{"id":371141,"date":"2021-11-02T07:53:58","date_gmt":"2021-11-02T10:53:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=371141"},"modified":"2021-11-02T07:53:58","modified_gmt":"2021-11-02T10:53:58","slug":"onde-estao-os-peixes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/onde-estao-os-peixes\/","title":{"rendered":"Onde est\u00e3o os peixes?"},"content":{"rendered":"<div class=\"section mcb-section   \">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p class=\"dropcaps\" style=\"text-align: justify;\">Quem nasce na Ilha de Mar\u00e9 aprende a pescar. A oscila\u00e7\u00e3o da mar\u00e9 define o tr\u00e2nsito mar\u00edtimo e molda a vida dos habitantes. \u00c0s 9h de uma manh\u00e3 do fim de agosto, apenas Vivaldo Paragua\u00e7u, 65 anos, est\u00e1 na \u00e1gua, contornada pelo complexo industrial ao fundo. Outros pescadores partiram mais cedo rumo a Pass\u00e9 e Bom Jesus dos Passos, onde esperam que as \u00e1guas mais profundas atraiam a sorte, cada vez mais escassa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A reportagem do Correio identificou, a partir de pesquisas cient\u00edficas e relatos de pescadores, pelo menos dez esp\u00e9cies de peixes que est\u00e3o desaparecendo de regi\u00f5es onde eram abundantes na Ba\u00eda de Todos-os-Santos (BTS). Atualmente, mais de 240 esp\u00e9cies de peixes est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, no Brasil, segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies varia conforme a regi\u00e3o, mas, de modo geral, foi relatada a do Vermelho, Robalo, Corvina, Cabe\u00e7udo, Redondo, Tapa, Arraia, Tainhas, Xar\u00e9us e Sardinha. Na Ilha de Mar\u00e9, o Dend\u00ea, peixe rubro-negro que servia de isca na pesca, consta s\u00f3 na mem\u00f3ria dos mais velhos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Somente de 2010 a 2016, as capturas di\u00e1rias de quatro dessas esp\u00e9cies sofreram uma queda de at\u00e9 60%. A tainha est\u00e1 54% menos frequente, o robalo 60%, a sardinha 47% e o xar\u00e9u 50%, mostra\u00a0<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/abs\/10.1111\/fme.12393\">pesquisa feito com pescadores por Jos\u00e9 Amorim Reis<\/a>, doutor em Ecologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e dedicado a pesquisas sobre pesca artesanal e peixes costeiros e continentais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A cada dia, pescadores que vivem ao redor da BTS v\u00e3o mais longe para encontrar o que achavam no entorno. Assim eles contam. H\u00e1 14 mil pescadores em atua\u00e7\u00e3o na BTS, calcula o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) &#8211; 10% do total na Bahia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/thumbnail_Peixes-BTS.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">&#8220;N\u00e3o \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o, \u00e9 desastre o fato de ter uma grande diversidade de peixes aliado ao desaparecimento e escasseamento de tantos outros&#8221;, diz Reis. Ele se refere ao fato de as esp\u00e9cies escassearem no ambiente costeiro com mais biodiversidade de peixes do Atl\u00e2ntico Sul &#8211; a BTS. Essa descoberta foi feita pelo ecologista e outros seis pesquisadores, depois de dez anos de levantamento, e ainda ser\u00e1 publicada em artigo. Os motivos da diversidade encontrada na Ba\u00eda variam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A BTS possui uma riqueza estuarina que serve de ber\u00e7\u00e1rio. Isso porque os estu\u00e1rios, regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o entre rio e mar, possuem farta disponibilidade de alimento, abrigos e s\u00e3o mais escuros, o que agrada aos peixes. Al\u00e9m disso, \u00e9 contornada por recifes de corais, que sustentam mais de 25% da biodiversidade marinha. Com pontos de profundidade de at\u00e9 60 metros, formam-se ref\u00fagios para a vida no mar. Essas \u00e1reas ficam mais distantes das redes de pesca e servem de esconderijo &#8211; por isso, os pescadores da Ilha de Mar\u00e9 tentam ir mais longe.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em paralelo, h\u00e1 a degrada\u00e7\u00e3o e a pesca excessiva. \u00c9 o &#8220;desastre&#8221; dito por Amorim e pelo qual sofrem os pescadores. O desaparecimento de esp\u00e9cies est\u00e1 relacionado a mudan\u00e7as ambientais que ocorrem desde os anos 50, segundo pesquisadores entrevistados, e se acentuam agora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas e a sobrepesca &#8211; principalmente a pesca com bomba &#8211; s\u00e3o citadas pelos pesquisadores como as raz\u00f5es mais insistentes desse decl\u00ednio dos estoques. \u201cQuem estuda d\u00e1 os nomes, mas a gente pergunta o porqu\u00ea disso acontecer [os peixes sumirem]\u201d, diz Vivaldo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele, que aprendeu a pescar na inf\u00e2ncia, \u00e9 pai de tr\u00eas filhos. Nenhum quis viver de pesca ou marisco, uma \u201cvida injusta\u201d, como repete quem tomou o caminho inverso. Vivaldo fecha as contas do m\u00eas porque conseguiu se aposentar. Dos noves irm\u00e3os de Vivaldo, apenas um permaneceu na pescaria. O que falta no mar tem repercuss\u00e3o direta na vida em terra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os mais jovens de Ilha de Mar\u00e9, quando conseguem, atravessam o mar para trabalhar em Salvador ou atuam na travessia de turistas para a pen\u00ednsula &#8211; cada viagem de ida e volta, que dura de 20 a 40 minutos a depender da comunidade visitada, custa R$ 7. H\u00e1 dois anos, Ronilson Freitas, 32, deixou de ser apenas pescador. &#8220;Fazendo a travessia, mesmo ganhando pouco, eu j\u00e1 levava algo&#8221;, conta. Quando tomou a decis\u00e3o, o filho tinha um ano. &#8220;Meus amigos que podem saem para tentar um emprego fora&#8221;.<\/p>\n<p class=\"intertitulo\"><b>FALTAM PEIXES E RESPOSTAS<\/b><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para o almo\u00e7o, o mais servido nas casas da Ilha de Mar\u00e9 \u00e9 a tainha &#8211; l\u00e1 chamada de sa\u00fana -, um peixe mais adapt\u00e1vel a ambientes polu\u00eddos, mas tamb\u00e9m em decl\u00ednio. Prepara-se em moqueca ou escaldado. Nas 12 comunidades de Ilha de Mar\u00e9, as resid\u00eancias s\u00e3o avarandadas pelo mar, que deixa um vest\u00edgio de cascos de mariscos pelo ch\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A casa de Vivaldo fica na comunidade do Martelo e, quando a mar\u00e9 enche, seu quintal vira praia. Vivaldo, que acompanhou as mudan\u00e7as na BTS, diz viver na esperan\u00e7a de que os mais jovens \u201cn\u00e3o o desmintam\u201d quando confronta passado e presente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A maior parte da BTS \u00e9 rasa, com profundidade de 6 metros, como \u00e9 o caso do entorno da Ilha de Mar\u00e9. O ponto mais profundo fica num vale fluvial submerso no Rio Paragua\u00e7u. \u00c0s 3h da manh\u00e3, pescadores como Agnaldo Ferreira de Jesus, 61, conhecido como Grilo, come\u00e7am a partir de Mar\u00e9 para pen\u00ednsulas mais distantes. Eles saem a remo ou, quando se distanciam mais, em barcos a motor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Com a pesca pior, e\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/radioagencia-nacional\/economia\/audio\/2021-09\/petrobras-aumenta-valor-do-diesel-em-889-partir-desta-quarta\">o pre\u00e7o do diesel 23% mais caro<\/a>\u00a0s\u00f3 no primeiro semestre do ano no Brasil, o preju\u00edzo vem em dobro. &#8220;Com a pesca fraca, a gente gasta muito \u00f3leo, porque n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de ir sempre de remo&#8221;, lamenta Grilo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Vivaldo-paraguacu-8.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Agnaldo-Grilo-8.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">A reportagem procurou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio) para entender se a situa\u00e7\u00e3o na BTS tinha sido reportada a eles. Ambos responderam que n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por esse acompanhamento.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Instituto do Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Inema) \u00e9 questionado desde o dia 10 de setembro sobre o assunto, j\u00e1 que \u00e9 respons\u00e1vel pela \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) da BTS, mas nunca respondeu. Quando s\u00e3o chamados a eventos ou audi\u00eancias p\u00fablicas, os pescadores denunciam a falta de peixes. Tamb\u00e9m ficam sem resposta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Desde 2011, n\u00e3o h\u00e1 estat\u00edstica pesqueira no Brasil. H\u00e1 10 anos, a produ\u00e7\u00e3o total de pescado na Bahia era de 59 mil toneladas, a terceiro maior do pa\u00eds, atr\u00e1s do Rio de Janeiro e do Par\u00e1. O Minist\u00e9rio da Agricultura e Pesca n\u00e3o explicou a falta de estat\u00edstica. O pa\u00eds desconheceria tudo sobre pesca, n\u00e3o fossem os pescadores, considerados \u201cfontes fidedignas\u201d pela comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">As pesquisas com pescadores s\u00e3o feitas a partir de entrevistas que seguem roteiro, um m\u00e9todo validado cientificamente, chamado Conhecimento Ecol\u00f3gico Tradicional, exercido mundialmente h\u00e1 40 anos. Sem estat\u00edsticas oficiais, faltam pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para o problema socioambiental que se estabelece pela falta de pescados.<\/p>\n<p class=\"intertitulo\"><b>O AUMENTO DA PRESS\u00c3O E AS RESPOSTAS DOS PEIXES<\/b><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na BTS, a press\u00e3o sobre os peixes ganhou for\u00e7a na d\u00e9cada de 50. Foi tempo da chegada do n\u00e1ilon, que substituiu a fibra vegetal, segundo pesquisadores. Sem ser degradado pelo tempo, o n\u00e1ilon gera micropl\u00e1sticos que impregnam a vida marinha e no sistema digestivo dos peixes. Nesse mesmo per\u00edodo, outra realidade chegava \u00e0 BTS &#8211; a industrial. Em 1950, a Refinaria Landulpho Alves (RLAM) foi instalada em S\u00e3o Francisco do Conde.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A comunidade de Martelo, onde Vivaldo e Grilo moram, tem vista para a RLAM e parte do Sistema Portu\u00e1rio da BTS, que comporta os portos de Salvador e Aratu-Candeias, dois terminais de uso privado da Petrobras, Ford, Dow Qu\u00edmica, Moinho Dias Branco e Gerdau. O sistema est\u00e1 sob \u00e1rea de jurisdi\u00e7\u00e3o da Companhai de Docas da Bahia (Codeba).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O desenvolvimento industrial em regi\u00f5es pr\u00f3ximas ao mar, sem o manejo apropriado, prejudica o ecossistema marinho. &#8220;A contamina\u00e7\u00e3o qu\u00edmica altera uma s\u00e9rie de processos fisiol\u00f3gicos que vai impactar o desenvolvimento e a reprodu\u00e7\u00e3o do peixe. Hoje, a gente vive um problema mais exacerbado &#8211; temos o problema local e press\u00f5es associadas a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, explica Vanessa Hatje, doutora em Oceanografia Qu\u00edmica pela Universidade de Sidney, professora da Ufba e dedicada a pesquisas sobre polui\u00e7\u00e3o marinha na BTS.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A contamina\u00e7\u00e3o de partes da BTS, como nos arredores da Rlam e do Rio Suba\u00e9, \u00e9 um &#8220;problema antigo e conhecido dos \u00f3rg\u00e3o ambientais, que necessita de medidas de mitiga\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Hatje.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A Petrobras, atual administradora da RLAM, afirma que a refinaria segue &#8220;os mais rigorosos padr\u00f5es de seguran\u00e7a em suas atividades&#8221; e mant\u00e9m interlocu\u00e7\u00e3o com as comunidades nos entornos. A Codeba informa que possui um sistema de gest\u00e3o ambiental para evitar qualquer dano ambiental, como vazamentos de produtos, explos\u00f5es e outros acidentes ambientais. E que tamb\u00e9m mant\u00e9m di\u00e1logo com os entornos e investe em a\u00e7\u00f5es socioambientais.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A popula\u00e7\u00e3o nos entornos da BTS tamb\u00e9m saltou e ajuda a explicar a polui\u00e7\u00e3o na Ba\u00eda e as consequ\u00eancias dela. De 1970 at\u00e9 2020, a quantidade de habitantes nas cidades margeadas pela BTS passou de 1,28 milh\u00e3o para 3,2 milh\u00f5es. &#8220;\u00c9 um aumento n\u00e3o planejado. Significa mais demanda de pesca, mais polui\u00e7\u00e3o, mais esgoto&#8221;, explica Jailson Andrade, doutor em Qu\u00edmico, pr\u00f3-reitor de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa do Centro Universit\u00e1rio Senai-Cimatec e professor da Ufba que desde 2008 coordena um projeto que re\u00fane pesquisadores de Ci\u00eancia Humanas, Exatas e Artes para investigar a BTS em um prazo de 30 anos.<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/7592970\"><iframe title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/7592970\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/7592970\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/7592970\" target=\"_top\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish chart<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap divider  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">A polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do planeta, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), amea\u00e7a 5% &#8211; R$ 3 trilh\u00f5es anuais &#8211; do Produto Interno Bruto (PIB) mundial ligado \u00e0 pesca.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um ecossistema deve ser pensado como um motor. As esp\u00e9cies s\u00e3o as pe\u00e7as. \u201cQuando voc\u00ea tira uma delas, isso vai prejudicar ou, no m\u00ednimo, mudar o funcionamento daquele sistema\u201d, explica Guilherme Longo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestre em Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Paran\u00e1.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No caso dos peixes, h\u00e1 mudan\u00e7as n\u00e3o apenas no mar, mas na vida humana. \u201cVoc\u00ea pode afetar a seguran\u00e7a alimentar e a subsist\u00eancia de v\u00e1rias fam\u00edlias que dependem disso\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-third column_counter \">\n<div class=\"counter counter_vertical animate-math\">\n<div class=\"icon_wrapper\"><\/div>\n<div class=\"desc_wrapper\">\n<div class=\"number-wrapper\"><span class=\"number\" data-to=\"5\">5<\/span><span class=\"label postfix\">%\u00a0<\/span>do Produto Interno Bruto (PIB) \u00e9 amea\u00e7ado pela polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas 2 milh\u00f5es de pessoas a mais passaram a morar no entorno de BTS desde os anos 70<\/div>\n<div class=\"number-wrapper\">240 esp\u00e9cies e subesp\u00e9cies de peixes e invertebrados est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p class=\"intertitulo\"><b>SEIS CIDADES DA BTS N\u00c3O TRATAM ESGOTO<\/b><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na estrada para\u00a0<a href=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/destinos\/ilhadeitaparica\/perola-do-reconcavo\/\">Jaguaripe, a primeira vila do Rec\u00f4ncavo Baiano<\/a>, um desvio \u00e0 direita leva a Cajazeiras, um vilarejo de pescadores onde h\u00e1 12 barracos. Faz 15 anos que pescadores de Nazar\u00e9 das Farinhas migram para l\u00e1, depois que a falta de pescados assim imp\u00f4s. A migra\u00e7\u00e3o de pescadores \u00e9 uma realidade na BTS e cria \u00e1reas de degrada\u00e7\u00e3o sem manejo apropriado. Em Cajazeiras, o esgoto desemboca no Rio Jaguaripe.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c0 beira do Rio, em Nazar\u00e9, canos tamb\u00e9m jogam os efluentes produzidos das casas no Jaguaripe, que, junto aos rios Paragua\u00e7u e Suba\u00e9, drena 90% da BTS. Dos 16 munic\u00edpios nos arredores da Ba\u00eda, seis ainda n\u00e3o t\u00eam esgotamento sanit\u00e1rio &#8211; al\u00e9m de Nazar\u00e9, Aratu\u00edpe, Jaguaripe, Salinas da Margarida, S\u00e3o F\u00e9lix e Saubara. Nazar\u00e9 \u00e9 o maior deles, com 27.274 mil habitantes, e por toda parte h\u00e1 canos ligados ao rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">Quando a reportagem esteve l\u00e1, chovia, e aos fundos da casa de Jos\u00e9 Luiz Santos da Cruz, o Z\u00e9 de Ivone, 58, o esgoto de 300 manilhas do bairro da Lagoa das Cobras corria como um riacho. Margeando o bairro, aquela parte do Jaguaripe parece \u201cmorrer\u201d, diz Jos\u00e9. \u201cNingu\u00e9m d\u00e1 jeito, \u00e9 s\u00f3 promessa, e a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa aqui que voc\u00ea v\u00ea\u201d, lamentava.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Despejados na \u00e1gua sem tratamento, os esgotos provocam um aumento de nutrientes que desregula o equil\u00edbrio marinho. Surgem plantas aqu\u00e1ticas e algas que reduzem a quantidade de oxig\u00eanio dispon\u00edvel, o que afeta a sobreviv\u00eancia dos peixes e outros seres vivos, explica o qu\u00edmico Jailson Andrade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A reportagem visitou o que os pesquisadores consideram a parte mais preservada da Ba\u00eda de Todos os Santos &#8211; a oeste. A leste, virada para Salvador, maior e mais industrial, \u00e9 mais polu\u00edda e com mais press\u00e3o da pesca. Ainda assim, tamb\u00e9m l\u00e1 esp\u00e9cies come\u00e7aram a sumir, e Jos\u00e9 fica triste ao saber que vive do Jaguaripe, mas o polui. Ele mora com a esposa e uma filha e os tr\u00eas jogam esgoto no rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/esgoto-residencial-e-comercio-Nazare1muitoboa-2.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap divider  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-third column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<h6><b>SEIS DAS 16 CIDADES \u00c0S MARGENS DA BA\u00cdA DE TODOS OS SANTOS N\u00c3O TEM ESGOTAMENTO SANIT\u00c1RIO. SEM TRATAMENTO, EFLUENTES DESEQUILIBRAM O AMBIENTE MARINHO<\/b>.<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/Jose-luiz-Santos-da-Cruz-Ze-de-Ivone-pescador-de-Nazare-esgoto-no-fundo-da-casa-.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-third column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<h6><b>EM DIAS CHUVOSOS, O CHEIRO DE ESGOTO INVADE A CASA DO PESCADOR CONHECIDO COMO Z\u00c9 DE IVONE, 58 ANOS, QUE VIVE A CONTRADI\u00c7\u00c3O DE VIVER DA BA\u00cdA E POLU\u00cd-LA, DEVIDO \u00c0 FALTA DE ESGOTAMENTO EM NAZAR\u00c9 DAS FARINHAS.&lt;\u00a0<\/b>.<\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column mcb-column one-third column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column mcb-column one-third column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\" data-parallax=\"3d\"><img decoding=\"async\" class=\"mfn-parallax\" src=\"https:\/\/especiais.correio24horas.com.br\/abaiamae\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/esgotorua.jpeg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-third column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<h6><b>O ACESSO A SANEAMENTO B\u00c1SICO \u00c9 CONSIDERADO UM DIREITO FUNDAMENTAL. SEM ELE, A POPULA\u00c7\u00c3O TAMB\u00c9M FICA MAIS VULNER\u00c1VEL A DOEN\u00c7AS. A EMBASA AFIRMA QUE PRIORIZAR\u00c1 INVESTIMENTOS QUE TRAGAM MENOS DANOS \u00c0 BTS.<\/b><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-0px\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">Quando a mar\u00e9 seca e os mangues esvaziam, o cheiro de esgoto entra na casa de Jos\u00e9, \u00e0s vezes acompanhado de ratos, baratas e muri\u00e7ocas. \u201cUma das quest\u00f5es mais primordiais da BTS ainda \u00e9 pensar no esgotamento sanit\u00e1rio. Voc\u00ea soma a falta de esgotamento sanit\u00e1rio aos efluentes industriais e temos problemas s\u00e9rios\u201d, afirma Andrade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em 1995, o<a href=\"http:\/\/www.ceama.mp.ba.gov.br\/boletim-informativo\/doc_view\/3788-bahia-azul-o-mais-importante-programa-de-saneamento-ambiental-da-bahia.html\">\u00a0Programa Bahia Azul<\/a>, da Empresa Baiana de Saneamento B\u00e1sico (Embasa), prop\u00f4s a resolu\u00e7\u00e3o do problema do saneamento b\u00e1sico na BTS, o que n\u00e3o aconteceu. O projeto durou de 1995 a 2004, e, s\u00f3 em Salvador, pretendia aumentar a cobertura do tratamento de efluentes para 80%. O saneamento chegou a 68% da cidade \u00e0 \u00e9poca. Hoje, alcan\u00e7a 79%. A Ilha de Mar\u00e9, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 contemplada.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-second column_counter \">\n<div class=\"counter counter_vertical animate-math\">\n<div class=\"icon_wrapper\"><\/div>\n<div class=\"desc_wrapper\">\n<div class=\"number-wrapper\"><span class=\"number\" data-to=\"6\">6<\/span><\/div>\n<p class=\"title\">cidades banhadas pela BTS n\u00e3o t\u00eam esgotamento sanit\u00e1rio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column mcb-column one-second column_counter \">\n<div class=\"counter counter_vertical animate-math\">\n<div class=\"icon_wrapper\"><\/div>\n<div class=\"desc_wrapper\">\n<div class=\"number-wrapper\"><span class=\"number\" data-to=\"90\">90<\/span><span class=\"label postfix\">%<\/span><\/div>\n<p class=\"title\">das cidades baianas deveriam ter esgotamento sanit\u00e1rio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">\n<p dir=\"ltr\">O Bahia Azul teve continuidade, diz o presidente da empresa, Rog\u00e9rio Cedraz, por meio do \u00c1gua para Todos. O Novo Marco Legal do Saneamento B\u00e1sico prev\u00ea at\u00e9 2033 para que a Bahia contemple 90% do territ\u00f3rio. Atualmente, a cobertura \u00e9 de 46%. Em 2015, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da ONU inclu\u00edram o saneamento para todos como uma das metas at\u00e9 2030. Sem ele, que \u00e9 um direito fundamental, a popula\u00e7\u00e3o fica mais vulner\u00e1vel a doen\u00e7as.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Queremos tirar o esgoto da Ba\u00eda e priorizamos investimentos que gerar\u00e3o menor dano a ela\u201d, afirma Cedraz. Para que o saneamento chegue aos seis munic\u00edpios, ele estimou um investimento de R$ 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A reportagem tentou contato com as prefeituras das seis cidades onde n\u00e3o h\u00e1 saneamento b\u00e1sico na regi\u00e3o da BTS. Somente a Prefeitura de Aratu\u00edpe retornou at\u00e9 o fechamento da publica\u00e7\u00e3o. O prefeito da cidade, Ant\u00f4nio Marcos Ara\u00fajo (PCdoB), mais conhecido como Professor Tone, diz que teve uma reuni\u00e3o com a Embasa, para assinar um termo aditivo. A assinatura pode ser o primeiro passo para que o esgoto, pela primeira vez na hist\u00f3ria da cidade, seja tratado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Mas, as interven\u00e7\u00f5es come\u00e7ariam s\u00f3 a partir de 2025 e terminaria em 2030&#8221;, detalha. Como nesse intervalo, os efluentes continuar\u00e3o a ser produzidos, Tone afirma que resta incentivar a consci\u00eancia ambiental dos moradores, que vivem majoritariamente de atividades pesqueiras ou empregados em cargos p\u00fablicos.<\/p>\n<p class=\"intertitulo\"><b>CASOS DE PESCA COM BOMBA CRESCEM 65%<\/b><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c0s 21h da noite anterior \u00e0 nossa primeira visita, uma mensagem apitou no celular de Alan Nunes, 31, pescador submarino. \u201cPessoal n\u00e3o d\u00e1 descanso. T\u00e1 com bomba aqui na Ribeira, Lobato\u201d, denunciou um integrante do grupo de mensagem. Naquela noite, quatro bombas foram jogadas no mar. O efeito \u00e9 imediato. Os peixes boiam, mortos, na superf\u00edcie. Os recifes de corais tamb\u00e9m s\u00e3o destru\u00eddos a at\u00e9 500 metros de dist\u00e2ncia. O que resta, apodrece.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando uma bomba explode no mar, todo o conjunto de peixes \u00e9 atingido. Cada peixe morto esconde um rastro de destrui\u00e7\u00e3o. Centenas de formas embrion\u00e1rias dos peixes s\u00e3o mortos. De 2019 a 2021, a pesca com bomba na Bahia cresceu 65%, segundo a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ssp.ba.gov.br\/modules\/noticias\/article.php?storyid=8855\">Companhia de Pol\u00edcia Ambiental da Bahia (Coppa)<\/a>. A BTS responde por 239 dos 268 casos. No mesmo intervalo de tempo, foram oito pris\u00f5es \u00e0s margens da BTS &#8211; todas em Salvador.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A \u00faltima pris\u00e3o de um bombero, como s\u00e3o chamados os criminosos que pescam com bomba, ocorreu \u00e0s 10h do dia 17 de maio. Depois de uma den\u00fancia an\u00f4nima, policiais chegaram a dois deles. Ambos eram moradores de Monte Serrat, um dos bairros da Cidade Baixa de Salvador, principal point da pesca com bomba da cidade, e j\u00e1 tinham sido presos outras vezes pelo crime.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em inqu\u00e9rito, acessado pela reportagem, um deles chega a dizer que pesca com explosivos h\u00e1 10 anos. Com a dupla, presa na orla antes de ir para o mar, foram encontrados sete explosivos, uma balan\u00e7a e tr\u00eas fac\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/7596838\"><iframe title=\"Interactive or visual content\" src=\"https:\/\/flo.uri.sh\/visualisation\/7596838\/embed?auto=1\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" sandbox=\"allow-same-origin allow-forms allow-scripts allow-downloads allow-popups allow-popups-to-escape-sandbox allow-top-navigation-by-user-activation\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"flourish-credit\"><a href=\"https:\/\/public.flourish.studio\/visualisation\/7596838\/?utm_source=showcase&amp;utm_campaign=visualisation\/7596838\" target=\"_top\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/public.flourish.studio\/resources\/bosh.svg\" alt=\"Flourish logo\" \/>A Flourish chart<\/a><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No dia do flagrante, um dos policiais perguntou: &#8220;Por que voc\u00eas pescam com bomba?&#8221;. &#8220;A resposta \u00e9 quase sempre a mesma: porque perdi o emprego, preciso ter uma renda&#8221;, diz o cabo M\u00e1rcio Sledz, da Coppa. Mas n\u00e3o \u00e9 exatamente o desemprego que leva homens a pescar ilegalmente. Um dos presos naquela manh\u00e3 tinha passagem na pol\u00edcia por tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cN\u00e3o raro, eles t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com outro crime, como roubo e tr\u00e1fico. Mas migraram para pesca com bomba, porque tem menor potencial ofensivo&#8221;, completa Sledz. Desde 1967, a pesca com bomba \u00e9 proibida no Brasil. A pena varia de um a cinco anos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Financeiramente, o crime compensa. Menos trabalho, mais lucro. Na vizinhan\u00e7a da Ribeira, h\u00e1 at\u00e9 casas com rachaduras que aparecem quando bombas explodem no mar. As bombas jogadas ao mar s\u00e3o a base de gel, a mesma que \u00e9 lan\u00e7ada para explodir caixas de ag\u00eancias banc\u00e1rias. Como qualquer empresa que trabalhe com minera\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o civil pode comprar legalmente explosivos, cabo Sledz acredita num \u201cdesvio\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one-third column_placeholder\">\n<div class=\"placeholder\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column mcb-column one-third column_blockquote \">\n<div class=\"blockquote\">\n<blockquote><p>O que a bomba mata n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 peixes, mas corais, e nos recifes de corais vivem muitas esp\u00e9cies peixes, polvos, lagostas<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"author\"><i class=\"icon-user\"><\/i>Zelinda Le\u00e3o, naturalista, doutora em Geologia Marinha pela Universidade de Miami e pesquisadora que estuda recifes de corais h\u00e1 40 anos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column mcb-column one-third column_placeholder\">\n<div class=\"placeholder\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"section mcb-section   \">\n<div class=\"section_wrapper mcb-section-inner\">\n<div class=\"wrap mcb-wrap one  valign-top clearfix\">\n<div class=\"mcb-wrap-inner\">\n<div class=\"column mcb-column one column_column  column-margin-\">\n<div class=\"column_attr clearfix\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Apesar de os peixes terem mecanismos que possibilitam aprendizados, a pesca com bomba n\u00e3o possibilita que isso ocorra. \u00c9 s\u00f3 destrui\u00e7\u00e3o. A pesca com bomba \u00e9 um tipo de \u201carmadilha evolutiva&#8221;, explica Jos\u00e9 Nunes, doutor em Ecologia que estuda o comportamento dos peixes. Mas a press\u00e3o da pesca precisa ser pensada al\u00e9m das bombas, pondera.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSe [os peixes] aprenderem que tem muita pesca ali, eles associam a presen\u00e7a do ser humano como amea\u00e7a. Essas mudan\u00e7as de comportamento podem incluir a fuga daquela regi\u00e3o, uma migra\u00e7\u00e3o para lugares mais profundos\u201d, complementa.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Anualmente, diversas esp\u00e9cies de peixes se re\u00fanem, em diferentes momentos do ano, para desovar. Os pescadores, conhecedores da lua e da mar\u00e9, tamb\u00e9m sabem as datas e locais desses per\u00edodos, diferentes conforme a esp\u00e9cie. \u201cSe h\u00e1 pesca desses peixes, que est\u00e3o concentrados, sempre, n\u00e3o h\u00e1 como os estoques se manterem, porque muitos peixes s\u00e3o capturados e n\u00e3o existe reprodu\u00e7\u00e3o\u201d, explica Jos\u00e9 Nunes. Em seis per\u00edodos do ano, h\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o de pesca de cinco esp\u00e9cies e os pescadores recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo em cada um desses hiatos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">No ano passado, a Organiza\u00e7\u00e3o Oceana Brasil publicou um estudo que indica sobrepesca de 43% para sete esp\u00e9cies.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O comportamento dos peixes considera n\u00e3o s\u00f3 a pesca, sim o conjunto de amea\u00e7as. Mas, \u00e9 preciso um olhar que inclua peixes e homens. \u201cSe a gente considera s\u00f3 os pescadores e n\u00e3o considera os peixes, ou s\u00f3 os peixes e n\u00e3o os pescadores, um some, e vice-versa\u201d, completa Jos\u00e9. \u00c9 uma matem\u00e1tica, um equil\u00edbrio entre mar e terra, que n\u00e3o se restringe aos n\u00fameros.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: Correio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diminui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies varia conforme a regi\u00e3o, mas, de modo geral, foi relatada a do Vermelho, Robalo, Corvina, Cabe\u00e7udo, Redondo, Tapa, Arraia, Tainhas, Xar\u00e9us e Sardinha. Na Ilha de Mar\u00e9, o Dend\u00ea, peixe rubro-negro que servia de isca na pesca, consta s\u00f3 na mem\u00f3ria dos mais velhos.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":371142,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-371141","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/pescador-feio.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371141","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=371141"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/371141\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/371142"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=371141"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=371141"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=371141"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}