{"id":366945,"date":"2021-09-13T06:20:40","date_gmt":"2021-09-13T09:20:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=366945"},"modified":"2021-09-13T06:20:40","modified_gmt":"2021-09-13T09:20:40","slug":"com-garrafa-a-ate-r-700-mercado-de-cachaca-esta-em-alta-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/com-garrafa-a-ate-r-700-mercado-de-cachaca-esta-em-alta-na-bahia\/","title":{"rendered":"Com garrafa a at\u00e9 R$ 700, mercado de cacha\u00e7a est\u00e1 em alta na Bahia"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Fernanda Santana<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/d\/4\/csm_Cachac__a_Nara_Gentil_92ee05bd1e.jpeg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/d\/4\/csm_Cachac__a_Nara_Gentil_bde899b05a.jpeg\" alt=\"Cacha\u00e7a tem origem genuinamente brasileira e cresce no mercado nacional\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">Cacha\u00e7a tem origem genuinamente brasileira e cresce no mercado nacional (Nara Gentil\/CORREIO)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Produ\u00e7\u00e3o da bebida no estado envolve de pequenos produtores a turismo; aprenda a reconhecer cacha\u00e7a de qualidade<\/strong><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Toda boa cacha\u00e7a come\u00e7a pelo cora\u00e7\u00e3o. Na destila\u00e7\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, surgem a cabe\u00e7a, a primeira fra\u00e7\u00e3o, e a cauda, um l\u00edquido amargo. Ambas n\u00e3o servem. No meio do processo, estar\u00e1 o cora\u00e7\u00e3o, a parte central do destilado e que deve ser soberana nesta bebida que surgiu nos engenhos, visitou de senzalas a sal\u00f5es nobres e virou um dos s\u00edmbolos da cultura brasileira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Depois de mais de um ano com restri\u00e7\u00f5es de funcionamento a bares e restaurantes, os principais canais de escoamento da cacha\u00e7a, a bebida do cora\u00e7\u00e3o, resiste. A Bahia tem o quinto maior p\u00fablico consumidor dela, segundo o Instituto Brasileiro da Cacha\u00e7a, que criou, em 2009, o Dia Nacional da Cacha\u00e7a, celebrado nesta segunda-feira (13).<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cA gente teve um ano muito complicado. A covid-19 trouxe uma s\u00e9rie de desafios como um todo. Para as bebidas alco\u00f3licas, e cacha\u00e7a, particularmente&#8221;<\/strong>, pontua Carlos Lima, diretor executivo do Instituto.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Agora, com a reabertura da maior parte desses espa\u00e7o, produtores e apreciadores da cacha\u00e7a aguardam um novo momento.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O avan\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a \u00e9 medido por term\u00f4metros como a safra de cana-de-a\u00e7\u00facar, mat\u00e9ria-prima bebida. Em 2019, conforme o Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica, a Bahia produziu 5,1 toneladas de cana. Dois anos depois, estima-se para a safra deste ano um total de\u00a05,4 toneladas.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Em m\u00e9dia, 20% desse total \u00e9 direcionado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o artesanal de cacha\u00e7a e tamb\u00e9m para\u00a0 a\u00e7\u00facar mascavo, rapadura e melado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A produ\u00e7\u00e3o dessa bebida faz parte de uma engrenagem que movimenta desde a agricultura familiar a ambientes privativos onde se vende uma garrafa de cacha\u00e7a de 750 ml por at\u00e9 R$ 700 &#8211; o tamanho das garrafas varia de 600 ml a um litro. \u00c9 o caso da Quintanda do Baianinho, cacha\u00e7aria localizada em Salvador, onde h\u00e1 tamb\u00e9m espa\u00e7o para r\u00f3tulos mais simples, pelo pre\u00e7o de R$ 35.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para Messias Rocha, advogado e economista que criou a Quitanda h\u00e1 seis anos, a cacha\u00e7a \u00e9 \u201cdemocr\u00e1tica\u201d e \u201ctraz sempre um referencial, uma hist\u00f3ria\u201d, o que a diferencia das demais bebidas e agrega valor ao produto.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cNo meu caso, \u00e9 uma hist\u00f3ria de um hobbie que virou neg\u00f3cio. Com meus pais e tios, nas viagens em fam\u00edlia, sempre volt\u00e1vamos com uma garrafa de cacha\u00e7a\u201d<\/strong>, conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 tr\u00eas grupos de bebidas alc\u00f3olicas: as fermentadas, como as cervejas, os vinhos e saqu\u00eas; misturadas, e, por \u00faltimo, fermento destiladas, como o whisky, a vodka, o gim e ela, a cacha\u00e7a. As cacha\u00e7as s\u00e3o resultado da fermenta\u00e7\u00e3o e, depois, da destila\u00e7\u00e3o (separa\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool e da \u00e1gua)\u00a0do caldo de cana. Primeiro, na fermenta\u00e7\u00e3o, microorganismos chamados \u201cleveduras\u201d convertem a garapa (sumo da cana) em \u00e1lcool.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Esse produto, chamado de vinho,\u00a0\u00e9 aquecido em alambiques para, s\u00f3 ent\u00e3o, surgir a cacha\u00e7a, \u201cuma bebida que s\u00f3 pode ser chamada assim quando produzida no Brasil\u201d &#8211;\u00a0explica o doutor em Engenharia de Alimentos\u00a0e mestre em Tecnologia das Fermenta\u00e7\u00f5es\u00a0Benjamin de Almeida Mendes &#8211;\u00a0e se\u00a0 apresentar teor alco\u00f3lico de 38% a 48% a cada 100 ml.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Durante a feitura da cacha\u00e7a, um cheiro adocicado, com fundo alco\u00f3lico, se espalha pelos galp\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No fim, a bebiba pode ser envelhecida anos a fio, em barris de madeira como a Amburana, Jequitib\u00e1 e Eucalipto, que agregam sabor \u00e0 bebida. Seja como for, falar de cacha\u00e7a \u00e9 remeter ao Brasil<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cH\u00e1 indica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas para as bebidas e a cacha\u00e7a \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Aguardente pode vir de qualquer lugar do mundo. J\u00e1 a cacha\u00e7a tem que ser produzida no Brasil, \u00e9 associada ao nosso pa\u00eds\u201d<\/strong>, conta Benjamin, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Baiana dos Produtores e de outros Integrantes dos Neg\u00f3cios da Cacha\u00e7a de Alambique (Abapoinca).<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">O registro de \u201cindica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica\u201d \u00e9 conferido a produtos ou servi\u00e7os caracter\u00edsticos de seu local de origem. Conquistado esse t\u00edtulo, h\u00e1 ganho em reputa\u00e7\u00e3o, valor intr\u00ednseco identidade e, claro, valor de venda para o exterior. Desde 2001, a cacha\u00e7a \u00e9 considerada uma bebida brasileira, ap\u00f3s reconhecimento do Governo Federal.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/7\/4\/csm_cachac__a_roberto_abreu_b3df6b0e81.jpeg\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">Bahia \u00e9 quinto maior consumidor de cacha\u00e7a do Brasil, segundo IBRAC (Foto: Roberto Abreu\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Mas, apenas em 2016, o Comit\u00ea Executivo de Gest\u00e3o (Gecex) da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior (Camex) aprovou o regulamento de uso da indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (IG) da cacha\u00e7a. \u201cCacha\u00e7a\u201d, portanto, passou a ser um termo que s\u00f3 pode envelopar as garrafas da bebida produzida e regulamentada no Brasil. Da cacha\u00e7a, faz-se at\u00e9 turismo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Salvador, um dos points de degusta\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a \u00e9 o Cravinho, rota obrigat\u00f3ria para alguns visitantes. Em 2014, o diretor de fotografia Cled Pereira, 36, foi apresentado ao \u00a0local por um amigo e, desde ent\u00e3o, sempre que vem \u00e0 cidade, vai at\u00e9 l\u00e1. \u201cAdoro o cravinho e jatob\u00e1, e a experi\u00eancia de estar nos bares especializados na cacha\u00e7a. S\u00e3o espa\u00e7os com muita personalidade\u201d, defende.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>As grandes produtoras<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">No in\u00edcio dos anos 2000, Luiz Fernando Galletti chegou a Ilh\u00e9us, vindo de S\u00e3o Paulo, com inten\u00e7\u00e3o de mais qualidade de vida, e uma ideia: produzir uma cacha\u00e7a para tomar com os amigos. Formado em Qu\u00edmica e Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, Luiz j\u00e1 tinha interesse pela alquimia das cacha\u00e7as, mas nunca tinha estudado o assunto. \u201cDepois de fazer um curso, em Minas Gerais, troquei o hobbie por uma produ\u00e7\u00e3o legalizada\u201d, lembra Luiz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Anualmente, s\u00e3o produzidos nos alambiques da fazenda, que se estende por uma \u00e1rea de 30 hectares e emprega dez funcion\u00e1rios, de 40 a 50 mil litros da cacha\u00e7a Rio do Engenho. \u201cNosso avan\u00e7o, aqui na Bahia, \u00e9 em qualidade\u201d, opina Luiz. Na fazenda dele, depois do processo de destila\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool, as cacha\u00e7as s\u00e3o postas em barris de metais &#8211; s\u00e3o as cacha\u00e7as de prata &#8211; por quatro meses &#8211; ou de madeira, por um ano ou mais.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cTrabalhamos com cacha\u00e7as de alta qualidade, \u00e9 um mercado com poucos produtores, mas muita qualidade\u201d<\/strong>, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">As principais regi\u00f5es produtoras de cacha\u00e7a no estado s\u00e3o Chapada Diamantina, Oeste, Extremo Sul e Rec\u00f4ncavo. Na Bahia, h\u00e1 25 produtores registrados para produzir cacha\u00e7a, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura. A produ\u00e7\u00e3o encontra condi\u00e7\u00f5es ideais em regi\u00f5es mais altas, com climas mais bem definidos e um pouco de frio, elenca Benjamin de Almeida Mendes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O estado da Bahia \u00e9 o d\u00e9cimo do pa\u00eds em registros formais. O primeiro \u00e9 Minas Gerais, com 397. No Brasil, s\u00e3o 955\u00a0ao todo. Os n\u00fameros, claro, n\u00e3o\u00a0 incluem a informalidade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Abapoinca estima 1,4 bilh\u00e3o de litros produzidos formalmente no pa\u00eds, contra 2 bilh\u00f5es na clandestinidade, o que gera um rombo na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos e poss\u00edveis problemas na qualidade do produto. O Ibrac aponta que o mercado informal tenha ficado ainda maior durante a pandemia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma forma de diferenciar a cacha\u00e7a de boa qualidade, que prezou pelo cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 o que a garganta sente ap\u00f3s o primeiro gole da bebiba, ensina Luiz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">As cacha\u00e7as clandestinas costumam utilizar os tr\u00eas subprodutos da destila\u00e7\u00e3o da cana. \u00a0\u201c\u00c9 a cacha\u00e7a de bica corrida, sem sele\u00e7\u00e3o. Tomou uma cacha\u00e7a e a garganta ficou machucada? Para quem n\u00e3o conhece nada de cacha\u00e7a, \u00e9 um sinal que n\u00e3o \u00e9 de boa qualidade\u201d, aconselha o produtor.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Cacha\u00e7a, a bebida da dor e do prazer<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Quando, como e onde a tradi\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a surgiu no Brasil ainda n\u00e3o \u00e9 consenso. Mas\u00a0as discuss\u00f5es apontam para as dire\u00e7\u00f5es sudeste &#8211; em S\u00e3o Paulo &#8211; e nordeste &#8211; em Pernambuco ou em um engenho em Porto Seguro, na Bahia &#8211; entre 1520 e 1530. \u201cMas ainda n\u00e3o estamos falando de cacha\u00e7a e sim de casas de cozer para produzir o a\u00e7\u00facar, n\u00e3o se tinha sequer alambiques para produzir a cachaca\u201d, aponta Benjamin.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O historiador Lu\u00eds da C\u00e2mara Cascudo escreveu \u201conde mo\u00ed um engenho, destila um alambique\u201d e assim ocorreu no Brasil que se transformou o pa\u00eds da cacha\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar mascavo, melado de cana ou mela\u00e7o, o caldo de cana \u00e9 fervido e origina uma espuma farta, em que se concentra \u201ca sujeirinha do caldo da cana\u201d. \u201cEssa sujeirinha, voc\u00ea tira com uma espumadeira e recebe dois nomes especiais: tiborna ou esborro\u201d. Luiz Gonzaga preferia tiborna e a utilizou ao compor \u201cCapim Novo\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<div class=\"embed-content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4JeHjsLkyw8\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-1_25=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p class=\"bodytext\">Esse material &#8211; tirbona, esborro ou vinho &#8211; era misturado \u00e0 comida dos porcos para adocica-la. Entre os africanos escravizados, a tiborna tamb\u00e9m virou costume. \u201cE assim surge a hist\u00f3ria da cacha\u00e7a no Brasil, quando essa tiborna come\u00e7a a ser aquecida em alambiques improvisados\u201d, explica Benjamin.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os escravizados tiravam da cacha\u00e7a for\u00e7a para aguentar as situa\u00e7\u00f5es degradantes de trabalho ou alegria para momentos festivos. Era a bebida da dor e do prazer.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A tal ponto chegou a produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a que, diz Benjamin, 500 litros dela passaram a ser moeda de troca na compra de escravizados. No Brasil, devido \u00e0 origem, a cacha\u00e7a foi envolta em discursos de discrimina\u00e7\u00e3o. Sobre as pessoas jogadas \u00e0 marginalidade, no fim da escravatura, rapidamente surgiram termos de cunho pejorativo como \u201ccachaceiro\u201d e \u201cp\u00e9 de cana\u201d. Romper com esse estere\u00f3tipo racista e mostrar que a cacha\u00e7a tamb\u00e9m pode ser aliada da moradera\u00e7\u00e3o, \u00e9, dizem produtores, uma das miss\u00f5es deles.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os senhores mais ricos tamb\u00e9m tomavam cacha\u00e7a, e \u201csempre lucraram muito com ela, mas a tomavam envergonhadamente\u201d, escreve a especialista em Turismo, Cultura e Lazer Patr\u00edcia Cristina Leite Feitosa. O pre\u00e7o barato da bebida, aliado \u00e0 hist\u00f3ria, segundo ela, fizeram da cacha\u00e7a, ao longo do tempo, uma companhia do brasileiro e uma bebida do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Salvador ter\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nos pr\u00f3ximos sete dias &#8211; de 13 a\u00a020 &#8211; a Quitanda do Baianinho realiza, em parceria com o Salvador Shopping, a exposi\u00e7\u00e3o Semana Baiana da Cacha\u00e7a, com\u00a0mostra de grandes r\u00f3tulos e o objetivo de abordar a import\u00e2ncia social, cultural e econ\u00f4mica do maior destilado do Brasil. A a\u00e7\u00e3o pode ser visitada gratuitamente no Espa\u00e7o Gourmet \u2013 Piso L1 e \u00e9 a primeira do Brasil\u00a0durante a pandemia. O maior evento de exposi\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, a Expocacha\u00e7a, n\u00e3o ocorreu no ano passado e est\u00e1 prevista para novembro deste ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um dos destaques \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o da Cacha\u00e7a Salinas, natural de Minas Gerais, que desde 2018 \u00e9 considerada a capital mundial da bebida.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cacha\u00e7a come\u00e7ou a ser produzida na cidade mineira depois da chegada dos primeiros fazendeiros que seguiram os rastros da pecu\u00e1ria. Alguns deles chegaram da Bahia entre 1880 e 1890, passaram a desbravar as redondezas e reservar \u00e1reas de suas fazendas para o plantio de cana. A mostra ainda exibe itens hist\u00f3ricos de Salinas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na Semana Baiana da Cacha\u00e7a, o p\u00fablico tamb\u00e9m conhecer\u00e1 mais sobre a tradi\u00e7\u00e3o e cultura da Cacha\u00e7a de Alambique na Bahia e no Brasil. Al\u00e9m da bebida, ser\u00e3o apresentados produtos\u00a0ligadas ao universo da agricultura familiar, como\u00a0geleias, rapaduras, pimentas e mandioca da\u00a0regi\u00e3o do Rec\u00f4ncavo Baiano e produzidos por cooperativas ligadas ao universo da agricultura familiar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O crescimento da produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a genuinamente nacional \u00e9 destaque no Brasil e, no exterior, e representa cerca de 80% do segmento de destilados. A produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar no Brasil, somente para a fabrica\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a, chega a 10 milh\u00f5es de toneladas por ano, em uma \u00e1rea cultivada de aproximadamente 125 mil hectares.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-subscriber\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--subscriber-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"subscriber\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o da bebida no estado envolve de pequenos produtores a turismo; aprenda a reconhecer cacha\u00e7a de qualidade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":366946,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-366945","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/barril-de-cachaca.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366945","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=366945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/366945\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/366946"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=366945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=366945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=366945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}