{"id":359873,"date":"2021-06-23T05:45:18","date_gmt":"2021-06-23T08:45:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=359873"},"modified":"2021-06-23T05:45:18","modified_gmt":"2021-06-23T08:45:18","slug":"bolsonaro-pressente-deposicao-e-reage-desconfia-dos-militares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/bolsonaro-pressente-deposicao-e-reage-desconfia-dos-militares\/","title":{"rendered":"Bolsonaro pressente deposi\u00e7\u00e3o e reage: desconfia dos militares"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"article__headline marginBottom30\"><\/h2>\n<div class=\"article__lead\">\n<p><em><strong>Para o jornalista Luis Costa Pinto, &#8220;Bolsonaro desconfia cada dia mais dos militares que o cercam. E cr\u00ea ter raz\u00f5es de sobra para manter acesas tais suspei\u00e7\u00f5es&#8221;. &#8220;Um dos catalisadores dos acessos de c\u00f3lera do presidente \u00e9 seu vice, o general da reserva Hamilton Mour\u00e3o&#8221;, diz o colunista<\/strong><\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"articleMetadata marginBottom30\"><\/div>\n<figure><picture><source srcset=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20201220081220_604c2003-7c54-42c0-8dba-7ab222d85ee0.webp\" type=\"image\/webp\" media=\"(max-width: 680px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20201220081220_604c2003-7c54-42c0-8dba-7ab222d85ee0.jpeg\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(max-width: 680px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20201220081220_dd21df9c-0a7c-4712-b8bd-478a78ad4c8c.webp\" type=\"image\/webp\" media=\"(min-width: 681px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20201220081220_dd21df9c-0a7c-4712-b8bd-478a78ad4c8c.jpeg\" type=\"image\/jpeg\" media=\"(min-width: 681px)\" \/><img decoding=\"async\" title=\" (Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil)\" src=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20201220081220_dd21df9c-0a7c-4712-b8bd-478a78ad4c8c.jpeg\" alt=\"\" \/><\/picture><figcaption>(Foto: Valter Campanato\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"article__text marginTop30\">\n<p><b>Por Lu\u00eds Costa Pinto<\/b><\/p>\n<p>Augusto Heleno, general-de-Ex\u00e9rcito da reserva, chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, est\u00e1 fora de combate. Tomado por uma crise aguda de depress\u00e3o clinicamente diagnosticada, submete-se a tratamento rigoroso.<\/p>\n<p>Com o comandante fora da trincheira do GSI, a coordena\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a presidencial foi entregue a militares com os quais Jair Bolsonaro n\u00e3o tem intimidade e que n\u00e3o gozam da confian\u00e7a dos filhos do presidente.<\/p>\n<p>O vereador Carlos Bolsonaro, integrante do cl\u00e3 presidencial que mais se imiscui nos por\u00f5es palacianos, foi o respons\u00e1vel indireto pela espoleta que fez o pai explodir qual pistola com bala de festim na \u00faltima segunda-feira em Guaratinguet\u00e1 (SP).<\/p>\n<p>T\u00e3o logo saltou do ve\u00edculo que o conduzia, Bolsonaro foi saudado por gritos de \u201cgenocida!\u201d, \u201cimpeachment, j\u00e1!\u201d, \u201cvacina no bra\u00e7o, comida no prato!\u201d. Sempre aziago, o mal humor presidencial desandou de vez. Ele lan\u00e7ou um olhar enfurecido pelo oficial do GSI respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a do evento e passou-lhe uma descompostura de fazer corar at\u00e9 alguns dos sem-vergonha que o acompanhavam (foi o caso da deputada federal Carla Zambelli e do prefeito do munic\u00edpio do interior paulista).<\/p>\n<p><b>A covardia do presidente<\/b><\/p>\n<p>Frouxo e covarde, com temor expl\u00edcito \u00e0s rea\u00e7\u00f5es e reprimendas do general Heleno que, sabia, n\u00e3o viriam dado as condi\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas do militar que comanda o GSI, o presidente ent\u00e3o deu vezo \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es contra sua equipe: sabia que n\u00e3o haveria rebate pelo superior do militar a quem fora designada a miss\u00e3o de garantir sua seguran\u00e7a em Guaratinguet\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, ele j\u00e1 fora informado que diversos ve\u00edculos de imprensa tinham informa\u00e7\u00f5es dando conta da compra de vacinas indianas Covaxin superfaturadas em 1.000% e o l\u00edder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR) e assessores do ex-ministro Eduardo Pazuello haviam se envolvido diretamente no neg\u00f3cio. N\u00e3o sabia, ainda, que o site Uol receberia mais tarde o vazamento de um relat\u00f3rio da Ag\u00eancia Brasileira de Informa\u00e7\u00f5es (Abin, controlada por militares) levantando suspeitas sobre a fortuna e o r\u00e1pido enriquecimento do amigo Luciano Hang, o grotesco dono das Lojas Havan.<\/p>\n<p>Exalando o mau humor que lhe \u00e9 peculiar e o azedume dos maus bofes que marcam a sua personalidade, Jair Bolsonaro explodiu contra os rep\u00f3rteres que improvisaram uma entrevista coletiva no corredor que era caminho \u00fanico para seu evento no interior paulista. Sem guardar resqu\u00edcios da compostura exigida para um Chefe de Estado, soltou improp\u00e9rios contra a imprensa em geral e a Rede Globo e a TV CNN em particular (tamb\u00e9m lan\u00e7ou perdigotos ao l\u00e9u, contra as rep\u00f3rteres encarregadas de cobrir o ato, ao tirar ilegalmente a m\u00e1scara em meio a um acesso de ira quase animal).<\/p>\n<p>No regresso ao comboio presidencial, o oficial do GSI destacado para coordenar aquele deslocamento da comitiva presidencial foi mais uma vez desancado como \u00e9gua arisca nas m\u00e3os de capataz b\u00eabado em estrebarias de fazendas de gado nos rinc\u00f5es de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p><b>Militares geram desconfian\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>Bolsonaro desconfia cada dia mais dos militares que o cercam. E cr\u00ea ter raz\u00f5es de sobra para manter acesas tais suspei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um dos catalisadores dos acessos de c\u00f3lera do presidente \u00e9 seu vice, o general da reserva Hamilton Mour\u00e3o. Nos \u00faltimos cinco dias, em pelo menos tr\u00eas pronunciamentos p\u00fablicos, Mour\u00e3o deixou claro que n\u00e3o \u00e9 ouvido pelo titular da chapa por meio da qual galgou \u00e0 vice-presid\u00eancia. A um interlocutor comum dele e do cabe\u00e7a-de-chapa de 2018 disse que n\u00e3o h\u00e1 \u201cnosso governo\u201d.<\/p>\n<p>Haveria, sim, um \u201cgoverno dele (Bolsonaro)\u201d. Os erros e descaminhos da gest\u00e3o, portanto, seriam frutos exclusivos das escolhas e das companhias do presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Jair Bolsonaro sabe que n\u00e3o era a primeira op\u00e7\u00e3o dos militares na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o. Organizados nos Clubes Militares, os oficiais da reserva at\u00e9 denotavam uma prefer\u00eancia por eles. Mas, al\u00e9m de n\u00e3o terem voz ativa, eram minoria. Liderados pelos generais S\u00e9rgio Etchegoyen, Eduardo Villas-Boas e Silva e Luna, os quarteis do Ex\u00e9rcito n\u00e3o escondiam desconforto pelo primarismo de Bolsonaro. Torciam pela decolagem, na campanha, de nomes como Geraldo Alckmin, Jo\u00e3o Amoedo e at\u00e9 Luciano Huck (que refugou no lan\u00e7amento de sua candidatura).<\/p>\n<p>A greve dos caminhoneiros de maio de 2018, epis\u00f3dio que terminou de derrubar quaisquer aspira\u00e7\u00f5es de Michel Temer a sair um pouco melhor do Pal\u00e1cio do Planalto depois de ter usurpado a cadeira presidencial entrando pela porta dos fundos na sede de governo, p\u00f4s os militares definitivamente na media\u00e7\u00e3o da crise pol\u00edtica nacional. Bolsonaro cresceu naquele momento, disseminou o pr\u00f3prio nome entre os grevistas, mas, n\u00e3o foi ali que se converteu na alternativa militar.<\/p>\n<p>Disputando pelo obscuro PSL, Jair Bolsonaro s\u00f3 passou a ser o \u201cPlano \u00danico\u201d dos estrategistas fardados depois do epis\u00f3dio do atentado a faca do qual foi v\u00edtima em Juiz de Fora (MG). Divisor de \u00e1guas no curso da campanha e respons\u00e1vel por determinar uma guinada pat\u00e9tica da cobertura da m\u00eddia no processo eleitoral, a convers\u00e3o do atual presidente em \u201cv\u00edtima\u201d do sistema (algo que nunca foi, muito pelo contr\u00e1rio) concedeu ao seu nome um verniz de outsider. Era um falso brilhante. O verniz, contudo, foi decisivo para a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><b>Generais manobraram a Justi\u00e7a<\/b><\/p>\n<p>S\u00e9rgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional de Temer, e Eduardo Villas-Boas, chefe do Estado Maior do Ex\u00e9rcito sob Dilma e que seguiu no posto ap\u00f3s o golpe jur\u00eddico\/parlamentar\/classista que apeou a ex-presidente porque serviu \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do enredo golpista, foram personagens ativos na ascens\u00e3o eleitoral de Bolsonaro em 2018 no curso de uma campanha assim\u00e9trica.<\/p>\n<p>Etchegoyen entrincheirou-se no Tribunal Superior Eleitoral e, em reuni\u00f5es nas quais inflava o clima de conspira\u00e7\u00e3o e de conflagra\u00e7\u00e3o nos quarteis, a\u00e7ulou os ministros da Corte eleitoral a concederem benef\u00edcios de campanha a Bolsonaro \u2013 tais como dar uma entrevista individual \u00e0 TV Record no mesmo dia e hora do derradeiro debate entre os candidatos no primeiro turno.<\/p>\n<p>Alegando mal-estar, Bolsonaro recusara o convite para o debate. No segundo turno, o TSE, por meio de uma decis\u00e3o do ent\u00e3o ministro Admar Gonzaga, permitiu que todos os debates fossem cancelados, no lugar de terem sido convertidos em entrevistas. O candidato apoiado explicitamente pelos militares transformou sua campanha em notas oficiais lidas em off pelos telejornais, ausentando-se do debate de ideias e do cotejamento de propostas.<\/p>\n<p>A urdidura de Etchegoyen teve o aux\u00edlio vergonhoso de Admar Gonzaga, ent\u00e3o ministro do TSE que havia sido advogado de Carlos Bolsonaro e deixou o tribunal por lhe terem sido impostas conting\u00eancias da Lei da Maria da Penha (foi acusado de agredir a esposa). Ao deixar o TSE, Gonzaga virou advogado e secret\u00e1rio-geral do grupo que tenta criar um partido para Bolsonaro.<\/p>\n<p>Villas-Boas, como \u00e9 p\u00fablico e not\u00f3rio, \u00e9 r\u00e9u confesso do crime de amea\u00e7a ao Supremo Tribunal Federal. Em dois tu\u00edtes, na v\u00e9spera de a Corte Suprema decidir sobre a possibilidade, ou n\u00e3o, de o ex-presidente Lula disputar a Presid\u00eancia (ele era o favorito naquele momento em todas as pesquisas pr\u00e9-eleitorais do pleito de 2018), o ent\u00e3o Comandante Geral do Ex\u00e9rcito soprou efl\u00favios de veneno golpista e de interrup\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica brasileira caso o STF n\u00e3o tirasse Lula da corrida eleitoral. Acovardados, os ministros do Supremo acolheram a chantagem militar.<\/p>\n<p><b>Os comandantes foram ing\u00eanuos?<\/b><\/p>\n<p>Ouri\u00e7ados com a vit\u00f3ria do pupilo, os comandantes militares das tr\u00eas for\u00e7as estavam crentes na capacidade que teriam para tutelar a criatura prim\u00e1ria, de rala forma\u00e7\u00e3o moral e escasso preparo intelectual, que se elegera.<\/p>\n<p>P\u00e9ssimos estrategistas, os integrantes da c\u00fapula militar estavam enganados. Na melhor das hip\u00f3teses, foram ing\u00eanuos em demasia. Ningu\u00e9m tutela um presidente da Rep\u00fablica eleito com 54 milh\u00f5es de votos, tampouco uma personalidade deformada como a de Jair Bolsonaro. Ele \u00e9 um ser acometido de possess\u00f5es di\u00e1rias da \u201cS\u00edndrome da Pequena Autoridade\u201d, os mesmos desvios de car\u00e1ter e de conduta que se verificam nos famosos \u201cguardas da esquina\u201d nos processos de ascens\u00e3o de regime nazi-fascistas.<\/p>\n<p>Quanto mais reivindica lealdade dos militares a seu projeto de poder personalista, dando pistas de que n\u00e3o se resignar\u00e1 a uma derrota nas urnas de 2022 que parece iminente e \u00f3bvia a dezesseis meses do pleito, mais distante Bolsonaro fica da meta almejada de reunir o consenso das For\u00e7as Armadas a si.<\/p>\n<p>Tendo cruzado o rubic\u00e3o da pol\u00edtica e aberto os port\u00f5es dos quarteis para um debate franco em torno de op\u00e7\u00f5es eleitorais \u2013 o que \u00e9 descabido e impens\u00e1vel entre militares profissionalizados e ciosos do papel de garantidores da Constitui\u00e7\u00e3o que det\u00eam \u2013 os atuais comandantes das tr\u00eas for\u00e7as desejam se manter influentes e afluentes no poder. Contudo, sabem que o caminho tomado por Bolsonaro inviabiliza da manuten\u00e7\u00e3o do Brasil no rol das na\u00e7\u00f5es consideradas democracias institucionais maduras.<\/p>\n<p>N\u00e3o passa pela cabe\u00e7a nem pela prancheta dos comandos militares brasileiros quaisquer tipos de golpes tradicionais como o de 1964. H\u00e1 uma janela aberta, com fresta ex\u00edgua, para um golpe parlamentar como o de 2016 que dep\u00f4s Dilma Rousseff sem crime de responsabilidade \u2013 fazer o presidente da C\u00e2mara, Arthur Lira, mudar de lado nos pr\u00f3ximos meses e aceitar um pedido de impeachment.<\/p>\n<p>Um impeachment cl\u00e1ssico (raz\u00f5es e crimes de responsabilidade n\u00e3o faltam no prontu\u00e1rio de Bolsonaro) \u00e9 o melhor caminho para conservar o esmalte \u201cdemocr\u00e1tico\u201d do Brasil no exterior e dar margem e poder de manobra para o vice Hamilton Mour\u00e3o convocar um breve governo de \u201cconcilia\u00e7\u00e3o e uni\u00e3o\u201d do centro \u00e0 direita e tentar se viabilizar candidato ou inventar uma chapa \u201cliberal-democr\u00e1tica\u201d com seu apoio nos moldes do que foi constru\u00eddo pela dupla Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em 1994.<\/p>\n<p><b>Bolsonaro e \u201cO Retrato de Dorian Gray<\/b>\u201c<\/p>\n<p>No momento, uma certeza dilacera os militares que colaram suas reputa\u00e7\u00f5es e seus projetos pessoais em Jair Bolsonaro: ele perde a elei\u00e7\u00e3o para qualquer um em 2022 e o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, do PT, \u00e9 o favorito em todos os cen\u00e1rios pr\u00e9-eleitorais.<\/p>\n<p>Na caserna, n\u00e3o se cr\u00ea em recupera\u00e7\u00e3o da economia, muito menos no programa de privatiza\u00e7\u00f5es vendido pelo ministro Paulo Guedes como panaceia \u2013 esp\u00e9cie de cloroquina econ\u00f4mica. S\u00f3 ao custo de uma divis\u00e3o in\u00e9dita dos comandos militares as For\u00e7as Armadas perfilariam a favor de uma aventura de n\u00e3o reconhecimento do resultado do pleito presidencial.<\/p>\n<p>A imagem de Jair Messias Bolsonaro afixada nas fotos oficiais dos QGs brasileiros assemelha-se, a cada dia que passa, ao retrato de Dorian Gray, no romance hom\u00f4nimo do escritor e dramaturgo brit\u00e2nico Oscar Wilde.<\/p>\n<p>Assim como o personagem de Wilde, Bolsonaro vendeu sua alma aos comandantes militares e firmou uma profiss\u00e3o de f\u00e9 de que seriam felizes juntos e para sempre no comando do Pa\u00eds. Contudo, ao se descobrir Presidente, acreditou ser onipotente e deixou vazar os matizes mais grotescos e bizarros de sua alma deformada. Assustados com as pervers\u00f5es que ajudaram a implantar no Pal\u00e1cio do Planalto e envergonhados com a p\u00e9ssima figura externa que o Brasil faz hoje no mundo, os chefes das For\u00e7as Armadas querem apagar a foto e exorcizar a culpa que t\u00eam por terem-na encomendado. Dar cabo dessa miss\u00e3o, entretanto, \u00e9 tarefa para um Estadista \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 biografias dispon\u00edveis no espectro de direita com tamanha envergadura para suportar a dimens\u00e3o desse adjetivo superlativo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Bolsonaro desconfia cada dia mais dos militares que o cercam. 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