{"id":35609,"date":"2013-12-31T14:07:40","date_gmt":"2013-12-31T17:07:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=35609"},"modified":"2013-12-31T06:10:26","modified_gmt":"2013-12-31T09:10:26","slug":"portugues-a-lingua-mais-dificil-do-mundo-conta-outra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/portugues-a-lingua-mais-dificil-do-mundo-conta-outra\/","title":{"rendered":"Portugu\u00eas, a l\u00edngua mais dif\u00edcil do mundo? Conta outra"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/sobre-palavras\/os-mais-lidos-de-2013\/portugues-a-lingua-mais-dificil-do-mundo-conta-outra-2\/\" rel=\"bookmark\">\u00a0<\/a><\/h1>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/sobre-palavras\/files\/2013\/05\/portugu%C3%AAs-dif%C3%ADcil2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/sobre-palavras\/files\/2013\/05\/portugu%C3%AAs-dif%C3%ADcil2.jpg\" width=\"300\" height=\"229\" \/><\/a><\/p>\n<p><i>De hoje at\u00e9 o primeiro dia do novo ano, tempo de festejar, recarregar baterias e \u2013 inevit\u00e1vel \u2013 elaborar retrospectivas e balan\u00e7os, deixo os leitores do\u00a0<b>Sobre Palavras<\/b>\u00a0com uma sele\u00e7\u00e3o dos posts mais lidos de 2013, um tempo em que a audi\u00eancia do blog dobrou de tamanho. No dia 2 de janeiro estaremos aqui para tratar de novas palavras. Muito obrigado pela leitura e um feliz 2014 a todos.<\/i><\/p>\n<p>Alguns mitos resistentes rondam como mosquitos chatos a l\u00edngua portuguesa falada no Brasil. Diante deles, argumenta\u00e7\u00f5es fundadas em fatos e um m\u00ednimo de racionalidade s\u00e3o t\u00e3o in\u00fateis quanto tapas desferidos \u00e0s cegas no escuro do quarto em pernilongos zumbidores. Os tapas acertam o vazio, os zumbidos continuam l\u00e1.<\/p>\n<p>A lenda de que se fala no estado do Maranh\u00e3o o portugu\u00eas mais \u201ccorreto\u201d do Brasil \u00e9 uma dessas balelas aceitas por a\u00ed como verdades reveladas \u2013 e nem os trist\u00edssimos \u00edndices educacionais maranhenses, nem o dom\u00ednio lingu\u00edstico pomposamente med\u00edocre exibido h\u00e1 d\u00e9cadas por Jos\u00e9 Sarney podem fazer nada contra isso. Tapas no vazio.<\/p>\n<p>Outra bobagem de grande prest\u00edgio \u00e9 aquela que sustenta ser o portugu\u00eas \u201ca l\u00edngua mais dif\u00edcil do mundo\u201d. Baseada, talvez, na dor de cabe\u00e7a real que acomete estrangeiros confrontados com a arquitetura barroca de nossos verbos, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 categ\u00f3rica o bastante para dispensar a necessidade de uma prova. O sujeito erra o g\u00eanero da palavra alface e pronto, l\u00e1 vem a desculpa universal: \u201cAh, tamb\u00e9m, como \u00e9 dif\u00edcil a porcaria dessa l\u00edngua! Ah, se tiv\u00e9ssemos sido colonizados pelos holandeses!\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o, claro que isso n\u00e3o quer dizer que o queixoso saiba falar holand\u00eas. \u00c9 justamente na imensa parcela monoglota da popula\u00e7\u00e3o que a cren\u00e7a na dificuldade insuper\u00e1vel da l\u00edngua portuguesa encontra solo mais f\u00e9rtil. N\u00e3o \u00e9 uma conclus\u00e3o a que se chegue depois de estudar judiciosamente latim, alem\u00e3o, h\u00fangaro, russo e japon\u00eas. Ningu\u00e9m precisa ter encarado um idioma em que se use declina\u00e7\u00e3o \u2013 vespeiro do qual a gram\u00e1tica portuguesa nos poupou \u2013 para sair deplorando em altos brados o desafio invenc\u00edvel da crase.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o mito das agruras superlativas do portugu\u00eas diz muito sobre a fal\u00eancia educacional brasileira, cupim que r\u00f3i as funda\u00e7\u00f5es de qualquer projeto de desenvolvimento social que v\u00e1 al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o de um maior acesso da popula\u00e7\u00e3o a shopping centers. Temo, por\u00e9m, que suas ra\u00edzes sejam mais profundas. Percebe-se a\u00ed uma mistura t\u00f3xica de autocomplac\u00eancia, autodeprecia\u00e7\u00e3o, ufanismo, fuga da realidade e desculpa esfarrapada que pode ser ainda mais dif\u00edcil de derrotar do que nosso vicejante semianalfabetismo.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De hoje at\u00e9 o primeiro dia do novo ano, tempo de festejar, recarregar baterias e \u2013 inevit\u00e1vel \u2013 elaborar retrospectivas e balan\u00e7os, deixo os leitores do Sobre Palavras com uma sele\u00e7\u00e3o dos posts mais lidos de 2013, um tempo em que a audi\u00eancia do blog dobrou de tamanho. No dia 2 de janeiro estaremos aqui para tratar de novas palavras. 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