{"id":360829,"date":"2021-07-04T08:19:56","date_gmt":"2021-07-04T11:19:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=360829"},"modified":"2021-07-04T08:19:56","modified_gmt":"2021-07-04T11:19:56","slug":"desigualdade-entre-brancos-e-negros-dispara-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/desigualdade-entre-brancos-e-negros-dispara-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Desigualdade entre brancos e negros dispara no Nordeste"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"jeg_post_title\"><\/h1>\n<div class=\"jeg_meta_container\">\n<div class=\"jeg_post_meta jeg_post_meta_1\">\n<div class=\"meta_left\"><\/div>\n<div class=\"meta_right\">\n<div class=\"jeg_meta_comment\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_featured featured_image\">\n<div class=\"thumbnail-container animate-lazy\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-jnews-featured-750 size-jnews-featured-750 wp-post-image lazyautosizes lazyloaded\" src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-750x450.jpg\" sizes=\"auto, 770px\" srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-750x450.jpg 750w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife.jpg 1000w\" alt=\"Desigualdade entre brancos e negros dispara no Nordeste\" width=\"750\" height=\"450\" data-src=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-750x450.jpg\" data-srcset=\"https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-750x450.jpg 750w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-300x180.jpg 300w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife-768x461.jpg 768w, https:\/\/ricardoantunes.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/4ae96791e0_comercio-recife.jpg 1000w\" data-sizes=\"auto\" data-expand=\"700\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"jeg_share_top_container\">\n<div class=\"jeg_share_button clearfix\">\n<div class=\"jeg_share_stats\">\n<div class=\"jeg_share_count\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"entry-content no-share\">\n<div class=\"jeg_share_button share-float jeg_sticky_share clearfix share-normal\">\n<div class=\"jegStickyHolder\">\n<div class=\"theiaStickySidebar\">\n<div class=\"jeg_share_float_container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"content-inner \">\n<p><strong>Da Folha de S. Paulo \u2014<\/strong>\u00a0Nas margens do rio Paragua\u00e7u, oper\u00e1rios entram em um barco e seguem at\u00e9 uma das tr\u00eas grandes plataformas de petr\u00f3leo a poucos metros do cais. Eles n\u00e3o v\u00e3o construir nem fazer reparos no maquin\u00e1rio: v\u00e3o retirar parte dos equipamentos que ser\u00e3o vendidos como sucata.<\/p>\n<p>As plataformas est\u00e3o junto \u00e0 vila de S\u00e3o Roque do Paragua\u00e7u, em Maragogipe (140 km de Salvador), cidade do rec\u00f4ncavo baiano que foi do c\u00e9u ao inferno em menos de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O distrito, que abriga galp\u00f5es da Petrobras e um estaleiro erguido por empresas privadas, reflete o arrefecimento das grandes obras que dizimou a renda em estados do Nordeste, com impacto ainda maior para os trabalhadores negros. Dados do Ifer (\u00cdndice Folha de Equil\u00edbrio Racial) apontam que houve\u00a0aumento no fosso que separa a renda de pretos e pardos, de um lado, e brancos, de outro, na maioria dos estados nordestinos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A disparidade na regi\u00e3o como um todo se traduzia em um indicador j\u00e1 negativo de -0,43, em 2012, que piorou para -0,60 em 2019. Os n\u00fameros apontam uma sub-representa\u00e7\u00e3o dos negros, em rela\u00e7\u00e3o a seu peso populacional, no grupo dos nordestinos 10% mais ricos. Com a\u00a0piora de 40% no Ifer, o Nordeste perdeu o posto de regi\u00e3o menos desigual do pa\u00eds, despencando para a quarta posi\u00e7\u00e3o, na frente apenas do Sudeste.<\/p>\n<p>Embora a crises econ\u00f4mica tenha abalado a economia nordestina como um todo, os brancos 10% mais ricos viram sua renda subir de 2012 a 2019, enquanto os sal\u00e1rios e rendimentos dos negros ca\u00edram.<\/p>\n<p>Em Maragogipe, cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por 81% de\u00a0pretos e pardos, a paralisa\u00e7\u00e3o das obras do estaleiro foi como um baque. O desemprego na cidade explodiu, empurrando profissionais como o caldeireiro Renato Bispo de Souza para a informalidade.<\/p>\n<p>\u201cFoi um empreendimento que aqueceu a economia de todo o rec\u00f4ncavo\u201d, lembra Renato.<\/p>\n<figure><figcaption><\/figcaption><\/figure>\n<p>Desde a demiss\u00e3o, ele conseguiu apenas empregos tempor\u00e1rios em obras pontuais. Trocou a constru\u00e7\u00e3o pesada pela venda de roupas e cosm\u00e9ticos de porta em porta h\u00e1 cerca de um ano.<\/p>\n<p>Em um m\u00eas movimentado, ele lucra cerca de R$ 2.000. Mas a pandemia fez com que, desde o in\u00edcio de 2020, ca\u00edsse a demanda pelos produtos que vende, dificultando o sustento dele, da mulher e de seus quatro filhos.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma mudan\u00e7a dr\u00e1stica, tivemos que apertar o or\u00e7amento\u201d, diz Souza.<\/p>\n<p>Colega de Renato no estaleiro, Alex Cavalcante, 35, tamb\u00e9m trocou a constru\u00e7\u00e3o pesada pela informalidade. Hoje, trabalha como taxista.<\/p>\n<p>Cavalcante, que permanece em S\u00e3o Roque, ainda alimenta a esperan\u00e7a de uma retomada: \u201cTenho muita sede para trabalhar\u201d.<\/p>\n<p>Na grande Salvador, a situa\u00e7\u00e3o do oper\u00e1rio Eliezer Souza J\u00fanior, 48, n\u00e3o \u00e9 diferente. Mesmo com larga experi\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o pesada, n\u00e3o consegue um emprego formal desde o in\u00edcio de 2020.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 2014, houve um ciclo de gastos elevados no Nordeste. Mas com o crescimento do d\u00e9ficit p\u00fablico, as despesas discricion\u00e1rias do governo acabaram sendo reduzidas. Isso teve um impacto forte na economia da regi\u00e3o\u201d, avalia o economista Alexandre Rands, da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n<p>A conta da crise caiu, sobretudo, sobre os trabalhadores negros. Especialistas apontam o\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2021\/06\/indice-indica-que-sem-politicas-publicas-exclusao-racial-persistira-por-decadas-no-brasil.shtml\">passivo hist\u00f3rico de desigualdades<\/a>\u00a0como fator que faz com que a popula\u00e7\u00e3o negra esteja mais suscet\u00edvel ao impacto das crises.<\/p>\n<p>\u201cAs empregadas dom\u00e9sticas que perderam seus empregos s\u00e3o negras. Os entregadores de aplicativo tamb\u00e9m s\u00e3o em sua maioria negros\u201d, afirma Ol\u00edvia Santana (PCdoB), deputada estadual e ex-secret\u00e1ria do Trabalho da Bahia.<\/p>\n<p>A falta de um trabalho com carteira assinada se reflete em um efeito cascata na vida de profissionais como J\u00fanior, reduzindo mais suas chances de mobilidade social.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos, ele\u00a0conciliava o seu trabalho com os estudos\u00a0na Faculdade de Direito na Universidade Federal da Bahia, onde ingressou pelo sistema de cotas raciais.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, n\u00e3o conseguiu acompanhar a maior parte das aulas, que passaram a ser remotas. N\u00e3o tem um computador e nem sempre tem condi\u00e7\u00f5es de pagar a internet no celular.<\/p>\n<p>Mas as dificuldades sempre existiram. J\u00fanior diz que nunca teve incentivos para estudar nas empresas onde trabalhou. Pelo contr\u00e1rio: encontrava dificuldades at\u00e9 quando precisava deixar o servi\u00e7o um pouco mais cedo para conseguir chegar a tempo na universidade.<\/p>\n<p>Em sua avalia\u00e7\u00e3o, a roda gira para n\u00e3o sair do lugar, sobretudo na constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o ainda tem aquele resqu\u00edcio da escravid\u00e3o. Em muitos lugares, os oper\u00e1rios ficam jogados, como em senzalas\u201d, diz.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A disparidade na regi\u00e3o como um todo se traduzia em um indicador j\u00e1 negativo de -0,43, em 2012, que piorou para -0,60 em 2019. Os n\u00fameros apontam uma sub-representa\u00e7\u00e3o dos negros, em rela\u00e7\u00e3o a seu peso populacional, no grupo dos nordestinos 10% mais ricos. 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