{"id":363595,"date":"2021-08-04T05:11:21","date_gmt":"2021-08-04T08:11:21","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=363595"},"modified":"2021-08-04T05:11:21","modified_gmt":"2021-08-04T08:11:21","slug":"a-joaquim-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-joaquim-francisco\/","title":{"rendered":"A Joaquim Francisco\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Opini\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 atuava na m\u00eddia em Bras\u00edlia quando, em 1990, numa manh\u00e3 cinzenta dos tempos de temperaturas desertas do Planalto Central, Joaquim Francisco, eleito prefeito do Recife com apenas um ano e meio de mandato, exagerando no arrastado sotaque de matuto, me surpreende com um convite: coordenar a sua \u00e1rea de Imprensa da campanha a governador. Quase imberbe, apenas 27 anos, n\u00e3o tinha a menor no\u00e7\u00e3o do que seria enfrentar uma campanha ao Pal\u00e1cio do Campo das Princesas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-363596 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-620x445.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"445\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-620x445.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-300x215.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-70x50.jpeg 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-160x115.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-200x145.jpeg 200w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins-640x459.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/joaquim-francisco-e-magno-martins.jpeg 654w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialmente, porque o advers\u00e1rio de Joaquim n\u00e3o era um pol\u00edtico qualquer, mas um mito de esquerda \u2013 Jarbas Vasconcelos. Tremi. Achava que n\u00e3o tinha a menor capacidade, o menor talento nem disposi\u00e7\u00e3o para tal empreitada. Na minha frente, gesticulando com suas m\u00e3os agigantadas, me impressionou a disposi\u00e7\u00e3o dele de me trazer de volta a Pernambuco. Resisti at\u00e9 onde foi poss\u00edvel, at\u00e9 um dia o telefone tocar com uma amea\u00e7a: \u201cEstou precisando dos seus pr\u00e9stimos. J\u00e1 emiti seu bilhete. Voc\u00ea n\u00e3o pode faltar a Pernambuco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi uma campanha hist\u00f3rica, de momentos memor\u00e1veis, um cl\u00e1ssico pol\u00edtico, na qual aprendi a ser vidra\u00e7a depois da pr\u00e1tica permanente de estilingue como rep\u00f3rter. Na conviv\u00eancia com Joaquim, que os advers\u00e1rios tachavam de direita, mas que arregimentou for\u00e7as de esquerda e mitos da arte para derrotar Jarbas, como Alceu Valen\u00e7a, seu colega na Faculdade de Direito do Recife, fui conhecendo um homem que n\u00e3o abria m\u00e3o dos seus princ\u00edpios \u00e9ticos e morais, zeloso, de elevado espirito p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joaquim me surpreendeu com gestos largos, generosos, de homem honrado, da escola de Marco Maciel, Roberto Magalh\u00e3es, Gustavo Krause, Jos\u00e9 Jorge e Joel de Holanda, escola do respeito ao alheio, dos que cospem labaredas de fogo naqueles mal-intencionados com o dinheiro p\u00fablico. Isso me estimulou, ap\u00f3s sair de uma campanha vitoriosa, a adiar o projeto de voltar a Bras\u00edlia. Virei porta-voz de um governo que n\u00e3o foi o dos sonhos de Joaquim, mas o poss\u00edvel, com uma marca: livre de esc\u00e2ndalos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 proibido roubar\u201d, dizia ele, em serm\u00f5es di\u00e1rios aos auxiliares. No Governo, s\u00f3 fiquei um ano, mas ao final da sua gest\u00e3o, j\u00e1 de volta a Bras\u00edlia, o encontrei com o mesmo patrim\u00f4nio, levando o mesmo estilo de vida simples de homem de classe m\u00e9dia. Brigamos por discord\u00e2ncias gerenciais e pol\u00edticas, mas nada que provocasse uma separa\u00e7\u00e3o irreconcili\u00e1vel. Agrade\u00e7o a Joaquim por ter me proporcionado uma oportunidade \u00fanica: conhecer os bastidores fervorosos de um governo, as intrigas que a Imprensa passa desapercebida, os segredos de Estado que devem ser levados ao t\u00famulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ensinou-me Joaquim que todo homem p\u00fablico, notadamente os mandat\u00e1rios (investidos de mandato conferido pelo povo atrav\u00e9s do voto), devem dar exemplo, pois s\u00e3o eleitos para trabalhar em prol da popula\u00e7\u00e3o. Tanto na vida p\u00fablica, quando na vida privada, devem dar exemplo de moral e honradez, mediante atitudes decentes e cidad\u00e3s. Aprendi, igualmente, que honestidade n\u00e3o \u00e9 virtude de homem p\u00fablico, mas sim obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Joaquim n\u00e3o tolerava corrup\u00e7\u00e3o nem corruptos. Dizia que a pior forma de corrup\u00e7\u00e3o do homem p\u00fablico \u00e9 corromper as suas ideias e se entregar a conveni\u00eancia de exercer o poder a qualquer pre\u00e7o. Entre tantas li\u00e7\u00f5es, Rui Barbosa dizia que o homem que n\u00e3o luta pelos seus direitos n\u00e3o merece viver. Joaquim era como Rui Barbosa: n\u00e3o trocava a justi\u00e7a pela soberba, n\u00e3o deixava o direito pela for\u00e7a, n\u00e3o esquecia a fraternidade e a toler\u00e2ncia, n\u00e3o substitu\u00eda a f\u00e9 pela supersti\u00e7\u00e3o, a realidade pelo \u00eddolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por: Magno Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi uma campanha hist\u00f3rica, de momentos memor\u00e1veis, um cl\u00e1ssico pol\u00edtico, na qual aprendi a ser vidra\u00e7a depois da pr\u00e1tica permanente de estilingue como rep\u00f3rter. 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