{"id":374514,"date":"2021-12-10T07:37:31","date_gmt":"2021-12-10T10:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=374514"},"modified":"2021-12-10T07:37:31","modified_gmt":"2021-12-10T10:37:31","slug":"floresta-tropical-recupera-80-do-estoque-de-carbono-e-da-fertilidade-do-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/floresta-tropical-recupera-80-do-estoque-de-carbono-e-da-fertilidade-do-solo\/","title":{"rendered":"Floresta tropical recupera 80% do estoque de carbono e da fertilidade do solo"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<h2>Pesquisa publicada na Science aponta que recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas pode ser r\u00e1pida, contribuindo para mitigr os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/h2>\n<div class=\"autor\">Reda\u00e7\u00e3o<\/div>\n<div id=\"div-share\"><\/div>\n<div class=\"materia\">\n<div class=\"conteudo_post\">\n<figure id=\"attachment_297552\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/d1x4bjge7r9nas.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/10043013\/floresta-tropical.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-297552\" src=\"https:\/\/d1x4bjge7r9nas.cloudfront.net\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/10043013\/floresta-tropical.png\" alt=\"Foto: Paulo Molin\/Ag\u00eancia Fapesp\" width=\"600\" height=\"420\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Foto: Paulo Molin\/Ag\u00eancia Fapesp<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De forma in\u00e9dita e com base em um dos maiores bancos de dados dispon\u00edveis sobre florestas tropicais no mundo, um estudo publicado nesta sexta-feira, 10 de dezembro,\u00a0na revista Science, mostra que a regenera\u00e7\u00e3o florestal recupera cerca de 80% do estoque de carbono, da fertilidade do solo e da diversidade de \u00e1rvores em at\u00e9 20 anos.<\/p>\n<p>A pesquisa concluiu que a regenera\u00e7\u00e3o natural \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o de baixo custo para mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e contribuir com a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Esses resultados decorrem de um processo de regenera\u00e7\u00e3o em \u00e1reas degradadas e n\u00e3o apenas da passagem do tempo nesses locais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel recuperar florestas tropicais por meio de processos naturais em tempo condizente com expectativas humanas. Por\u00e9m, mesmo assim, \u00e9 muito mais r\u00e1pido destruir do que recuperar. Os resultados devem ser vistos com otimismo, mas tamb\u00e9m com responsabilidade\u201d, diz \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP Pedro Brancalion, professor do Departamento de Ci\u00eancias Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (Esalq-USP).<\/p>\n<p>Brancalion e o pesquisador Frans Bongers, da Wageningen University (Pa\u00edses Baixos), est\u00e3o entre os autores do artigo e tamb\u00e9m coordenam o projeto \u201cCompreendendo florestas restauradas para o benef\u00edcio das pessoas e da natureza \u2013 NewFor\u201d, que tem o apoio da FAPESP no \u00e2mbito do Programa BIOTA.<\/p>\n<p>\u201cOutro ponto interessante do trabalho foi definir uma esp\u00e9cie de \u2018ordem cronol\u00f3gica\u2019 da recupera\u00e7\u00e3o das diversas fun\u00e7\u00f5es das florestas tropicais, oferecendo subs\u00eddios para contribuir com projetos de restaura\u00e7\u00e3o e de desenvolvimento sustent\u00e1vel previstos para a pr\u00f3xima d\u00e9cada\u201d, completa Brancalion, que tamb\u00e9m coordena o Laborat\u00f3rio de Silvicultura Tropical na Esalq-USP e \u00e9 vice-coordenador do Pacto pela Restaura\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica.<\/p>\n<p>Em junho deste ano, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) lan\u00e7ou a D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o dos Ecossistemas (2021-2030) com o objetivo de inspirar e apoiar governos, empresas, organiza\u00e7\u00f5es e sociedade civil para desenvolver iniciativas que revertam a degrada\u00e7\u00e3o e protejam o meio ambiente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, no m\u00eas passado, ao final da COP-26, a Confer\u00eancia do Clima da ONU, os quase 200 pa\u00edses presentes assinaram um acordo para tentar garantir o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global a 1,5\u00b0 C. Estabeleceram a necessidade de neutralizar as emiss\u00f5es de CO2 at\u00e9 2050, com compensa\u00e7\u00e3o por reflorestamento e tecnologias de captura de carbono da atmosfera, mercado que tamb\u00e9m foi regulamentado.<\/p>\n<p>\u201cSaber em qual velocidade as florestas se recuperam \u00e9 importante, por exemplo, para avaliar a viabilidade de investimentos em projetos de sequestro de carbono por meio da recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas devastadas. \u00c9 preciso entender a din\u00e2mica de recupera\u00e7\u00e3o de cada fun\u00e7\u00e3o da floresta para que se possa balizar melhor as metas, tomar decis\u00f5es mais corretas e, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, entender e monitorar quando uma floresta est\u00e1 em trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o aqu\u00e9m do esperado ou necess\u00e1rio para atingir certo objetivo\u201d, explica o professor.<\/p>\n<p>O artigo publicado na Science \u00e9 resultado do trabalho de uma equipe internacional, a 2ndFOR, que envolve mais de cem pesquisadores de 18 pa\u00edses, incluindo o Brasil. A 2ndFOR \u00e9 coordenada pelos professores Lourens Poorter, autor correspondente do artigo, Bongers, Masha van der Sande, todos da Wageningen University, e Catarina Jakovac, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).<\/p>\n<p>O grupo analisou 12 atributos florestais de 77 locais, incluindo mais de 2.200 parcelas de florestas da Am\u00e9rica Central e do Sul, entre elas a Amaz\u00f4nia, e da \u00c1frica Ocidental. S\u00e3o apresentados quatro grupos de caracter\u00edsticas da floresta relacionadas ao solo (densidade aparente, carbono e nitrog\u00eanio); ao funcionamento do ecossistema (esp\u00e9cies de \u00e1rvore fixadoras de nitrog\u00eanio, densidade da madeira e \u00e1rea foliar espec\u00edfica); \u00e0 estrutura da mata (biomassa acima do solo, di\u00e2metro m\u00e1ximo das \u00e1rvores e heterogeneidade estrutural) e \u00e0 diversidade e composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Os cientistas conclu\u00edram que as florestas tropicais e seus solos s\u00e3o altamente resilientes, pois todos os atributos se recuperam em at\u00e9 120 anos (ou 12 d\u00e9cadas) quando comparados com florestas conservadas.<\/p>\n<p>Em geral, a recupera\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida \u00e9 a do solo (fertilidade), em menos de dez anos, e a do funcionamento do ecossistema, menos de 25 anos. Em seguida, em tempo intermedi\u00e1rio, vem a recupera\u00e7\u00e3o da estrutura e diversidade da floresta, que ocorre entre 25 e 60 anos, enquanto as mais lentas s\u00e3o a retomada da biomassa acima do solo e da composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, que demoram mais de 120 anos.<\/p>\n<p>\u201cUm ponto importante \u00e9 que a floresta tropical consegue recuperar o n\u00famero de esp\u00e9cies de \u00e1rvores, mas nem sempre a mesma composi\u00e7\u00e3o [conjunto de esp\u00e9cies]. Nem todas as esp\u00e9cies presentes em matas conservadas recolonizam florestas regeneradas, algumas s\u00e3o mais sens\u00edveis e podem desaparecer\u201d, alerta Brancalion.<\/p>\n<p><strong>Desmatamento<\/strong><\/p>\n<p>Para o professor Poorter, al\u00e9m de ser essencial impedir o avan\u00e7o do desmatamento, \u00e9 preciso olhar para o potencial de recupera\u00e7\u00e3o das florestas secund\u00e1rias (que crescem em \u00e1reas j\u00e1 devastadas) para atingir as metas de restaura\u00e7\u00e3o de ecossistemas. \u201cElas fornecem benef\u00edcios globais para a mitiga\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, al\u00e9m de muitos outros servi\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o local, como \u00e1gua, energia, madeira e produtos florestais n\u00e3o madeireiros\u201d, disse o pesquisador, em entrevista para divulgar o trabalho.<\/p>\n<p>Relat\u00f3rio publicado no in\u00edcio do ano pelo Global Forest Watch (com dados da Universidade de Maryland) revelou que os tr\u00f3picos perderam 12,2 milh\u00f5es de hectares de vegeta\u00e7\u00e3o em 2020, sendo o Brasil o primeiro colocado. Desse total, 4,2 milh\u00f5es de hectares (\u00e1rea equivalente \u00e0\u00a0dos Pa\u00edses Baixos) foram em florestas prim\u00e1rias tropicais \u00famidas, importantes para o armazenamento de carbono e para a biodiversidade.<\/p>\n<p>O documento apontou ainda que as emiss\u00f5es de CO2 resultantes da perda de florestas prim\u00e1rias equivalem \u00e0s emiss\u00f5es anuais de 570 milh\u00f5es de autom\u00f3veis.<\/p>\n<p>Atualmente, mais da metade das florestas tropicais do mundo n\u00e3o s\u00e3o antigas, das quais uma grande parte \u00e9 secund\u00e1ria \u2013 na Am\u00e9rica Latina tropical, elas cobrem at\u00e9 28% da \u00e1rea terrestre.<\/p>\n<p>Em novembro, o mesmo grupo de pesquisadores j\u00e1 havia publicado na PNAS outro artigo, Functional recovery of secondary tropical forests, mostrando a recupera\u00e7\u00e3o funcional (caracter\u00edsticas que determinam como as plantas se comportam, incluindo espessura da folha e densidade da madeira) das florestas tropicais secund\u00e1rias.<\/p>\n<p>O trabalho apontou que florestas secas e \u00famidas diferem em sua composi\u00e7\u00e3o funcional em est\u00e1gios iniciais de sucess\u00e3o (como \u00e9 chamado o processo de regenera\u00e7\u00e3o) e seguem caminhos diferentes ao longo do tempo. \u00c0 medida que envelhecem, contudo, tornam-se mais semelhantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s caracter\u00edsticas funcionais.<\/p>\n<p><em>Por Luciana Constantino, da Ag\u00eancia Fapesp<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa publicada na Science aponta que recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas pode ser r\u00e1pida, contribuindo para mitigr os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":212888,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-374514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/floresta-rio.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=374514"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/374514\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/212888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=374514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=374514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=374514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}