa\u00fade e l\u00edderes de grupo de apoio ouvidos pela reportagem costumam apontar um obst\u00e1culo em comum para estudos mais amplos e a\u00e7\u00f5es direcionadas: muita gente ainda acredita que menores de idade n\u00e3o s\u00e3o atingidos pela covid-19.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das pessoas, inclusive os m\u00e9dicos, preferem dizer que esses sintomas s\u00e3o mais psicol\u00f3gicos e est\u00e3o relacionados \u00e0s restri\u00e7\u00f5es da pandemia&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o pediatra italiano Danilo Buonsenso, da Universidade Agostino Gemelli, que coassinou dezenas de artigos cient\u00edficos sobre covid em crian\u00e7as na pandemia.<\/p>\n<p>Para Frances Simpson, professora de psicologia da Universidade de Coventry (Reino Unido) e cofundadora do grupo de apoio Long Covid Kids, que reuniu 2.650 casos at\u00e9 agora, &#8220;demorou muito para convencer as pessoas do contr\u00e1rio, de que as crian\u00e7as podem ser afetadas, e ainda parece haver resist\u00eancia a isso&#8221;. Na opini\u00e3o dela, as pessoas n\u00e3o querem acreditar que as crian\u00e7as podem ficar doentes porque isso poderia gerar p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Renato Kfouri, presidente do Departamento Cient\u00edfico de Imuniza\u00e7\u00f5es da Sociedade Brasileira de Pediatria, diz \u00e0 reportagem que as crian\u00e7as na pandemia n\u00e3o s\u00e3o prioridade &#8220;nem para tratamento, nem para avalia\u00e7\u00e3o de sequelas, nem para drogas&#8221;.<\/p>\n<p>A BBC News Brasil detalha abaixo o que se sabe sobre os sintomas de covid longa que atingem crian\u00e7as, as diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos adultos, qual \u00e9 o perfil das crian\u00e7as e adolescentes mais atingidos e o que tem sido feito at\u00e9 agora em torno do tratamento delas.<\/p>\n<h3>Sintomas da covid longa em crian\u00e7as<\/h3>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o com adultos \u00e9 conhecida por muitos. A fase aguda da covid passa, mas o paciente enfrenta sintomas novos e antigos por meses (alguns inclusive os sentem mais de um ano depois). Os testes j\u00e1 n\u00e3o detectam a presen\u00e7a do v\u00edrus, mas quem \u00e9 acometido sente como se a doen\u00e7a n\u00e3o tivesse acabado, e sim entrado em uma nova fase.<\/p>\n<p>Em algumas pessoas, a chamada covid longa (ou prolongada, persistente) se revela ainda mais penosa ou debilitante do que a fase aguda, marcada em geral pela falta de ar.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/7D4C\/production\/_118167023_gettyimages-1210282813.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a na cama com febre e com term\u00f4metro na boca\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>Maioria dos pacientes dessa faixa et\u00e1ria enfrentou por meses sintomas como ins\u00f4nia, congest\u00e3o nasal, fadiga, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e dores<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os cinco sintomas mais comuns da covid longa em centenas de milhares de adultos s\u00e3o fadiga (58%), dor de cabe\u00e7a (44%), dificuldade de aten\u00e7\u00e3o (27%), perda de cabelo (25%) e falta de ar (24%), segundo pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do M\u00e9xico e da Su\u00e9cia que analisaram dezenas de estudos sobre o tema com 48 mil pacientes ao todo.<\/p>\n<p>As causas dessa condi\u00e7\u00e3o em parte dos pacientes n\u00e3o est\u00e1 clara, e pesquisadores investigam hip\u00f3teses como uma resposta inflamat\u00f3ria do corpo a vest\u00edgios do coronav\u00edrus, por exemplo.<\/p>\n<p>Como dito acima, h\u00e1 muito menos pesquisas, dados e testes de crian\u00e7as com covid, longa ou n\u00e3o. Segundo Kfouri, da Sociedade Brasileira de Pediatria, isso se deve ao fato de que elas s\u00e3o &#8220;pouco infectadas, raramente internam e muito raramente hospitalizam. Quando isso acontece, mais da metade dos casos de formas graves e \u00f3bitos s\u00e3o em crian\u00e7as que j\u00e1 tinham patologias de risco&#8221;.<\/p>\n<p>No Brasil, todos os dias cinco crian\u00e7as de at\u00e9 nove anos morrem em decorr\u00eancia da covid-19, em m\u00e9dia. Ao todo, mais de 2 mil crian\u00e7as morreram no pa\u00eds, das quais 1,3 mil beb\u00eas.<\/p>\n<p>H\u00e1 algumas diferen\u00e7as nos sintomas mais apresentados por crian\u00e7as e adultos. Os mais comuns s\u00e3o febre persistente, dificuldade de respirar, press\u00e3o sangu\u00ednea baixa, conjuntivite, erup\u00e7\u00f5es na pele, com grande preval\u00eancia de dores abdominais e altera\u00e7\u00f5es gastrointestinais (que ocorrem com bem menos frequ\u00eancia nos adultos).<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/2F2C\/production\/_118167021_gettyimages-1214220442.jpg\" alt=\"Pai ajusta m\u00e1scara em rosto de filha\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>No Brasil, todos os dias cinco crian\u00e7as de at\u00e9 nove anos morrem em decorr\u00eancia da covid-19, em m\u00e9dia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Kfouri explica que uma das poss\u00edveis raz\u00f5es est\u00e1 ligada \u00e0 quantidade diferente de receptores usados pelo coronav\u00edrus para invadir as c\u00e9lulas humanas em crian\u00e7as. H\u00e1 menos nas vias respirat\u00f3rias dessa faixa et\u00e1ria, mas mais em outros aparelhos, como o urin\u00e1rio e o digestivo, o que explica &#8220;esses quadros de dores abdominais, diarreia, sangue na urina&#8221;.<\/p>\n<p>No caso da covid longa, os sintomas mais comuns em crian\u00e7as tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o exatamente os mesmos relatados acima em adultos, segundo o que se sabe at\u00e9 agora a partir de alguns estudos que tentaram mapear essa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma pesquisa do hospital da Universidade Agostino Gemelli a partir de entrevistas com 123 jovens de at\u00e9 18 anos infectados com covid foi publicada recentemente com alguns dos primeiros resultados sobre o tema.<\/p>\n<p>Danilo Buonsenso e outros seis colegas apontam que a maior parte delas (74,4%) apresentou sintomas, poucas (4,7%) foram hospitalizadas e uma pequena quantidade evoluiu para quadros mais graves como s\u00edndrome inflamat\u00f3ria multissist\u00eamica (2,3%) e miocardite (1,6%).<\/p>\n<p>Dos efeitos observados, os mais frequentemente relatados dois meses depois tanto em crian\u00e7as sintom\u00e1ticas, quanto assintom\u00e1ticas \u00e0 \u00e9poca da detec\u00e7\u00e3o do v\u00edrus no corpo s\u00e3o: ins\u00f4nia (18,6%), sintomas respirat\u00f3rios, incluindo dor e aperto no peito (14,7%), congest\u00e3o nasal (12,4%), fadiga (10,8%), dores musculares (10,1%), e dificuldades de concentra\u00e7\u00e3o (10,1%) e dores nas articula\u00e7\u00f5es (6,9%).<\/p>\n<p>Das 30 crian\u00e7as avaliadas entre 60 e 120 dias ap\u00f3s o diagn\u00f3stico inicial, 13 tinham pelo menos um sintoma e 7, tr\u00eas ou mais.<\/p>\n<p>Um outro estudo cient\u00edfico de pesquisadores da It\u00e1lia, da R\u00fassia e do Reino Unido se debru\u00e7ou sobre 510 casos relatados por pais americanos e brit\u00e2nicos. Entre os sinais mais comuns estavam fadiga e cansa\u00e7o (87%), dor de cabe\u00e7a (79%), dor abdominal (76%), dores musculares ou nas articula\u00e7\u00f5es (61%), n\u00e1usea (46%) e diarreia ou v\u00f4mito (42%).<\/p>\n<p>Por fim, um dos estudos pioneiros do tema foi produzido por um pesquisador do Instituto Karolinska, na Su\u00e9cia, a partir de casos envolvendo cinco menores de idade.<\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<h3><\/h3>\n<\/div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/163C4\/production\/_118167019_gettyimages-1226075352.jpg\" alt=\"M\u00e9dico faz swab em menina loira\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>Estudos apontam que a faixa et\u00e1ria mais atingida pela covid longa gira em torno de 10 a 12 anos em crian\u00e7as<\/figcaption><\/figure>\n<p>Nenhum deles chegou a ser hospitalizado na fase aguda da doen\u00e7a. Todos manifestaram fadiga, falta de ar, dor no peito, e a maioria delas reportou dor de cabe\u00e7a, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, tontura, fraqueza muscular e dor de garganta. Nenhuma das crian\u00e7as havia conseguido retornar completamente \u00e0s aulas ao longo desses meses.<\/p>\n<p>Em resumo, os estudos acima apontam que a faixa et\u00e1ria mais atingida pela covid longa gira em torno de 10 a 12 anos, os sintomas costumam durar oito meses, 20% melhorou antes de piorar de novo e menos de 5% das crian\u00e7as acometidas foram hospitalizadas durante a fase aguda da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas como dito antes, os n\u00fameros podem estar distorcidos em raz\u00e3o da quantidade limitada de casos estudados e, por extens\u00e3o, da impossibilidade de adotar metodologias mais rigorosas.<\/p>\n<h3>&#8216;N\u00e3o se trata s\u00f3 de condi\u00e7\u00f5es psicossom\u00e1ticas&#8217;<\/h3>\n<p>Buonsenso, da Universidade Agostino Gemelli, critica o ceticismo e a falta de interesse de autoridades e pesquisadores no tema.<\/p>\n<p>&#8220;A baixa preval\u00eancia da covid entre menores de idade pode ser explicada por uma s\u00e9rie de quest\u00f5es imunol\u00f3gicas e virais ainda sob estudo. Mas, na minha opini\u00e3o, h\u00e1 barreiras em aceitar que as crian\u00e7as possam ter covid longa. A maioria das pessoas, incluindo m\u00e9dicos, prefere afirmar que esses sintomas s\u00e3o mais psicol\u00f3gicos e ligados \u00e0s restri\u00e7\u00f5es (como lockdowns).&#8221;<\/p>\n<p>Para a professora Frances Simpson, do grupo Long Covid Kids, &#8220;o fato de muitos m\u00e9dicos n\u00e3o poderem ajudar ou n\u00e3o acreditar que a crian\u00e7a est\u00e1 doente aumenta enormemente as dificuldades enfrentadas por esses pais&#8221;.<\/p>\n<p>Nisreen Alwan, epidemiologista e professora na Universidade de Southampton (Reino Unido), acredita que a compreens\u00e3o da covid persistente caminha em ritmo lento porque n\u00e3o \u00e9 medida ou quantificada adequadamente.<\/p>\n<p>Como ocorre com adultos, a variedade de sintomas e desdobramentos da covid pioram essa mensura\u00e7\u00e3o. O que dizer quando se trata de crian\u00e7as que, a depender da idade, mal conseguem identificar e relatar sintomas? Soma-se a isso a baixa taxa de testes para detectar o v\u00edrus em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em linhas gerais, elas podem ser assintom\u00e1ticas (65% delas, segundo pesquisa da Prefeitura de S\u00e3o Paulo) ou apresentar quadros leves de covid-19, ou n\u00e3o. Podem manifestar um quadro t\u00edpico da doen\u00e7a, se recuperar rapidamente e depois piorar com outros sintomas. Ou mesmo continuar com os mesmos sintomas desde a fase aguda.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/114D2\/production\/_118166807_gettyimages-1226233165.jpg\" alt=\"Menino de m\u00e1scara em sala de aula\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>Covid longa n\u00e3o tem um tratamento espec\u00edfico, tanto em crian\u00e7as quanto em adultos<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por meio de question\u00e1rio aplicado aos familiares que integram o grupo &#8220;Long Covid Kids&#8221;, foram reportados mais de 100 manifesta\u00e7\u00f5es, como sintomas gastrointestinais (diarreia, dor abdominal, v\u00f4mito), dor de cabe\u00e7a, no t\u00f3rax, fadiga, manifesta\u00e7\u00f5es dermatol\u00f3gicas, dores nas articula\u00e7\u00f5es, dor de garganta e varia\u00e7\u00f5es de humor.<\/p>\n<p>Kfouri, da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirma que esse quadro fica ainda mais complicado ao lembrarmos de outras doen\u00e7as que acometem crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 bom lembrar que, na maior parte das vezes, esses quadros na pediatria ficam sem sintomas porque se confundem com outras doen\u00e7as respirat\u00f3rias, ou outras viroses das crian\u00e7as. Corpo mole, mal-estar, enjoo, febre baixa. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes em qualquer um desses quadros pode se suspeitar de covid-19 porque os sintomas podem realmente ser muito inespec\u00edficos, muito variados, mais do que nos adultos.&#8221;<\/p>\n<h3>Poss\u00edveis tratamentos<\/h3>\n<p>A covid longa n\u00e3o tem um tratamento espec\u00edfico, tanto em crian\u00e7as quanto em adultos. Como a variedade de manifesta\u00e7\u00f5es e sintomas \u00e9 enorme, em geral as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o tratadas ou acompanhadas por especialistas a partir de abordagens j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n<p>Dermatologistas podem avaliar erup\u00e7\u00f5es na pele enquanto neurologistas investigam dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o e problemas de mem\u00f3ria, por exemplo.<\/p>\n<p>Simpson, do grupo Long Covid Kids e da Universidade de Coventry, recomenda aos pais que busquem grupos de apoio, compartilhem relatos e experi\u00eancias e encontrem m\u00e9dicos simp\u00e1ticos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade dos pequenos pacientes.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas dessas crian\u00e7as n\u00e3o recuperaram a sa\u00fade que tinham. Apenas 10%, segundo nosso levantamento. Muitas crian\u00e7as est\u00e3o sofrendo f\u00edsica e mentalmente.&#8221;<\/p>\n<p>Ela defende que os pais n\u00e3o sobrecarreguem as crian\u00e7as em busca de uma melhora e que elas devem ser tratadas caso a caso. Algumas delas podem passar a precisar de acompanhamento psicol\u00f3gico, ensino remoto, mudan\u00e7as na rotina, suporte da escola e aux\u00edlio em atividades f\u00edsicas. N\u00e3o haver\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para todas elas, diz Simpson.<\/p>\n<p>H\u00e1 dados promissores sobre eventuais efeitos positivos da vacina\u00e7\u00e3o em adultos diagnosticados com covid longa, mas isso ainda est\u00e1 sob estudo. Vale lembrar que as pesquisas de vacinas para crian\u00e7as ainda est\u00e3o na fase de estudos cl\u00ednicos, e nenhuma delas foi autorizada para uso em larga escala at\u00e9 agora, embora os resultados sejam promissores.<\/p>\n<p>O Sistema de Sa\u00fade Brit\u00e2nico (o NHS, parecido com o SUS brasileiro) montou uma rede de mais de 40 cl\u00ednicas especializadas e multidisciplinares para pacientes que se recuperam da covid longa.<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/2A72\/production\/_118166801_gettyimages-1254511522.jpg\" alt=\"M\u00e9dico faz swab nasal em menina asi\u00e1tica\" \/><\/p>\n<footer>Getty Images<\/footer><figcaption>Como forma de preven\u00e7\u00e3o, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crian\u00e7as &#8220;com mais de 2 anos usem m\u00e1scara e mantenham distanciamento&#8221;<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m das abordagens elencadas acima, o NHS faz outras recomenda\u00e7\u00f5es, como descansar o corpo e a mente, manter atividades rotineiras em um ritmo mais lento, fazer exerc\u00edcios de respira\u00e7\u00e3o, evitar interrup\u00e7\u00f5es no sono e fazer uma alimenta\u00e7\u00e3o mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p class=\" \">Como forma de preven\u00e7\u00e3o, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crian\u00e7as &#8220;com mais de 2 anos usem m\u00e1scara e mantenham distanciamento&#8221;. E a volta \u00e0s aulas deve ocorrer atendendo aos protocolos de seguran\u00e7a, com higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os, distanciamento, salas arejadas e mais vazias.<\/p>\n<p>&#8220;A \u00fanica forma de evitar a covid longa \u00e9 evitar a covid-19&#8221;, resume Sammie Mcfarland, cofundadora do grupo Long Covid Kids.<\/p>\n<p><em>*O nome foi trocado para preservar a identidade da crian\u00e7a.<\/em><\/p>\n<div id=\"ad_mrec_intext3\" data-google-query-id=\"CIakh6yymfACFa4muQYdqG8ALA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21737107378\/IG-PUBLISHER\/saude.ig.com.br\/mrec_3__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda h\u00e1 muitas d\u00favidas sobre a chamada covid longa em crian\u00e7as e adolescentes, faixa et\u00e1ria que acabou em segundo plano por ser proporcionalmente menos atingida pela doen\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":354155,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-354154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/menina-com-mascara.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=354154"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/354154\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/354155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=354154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=354154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=354154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}