{"id":366308,"date":"2021-09-05T09:42:26","date_gmt":"2021-09-05T12:42:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=366308"},"modified":"2021-09-05T09:42:26","modified_gmt":"2021-09-05T12:42:26","slug":"amazonia-tem-area-de-madeira-explorada-do-tamanho-de-tres-cidades-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/amazonia-tem-area-de-madeira-explorada-do-tamanho-de-tres-cidades-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia tem \u00e1rea de madeira explorada do tamanho de tr\u00eas cidades de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<div class=\"title-noticia\">\n<h1><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"cont-divisor\">\n<div class=\"left\">\n<article class=\"news-interna\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" title=\"Amaz\u00f4nia tem \u00e1rea de madeira explorada do tamanho de tr\u00eas cidades de S\u00e3o Paulo\" src=\"https:\/\/imagem.bnews.com.br\/fotos\/bocao_noticias\/NftFHuO3O3fCtOH3evvCAA\/810x400\/321649-IMAGEM_NOTICIA_0.jpg\" alt=\"[Amaz\u00f4nia tem \u00e1rea de madeira explorada do tamanho de tr\u00eas cidades de S\u00e3o Paulo]\" \/><\/picture><figcaption><i class=\"far fa-clock\"><\/i><\/figcaption><i class=\"fas fa-circle fa-stack-2x\"><\/i><i class=\"fab fa-facebook-f fa-stack-1x fa-inverse\"><\/i><i class=\"fas fa-circle fa-stack-2x\"><\/i><i class=\"fab fa-whatsapp fa-stack-1x fa-inverse\"><\/i><i class=\"fas fa-circle fa-stack-2x\"><\/i><i class=\"fab fa-twitter fa-stack-1x fa-inverse\"><\/i><i class=\"fas fa-share-alt\"><\/i><i class=\"far fa-play-circle\"><\/i><\/figure>\n<div class=\"editor\">\n<p>Pela primeira vez, institutos de pesquisa conseguiram olhar para a Amaz\u00f4nia como um todo e apontar onde houve explora\u00e7\u00e3o de madeira no bioma. O resultado: 464.759 hectares foram usados para este tipo de atividade entre agosto de 2019 e julho de 2020. A \u00e1rea representa cerca de tr\u00eas vezes a da cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Pelo menos 11% dessa explora\u00e7\u00e3o ocorreram em \u00e1reas protegidas, segundo o trabalho da Rede Simex, formada por Imazon, Idesam, Imaflora e ICV (Instituto Centro de Vida). A extra\u00e7\u00e3o madeireira \u00e9 ilegal quando ocorre em locais como unidades de conserva\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral e terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Segundo a Rede Simex, o territ\u00f3rio ind\u00edgena Tenharim Marmelos, no Amazonas, foi o mais explorado no per\u00edodo em quest\u00e3o, com 6.330 hectares de madeira retirados. Em seguida, aparecem duas terras ind\u00edgenas do Mato Grosso: Batel\u00e3o (5.278 hectares) e Aripuan\u00e3 (3.082 hectares).<\/p>\n<p>Entre as unidades de conserva\u00e7\u00e3o, o Parque Nacional dos Campos Amaz\u00f4nicos \u2014uma \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral\u2014 \u00e9 o l\u00edder do ranking de explorados, com mais de 9.000 hectares retirados.<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o de madeira tamb\u00e9m pode ser ilegal caso n\u00e3o haja autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os ambientais para a retirada de \u00e1rvores. O problema \u00e9 que, atualmente, \u00e9 muito dif\u00edcil saber exatamente o que \u00e9 retirada legal ou ilegal de madeira. Isso acontece porque a maior parte dos estados n\u00e3o torna p\u00fablicas as autoriza\u00e7\u00f5es de supress\u00e3o vegetal.<\/p>\n<p>Hoje, somente Mato Grosso e Par\u00e1 t\u00eam dados abertos sobre em quais \u00e1reas pode ser feita a retirada de \u00e1rvores com valor comercial e em quais isso \u00e9 proibido.<\/p>\n<p>Com essa informa\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel cruzar imagens de sat\u00e9lite das \u00e1reas onde houve retirada de madeira com as coordenadas do local para determinar se a atividade de extra\u00e7\u00e3o \u00e9 legal ou ilegal. proporcionalmente representativas e neles \u00e9 poss\u00edvel apontar o grau de ilegalidade. O Mato Grosso \u00e9 o l\u00edder do ranking de estados com mais \u00e1reas exploradas no pa\u00eds, respons\u00e1vel por 50,8% do total. Em seguida, aparecem o Amazonas (15,3%), Rond\u00f4nia (15%) e o Par\u00e1 (10,8%).<\/p>\n<p>Segundo Marco Lentini, coordenador-s\u00eanior de projetos do Imaflora, a Rede Simex tentou contato com os estados para conseguir os dados de autoriza\u00e7\u00e3o de derrubada de \u00e1rvores. A tentativa, por\u00e9m, n\u00e3o teve sucesso.\u201cEstamos h\u00e1 um ano e meio tentando abrir essas informa\u00e7\u00f5es\u201d, afirma ele.<\/p>\n<p>Alguns estados chegaram at\u00e9 passar os dados, mas eles estavam incompletos. Em um dos casos, CDs foram enviados com uma parcela das informa\u00e7\u00f5es pedidas \u2014um dos discos estava em branco.<\/p>\n<p>O especialista do Imaflora afirma que a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dar continuidade a essa vis\u00e3o global da floresta \u2014e, ao mesmo tempo, olhar para cada estado; em breve, relat\u00f3rios espec\u00edficos ser\u00e3o publicados\u2014 e conseguir, em algum momento, o acesso aos dados necess\u00e1rios para apontar o grau de ilegalidade na extra\u00e7\u00e3o de madeira em toda a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Mas, mesmo quando todos os dados forem p\u00fablicos, outro problema permanecer\u00e1. Segundo Lentini, os sistemas de licen\u00e7as e de fiscaliza\u00e7\u00e3o ainda t\u00eam falhas que possibilitam ilegalidades.<\/p>\n<p>Nos planos de manejo de determinadas \u00e1reas onde a explora\u00e7\u00e3o \u00e9 permitida, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel inflar o volume de \u00e1rvores para corte existentes no local. Esse valor adicional \u00e9 ent\u00e3o usado para dar apar\u00eancia de legalidade \u00e0 madeira retirada de zonas proibidas, como terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Em 2018, uma investiga\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil apontou o uso de \u00e1rvores imagin\u00e1rias para legalizar cortes ilegais de ip\u00ea.<\/p>\n<p>O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles acabou envolvido em uma situa\u00e7\u00e3o relacionada a madeira possivelmente ilegal. Ap\u00f3s a maior apreens\u00e3o de madeira da hist\u00f3ria do Brasil, Salles se posicionou ao lado de empresas acusadas de serem uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Salles ainda acabou sendo alvo de opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal que informou a exist\u00eancia de R$ 14,1 milh\u00f5es em transa\u00e7\u00f5es financeiras at\u00edpicas envolvendo um escrit\u00f3rio de advocacia ligado ao ex-ministro.<\/p>\n<p>De toda forma, Lentini defende o manejo madeireiro adequado e diz que \u00e9 preciso separar quem trabalha dentro da lei e quem atua fora dela.<\/p>\n<p>Segundo pesquisas, a retirada de algumas \u00e1rvores espec\u00edficas \u00e9 muito prejudicial para a Amaz\u00f4nia. O corte seletivo faz parte do que \u00e9 conhecido como degrada\u00e7\u00e3o, processo composto tamb\u00e9m por queimadas.<\/p>\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o leva ao empobrecimento e enfraquecimento da floresta, ou seja, uma mata mais fr\u00e1gil. \u201cA degrada\u00e7\u00e3o que vai acabar levando a floresta \u00e0 grilagem e ao desmatamento\u201d, diz Lentini.<\/p>\n<p>E esse processo j\u00e1 \u00e9 extremamente amplo. Atualmente, a \u00e1rea degradada na Amaz\u00f4nia j\u00e1 \u00e9 maior do que a desmatada. Um estudo publicado na revista Science mostrou que, de 1992 a 2014, a \u00e1rea de floresta degradada era de de 337 mil km\u00b2, contra 308 mil km\u00b2 de desmate.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da floresta mais fr\u00e1gil, processos de degrada\u00e7\u00e3o como queimadas emitem gases-estufa. Isso sem contar que as matas degradadas passam a emitir mais carbono do que absorver, algo preocupante em um cen\u00e1rio de crise clim\u00e1tica apontado pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7a do Clima).<\/p>\n<p>Segundo uma correspond\u00eancia publicada, na \u00faltima semana, na revista Nature Geoscience, as emiss\u00f5es por degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia brasileira s\u00e3o quase equivalentes \u00e0s ligadas ao desmatamento. Isso \u00e9 especialmente relevante ao se pensar que o desmate \u00e9 a principal fonte das emiss\u00f5es brasileiras de gases-estufa.<\/p>\n<p>Pensando nisso, o texto publicado na revista pede a inclus\u00e3o do assunto nos temas que ser\u00e3o discutidos na COP-26, a confer\u00eancia clim\u00e1tica da ONU, que ocorrer\u00e1 em novembro, em Glasgow, na Esc\u00f3cia.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o estamos contabilizando as emiss\u00f5es relacionadas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o. Se o Brasil come\u00e7ar a computar isso, a gente vai mudar o nosso posto entre os mais emissores\u201d, afirma Ane Alencar, diretora de ci\u00eancia do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia) e uma das autoras da correspond\u00eancia. \u201c\u00c9 importante a gente trabalhar n\u00e3o s\u00f3 para deixar a floresta em p\u00e9, mas deix\u00e1-la em p\u00e9 com qualidade.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, institutos de pesquisa conseguiram olhar para a Amaz\u00f4nia como um todo e apontar onde houve explora\u00e7\u00e3o de madeira no bioma. O resultado: 4<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":302479,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-366308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/desmatamento2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=366308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366308\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/302479"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=366308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=366308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=366308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}