{"id":360189,"date":"2021-06-27T08:10:28","date_gmt":"2021-06-27T11:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=360189"},"modified":"2021-06-27T08:10:28","modified_gmt":"2021-06-27T11:10:28","slug":"educacao-nao-e-somente-fornecimento-de-conteudos-diz-professor-e-pesquisador-nelson-pretto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/educacao-nao-e-somente-fornecimento-de-conteudos-diz-professor-e-pesquisador-nelson-pretto\/","title":{"rendered":"&#8216;Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente fornecimento de conte\u00fados&#8217;, diz professor e pesquisador Nelson Pretto"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"tituloMateria\" style=\"text-align: justify;\"><\/h3>\n<p class=\"credito\" style=\"text-align: justify;\">Gilson Jorge<\/p>\n<div class=\"tags hidden-xs\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"conteudoMateria\">\n<div class=\"fadeOut owl-carousel owl-theme owl-loaded owl-drag\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"owl-stage-outer\">\n<div class=\"owl-stage\">\n<div class=\"owl-item cloned\">\n<figure class=\"item\"><img decoding=\"async\" class=\"mg-responsive\" title=\"'A escola tem que trabalhar muito com o inusitado, e a fam\u00edlia deveria gostar disso', diz pesquisador | Foto: Raphael M\u00fcller | Ag. A TARDE - Foto: Raphael M\u00fcller | Ag. A TARDE\" src=\"https:\/\/fw.atarde.uol.com.br\/2021\/06\/750_educacao-conhecimento-conteudos-nelson-pretto_202162617114148.jpg\" alt=\"'A escola tem que trabalhar muito com o inusitado, e a fam\u00edlia deveria gostar disso', diz pesquisador | Foto: Raphael M\u00fcller | Ag. A TARDE - Foto: Raphael M\u00fcller | Ag. A TARDE\" \/><figcaption>&#8216;A escola tem que trabalhar muito com o inusitado, e a fam\u00edlia deveria gostar disso&#8217;, diz pesquisador | Foto: Raphael M\u00fcller | Ag. A TARDE<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"owl-item cloned\"><\/div>\n<div class=\"owl-item cloned\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Nelson Pretto tem curr\u00edculo e experi\u00eancia acad\u00eamica que n\u00e3o deixam d\u00favidas sobre a seriedade do seu trabalho. O que n\u00e3o o impede de exercer o seu senso de humor mesmo em ambientes formais, como a Plataforma Lattes, do CNPq. As informa\u00e7\u00f5es sobre seu mestrado em educa\u00e7\u00e3o e doutorado em comunica\u00e7\u00e3o precedem um aviso em letras garrafais de que quem for apresent\u00e1-lo em algum evento cient\u00edfico j\u00e1 tem ali mais do que o suficiente. Nesta entrevista, tamb\u00e9m permeada de algum humor, Pretto tra\u00e7a considera\u00e7\u00f5es sobre um tema que n\u00e3o causa gra\u00e7a \u00e0 comunidade acad\u00eamica. A Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJ) da C\u00e2mara dos Deputados aprovou este m\u00eas o Projeto de Lei 3262\/19, apresentado pelas deputadas federais Chris Tonietto (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Caroline de Toni (PSL-SC), que permite que pais eduquem seus filhos em casa \u2013 o chamado homeschooling ou educa\u00e7\u00e3o domiciliar. A medida, recha\u00e7ada na maioria do planeta, tem como modelo os Estados Unidos, onde, desde 1990, os pais podem decidir se mandam os filhos \u00e0 escola ou se eles mesmos se responsabilizam pela forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Cada um dos 50 estados daquele pa\u00eds tem as pr\u00f3prias regras. O que \u00e9 bom para os Estados Unidos \u00e9 bom para o Brasil?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem esse projeto de lei tramitando no Congresso que prev\u00ea a possibilidade do homeschooling. O que o senhor acha dessa ideia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse projeto \u00e9, na minha opini\u00e3o, um grande absurdo. S\u00e3o in\u00fameras as raz\u00f5es por que a gente tem que combater com todas as nossas for\u00e7as a ideia dessa educa\u00e7\u00e3o domiciliar. A primeira \u00e9 sobre a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o. Se eu entendo a educa\u00e7\u00e3o como sendo apenas o fornecimento de conte\u00fados, \u00e9 uma coisa. Mas educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente fornecimento de conte\u00fados. Por isso que as propostas que est\u00e3o circulando, de dizer que vai seguir a Base Nacional Comum Curricular, que vai ter avalia\u00e7\u00e3o, etc., etc., etc., s\u00e3o todas propostas que partem do pressuposto de que o foco da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a transmiss\u00e3o de conte\u00fados de algumas mentes iluminadas para as pobres crian\u00e7as que nada sabem e que a\u00ed v\u00e3o adquirir esses conhecimentos. A\u00ed, obviamente a gente lembra de Paulo Freire, de educa\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, de t\u00e1bula rasa e coisas desse tipo. Como a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais do que isso, educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o mais ampla, que essencialmente se faz a partir das diferen\u00e7as, do conv\u00edvio das diferen\u00e7as. \u00c9 claro que eu tenho que pensar que dentro de uma fam\u00edlia, de uma casa, as diferen\u00e7as n\u00e3o estar\u00e3o presentes. Dentro de uma fam\u00edlia, voc\u00ea ter\u00e1 uma \u00fanica orienta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a import\u00e2ncia da escola \u00e9 justamente porque a pessoa jovem, crian\u00e7a, vai levar a sua orienta\u00e7\u00e3o familiar para um coletivo que convive com diversas outras orienta\u00e7\u00f5es familiares. Portanto, que convive com as diferen\u00e7as. E \u00e9 no conv\u00edvio com a diferen\u00e7a que se d\u00e1 o crescimento do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como assim?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma quest\u00e3o central que se coloca nesse debate. Eu n\u00e3o posso proteger as crian\u00e7as e os jovens do pensamento dos outros, do pensamento diferente. A escola tem, portanto, essa fun\u00e7\u00e3o. A escola tem fun\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do que \u00e9 chamado \u2018socializa\u00e7\u00e3o\u2019. Ou seja, a escola n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aquele momento, e talvez seja o momento menos importante, mas que \u00e9 bastante importante, da sala de aula, todo o conjunto de a\u00e7\u00f5es que acontece dentro da escola, o contato com a merendeira e com o merendeiro, o contato com as pessoas que cuidam da limpeza, os professores mais diversos, com os colegas e as colegas, como o caminho da escola. Seja na van para a classe m\u00e9dia, m\u00e9dia-alta, seja no carro de sua fam\u00edlia, seja no \u00f4nibus ou a p\u00e9. Essa viv\u00eancia do jovem na cidade a caminho da escola e dentro da escola \u00e9 fundamental para sua forma\u00e7\u00e3o. Mas existem outras quest\u00f5es ainda que s\u00e3o muito importantes e que, \u00e0s vezes, s\u00e3o colocadas como secund\u00e1rias. Por exemplo, e a pandemia mostrou isso, a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Muitas vezes \u00e9 num simples olhar de uma crian\u00e7a e de um jovem para a professora ou para o professor, que \u00e9 poss\u00edvel perceber algum desconforto com situa\u00e7\u00f5es familiares, e com isso ser poss\u00edvel uma interven\u00e7\u00e3o da escola, atrav\u00e9s das autoridades, no sentido de coibir viol\u00eancia dom\u00e9stica. N\u00e3o s\u00f3 para a pr\u00f3pria crian\u00e7a, mas tamb\u00e9m viol\u00eancia dom\u00e9stica entre os respons\u00e1veis. Os dois pais, as duas m\u00e3es, o pai e a m\u00e3e. O marido da m\u00e3e ou a mulher do pai, que n\u00e3o seja m\u00e3e. S\u00e3o quest\u00f5es complexas que a escola recebe e com uma escola fortalecida ela tem condi\u00e7\u00f5es de encaminhar de forma muito mais correta, eficiente, humana, em \u00faltima inst\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Atrav\u00e9s de um desenho que o aluno fa\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel entender uma situa\u00e7\u00e3o de abuso sexual, \u00e9 quando d\u00e1 para se fazer uma leitura do que n\u00e3o \u00e9 conte\u00fado\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claro, isso \u00e9 o ponto central. E \u00e9 por isso que n\u00f3s, professores, e eu me incluo porque esse tema vale para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, que \u00e9 uma das coisas que a gente estuda, mas vale tamb\u00e9m para educa\u00e7\u00e3o superior, vale para tudo. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente esse processo criativo e humano de rela\u00e7\u00f5es entre seres humanos e entre seres humanos e coisas, o ambiente escolar, as coisas que est\u00e3o dentro da escola, as tecnologias, todas elas, das mais simples \u00e0s mais sofisticadas. Para se ter uma ideia, agora durante a pandemia quando teve esse abre e fecha de escolas, no Rio de Janeiro eu vi o depoimento de um aluno. Eu fico at\u00e9 emocionado quando falo sobre isso, porque \u00e9 muito duro. O rep\u00f3rter perguntou: voc\u00ea est\u00e1 gostando de voltar para a escola? Ele disse: muito, porque eu n\u00e3o aguentava mais ver meu pai bater em minha m\u00e3e. Claro, se voc\u00ea est\u00e1 confinado dentro da casa, agora por conta da pandemia, e no futuro, caso um projeto como esse passe, por conta de uma sistem\u00e1tica educacional que impede a pessoa de sair daquele ambiente familiar, o risco de ele conviver apenas com esses atos violentos \u00e9 muito grande. N\u00e3o quero dizer com isso que toda fam\u00edlia tenha esse n\u00edvel de problema. Pode ter esse n\u00edvel de problema, que obviamente n\u00e3o \u00e9 a grande maioria, mas temos que estar preocupados com esses casos. Mas tamb\u00e9m do ponto de vista de viol\u00eancia conceitual, no sentido de enfrentamento. E quando a gente traz essa dimens\u00e3o de enfrentamento, estamos querendo dizer que \u00e9 essa desestabiliza\u00e7\u00e3o das certezas que faz o ser humano crescer. Veja o que \u00e9 o movimento. O movimento que estou lhe falando \u00e9 o caminhar. Nada mais \u00e9 do que o desequil\u00edbrio permanente e a busca do equil\u00edbrio. Voc\u00ea se desequilibra para frente, coloca o p\u00e9 mais adiante e a\u00ed voc\u00ea volta ao equil\u00edbrio. Voc\u00ea se desequilibra de novo, e isso faz voc\u00ea andar. Se voc\u00ea ficar permanentemente equilibrado, voc\u00ea n\u00e3o anda. Esse andar a\u00ed \u00e9 metaf\u00f3rico. Voc\u00ea n\u00e3o anda fisicamente, mas n\u00e3o anda existencialmente. Os processos educativos que promovem o desequil\u00edbrio, nesse sentido metaf\u00f3rico, s\u00e3o fundamentais. E a\u00ed a escola tem que respeitar e valorizar o erro. Inclusive porque um ambiente escolar que valorize o erro \u00e9 um ambiente menos prop\u00edcio ao bullying. O bullying nada mais \u00e9 do que o estabelecimento de padr\u00f5es. Padr\u00f5es est\u00e9ticos, de respostas a problemas colocados e padr\u00f5es de todos os tipos. Tudo aquilo que foge ao padr\u00e3o \u00e9 objeto de bullying. Se voc\u00ea trabalha em um espa\u00e7o onde os padr\u00f5es s\u00e3o permanentemente questionados \u2013 isso \u00e9, a escola, e se n\u00e3o \u00e9 deveria ser \u2013, voc\u00ea diminui essas quest\u00f5es de viol\u00eancia f\u00edsica e viol\u00eancia simb\u00f3lica. A escola n\u00e3o deve s\u00f3 aceitar as diferen\u00e7as. Deve enaltecer as diferen\u00e7as. A gente tem que afastar definitivamente a ideia da escola como sendo um grande funil que chega a todos os diferentes e l\u00e1 na ponta saem os iguais. Como se a escola tivesse como fun\u00e7\u00e3o transformar o outro no eu. N\u00e3o, a escola, ao contr\u00e1rio, tem que ser uma m\u00e1quina de produzir cada vez mais diferen\u00e7a. Obviamente, n\u00e3o queremos com isso dizer que a escola \u00e9 o melhor dos mundos. A gente tem v\u00e1rias cr\u00edticas \u00e0 escola, e essas cr\u00edticas s\u00e3o importantes de ser feitas porque com essas cr\u00edticas a gente tem a possibilidade de aperfei\u00e7oar a escola, aperfei\u00e7oar o sistema. E n\u00e3o simplesmente saindo dele, como \u00e9 a proposta dessa modalidade chamada homeschooling ou educa\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a escola pode valorizar o erro no sentido de que se aprenda com o erro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem algumas frentes que a gente podia olhar. Uma classe m\u00e9dia, m\u00e9dia-alta, num sistema onde a fam\u00edlia d\u00ea muita assist\u00eancia aos seus filhos, o que \u00e9 sempre louv\u00e1vel, jamais procurar com que os erros que, por exemplo, cometem nos deveres sejam corrigidos para que n\u00e3o cheguem errados \u00e0 escola. Voc\u00ea conseguir trazer para a escola todas as dificuldades que voc\u00ea tem em rela\u00e7\u00e3o a alguns conte\u00fados \u00e9 fundamental para o trabalho do professor. Por outro lado, do ponto de vista da escola, aquele professor que valoriza o erro e n\u00e3o fica preocupado apenas com o acerto \u00e9 um professor que vai contribuir muito para a forma\u00e7\u00e3o da juventude. Porque o erro \u00e9 algo absolutamente fundamental para a criatividade. Voc\u00ea n\u00e3o elabora um produto criativo cheio de regrinhas. Mesmo quando voc\u00ea define uma arte digital com algoritmo, voc\u00ea procura que esse algoritmo seja o mais aleat\u00f3rio poss\u00edvel, no sentido que ele possibilite uma cria\u00e7\u00e3o, algo inusitado. A escola tem que trabalhar muito com o inusitado. E a fam\u00edlia deveria gostar disso. Porque com esse confronto de ideias a fam\u00edlia se fortalece em \u00faltima inst\u00e2ncia. Se fortalece do ponto de vista de uma educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e se fortalece porque tamb\u00e9m os seus valores s\u00e3o questionados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Estados Unidos s\u00e3o o \u00fanico pa\u00eds ocidental onde o homeschooling \u00e9 uma decis\u00e3o dos pais. Na Europa, isso \u00e9 poss\u00edvel em casos excepcionais, quando a crian\u00e7a tem alguma dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o. No Brasil, parece que h\u00e1 uma onda em que se tenta convencer as pessoas de que educa\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de comunismo ou partidarismo. Como o senhor v\u00ea isso?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed entramos por esse momento que n\u00f3s estamos vivendo, terr\u00edvel do nosso pa\u00eds, do negacionismo, de qualquer pensamento cr\u00edtico ser associado ao comunismo sem nem saber o que \u00e9 comunismo. A\u00ed criaram essa ideia de marxismo cultural. Ou seja, criaram express\u00f5es de impacto para associar tudo o que se fala quando se busca justi\u00e7a social, menos desigualdade, vis\u00e3o desconfiada do mundo, tudo isso como sin\u00f4nimo de comunismo, o que \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o empobrecida de qualquer um desses conceitos. A\u00ed junto com isso associam a hist\u00f3ria de Escola sem Partido, de livros que ensinam crian\u00e7as e jovens a mudar de sexo, como se fosse poss\u00edvel isso acontecer (risos). Eu acho que esse n\u00edvel de debate \u00e9 t\u00e3o pobre que n\u00e3o vale a pena gastarmos linha de jornal falando sobre isso. Porque \u00e9 de um reducionismo inacredit\u00e1vel. Trazer o debate sobre terraplanismo, n\u00e3o vacina, \u00e9 desconhecer todas as quest\u00f5es, a evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Quando a gente fala em evolu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 dizendo que a ci\u00eancia \u00e9 um bloco monol\u00edtico, que ali dentro n\u00e3o tenha disputa. Tem. E \u00e9 por isso que ela \u00e9 rica. E quando voc\u00ea tem disputa do conhecimento cient\u00edfico tem um crit\u00e9rio \u00e9tico, que \u00e9 fundamental, que \u00e9 a precau\u00e7\u00e3o, o cuidado com o outro, o acolhimento. A gente precisa centrar fogo no debate nessa perspectiva, que \u00e9 uma perspectiva que olha para a gente, n\u00e3o essa perspectiva tacanha, que olha para tr\u00e1s e quer reduzir tudo a essas express\u00f5es que eles v\u00e3o criando para desviar o foco que \u00e9 o debate sobre a perspectiva emancipat\u00f3ria da educa\u00e7\u00e3o em detrimento de uma perspectiva doutrin\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o senhor teme o avan\u00e7o do obscurantismo ou acha que isso vai passar daqui a pouco?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temor \u00e9 claro que eu tenho (risos). Porque h\u00e1 o poder de algumas dessas redes que est\u00e3o a\u00ed, com essa prolifera\u00e7\u00e3o de fake news. E a necessidade que n\u00f3s temos, historicamente, de fortalecer uma forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do cidad\u00e3o \u00e9 muito grande. A gente precisa avan\u00e7ar nisso. E essa \u00e9 a lida de educadores progressistas, entre os quais eu me incluo. Quando eu insisto com meus colegas professores de que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 essencialmente um ato pol\u00edtico, a gente est\u00e1 querendo dizer isso. Se baixamos a guarda e deixamos essa no\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o como alguma coisa ass\u00e9ptica tomar conta, o risco de prolifera\u00e7\u00e3o dessas teorias pode ser grande. E a\u00ed voc\u00ea associa tudo isso com a profunda desigualdade que o pa\u00eds vive, uma desigualdade absurda. Dez fam\u00edlias t\u00eam a riqueza de 53% de toda a popula\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea pega uma situa\u00e7\u00e3o de fome, como estamos vivendo, com o fato de as pessoas nessas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o serem fortemente politizadas, esse risco existe.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esse projeto \u00e9, na minha opini\u00e3o, um grande absurdo. S\u00e3o in\u00fameras as raz\u00f5es por que a gente tem que combater com todas as nossas for\u00e7as a ideia dessa educa\u00e7\u00e3o domiciliar. A primeira \u00e9 sobre a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o. Se eu entendo a educa\u00e7\u00e3o como sendo apenas o fornecimento de co<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":357985,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-360189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/sala-de-aula-ensino-medio.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360189\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/357985"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}