{"id":374224,"date":"2021-12-07T06:37:16","date_gmt":"2021-12-07T09:37:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=374224"},"modified":"2021-12-07T06:37:16","modified_gmt":"2021-12-07T09:37:16","slug":"nao-e-so-por-o-chapeu-de-couro-respeitem-e-entendam-o-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/nao-e-so-por-o-chapeu-de-couro-respeitem-e-entendam-o-nordeste\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 p\u00f4r o chap\u00e9u de couro: Respeitem e entendam o Nordeste"},"content":{"rendered":"<header class=\"rf-page-header\">\n<div class=\"rf-container\">\n<h1 class=\"rf-page-title\"><\/h1>\n<p class=\"rf-page-resume\"><strong>Depois de Bolsonaro, desta vez foi Sergio Moro quem colocou o tradicional adere\u00e7o na cabe\u00e7a, num teatro for\u00e7ado para criar simpatia. A F\u00f3rum foi ouvir quem entende do Nordeste para analisar o comportamento oportunista de quem sempre deu as costas \u00e0 regi\u00e3o<\/strong><\/p>\n<div class=\"rf-data\">\n<div class=\"rf-author-block\">Por\u00a0<a class=\"rf-author-name\" href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/author\/henriquerodrigues\/\">Henrique Rodrigues<\/a><\/div>\n<p><time class=\"entry-date\" datetime=\"2021-12-06T21:07:04-03:00\"><\/time><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"rf-container rf-grid-sidebar rf-main-section\"><main class=\"rf-post-content\"><\/p>\n<figure class=\"rf-single-featured-image\"><img decoding=\"async\" class=\"rf-image ewww_webp_loaded\" title=\"\" src=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg.webp\" srcset=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--300x169.jpeg.webp 300w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--1024x576.jpeg.webp 1024w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--768x432.jpeg.webp 768w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg.webp 1200w\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" data-src=\"\" data-src-img=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg\" data-src-webp=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg.webp\" data-srcset-webp=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--300x169.jpeg.webp 300w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--1024x576.jpeg.webp 1024w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--768x432.jpeg.webp 768w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg.webp 1200w\" data-srcset-img=\"https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--300x169.jpeg 300w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37--768x432.jpeg 768w, https:\/\/cdn.revistaforum.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/whatsapp-image-2021-12-06-at-21.04.37-.jpeg 1200w\" data-eio=\"j\" \/><figcaption class=\"rf-caption-text\">Foto: Jair Bolsonaro e Sergio Moro usando chap\u00e9u de couro nordestino (Edi\u00e7\u00e3o de imagem)<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"rf-post-detail\">\n<div class=\"code-block code-block-default code-block-34\">\n<div id=\"audiome-container\">\n<div id=\"audiome-ref\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Um gesto constrangedor se repete a cada quatro anos,\u00a0<strong>em tempos de elei\u00e7\u00e3o<\/strong>. Pol\u00edticos sem qualquer apre\u00e7o ou no\u00e7\u00e3o de realidade v\u00e3o ao Nordeste,\u00a0<strong>a segunda regi\u00e3o mais populosa do Brasil<\/strong>, e colocam na cabe\u00e7a um objeto sagrado:<strong>\u00a0o chap\u00e9u de couro<\/strong>\u00a0dos vaqueiros do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>O adere\u00e7o tem um significado muito forte<strong>\u00a0para a cultura dos nordestinos<\/strong>. Esp\u00e9cie de\u00a0<em>ex-libris<\/em>\u00a0da ancestralidade de uma civiliza\u00e7\u00e3o, o chap\u00e9u arredondando e pouco confort\u00e1vel, alguns com enfeites,\u00a0<strong>torna-se um \u201cpassaporte\u201d\u00a0<\/strong>para que\u00a0<strong>gente sem qualquer compromisso com a regi\u00e3o<\/strong>\u00a0mais problem\u00e1tica do pa\u00eds, do ponto de vista socioecon\u00f4mico, fa\u00e7a\u00a0<strong>teatro oportunista\u00a0<\/strong>e tente criar uma atmosfera de interesse verdadeiro pela popula\u00e7\u00e3o do lugar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que s\u00f3 um nordestino possa coloc\u00e1-lo na cabe\u00e7a, mas quem o faz deve transparecer no m\u00ednimo\u00a0<strong>uma admira\u00e7\u00e3o e um compromisso verdadeiro\u00a0<\/strong>com esse Brasil t\u00e3o peculiar, onde tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>At\u00e9 o\u00a0<strong>Jornal do Commercio<\/strong>, centen\u00e1ria e tradicional publica\u00e7\u00e3o conservadora do Recife (PE), se irritou com o ex-juiz da Lava Jato que jamais pronunciou qualquer coisa sobre o Nordeste e os nordestinos, mas que mal desembarcou no aeroporto dos Guararapes\u00a0<strong>e j\u00e1 colocou a indument\u00e1ria na cabe\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n<p>A reportagem da\u00a0<strong>F\u00f3rum<\/strong>\u00a0foi ouvir a historiadora e professora\u00a0<strong>Edna Maria Matos Ant\u00f4nio<\/strong>, docente da Universidade Federal de Sergipe\u00a0<strong>(UFS)<\/strong>, que leciona na disciplina de\u00a0<strong>Hist\u00f3ria do Nordeste<\/strong>, para compreender melhor o que se espera de um candidato\u00a0<strong>que resolva p\u00f4r os p\u00e9s numa regi\u00e3o que desde sempre \u00e9 esquecida<\/strong> pelo eixo de poder pol\u00edtico concentrado no Sul e Sudeste.<\/p>\n<p>Antes de tudo, Edna explicou a simbologia do chap\u00e9u de couro dos vaqueiros do sert\u00e3o nordestino e os significados embutidos no objeto que vira fetiche para os homens p\u00fablicos do Brasil que chegam \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u201cDo ponto de vista tanto hist\u00f3rico como cultural, o chap\u00e9u de couro e demais vestimentas, objetos e utens\u00edlios feitos de couro s\u00e3o muito significativos pra cultura nordestina, simbolizam e sintetizam toda uma viv\u00eancia e de uma experi\u00eancia \u00fanica nos sert\u00f5es nordestinos. Isso tem a ver, \u00e9 \u00f3bvio, com a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa e tem a ver tamb\u00e9m com a import\u00e2ncia do gado para a sobreviv\u00eancia dessas comunidades. Est\u00e1 relacionado tamb\u00e9m a quest\u00f5es que envolvem a utiliza\u00e7\u00e3o de tudo que pudesse ser aproveitado dos bois, das vacas, n\u00e3o s\u00f3 para a alimenta\u00e7\u00e3o, fazendo com que esses grupos humanos fixados no interior da regi\u00e3o que hoje chamamos de Nordeste encontrassem formas de sobreviver\u201d<\/em>, explanou.<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es totalmente explic\u00e1veis para o uso daquele acess\u00f3rio na cabe\u00e7a, assim como para o material utilizado em sua confec\u00e7\u00e3o, o couro bovino.<\/p>\n<p><em>\u201cH\u00e1 que se considerar tamb\u00e9m o meio geogr\u00e1fico, que por quest\u00f5es de vegeta\u00e7\u00e3o, muito \u00e1spera, uma vegeta\u00e7\u00e3o agressiva como a da caatinga, que muitas vezes as pessoas de outros lugares n\u00e3o levam isso em conta. Mas tudo isso tem uma l\u00f3gica pr\u00f3pria. Essa vegeta\u00e7\u00e3o traz uma s\u00e9rie de dificuldades de locomo\u00e7\u00e3o, s\u00e3o muitos espinhos, galhos cortantes, retorcidos. A roupa de couro \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o para que o homem do sert\u00e3o possa se locomover, junto com seus rebanhos, em busca de \u00e1gua nos a\u00e7udes e nos c\u00f3rregos. Essa atividade, naquele local, demandou uma vestimenta mais resistente\u201d<\/em>, disse a professora.<\/p>\n<p>Edna falou ainda de outros tra\u00e7os da cultura nordestina que mant\u00eam la\u00e7os estreitos com a realidade local de vida daquelas popula\u00e7\u00f5es que formam ancestrais n\u00facleos de povoamento de um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais.<\/p>\n<p><em>\u201cClaro, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. A carne de sol, as buchadas, enfim, tudo isso traduz uma importante heran\u00e7a cultural muito forte dos ib\u00e9ricos, mas denota tamb\u00e9m uma metamorfose cultural diante de uma realidade ambiental que foi um desafio para os primeiros colonizadores\u201d<\/em>, completou a historiadora.<\/p>\n<p>Um outro assunto que sempre surge quando elei\u00e7\u00f5es presidenciais se avizinham \u00e9 sobre um projeto de desenvolvimento para a regi\u00e3o. Com raras exce\u00e7\u00f5es, quase sempre o Nordeste fica esquecido pelo governo federal.<\/p>\n<p><em>\u201cN\u00f3s vemos claramente que a regi\u00e3o Nordeste nunca foi pensada como uma pauta para o desenvolvimento econ\u00f4mico. Podemos citar a Sudene (Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste), l\u00e1 nos anos 50 e 60, dentro de uma vis\u00e3o desenvolvimentista do governo JK, ainda que tudo isso tenho sido resultado de a\u00e7\u00f5es e planejamentos do Celso Furtado (economista paraibano que foi diretor do BNDE no governo JK e ministro do Planejamento na gest\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart), que entendeu a quest\u00e3o do desenvolvimento da regi\u00e3o Nordeste como um aspecto importante para o desenvolvimento de todo o pa\u00eds, com uma vis\u00e3o mais ampla. O Brasil se acostumou a ver a seca como o grande problema do Nordeste, mas a seca \u00e9 na verdade apenas um problema que deve ser resolvido. N\u00e3o \u00e9 algo como simplesmente se acabar com a seca e pronto. O que n\u00f3s precisamos \u00e9 de uma pol\u00edtica que encontre projetos econ\u00f4micos vi\u00e1veis para que efetivamente se traga um desenvolvimento para a regi\u00e3o. Um desenvolvimento que, se n\u00e3o pudesse igualar, que n\u00e3o colocasse o Nordeste numa posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o subalterna economicamente em rela\u00e7\u00e3o ao Sudeste e ao Sul\u201d, argumentou a docente da UFS<\/em>.<\/p>\n<p>Mesmo diante de um hist\u00f3rico de esquecimento, a especialista em Hist\u00f3ria do Nordeste lembra dos feitos dos governos progressistas do PT, mas lamenta que o ciclo tenha sido curto e desfeito pelas for\u00e7as pol\u00edticas que ascenderam ao poder.<\/p>\n<p><em>\u201cSomente agora, nos \u00faltimos anos, com os governos progressistas do PT, \u00e9 que a gente consegue identificar um projeto de desenvolvimento bem direcionado \u00e0 regi\u00e3o. Um projeto bem pautado, que tenta pensar nas caracter\u00edsticas do Nordeste. N\u00f3s vimos por muito tempo uma sucess\u00e3o de governos que pensavam o Nordeste como uma regi\u00e3o de \u201capoio\u201d, seja fornecendo m\u00e3o de obra barata, sendo mercado consumidor dos polos industriais localizados no Sul e no Sudeste. Mas nunca tivemos uma vis\u00e3o de que esse territ\u00f3rio poderia entrar num processo de desenvolvimento que o levasse \u00e0 autonomia. Nunca vimos um projeto para o Nordeste que atacasse diretamente os problemas mais caracter\u00edsticos da regi\u00e3o. Com esses governos progressistas apareceram projetos para elevar e incrementar o n\u00edvel educacional dos habitantes do Nordeste, um incentivo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de empregos e ind\u00fastrias espec\u00edficas, voltadas ao mercado consumidor daqui\u2026 Vislumbrou-se uma sa\u00edda para a regi\u00e3o, respeitando suas pr\u00f3prias caracter\u00edsticas, para que assim se encontrasse um caminho de desenvolvimento, diminuindo as diferen\u00e7as, por exemplo, em rela\u00e7\u00e3o aos complexos industriais de outras regi\u00f5es do Brasil. \u00c9 uma pena que esse projeto tenha sido abortado. E isso ocorreu por quest\u00f5es, naturalmente, pol\u00edticas. Quem mora no Nordeste conseguiu perceber o que foram os poucos anos de uma pol\u00edtica voltada o desenvolvimento econ\u00f4mico, social e cultural da regi\u00e3o. O aumento do poder aquisitivo, fam\u00edlias inteiras saindo da linha da pobreza, indiv\u00edduos evitando a migra\u00e7\u00e3o, gente se fixando em seu lugar de nascimento, nas suas origens, encontrando oportunidades de sobreviv\u00eancia, de emprego, sal\u00e1rio, enfim. Era um cen\u00e1rio bastante promissor, s\u00f3 que foi interrompido\u201d<\/em>, reclamou.<\/p>\n<p>Sobre o uso do chap\u00e9u de couro por Sergio Moro e tamb\u00e9m por Jair Bolsonaro, que frequentemente coloca o acess\u00f3rio na cabe\u00e7a em viagens ao Nordeste, embora j\u00e1 tenha se dirigido de forma insultuosa \u00e0 regi\u00e3o e seus moradores, Edna pensa que se trata de um fingimento com contornos de apropria\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p><em>\u201cIsso \u00e9 uma apropria\u00e7\u00e3o cultural com fins politiqueiros bem evidentes. Olhando a trajet\u00f3ria desses candidatos e at\u00e9 mesmo a forma que eles se comportam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura nordestina e aos setores da sociedade brasileira que t\u00eam heran\u00e7as nordestinas, a gente percebe que n\u00e3o h\u00e1 qualquer familiaridade, qualquer rotina, qualquer viv\u00eancia, nada! N\u00e3o h\u00e1 qualquer experi\u00eancia que ligue esses candidatos a qualquer coisa relacionada ao Nordeste. Parecem turistas estrangeiros quando chegam a um pa\u00eds e saem colocando adere\u00e7os e que eles n\u00e3o entendem o significado daquilo. \u00c9 s\u00f3 para, de forma muito oportunista, criar, num f\u00f4lego s\u00f3, de maneira muito r\u00e1pida, de forma muito artificial, um v\u00ednculo que eles nunca tiveram e que nunca se interessaram em ter com a regi\u00e3o Nordeste e sua cultura. \u00c9 algo muito feio. \u00c9 claramente uma estrat\u00e9gia. \u00c9 come\u00e7ar a ser visto, ser pensado e ser lembrado pelos eleitores de uma regi\u00e3o que para eles n\u00e3o significa nada, exceto o que representa pela quantidade de votos, at\u00e9 porque deve-se considerar o peso que o Nordeste tem, \u00e9 um eleitorado importante\u201d<\/em>, esclareceu a historiadora.<\/p>\n<p>Em sua vis\u00e3o da Hist\u00f3ria, as atitudes desses presidenci\u00e1veis apenas denotam o que sempre ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao Nordeste por parte dos poderosos.<\/p>\n<p><em>\u201cSe voc\u00ea pergunta a esses candidatos o que elas pensam da regi\u00e3o, v\u00e3o sair os estere\u00f3tipos, vai sobressair uma falta de projeto espec\u00edfico para a regi\u00e3o, e vai ficar aquilo com o que j\u00e1 nos acostumamos em tempos de elei\u00e7\u00e3o: uma simpatia for\u00e7a, uma tentativa de dizer que entende da regi\u00e3o e que conhece os problemas. S\u00f3 que n\u00f3s sabemos perfeitamente que n\u00e3o \u00e9 verdade. Como temos um n\u00famero expressivo de votos, fica esse vale-tudo que beira essa coisa for\u00e7ada\u201d<\/em>, reclamou.<\/p>\n<p>Mas para quem acha que esse tipo comportamento n\u00e3o \u00e9 percebido pelos nordestinos, Edna explica que os eleitores locais, em sua maior parte, est\u00e3o atentos.<\/p>\n<p><em>\u201cA popula\u00e7\u00e3o nordestina \u00e9 muito atenta a isso. Ningu\u00e9m \u00e9 bobo. Ficar for\u00e7ando uma simpatia e uma empatia com a regi\u00e3o Nordeste, com a qual na verdade eles n\u00e3o t\u00eam qualquer rela\u00e7\u00e3o, de nenhuma natureza, n\u00e3o \u00e9 o suficiente. Precisamos de gente que tenha no\u00e7\u00e3o do que \u00e9 o Nordeste e que proponha solu\u00e7\u00f5es reais para c\u00e1, n\u00e3o solu\u00e7\u00f5es adaptadas do Sul e do Sudeste, como se o pa\u00eds fosse um s\u00f3. Ali\u00e1s, esse \u00e9 o maior problema dos pol\u00edticos do Sudeste, a vis\u00e3o homogeneizada do Brasil, propondo coisas como se esse Brasil fosse o mesmo\u201d<\/em>, concluiu.<\/p>\n<\/div>\n<p><\/main><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de Bolsonaro, desta vez foi Sergio Moro quem colocou o tradicional adere\u00e7o na cabe\u00e7a, num teatro for\u00e7ado para criar simpatia. 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