{"id":369886,"date":"2021-10-17T09:18:28","date_gmt":"2021-10-17T12:18:28","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=369886"},"modified":"2021-10-17T09:18:28","modified_gmt":"2021-10-17T12:18:28","slug":"idosa-enfrenta-preconceito-e-consegue-diploma-de-pedagogia-aos-76-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/idosa-enfrenta-preconceito-e-consegue-diploma-de-pedagogia-aos-76-anos\/","title":{"rendered":"Idosa enfrenta preconceito e consegue diploma de pedagogia aos 76 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div><strong>Carolina Cerqueira e Monique L\u00f4bo<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/a\/csm_IMG-20211015-WA0044__1__b810d2b19b.jpg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/a\/csm_IMG-20211015-WA0044__1__2370551bb5.jpg\" alt=\"Idosa enfrenta preconceito e consegue diploma de pedagogia aos 76 anos\" \/><\/picture><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\">M\u00e3e de 11, av\u00f3 de 19 e bisav\u00f3 de dois, dona Maria voltou \u00e0 sala de aula aos 40 anos para ajudar as crian\u00e7as e tomou gosto: &#8220;Sonhei e deu certo&#8221;<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\"><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\">\u201cEu sonhei e deu certo. Sonhei e fui sonhando, fui sonhando at\u00e9 que chegou o dia\u201d. Essas s\u00e3o as palavras de Maria Clara de Santana, ou somente Dona Maria. Esse sonho ao qual ela se refere tem nome: conhecimento. O amor pela sala de aula, seja na carteira do aluno ou na mesa da professora, levou Dona Maria muito longe. Aos 76 anos, j\u00e1 com 11 filhos, 19 netos e 2 bisnetos, ela conquistou o\u00a0diploma universit\u00e1rio e se tornou pedagoga. A formatura aconteceu em agosto deste ano e ela n\u00e3o pretende parar por a\u00ed.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A jornada at\u00e9 o dia da formatura n\u00e3o foi nada f\u00e1cil. \u201c\u00c0s vezes uma pessoa me dizia: \u2018Mulher, deixa isso para l\u00e1, vai procurar o que fazer!\u2019. A\u00ed, eu respondia: \u2018V\u00e1 procurar o que fazer voc\u00ea, que eu aqui j\u00e1 procurei\u2019\u201d, conta Dona Maria. Al\u00e9m dos olhares e das falas maldosas na rua, ela tamb\u00e9m teve que enfrentar o preconceito vindo de alguns parentes e at\u00e9 do marido dentro de casa, o agricultor Ant\u00f4nio Xandu, que lhe rendeu o apelido tamb\u00e9m de Maria de Xandu. \u201cEra uma confus\u00e3o. Eu deixava o caf\u00e9 pronto, tudo arrumado e sa\u00eda. Com o tempo ele foi se acostumando. Mas foi um sofrimento para mim\u201d, relembra.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma das filhas, a advogada Luciane Santana, 46, refor\u00e7a os obst\u00e1culos que a m\u00e3e teve que vencer e diz que Dona Maria lutou n\u00e3o somente pela pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pela dos filhos. \u201cEu tenho muito orgulho dela, fico emocionada com as conquistas. Essa mulher sofreu muito. Meu pai era muito machista, n\u00e3o deixava ela fazer nada, limitava as sa\u00eddas dela. Os filhos homens tinham bicicleta e as meninas n\u00e3o. Ela lutou muito, se aproximou da escola para ajudar os filhos a n\u00e3o desistirem de estudar porque ele mesmo n\u00e3o queria que a gente frequentasse a sala de aula\u201d, afirma Luciane.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E foi justamente o casamento, as tarefas dom\u00e9sticas e o cuidado com os 11 filhos que afastaram dona Maria dos estudos. Ela conta que fugiu de casa e abandonou a escola em Ribeira do Amparo, onde nasceu, quando se casou, aos 21 anos, deixando o Prim\u00e1rio (atual Ensino Fundamental I) pela metade. \u201c\u00c9 que na minha \u00e9poca era diferente. Entrei na escola com uns 8 anos e era ro\u00e7a. N\u00e3o tinha carro, n\u00e3o tinha professora direito, ent\u00e3o nem sempre tinha aula\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dona Maria se afastou da sala de aula, mas o sonho de concluir os estudos nunca se afastou dela. \u201cEra um filho atr\u00e1s do outro, uma escadinha, ent\u00e3o meu marido negociava comigo e eu ficava em casa cuidando dos meninos, mas sempre naquela vontade de completar meu prim\u00e1rio\u201d, diz ela. Quando a Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos chegou em Cip\u00f3, cidade onde mora, uma porta se abriu.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Quando j\u00e1 tinha 40 anos, dona Maria cursou mais dois anos de prim\u00e1rio, concluindo essa etapa. Era hora de buscar o gin\u00e1sio (atual Ensino Fundamental II). \u201cE eu n\u00e3o queria parar por ali. Cheguei em casa depois da festinha de conclus\u00e3o e falei com meu marido. Ele me disse: \u201cRapaz, v\u00e1 procurar o que fazer. Para qu\u00ea fazer gin\u00e1sio? Voc\u00ea j\u00e1 tem o prim\u00e1rio. Quer o qu\u00ea mais?\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas ela foi persistente. Quando foi matricular o filho, aproveitou o momento e fez tamb\u00e9m a sua pr\u00f3pria matr\u00edcula. \u201cEu fui tamb\u00e9m para incentivar meu filho, mas ele n\u00e3o quis mais, arranjou uma namorada e me deixou na m\u00e3o. Mas eu continuei l\u00e1\u201d, diz, orgulhosa. Aos 50 anos, mais uma conquista: Dona Maria concluiu o gin\u00e1sio.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2021\/10\/15\/WhatsApp_Image_2021-10-15_at_16.32.59.jpeg\" width=\"722\" height=\"486\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Dona Maria espalha alegria por onde passa e \u00e9 grande f\u00e3 da liberdade\u00a0<\/strong>(Foto: Arquivo pessoal)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">A pr\u00f3xima etapa foi o magist\u00e9rio (curso de n\u00edvel m\u00e9dio para formar professores para a educa\u00e7\u00e3o infantil). E logo ela foi trabalhar. Primeiro, surgiu uma vaga numa creche perto de sua casa, mas ela n\u00e3o queria cuidar de crian\u00e7as, isso ela j\u00e1 fazia em casa. \u201cEra s\u00f3 para dar banho em crian\u00e7a, trocar fralda, pentear cabelo. E eu bati o p\u00e9 que queria uma sala de aula e consegui. Me deram 30 alunos\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Foram sete anos como professora da rede p\u00fablica, at\u00e9 que a administra\u00e7\u00e3o mudou e dona Maria preferiu se afastar. Ficou em casa bordando e costurando, mas a chama que a movia para correr atr\u00e1s dos seus sonhos ainda n\u00e3o tinha se apagado. Cip\u00f3 ganhou a sua primeira faculdade e Dona Maria n\u00e3o pensou duas vezes. Recebeu apoio de uma colega e da filha e se matriculou no per\u00edodo noturno.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Durante quatro anos, de dia ela cuidava da casa e do marido, que passou a contar com a ajuda de uma cadeira de rodas. De noite, Dona Maria vestia a capa de estudante e ia encontrar os colegas na faculdade. Por diversas vezes, virou noites estudando. No meio do caminho, o marido acabou falecendo. Com apoio, persist\u00eancia, talento e humildade para pedir ajuda, ela conseguiu realizar o sonho.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">\u201cEra uma meta dela, talvez tamb\u00e9m uma forma de se sentir viva e se manter ativa porque \u00e9 uma mulher com esp\u00edrito jovem, \u00e0 frente do seu tempo. Meu pai faleceu e ela ficou muito doente tamb\u00e9m durante um per\u00edodo, foi at\u00e9 hospitalizada, e tudo que ela pensava era que precisava terminar o curso\u201d, conta a professora Maria Concei\u00e7\u00e3o Santana, 40 anos, filha de dona Maria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A coordenadora do curso de pedagogia, Iracema das Neves, 43 anos, \u00e9 s\u00f3 elogios para a aluna. \u201cEla sempre foi muito comprometida com os estudos. \u00c9 uma inspira\u00e7\u00e3o para todo mundo aqui, um presente em nossas vidas. Muita gente a desafiou, criticou, duvidou, e isso acabou sendo um est\u00edmulo para ela\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na festa de formatura, finalmente, s\u00f3 tinha espa\u00e7o para a alegria. As comemora\u00e7\u00f5es pararam a cidade. \u201cS\u00f3 deu eu. Falei, cantei, fui oradora. Achei que iam mangar de mim, mas eu fui a estrela! Eu fiquei t\u00e3o bonita. J\u00e1 com 76 anos, mas fiquei parecendo que tinha a idade de minhas filhas\u201d, diz Maria, rindo. Quando questionada sobre os planos para o futuro, ela responde, sem demora: \u201cQuero trabalhar no ano que vem, mas s\u00f3 com ensino presencial. E se tiver p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, eu ainda vou l\u00e1!\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e3e de 11, av\u00f3 de 19 e bisav\u00f3 de dois, dona Maria voltou \u00e0 sala de aula aos 40 anos para ajudar as crian\u00e7as e tomou gosto: &#8220;Sonhei e deu certo&#8221;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":369887,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-369886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/velha-pedagoga.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=369886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/369886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/369887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=369886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=369886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=369886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}