{"id":360207,"date":"2021-06-27T10:55:54","date_gmt":"2021-06-27T13:55:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=360207"},"modified":"2021-06-28T10:10:10","modified_gmt":"2021-06-28T13:10:10","slug":"ha-mais-de-um-seculo-brasil-adotava-quarentena-contra-doencas-do-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ha-mais-de-um-seculo-brasil-adotava-quarentena-contra-doencas-do-exterior\/","title":{"rendered":"H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, Brasil adotava quarentena contra doen\u00e7as do exterior"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\" style=\"text-align: justify;\">Em \u00e9poca de surtos de doen\u00e7as no final do s\u00e9culo 19, autoridades tomavam medidas em portos e hospedarias para proteger a popula\u00e7\u00e3o local e os imigrantes que chegavam para trabalhar no pa\u00eds.<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Por\u00a0<span id=\"authors-box\"><strong>BBC News Brasil<\/strong>\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<div class=\"Noticia_Foto\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, Brasil adotava quarentena e rastreamento contra doen\u00e7as vindas do exterior\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/8g\/wi\/s2\/8gwis2ohn8bobpdvk43gk114x.jpg\" alt=\"H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, Brasil adotava quarentena e rastreamento contra doen\u00e7as vindas do exterior\" width=\"652\" height=\"408\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Vitor Tavares &#8211; Da BBC News Brasil em S\u00e3o Paulo<\/cite><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\">H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, Brasil adotava quarentena e rastreamento contra doen\u00e7as vindas do exterior<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1893, quatro navios que chegavam com grupos de imigrantes italianos a S\u00e3o Paulo tiveram que dar meia-volta. O motivo: uma epidemia de c\u00f3lera que assolava a Europa e que fez v\u00edtimas entre os passageiros durante a viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As embarca\u00e7\u00f5es foram proibidas pelas autoridades brasileiras de atracar nos portos de Santos (SP) e Rio de Janeiro, como registrou a historiadora Fernanda Rebelo (1975-2018), que se dedicou ao\u00a0<a href=\"http:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/reh\/article\/view\/3273\">estudo da hist\u00f3ria das ci\u00eancias e da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil<\/a>\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia era impedir a chegada da doen\u00e7a no pa\u00eds, j\u00e1 que locais para quarentena e tratamento de doentes estavam cheios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Era uma medida mais dr\u00e1stica, mas mostra a aten\u00e7\u00e3o de autoridades naquela \u00e9poca em rela\u00e7\u00e3o a epidemias&#8221;, explica o historiador Henrique Trindade, pesquisador do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria Hospedaria do Br\u00e1s, onde hoje funciona o Museu, foi inaugurada devido a um surto de var\u00edola em S\u00e3o Paulo, em 1887 \u2014 na ocasi\u00e3o, para proteger os novos imigrantes dos casos j\u00e1 registrados em outro alojamento, o do Bom Retiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O novo pr\u00e9dio, uma das maiores hospedarias da Am\u00e9ricas, foi constru\u00eddo fora dos ent\u00e3o limites da cidade, como uma forma de evitar o contato da popula\u00e7\u00e3o local com doen\u00e7as que potencialmente poderiam ser trazidas de outras partes do mundo. E tamb\u00e9m o contr\u00e1rio, para preservar a for\u00e7a de trabalho saud\u00e1vel que chegava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essas n\u00e3o foram medidas pontuais na hist\u00f3ria do Brasil, como mostram o vasto registro em documentos hist\u00f3ricos. Desde meados do s\u00e9culo 19, com a intensifica\u00e7\u00e3o do tr\u00e2nsito de pessoas pelo mundo, a preocupa\u00e7\u00e3o com as fronteiras era uma prioridade.<\/p>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/12BA0\/production\/_118940767_2.png\" alt=\"Foto em preto e branco mostra dezenas de homens e mulheres no porto\" \/><\/figure>\n<footer>Acervo Museu da Imigra\u00e7\u00e3o\/APESP<\/footer>\n<p>Se o navio registrasse doen\u00e7as antes da chegada ao Brasil, poderia ter de ficar mais de 1 semana em quarentena<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2020, com o in\u00edcio da pandemia de covid-19, o debate sobre medidas para proteger as &#8220;entradas&#8221; de pa\u00edses voltou ao radar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns, como a Coreia do Sul, conseguiram implementar medidas eficazes de rastreamento e controle em aeroportos, como quarentena obrigat\u00f3ria, aplicativo com monitoramento de passageiros e testes em massa nos terminais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros, como o Brasil, n\u00e3o adotaram medidas semelhantes. S\u00f3 em dezembro de 2020 (ou seja, nove meses ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia) o governo passou exigir que passageiros vindos do exterior exibissem testes negativos para covid-19 nos aeroportos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Hist\u00f3ria da quarentena no Brasil<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao menos desde 1810, ainda como col\u00f4nia portuguesa, o Brasil se utilizava de quarentena nos portos e inspe\u00e7\u00e3o de navios como uma pol\u00edtica p\u00fablica para impedir a chegada de doen\u00e7as ao territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia ainda naquele tempo o tr\u00e1fico de africanos, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/alm\/a\/DKDQ9959nnThHDCtKsbHLMc\/?format=pdf&amp;lang=pt\">for\u00e7adamente eram retirados da \u00c1frica para serem escravizados por aqui<\/a>\u00a0. Ao longo do s\u00e9culo 19, essas medidas tamb\u00e9m se estenderam aos navios que de forma cada vez mais frequente traziam levas de imigrantes, principalmente da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esses novos trabalhadores, interessantes ao governo para &#8220;europeizar&#8221; o Brasil, a preocupa\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria se intensificava.<\/p>\n<p class=\" \" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Por um lado, voc\u00ea tem a preocupa\u00e7\u00e3o de evitar que quem chegasse pudesse trazer doen\u00e7as. Por outro lado, voc\u00ea tamb\u00e9m tem, especialmente na corte, na cidade do Rio, a preocupa\u00e7\u00e3o de que aqueles sujeitos saud\u00e1veis n\u00e3o fossem contaminados pelas epidemias daqui&#8221;, relata o historiador Rui Fernandes, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador no Centro de Mem\u00f3ria da Imigra\u00e7\u00e3o da Ilha das Flores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1829, ap\u00f3s a Independ\u00eancia, o pa\u00eds aprovou um regulamento para a inspe\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica nos portos, que tinha por\u00a0<a href=\"http:\/\/mapa.an.gov.br\/index.php\/menu-de-categorias-2\/328-inspecoes-de-saude-dos-portos\">atribui\u00e7\u00e3o verificar o estado sanit\u00e1rio das embarca\u00e7\u00f5es e decidir se estavam desimpedidas ou deveriam aguardar quarentena<\/a>\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Navios que vinham de locais da Europa onde havia surtos de doen\u00e7as como a c\u00f3lera precisavam passar dias sendo inspecionados por m\u00e9dicos. No Rio, as embarca\u00e7\u00f5es deveriam ficar em ancoradouros como o de Jurujuba, em Niter\u00f3i, onde tamb\u00e9m havia o Hospital Mar\u00edtimo de Santa Isabel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um relat\u00f3rio do Imp\u00e9rio de 1856, o ministro dos Neg\u00f3cios dizia que &#8220;estabelecimentos desta natureza s\u00e3o de indispens\u00e1vel necessidade em portos t\u00e3o frequentados como este da capital&#8221;.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Locais para quarentena de imigrantes<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m j\u00e1 havia a defesa de diminuir o uso de quarentenas como m\u00e9todo e a necessidade de investimento em tecnologias de desinfec\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de lazaretos,\u00a0<a href=\"http:\/\/brazil.crl.edu\/bsd\/bsd\/u1729\/000037.html\">locais para onde poderiam ser levados os doentes<\/a>\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal lazareto, o da Ilha Grande, no Rio, ficaria pronto em 1886, logo ap\u00f3s estourar uma epidemia de c\u00f3lera na Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ali que ficou focado o servi\u00e7o para quarentena de navios que vinham de portos como os de Triestre, na It\u00e1lia, e Fiume, na atual Cro\u00e1cia, considerados locais de surto da epidemia, e at\u00e9 de Uruguai, Argentina e Chile, devido ao aparecimento da doen\u00e7a nos pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitas vezes a pr\u00f3pria tripula\u00e7\u00e3o j\u00e1 informava ao porto que aquele navio estava infectado. E a\u00ed nesse caso n\u00e3o era permitido que ele nem chegasse \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara, ele j\u00e1 era levado l\u00e1 pra Ilha Grande&#8221;, explica Fernandes.<\/p>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/179C0\/production\/_118940769_3-vacina.png\" alt=\"Foto em preto e branco mostra homem, de costas, sendo vacinado por outro homem em sala\" \/><\/p>\n<footer>Acervo Museu da Imigra\u00e7\u00e3o\/APESP<\/footer><figcaption>Havia campanhas de vacina\u00e7\u00e3o nas hospedarias para proteger a nova for\u00e7a de trabalho que chegava ao pa\u00eds<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tel\u00e9grafo, os portos da Am\u00e9rica tamb\u00e9m ficavam sabendo rapidamente de epidemias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as quarentenas n\u00e3o ficaram restritas aos navios. As medidas tamb\u00e9m se estenderam \u00e0s pr\u00f3prias hospedarias, como a do Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo, e da Ilha das Flores, no Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Temos registros de quarentenas que geraram conflitos entre imigrantes e autoridades p\u00fablicas. Eles chegavam obviamente angustiados, com medo, num pa\u00eds novo e, se tivessem algum tipo de doen\u00e7a, eram separados at\u00e9 de familiares&#8221;, diz Trindade, do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Ilha das Flores, hoje conectada ao continente na cidade de S\u00e3o Gon\u00e7alo (RJ), o local servia tamb\u00e9m para que imigrantes saud\u00e1veis n\u00e3o precisassem frequentar o centro do Rio, com condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias prec\u00e1rias, antes de seguir para lavouras e col\u00f4nias no interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Relat\u00f3rios administrativos buscavam enfatizar que essa pol\u00edtica sanit\u00e1ria era exitosa. Mas quando a gente cruza com alguns da imprensa do per\u00edodo, voc\u00ea identifica que nem sempre era exitoso&#8221;, destaca Fernandes.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Desinfec\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/4528\/production\/_118940771_4-bras.png\" alt=\"Foto em preto e branco mostra fachada de pr\u00e9dio\" \/><\/p>\n<footer>Acervo Museu da Imigra\u00e7\u00e3o\/APESP<\/footer><figcaption>Hospedaria do Br\u00e1s foi constru\u00edda fora dos limites da cidade S\u00e3o Paulo, devido a quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no final do s\u00e9culo 19, um relat\u00f3rio do governo paulista apontava que a c\u00f3lera que devastou partes da Europa chegou ao Brasil, apesar das quarentenas. A &#8220;culpa&#8221; foi atribu\u00edda \u00e0s bagagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo explica Trindade, com base nos registros do Museu da Imigra\u00e7\u00e3o, foi quando se intensificaram medidas de se desinfectar roupas e malas para combater essa e outras doen\u00e7as. Tamb\u00e9m havia cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o com as perdas econ\u00f4micas causadas pelas quarentenas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Hospedaria do Br\u00e1s, o sistema de desinfec\u00e7\u00e3o de bagagens foi instalado em 1899.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num surto de febre amarela no interior de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m foram instaladas nas esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias estufas e pulverizadores para desinfec\u00e7\u00e3o de bagagens e passageiros. Pessoas que embarcavam em cidades assoladas por algum surto eram colocadas em um vag\u00e3o espec\u00edfico, j\u00e1 que n\u00e3o se sabia que a doen\u00e7a n\u00e3o era transmiss\u00edvel de pessoa pra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com avan\u00e7o dos estudos bacteriol\u00f3gicos, surgiu o uso do aparelho de g\u00e1s Clayton.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/hcsm\/a\/JbtC34LGBzSwzSZF5VgRdwD\/?lang=pt\">artigo na revista Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade<\/a>\u00a0, da Casa Oswaldo Cruz, a historiadora Fernanda Rebelo relata: &#8220;uso do g\u00e1s sulfuroso seco, produzido sob press\u00e3o do aparelho de Clayton, nas condi\u00e7\u00f5es em que foi empregado (grau de concentra\u00e7\u00e3o de 8%), foi perfeitamente eficaz na desinfec\u00e7\u00e3o dos navios, para tornar inofensivos os objetos contaminados pelos micr\u00f3bios da febre tifoide, da c\u00f3lera e da peste&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Al\u00e9m disso, o processo permitia destruir todos os ratos e insetos como pulgas, percevejos, baratas.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com algumas dessas novas tecnologias, o governo come\u00e7ou a abolir as quarentenas de navios. Como mostram\u00a0<a href=\"http:\/\/brazil.crl.edu\/bsd\/bsd\/u1886\/000296.html\">documentos da \u00e9poca<\/a>\u00a0, imigrantes desembarcados tamb\u00e9m passaram a gozar de liberdade de locomo\u00e7\u00e3o desde que indicassem a resid\u00eancia de destino, onde seriam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/hcsm\/a\/JbtC34LGBzSwzSZF5VgRdwD\/?lang=pt\">visitados por funcion\u00e1rios<\/a>\u00a0da Inspetoria Geral de Sa\u00fade do Porto do Rio de Janeiro, durante o prazo de incuba\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a registradas nos navios.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Dentro do Brasil<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">As medidas para evitar o espalhamento de doen\u00e7as tamb\u00e9m ocorriam dentro do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a epidemia de c\u00f3lera que atingiu a parte paulista do Vale do Para\u00edba no final de 1894, registros em jornais da \u00e9poca mostram que o tr\u00e1fego ferrovi\u00e1rio entre os estados de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro foi interrompido, para evitar a propaga\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e0 ent\u00e3o capital federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Empres\u00e1rios paulistas criticavam as medidas, que prejudicavam o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria. Por vezes, minimizavam a for\u00e7a da epidemia e faziam duras cr\u00edticas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/hcsm\/a\/RS8yYKbdSdLjkVpGCtP6Cpw\/?lang=pt&amp;format=pdf\">interrup\u00e7\u00e3o durou alguns meses, mas depois foi substitu\u00edda<\/a>\u00a0por medidas como passaporte sanit\u00e1rio, desinfec\u00e7\u00e3o de passageiros e proibi\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio de produtos como carne e leite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o historiador Henrique Trindade, a pol\u00edtica sanit\u00e1ria do per\u00edodo &#8220;contribuiu para que algumas epidemias do final do s\u00e9culo 19, do come\u00e7o do s\u00e9culo 20, n\u00e3o fossem t\u00e3o mort\u00edferas quanto poderiam ser&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas tamb\u00e9m n\u00e3o impediu que doen\u00e7as se alastrassem pelo Brasil, como a c\u00f3lera, em 1899. O surto, por\u00e9m, fez o pa\u00eds criar as suas duas mais importantes\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-52801687?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Big.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">institui\u00e7\u00f5es de pesquisa em sa\u00fade<\/a>\u00a0: Fiocruz e Butantan.<\/p>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em \u00e9poca de surtos de doen\u00e7as no final do s\u00e9culo 19, autoridades tomavam medidas em portos e hospedarias para proteger a popula\u00e7\u00e3o local e os imigrantes que chegavam para trabalhar no pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":360297,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-360207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/lancha-velha.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=360207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/360207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/360297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=360207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=360207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=360207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}