{"id":372005,"date":"2021-11-11T10:05:23","date_gmt":"2021-11-11T13:05:23","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=372005"},"modified":"2021-11-11T10:05:23","modified_gmt":"2021-11-11T13:05:23","slug":"pandemia-de-covid-19-prejudicou-o-sono-das-pessoas-entenda-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/pandemia-de-covid-19-prejudicou-o-sono-das-pessoas-entenda-por-que\/","title":{"rendered":"Pandemia de Covid-19 prejudicou o sono das pessoas; entenda por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h2 id=\"noticia-olho\">Dormir menos ou ter pior qualidade do sono reflete na sa\u00fade em geral, com quadros que v\u00e3o de irrita\u00e7\u00e3o e instabilidade emocional at\u00e9 queda na imunidade e maior risco de diabetes<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<div class=\"author-container\">\n<p>Por\u00a0<strong>Ag\u00eancia O Globo<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Pandemia de Covid-19 prejudicou o sono das pessoas; entenda por qu\u00ea\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/ek\/q1\/6k\/ekq16kncsc3oghxxmuzc5gjhl.jpg\" alt=\"Pandemia de Covid-19 prejudicou o sono das pessoas; entenda por qu\u00ea\" width=\"906\" height=\"509\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pixabay<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\" data-gtm-vis-recent-on-screen-214867_1952=\"3134\" data-gtm-vis-first-on-screen-214867_1952=\"3134\" data-gtm-vis-total-visible-time-214867_1952=\"100\" data-gtm-vis-has-fired-214867_1952=\"1\">Pandemia de Covid-19 prejudicou o sono das pessoas; entenda por qu\u00ea<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">Tomar um banho morno, escovar os dentes, apagar as luzes e deitar na cama. Esse roteiro parece comum, mas pode ser o pren\u00fancio de uma noite que se estende at\u00e9 a madrugada \u2014 de olhos abertos. Com o estresse e a ansiedade aflorados durante a pandemia, dificuldades para dormir, sono fragmentado e at\u00e9 ins\u00f4nia passaram a ser mais frequentes. Dormir menos ou ter pior qualidade do sono reflete na sa\u00fade em geral, com quadros que v\u00e3o de irrita\u00e7\u00e3o e instabilidade emocional at\u00e9 queda na imunidade e maior risco de diabetes.<\/p>\n<p>Asm\u00e1tica e com apneia do sono, a vendedora aut\u00f4noma de cosm\u00e9ticos Angelina Dourado, de 55 anos, tem passado por dificuldades financeiras diante da falta de clientes. A moradora de Ceil\u00e2ndia, que fica a 30 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, conta que passou por uma experi\u00eancia \u201cterr\u00edvel\u201d quando teve Covid-19 no fim de 2020 e o quadro de sa\u00fade se agravou. Ela deita \u00e0s 22h30, por\u00e9m, quando d\u00e1 1h da madrugada, j\u00e1 est\u00e1 acordada.<\/p>\n<p>&#8220;Da\u00ed, ent\u00e3o, vou ler, leio at\u00e9 cansar, mas o sono n\u00e3o vem. \u00c0s 5h, levanto. N\u00e3o tenho tratado porque o meu custo de vida n\u00e3o d\u00e1 para fazer tratamento e o SUS n\u00e3o ajuda a gente em nada&#8221;, disse Angelina, reclamando tamb\u00e9m da falta de concentra\u00e7\u00e3o devido ao problema.<\/p>\n<p>O perfil dela se enquadra nos tra\u00e7ados em estudo da pesquisadora em Sa\u00fade Coletiva da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Margareth Guimar\u00e3es Lima, que estuda o sono durante a pandemia. Entre os perfis mais suscet\u00edveis, est\u00e3o os de mulheres, jovens, pessoas de baixa renda, sedent\u00e1rias e que tiveram aumento do trabalho dom\u00e9stico e do uso de telas durante o per\u00edodo.<\/p>\n<p>&#8220;Vimos que 48% das pessoas j\u00e1 tinham problemas de sono e ele piorou e 43,5% passaram a ter. Ent\u00e3o, a incid\u00eancia da piora do sono foi em torno de 45%&#8221;, diz, sobre o resultado de um dos estudos de que participou.<\/p>\n<p>Segundo a cientista, existe uma associa\u00e7\u00e3o muito forte entre o sono e os problemas emocionais: pessoas que se enquadram nessa categoria t\u00eam cinco vezes mais chances de ter sono de baixa qualidade. Noutro estudo, publicado em Cadernos de Sa\u00fade P\u00fablica, foca nas rela\u00e7\u00f5es entre classe social, econ\u00f4mica e sono:<\/p>\n<p>&#8220;O sono piorou naqueles que tinham pior renda antes da pandemia. A piora do sono foi 34% maior nos que eram mais pobres em rela\u00e7\u00e3o aos mais ricos. Vimos, inclusive, uma associa\u00e7\u00e3o muito forte entre sono e perda de renda e tamb\u00e9m entre os que perderam emprego ou ficaram sem trabalho&#8221;, completa Lima.<\/p>\n<p>Outro caso \u00e9 o da Eduarda Rodrigues, de 20 anos, que come\u00e7ou a ter ansiedade e perder o sono ap\u00f3s ter Covid-19 no ano passado. Hoje, avalia que o isolamento social e as preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas foram as principais causas do dist\u00farbio.<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s pegar a doen\u00e7a e com a morte de familiares, passei a ter s\u00f3 pensamentos negativos. Nada estava bom, n\u00e3o saia de casa, dormia tarde e ficava acordando v\u00e1rias vezes \u00e0 noite. Passei tamb\u00e9m a ficar mais agitada e, neste turbilh\u00e3o todo, ainda perdi meu emprego&#8221;, desabafou.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio de uma nova rotina devido \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o da pandemia, Eduarda conseguiu novamente se inserir no mercado de trabalho. O sono deu uma melhorada, mas ainda n\u00e3o \u00e9 o mesmo de antes. Ela tem indica\u00e7\u00e3o para fazer a terapia cognitiva comportamental, no entanto ainda n\u00e3o sabe quando vai come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Segundo o neurologista Raimundo Nonato Delgado Rodrigues, estudos apontam que existe a possibilidade de o v\u00edrus SARS-CoV-2 ter uma a\u00e7\u00e3o direta no sistema nervoso central e causar problemas de sono. Para o especialista em transtorno do sono, isso pode ocorrer n\u00e3o s\u00f3 imediatamente ap\u00f3s contrair a doen\u00e7a, mas at\u00e9 seis meses depois. Faz parte do que chamam de S\u00edndrome da Covid longa.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo escapando da parte pulmonar que \u00e9 a mais aguda, que \u00e9 mais mortal. Existe um quadro chamado de \u201cbrain fog\u201d, que quer dizer nevoeiro do c\u00e9rebro, em que a pessoa tem fadiga, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, dificuldade de mem\u00f3ria e altera\u00e7\u00f5es de sono que fazem parte dessa Covid de longa dura\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Rodrigues.<\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<div id=\"perdeu_maislidas\" class=\"perdeu_maislidas-content\">\n<div class=\"swiper theSwiper swiper-initialized swiper-horizontal swiper-pointer-events swiper-free-mode\">\n<div class=\"swiper-pagination\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A priva\u00e7\u00e3o de sono provoca altera\u00e7\u00f5es no sistema imune, sobretudo em pacientes com Covid-19, o que prejudica o combate \u00e0 doen\u00e7a. Segundo o m\u00e9dico, esse \u00e9 um ponto que ainda est\u00e1 sendo estudado e s\u00e3o poucos os ambulat\u00f3rios especializados em p\u00f3s-covid no pa\u00eds:<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o sabemos qual a real abrang\u00eancia desses problemas na popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s podemos ser surpreendidos por surgimento de problemas na esfera neuropsiqui\u00e1trica que a gente n\u00e3o esperava&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, quem tem teve uma melhora no sono durante a pandemia. Um outro aspecto apontado por alguns estudos \u00e9 que 6% das pessoas tiveram uma melhora no sono. S\u00e3o aqueles que t\u00eam um quadro chamado de atraso de fase de sono, que dormem mais tarde e acordam mais tarde que o normal. Com o trabalho online, puderam de uma certa maneira adaptar os hor\u00e1rios de trabalho aos seus hor\u00e1rios naturais, melhorando a produtividade e a sa\u00fade geral tamb\u00e9m<\/p>\n<p>Esse, no entanto, n\u00e3o foi o caso do bacharel em filosofia e estudante de direito Gustavo de Melo Muniz, de 26 anos. O jovem relembra que dormia entre as 23h e a 0h antes da pandemia e que, por vezes, acordava durante a madrugada. Tudo mudou a partir de abril do ano passado. Com o isolamento social e a transforma\u00e7\u00e3o das aulas presenciais em remotas, o ciclo de sono desregulou, o que refletiu em outras \u00e1reas da vida.<\/p>\n<p>&#8220;Durante a pandemia, comecei a dormir s\u00f3 depois das 2h. J\u00e1 tentei dormir mais cedo, l\u00e1 pela meia-noite como era antes, mas deito e fico rolando na cama, sem conseguir dormir. Fico nesse processo de tentar dormir durante umas duas horas. Tamb\u00e9m comecei a acordar todos os dias no meio da madrugada&#8221;, conta o morador de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Para Muniz, a ansiedade \u00e9 preponderante nessa quest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o e podendo sair com mais liberdade, mesmo tomando os cuidados como uso de m\u00e1scara, \u00e1lcool em gel e distanciamento, sinto que a ansiedade n\u00e3o passou, pelo menos n\u00e3o a um ponto em que eu sinta isso no sono&#8221;.<\/p>\n<p>Nessa esteira, a coordenadora do Laborat\u00f3rio do Sono (Labsono) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Liliane Teixeira, salienta que o retorno \u00e0 rotina de atividades presenciais pode ajudar aqueles que passaram por dificuldades durante o distanciamento social.<\/p>\n<p>&#8220;A volta ao trabalho trar\u00e1 as pistas temporais de volta, o que \u00e9 um fator positivo. E, em alguns dias, grande parte da popula\u00e7\u00e3o estar\u00e1 sincronizada a rotina di\u00e1ria. Nos primeiros dias, o cansa\u00e7o f\u00edsico e mental poder\u00e1 prejudicar o sono, mas ao longo dos dias tender\u00e1 a reduzir. Caso seja poss\u00edvel, procure se expor a luz natural durante o dia, fa\u00e7a cochilos de no m\u00e1ximo 30 minutos, durante o trabalho\/escola para reduzir a sonol\u00eancia diurna excessiva, e evite ficar exposto \u00e0s telas \u00e0 noite&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\" \">Em trabalho do grupo de pesquisa \u201cCronobiologia aplicada \u00e0 sa\u00fade coletiva\u201d, a pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Liliane Teixeira alerta que a priva\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o e a fragmenta\u00e7\u00e3o do sono prejudicam n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade f\u00edsica, mas mental do indiv\u00edduo. Nessa esteira, os impactos negativos resvalam em \u00e1reas profissionais, educacionais, familiares e sociais da pessoa, com poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es no humor, na mem\u00f3ria e no controle do peso.<\/p>\n<p class=\" \">No trabalho, tra\u00e7a estrat\u00e9gias que podem ajudar a regular o sono. Entre elas, est\u00e3o deitar e levantar nos mesmos hor\u00e1rios todos os dias, evitar cochilos ao longo do dia, criar uma rotina de sono \u2014 como, por exemplo, tomar banho morno, ch\u00e1 quente, escovar os dentes e meditar antes de dormir \u2014 e anotar pensamentos num caderno para diminuir ansiedade e estresse.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dormir menos ou ter pior qualidade do sono reflete na sa\u00fade em geral, com quadros que v\u00e3o de irrita\u00e7\u00e3o e instabilidade emocional at\u00e9 queda na imunidade e maior risco de diabetes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":241112,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-372005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/sono.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/372005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/241112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=372005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=372005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}