{"id":365392,"date":"2021-08-25T00:54:11","date_gmt":"2021-08-25T03:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=365392"},"modified":"2021-08-24T18:58:08","modified_gmt":"2021-08-24T21:58:08","slug":"conheca-os-fotografos-da-casa-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/conheca-os-fotografos-da-casa-imperial\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a os fot\u00f3grafos da Casa Imperial\u00a0"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<p class=\"lead\"><strong>Considerada uma das maiores inven\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo 19, a fotografia se tornou um dos maiores apre\u00e7os da fam\u00edlia imperial brasileira<\/strong><\/p>\n<div class=\"addthis_inline_share_toolbox\" data-url=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/conheca-trabalho-fotografos-registraram-brasil-durante-reinado.phtml\" data-title=\"A fotografia no Brasil Imp\u00e9rio: Conhe\u00e7a os fot\u00f3grafos da Casa Imperial\" data-description=\"Considerada uma das maiores inven\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo 19, a fotografia se tornou um dos maiores apre\u00e7os da fam\u00edlia imperial brasileira\">\n<div id=\"atstbx\" class=\"at-resp-share-element at-style-responsive addthis-smartlayers addthis-animated at4-show\" role=\"region\" aria-labelledby=\"at-1e76ef17-ad0b-409f-9451-cfebe9f79805\"><span id=\"at-1e76ef17-ad0b-409f-9451-cfebe9f79805\" class=\"at4-visually-hidden\"><\/span><\/p>\n<div class=\"at-share-btn-elements\">\u00c9rica Georgino<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"img-lead\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img-fluid\" src=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/media\/_versions\/monarquia\/familia_imperial_widelg.jpg\" alt=\"Fam\u00edlia Real durante o governo de Pedro II\" width=\"800\" height=\"450\" \/><figcaption>Fam\u00edlia Real durante o governo de Pedro II &#8211; Otto Hees (1870-1940) \/ Dom\u00ednio P\u00fablico, via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"artigo_texto\">\n<p>Uma das maiores inven\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo 19, a fotografia logo caiu nos encantos dos brasileiros, gra\u00e7as ao imperador\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/reportagem\/5-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-o-segundo-reinado-antes-de-assistir-nos-tempos-do-imperador.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Dom Pedro II.<\/strong><\/a>\u00a0Na \u00e9poca, a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi respons\u00e1vel por revolucionar a sociedade imperial.<\/p>\n<p>O \u00faltimo imperador, por exemplo, montou um dos primeiros e mais ricos acervos fotogr\u00e1ficos do mundo, com mais de\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/galeria\/em-imagens-dom-pedro-ii-fotografia-imperador.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30 mil imagens do Brasil<\/a>\u00a0e de outras partes do planeta.<\/p>\n<p>Durante este per\u00edodo houve, ainda, um grande incentivo ao profissionais desta \u00e1rea, que eram amplamente reconhecidos. A Casa Imperial, por exemplo, chegou a ter fot\u00f3grafos oficiais.<\/p>\n<h4>A fotografia no s\u00e9culo 19<\/h4>\n<p>Quando o abade\u00a0<strong>Louis Compte<\/strong>\u00a0desembarcou do vapor L&#8217;Orientale no Rio de Janeiro, em meados de 1839, tutelando um punhado de rapazes ricos da B\u00e9lgica e da Fran\u00e7a que viajavam pelo mundo para aprender no\u00e7\u00f5es de marinha e com\u00e9rcio, ningu\u00e9m esperava que de sua bagagem sairia uma das maiores novidades do s\u00e9culo 19, determinante para o desenvolvimento das comunica\u00e7\u00f5es no s\u00e9culo seguinte.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>\u00c9 preciso ter visto a cousa com os seus pr\u00f3prios olhos para se poder fazer ideia da rapidez e do resultado da opera\u00e7\u00e3o&#8221;, como disse ele.<\/p><\/blockquote>\n<p>As demonstra\u00e7\u00f5es de\u00a0<strong>Compte<\/strong>, provavelmente as primeiras realizadas na Am\u00e9rica do Sul, foram registradas pelo Jornal do Commercio em 17 de janeiro de 1840 e introduziram por aqui a daguerreotipia, primeiro processo fotogr\u00e1fico comercialmente vi\u00e1vel, criado pelo franc\u00eas\u00a0<strong>Louis Daguerre.<\/strong><\/p>\n<p>A inova\u00e7\u00e3o \u2014 oficialmente apresentada \u00e0 comunidade acad\u00eamica internacional cinco meses antes \u2014 encantou a todos, inclusive a um rapazote de 14 anos chamado<strong> Pedro de Alc\u00e2ntara.<\/strong><\/p>\n<p>Ele adquiriu um equipamento de daguerreotipia. No ano seguinte, teve a maioridade antecipada e tornou-se a autoridade m\u00e1xima do Imp\u00e9rio como\u00a0<strong>Dom Pedro II.<\/strong><\/p>\n<p>Por meio de\u00a0<strong>Compte<\/strong>, o Brasil entrou novamente na rota da fotografia. A primeira vez foi longe dos holofotes da ci\u00eancia internacional:\u00a0<strong>Hercule Florence<\/strong>, em 1833, fez uso pioneiro do termo photographie.<\/p>\n<p>Franc\u00eas radicado em Campinas (SP),\u00a0<strong>Florence<\/strong>\u00a0desenvolveu experi\u00eancias fotoqu\u00edmicas precursoras que culminaram com a descoberta isolada e independente de um processo fotogr\u00e1fico.\u00a0<strong>Dom Pedro II<\/strong> o conheceu d\u00e9cadas depois, quando seu interesse pelo que representava a fotografia j\u00e1 era quase uma mania.<\/p>\n<h4>Apre\u00e7o real<\/h4>\n<p>O imperador foi um dos maiores entusiastas da fotografia no Brasil do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p><strong>Dom Pedro II<\/strong>\u00a0possu\u00eda grande sensibilidade cient\u00edfica e art\u00edstica. Logo que conheceu a novidade, teve consci\u00eancia de que estava lidando com algo relevante&#8221;, disse<strong>\u00a0Sergio Burgi<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o era tamanha que, em 1851, decidiu criar a qualifica\u00e7\u00e3o de Photographo da Caza Imperial e atribu\u00ed-la aos seus profissionais prediletos.<\/p>\n<p>O primeiro agraciado foi o su\u00ed\u00e7o\u00a0<strong>Louis Buvelot<\/strong>, reconhecido pintor. Depois dele, mais 22 fot\u00f3grafos receberam o t\u00edtulo de\u00a0<strong>Dom Pedro<\/strong>.\u00a0<strong>Marc Ferrez,<\/strong> um dos mais bem-sucedidos do per\u00edodo, recebeu t\u00edtulo semelhante: era fot\u00f3grafo da &#8220;Marinha Imperial&#8221;.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, ser &#8220;retratista de Suas Majestades Imperiais&#8221; significava um atestado de qualidade profissional. Representava prest\u00edgio junto \u00e0 elite, p\u00fablico-alvo da atividade em seus anos iniciais, e significava ter a fam\u00edlia real como importante \u2014 quando n\u00e3o a principal \u2014 consumidora de seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>A admira\u00e7\u00e3o pela nova arte enredou tamb\u00e9m a imperatriz\u00a0<a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/historia-hoje\/imperatriz-teresa-cristina-realmente-gostava-de-arqueologia-como-mostrou-novela.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Thereza Christina Maria<\/strong><\/a>\u00a0e as princesas\u00a0<strong>Isabel<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Leopoldina<\/strong>. Alguns fot\u00f3grafos da Caza \u2014 como o portugu\u00eas\u00a0<strong>Joaquim Insley Pacheco<\/strong>\u00a0e os alem\u00e3es\u00a0<strong>Augusto Stahl<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Revert Henrique Klumb<\/strong>\u00a0\u2014 partilharam at\u00e9 mesmo da intimidade real.<\/p>\n<p><strong>Klumb<\/strong>, por exemplo, mudou-se para Petr\u00f3polis e em 1865 passou a dar aulas de fotografia a\u00a0<strong>Isabel<\/strong>. Nas d\u00e9cadas de 1840 e 50, a fotografia era um misto de ind\u00fastria e artesanato. O fot\u00f3grafo preparava a sua pr\u00f3pria chapa e organizava suas amplia\u00e7\u00f5es e c\u00f3pias. Alguns at\u00e9 se associavam a qu\u00edmicos para facilitar o processo e ganhar escala \u2014 o processo fotogr\u00e1fico envolvia o uso de reagentes e outros produtos.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>O retrato de est\u00fadio era o ganha-p\u00e3o dos estabelecimentos fotogr\u00e1ficos do s\u00e9culo 19. Durante os primeiros 20 anos ap\u00f3s o advento da fotografia, entre 1840 e 60, o g\u00eanero atendeu aos desejos de autorrepresenta\u00e7\u00e3o de uma pequena classe constitu\u00edda pela nobreza oficial e pela elite agr\u00e1ria&#8221;, afirmou o historiador da fotografia\u00a0<strong>Boris Kossoy,<\/strong>\u00a0autor de Origens e Expans\u00e3o da Fotografia no Brasil.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com o tempo, novos temas foram explorados: as paisagens urbana e rural, as constru\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias, os primeiros passos da industrializa\u00e7\u00e3o, cenas de conflitos armados, todos devidamente registrados n\u00e3o apenas pelos integrantes da Caza Imperial.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>Os fot\u00f3grafos de\u00a0<strong>Dom Pedro II<\/strong>\u00a0tra\u00e7aram trajet\u00f3rias de compet\u00eancia art\u00edstica, marcadas pelo sucesso comercial, mas isso n\u00e3o significa que fossem superiores a profissionais que mantinham suas atividades tamb\u00e9m no Rio de Janeiro, ou muito al\u00e9m da corte&#8221;, disse\u00a0<strong>Kossoy<\/strong>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com o crescimento das cidades e a forma\u00e7\u00e3o de uma classe m\u00e9dia urbana, a fotografia atingiu um expressivo mercado consumidor. O interesse crescente era acompanhado, como n\u00e3o poderia deixar de ser, pela expans\u00e3o do n\u00famero de profissionais especializados.<\/p>\n<p>Contudo, destitu\u00edda do poder em 1889, a fam\u00edlia imperial perdeu seus privil\u00e9gios e embarcou rumo \u00e0 Europa. Mais tarde, do ex\u00edlio,\u00a0<strong>Dom Pedro II<\/strong>\u00a0ordenou a doa\u00e7\u00e3o de todo seu acervo de fotografias \u00e0 Biblioteca Nacional. Cerca de 25 mil imagens foram transferidas \u00e0 institui\u00e7\u00e3o. A \u00fanica exig\u00eancia fo imperador foi que a cole\u00e7\u00e3o levasse o nome da imperatriz,\u00a0<strong>Thereza Christina Maria.<\/strong> \u00c9 l\u00e1 que est\u00e3o at\u00e9 hoje.<\/p>\n<h4>Os fot\u00f3grafos<\/h4>\n<p>As pesquisas de\u00a0<strong>Kossoy<\/strong>\u00a0indicam que, em 1840, o Brasil possu\u00eda aproximadamente 30 fot\u00f3grafos, concentrados principalmente na capital, o Rio de Janeiro. Na d\u00e9cada seguinte, o contingente teria aumentado para ao menos 90 profissionais, presentes em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos curiosos, como o do espanhol\u00a0<strong>Juan Gutierrez de Padilla<\/strong>, nomeado profissional da Caza Imperial \u00e0s v\u00e9speras da queda do regime monarquista.\u00a0<strong>Gutierrez<\/strong>\u00a0chegou a produzir retratos com os emblemas reais, mas o material foi descartado assim que o levante militar levou\u00a0<strong>Deodoro da Fonseca<\/strong>\u00a0ao poder. Morreu em 1897 lutando, como republicano convicto, nas trincheiras da Guerra de Canudos.<\/p>\n<p>Confira abaixo alguns fot\u00f3grafos da \u00e9poca:<\/p>\n<h4>1. Augusto Stahl (1824-1877)<\/h4>\n<ul>\n<li>Origem: Als\u00e1cia, na \u00e9poca parte da Alemanha<\/li>\n<li>Fot\u00f3grafo imperial desde 1862<\/li>\n<li>Especialidade: Paisagens, retratos da fam\u00edlia imperial e a constru\u00e7\u00e3o de estradas de ferro. Presenteava membros da corte com estojos com suas fotos.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h4>2. Alberto Henschel (1827-1882)<\/h4>\n<ul>\n<li>Origem: Berlim, Alemanha<\/li>\n<li>Fot\u00f3grafo imperial desde 1874<\/li>\n<li>Especialidade: Retratos e paisagens. Conhecido como o mais bem-sucedido empres\u00e1rio da fotografia do Imp\u00e9rio, teve est\u00fadios em Salvador, Recife, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h4>3. Revert Klumb (?-1886)<\/h4>\n<ul>\n<li>Origem: Alemanha<\/li>\n<li>Fot\u00f3grafo imperial desde 1861<\/li>\n<li>Especialidade: Paisagens e retratos da fam\u00edlia imperial. Professor da princesa\u00a0<strong>Isabel<\/strong>, fotografou plantas, aves e naturezas-mortas. Autor das primeiras publica\u00e7\u00f5es sobre fotografia no Brasil.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h4>4. Juan Gutierrez de Padilla (1859-1897)<\/h4>\n<ul>\n<li>Origem: Espanha<\/li>\n<li>Fot\u00f3grafo imperial desde 1889<\/li>\n<li>Especialidade: Retratos e paisagens cariocas. Estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde montou a Fotografia Uni\u00e3o e fotografou cenas da Revolta da Armada, entre 1893 e 1894.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<h4>5. Jo\u00e3o Ferreira Villela (n\u00e3o h\u00e1 dados oficiais de nascimento e morte)<\/h4>\n<ul>\n<li>Origem: Pernambuco<\/li>\n<li>Fot\u00f3grafo imperial desde 1860<\/li>\n<li>Especialidades: Retratos e imagens de Pernambuco. Presenteou dom Pedro com paisagens do Nordeste. Abandonou a fotografia para se dedicar \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de tintas de impress\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<div class=\"paidcontent-wrapper\">\n<p>+Saiba mais sobre o tema por meio de grandes obras dispon\u00edveis na Amazon:<\/p>\n<p>Dicion\u00e1rio Hist\u00f3rico-Fotogr\u00e1fico Brasileiro: Fot\u00f3grafos e Of\u00edcio da Fotografia no Brasil (1833-1910), de<strong>\u00a0Boris Kossoy\u00a0<\/strong>(2002) &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3gu669Z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener sponsored\">https:\/\/amzn.to\/3gu669Z<\/a><\/p>\n<p>O Brasil na Fotografia Oitocentista, de\u00a0<strong>Pedro Vasquez<\/strong>\u00a0(2009) &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/amzn.to\/3zgrsz5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener sponsored\">https:\/\/amzn.to\/3zgrsz5<\/a><\/p>\n<p>Vale lembrar que os pre\u00e7os e a quantidade dispon\u00edvel dos produtos condizem com os da data da publica\u00e7\u00e3o deste post. 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