{"id":362851,"date":"2021-07-27T07:48:52","date_gmt":"2021-07-27T10:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=362851"},"modified":"2021-07-27T07:48:52","modified_gmt":"2021-07-27T10:48:52","slug":"perfil-genetico-de-tumores-pode-indicar-melhorar-conducao-terapeutica-de-pacientes-com-cancer-no-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/perfil-genetico-de-tumores-pode-indicar-melhorar-conducao-terapeutica-de-pacientes-com-cancer-no-cerebro\/","title":{"rendered":"Perfil gen\u00e9tico de tumores pode indicar melhorar condu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica de pacientes com c\u00e2ncer no c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Terapia Celular identificou assinatura gen\u00e9tica que pode ajudar a ditar rumos da radioterapia<\/h2>\n<div class=\"autor\" style=\"text-align: justify;\">Reda\u00e7\u00e3o<\/div>\n<div id=\"div-share\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"materia\">\n<div class=\"conteudo_post\">\n<figure id=\"attachment_279866\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/d1x4bjge7r9nas.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/27044139\/cancer-cerebro-radioterapia.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-279866\" src=\"https:\/\/d1x4bjge7r9nas.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/27044139\/cancer-cerebro-radioterapia.png\" alt=\"Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Fapesp\" width=\"600\" height=\"420\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Ag\u00eancia Fapesp<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) descobriram um conjunto de biomarcadores capaz de indicar quais pacientes diagnosticados com um tipo agressivo de c\u00e2ncer cerebral (glioma) teriam tumores com maior resist\u00eancia \u00e0 radioterapia. A descoberta, publicada na revista Frontiers in Oncology, pode auxiliar m\u00e9dicos na decis\u00e3o sobre o tratamento mais indicado e com melhor progn\u00f3stico de sobrevida para os pacientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O glioma \u00e9 o mais comum e agressivo c\u00e2ncer cerebral em adultos e seu tratamento consiste na remo\u00e7\u00e3o cir\u00fargica do tumor, seguida por quimioterapia ou radioterapia (ou os dois). O objetivo \u00e9 eliminar o que n\u00e3o pode ser retirado na cirurgia e evitar, assim, que o tumor se desenvolva novamente. No entanto, devido \u00e0 resist\u00eancia das c\u00e9lulas tumorais ao tratamento, a taxa de sobrevida dos pacientes tende a ser baixa. Estima-se que 80% dos pacientes que passaram por sess\u00f5es de radioterapia tiveram recidiva meses depois do tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCom o estudo fornecemos um subs\u00eddio importante para uma potencial triagem de pacientes que devem ou n\u00e3o ser submetidos \u00e0 radioterapia. \u00c9 uma assinatura grande, identificamos 31 genes que quando alterados podem indicar resist\u00eancia ou sensibilidade \u00e0 radioterapia. Com isso, \u00e9 poss\u00edvel verificar se existem c\u00e9lulas altamente resistentes ao tratamento por r\u00e1dio na massa tumoral, o que pode auxiliar na tomada de decis\u00e3o quanto \u00e0 conduta terap\u00eautica\u201d, afirma Val\u00e9ria Valente, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, e pesquisadora associada do Centro de Terapia Celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O CTC \u00e9 um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (CEPIDs) da Fapesp e tem sede na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em Ribeir\u00e3o Preto. O trabalho tamb\u00e9m foi apoiado pela Funda\u00e7\u00e3o por meio de um\u00a0Aux\u00edlio Regular \u00e0 Pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar ao painel de biomarcadores os pesquisadores investigaram, inicialmente, perfis de express\u00e3o g\u00eanica em linhagens celulares de glioma (usadas em laborat\u00f3rio). Eles j\u00e1 haviam identificado que, dependendo da linhagem celular, havia varia\u00e7\u00e3o no comportamento das c\u00e9lulas no que se refere \u00e0 resist\u00eancia ou sensibilidade \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, por meio de an\u00e1lise do transcriptoma das c\u00e9lulas (RNAseq), os pesquisadores identificaram os genes que as c\u00e9lulas tumorais estavam expressando, para ent\u00e3o detectar os padr\u00f5es de express\u00e3o g\u00eanica que estavam relacionados \u00e0 resist\u00eancia ou maior sensibilidade \u00e0 r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os achados do estudo em laborat\u00f3rio foram confirmados com as informa\u00e7\u00f5es de um banco de dados p\u00fablico (The Cancer Genome Atlas \u2013 TCGA) que cont\u00e9m a caracteriza\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica e informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas de pacientes que tiveram glioma e que demonstraram sensibilidade ou resist\u00eancia \u00e0 radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlgumas linhagens s\u00e3o mais proliferativas e s\u00e3o justamente elas que tamb\u00e9m s\u00e3o mais sens\u00edveis \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. Ao fazer essa correla\u00e7\u00e3o com os dados do transcriptoma, encontramos padr\u00f5es globais de express\u00e3o g\u00eanica mais relacionados com um grupo ou outro\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valente ressalta que o glioma, como qualquer c\u00e2ncer, \u00e9 muito heterog\u00eaneo, e que, no caso destes tumores, essa caracter\u00edstica \u00e9 ainda mais exacerbada. Isso quer dizer que o tumor \u00e9 formado por diferentes tipos celulares, sendo alguns mais resistentes \u00e0 radioterapia que outros. \u201cNosso objetivo com esse painel de biomarcadores \u00e9 permitir a identifica\u00e7\u00e3o de tumores que cont\u00eam c\u00e9lulas que expressam a assinatura de express\u00e3o g\u00eanica associada \u00e0 radiorresist\u00eancia\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correla\u00e7\u00e3o entre os dados cl\u00ednicos dos pacientes e a assinatura de radiorresist\u00eancia mostrou que o grupo de pacientes com altera\u00e7\u00e3o em pelo menos 21 genes desse painel gen\u00e9tico n\u00e3o responde bem ao tratamento e tem sobrevida bastante reduzida. Ou seja, a sobrevida \u00e9 baixa, independentemente de terem sido irradiados ou n\u00e3o. \u201cEssa \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o importante, pois mostra que existem determinados indiv\u00edduos que n\u00e3o v\u00e3o se beneficiar do tratamento de r\u00e1dio. Ele vai causar um sofrimento adicional e n\u00e3o vai agregar sobrevida a estes pacientes\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que genes s\u00e3o esses?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os genes que formam o painel n\u00e3o est\u00e3o relacionados com uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Os pesquisadores identificaram que as linhagens celulares que tiveram prolifera\u00e7\u00e3o reduzida e maior resist\u00eancia \u00e0 radioterapia apresentam um conjunto de altera\u00e7\u00f5es em genes de matriz extracelular e receptores de membrana \u2013 vias regulat\u00f3rias mestras, conhecidas por impactar v\u00e1rios processos celulares, como sobreviv\u00eancia, prolifera\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o, invas\u00e3o e sinaliza\u00e7\u00e3o e reparo de danos ao DNA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 as linhagens que apresentavam maior prolifera\u00e7\u00e3o e sensibilidade \u00e0 radia\u00e7\u00e3o exibiram uma assinatura distinta, revelando enriquecimentos para processos de reparo de DNA. Outro achado curioso foi que, embora v\u00e1rios genes de matriz extracelular e receptores estivessem superexpressos nas c\u00e9lulas sens\u00edveis, n\u00e3o havia o encadeamento correto da cascata de sinaliza\u00e7\u00e3o e a via n\u00e3o era potencializada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse \u00e9 um detalhe interessante do trabalho e que ainda deve ser investigado. Nas c\u00e9lulas resistentes, a maioria das altera\u00e7\u00f5es \u00e9 pareada. Isso quer dizer que, quando o gene est\u00e1 alterado, o receptor de uma prote\u00edna extracelular est\u00e1 aumentado e a prote\u00edna extracelular que se liga a ele tamb\u00e9m, ent\u00e3o a via funciona. J\u00e1 nas c\u00e9lulas sens\u00edveis, embora os genes desta via tamb\u00e9m estejam alterados, isso ocorre de forma truncada e as conex\u00f5es estabelecidas na via de sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o funcionam. Falta algo para completar o caminho de ativa\u00e7\u00e3o dessa rota. Por isso, cada via identificada precisa ser analisada individualmente em novos estudos\u201d, diz Valente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA ideia agora \u00e9 investigar esse fen\u00f4meno em outros tumores. S\u00e3o evid\u00eancias importantes que podem aumentar o arsenal de biomarcadores terap\u00eauticos aplicados ao c\u00e2ncer e auxiliar os oncologistas na indica\u00e7\u00e3o do melhor tratamento\u201d, comenta Wilson Ara\u00fajo Silva Junior, l\u00edder do grupo no Centro de Terapia Celular. Por Maria Fernanda Ziegler, da Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Terapia Celular identificou assinatura gen\u00e9tica que pode ajudar a ditar rumos da radioterapia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":362852,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-362851","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/cancer-cerebro-radioterapia.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362851\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/362852"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}