{"id":375025,"date":"2021-12-15T08:15:35","date_gmt":"2021-12-15T11:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=375025"},"modified":"2021-12-15T08:15:35","modified_gmt":"2021-12-15T11:15:35","slug":"covid-nao-vacinados-sao-quase-100-dos-casos-graves-diz-anestesista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/covid-nao-vacinados-sao-quase-100-dos-casos-graves-diz-anestesista\/","title":{"rendered":"Covid: N\u00e3o vacinados s\u00e3o quase 100% dos casos graves, diz anestesista"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">Em mar\u00e7o, Leonardo Camargo contou para a BBC News Brasil que estava recorrendo a medicamentos em desuso porque o estoque de sedativos para intuba\u00e7\u00e3o estava prestes a acabar<\/h2>\n<\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<div class=\"author-container\">\n<p>Por <strong>BBC News Brasil<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Covid: \u2018Hoje, n\u00e3o vacinados s\u00e3o quase 100% dos casos graves de covid\u2019, diz anestesista que enfrentou falta de sedativos no pico da pandemia\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/1e\/ms\/7t\/1ems7tmuay3s82pjt4nwr1vii.jpg\" alt=\"Covid: \u2018Hoje, n\u00e3o vacinados s\u00e3o quase 100% dos casos graves de covid\u2019, diz anestesista que enfrentou falta de sedativos no pico da pandemia\" width=\"652\" height=\"408\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Nathalia Passarinho &#8211; @npassarinho &#8211; Da BBC News Brasil em Londres<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\" data-gtm-vis-recent-on-screen-214867_1952=\"3319\" data-gtm-vis-first-on-screen-214867_1952=\"3319\" data-gtm-vis-total-visible-time-214867_1952=\"100\" data-gtm-vis-has-fired-214867_1952=\"1\">Covid: \u2018Hoje, n\u00e3o vacinados s\u00e3o quase 100% dos casos graves de covid\u2019, diz anestesista que enfrentou falta de sedativos no pico da pandemia<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em 25 de mar\u00e7o de 2021, o anestesista Leonardo Camargo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-56457568?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Big.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">descreveu \u00e0 BBC News Brasil o que parecia ser uma cena de guerra.<\/a>\u00a0Uma tenda com cilindros de oxig\u00eanio havia sido montada na frente do hospital, pacientes intubados ocupavam UTIs improvisadas em salas de recupera\u00e7\u00e3o de cirurgia e o estoque de sedativos estava no fim.<\/p>\n<p>Sem bloqueadores musculares para intuba\u00e7\u00e3o, Camargo precisava combinar medicamentos em desuso para garantir que os pacientes continuassem inconscientes e temia chegar ao ponto de ter que amarrar pessoas ao leito para que n\u00e3o arrancassem o tubo de oxig\u00eanio, ferindo laringe e traqueia, caso acordassem da seda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, quase nove meses depois, o cen\u00e1rio \u00e9 bem diferente. Nesta semana, pela primeira vez desde a primeira onda da pandemia, n\u00e3o h\u00e1 paciente com resultado positivo de covid-19 na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Tacchini, em Bento Gon\u00e7alves (RS), onde ele trabalha.<\/p>\n<p>E, segundo Camargo, atualmente, quase a totalidade dos pacientes internados com alguma gravidade \u00e9 de n\u00e3o vacinados ou idosos que ainda n\u00e3o tomaram a dose de refor\u00e7o contra a doen\u00e7a. A UTI do hospital Tacchini tem capacidade para 30 leitos, mas, em mar\u00e7o, operou com mais de 100% da capacidade, com cerca de 70 pacientes em estado cr\u00edtico.<\/p>\n<p>&#8220;A gente ficou per\u00edodos sem relaxante muscular na segunda onda da covid. Ficamos uma semana ou duas contando ampolas de medicamentos de segunda linha. N\u00e3o chegamos a ter que amarrar pacientes, mas chegamos perto&#8221;, lembra Camargo, em nova entrevista \u00e0 BBC News Brasil. Ele coordena os estoques de medicamentos do hospital Tacchini e \u00e9 antestesista h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, o perfil dos pacientes graves \u00e9 praticamente todo de n\u00e3o vacinados e idosos.&#8221;<\/p>\n<h3>Mudan\u00e7a de perfil et\u00e1rio entre pacientes graves<\/h3>\n<p>Com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil, a m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes caiu nos \u00faltimos meses e se mant\u00e9m em menos de 200 h\u00e1 nove dias. At\u00e9 13 de dezembro, 65,2% da popula\u00e7\u00e3o havia recebido duas doses da vacina contra covid.<\/p>\n<p>Camargo diz que acompanhou no dia a dia de trabalho na UTI uma clara mudan\u00e7a na faixa et\u00e1ria dos internados da primeira onda da pandemia at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 em 2020, na primeira onda, a maioria dos pacientes cr\u00edticos era de idosos, principalmente com mais de 80 anos, e pacientes oncol\u00f3gicos. Em mar\u00e7o de 2021, na segunda onda, provavelmente porque houve a muta\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, a faixa et\u00e1ria baixou muito. O grosso de pacientes na UTI tinha de 40 a 50 anos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Em julho, come\u00e7amos a ter novamente nos hospitais idosos e outros pacientes com covid que tomaram a segunda dose h\u00e1 mais de cinco, seis meses, per\u00edodo em que a efic\u00e1cia da vacina come\u00e7a a cair. A\u00ed veio a dose de refor\u00e7o. Hoje os pacientes com gravidade s\u00e3o, na grande maioria, n\u00e3o vacinados e idosos que ainda n\u00e3o tomaram a dose de refor\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/B137\/production\/_122076354_47618e06-ded0-4265-8729-07633d57f309.jpg\" alt=\"Leonardo Camargo em mar\u00e7o\" \/><\/p>\n<footer>Hospital Tacchini<\/footer><figcaption>Nesta foto, tirada em mar\u00e7o, a UTI do Hospital Tacchini, com capacidade para 30 leitos, estava lotada. Havia mais de 70 pacientes em estado cr\u00edtico acomodados em UTIs improvisadas.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com o surgimento da variante \u00f4micron, que j\u00e1 teve casos detectados no Brasil, o temor \u00e9 que hospitaliza\u00e7\u00f5es voltem a subir. Essa nova cepa foi primeiro identificada em novembro na \u00c1frica do Sul e possui v\u00e1rias muta\u00e7\u00f5es na chamada prote\u00edna S, que \u00e9 usada pelo coronav\u00edrus para se conectar \u00e0 c\u00e9lulas humanas.<\/p>\n<p>Dados preliminares apontam que a \u00f4micron \u00e9 mais pass\u00edvel de causar reinfec\u00e7\u00f5es que as variantes anteriores\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-59650311?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Big.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">e reduz a efic\u00e1cia das vacinas<\/a> , mesmo em quem j\u00e1 tomou a segunda dose. Por isso, cientistas defendem o uso da dose de refor\u00e7o para ajudar a controlar as infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<div id=\"perdeu_maislidas\" class=\"perdeu_maislidas-content\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Eu tento viver um per\u00edodo de cada vez. N\u00e3o se sabe qual vai ser o impacto da \u00f4micron. Mas a gente tem que confiar na dose de refor\u00e7o. Chegamos a ter 4 mil mortes por dia no Brasil e hoje estamos em 200. O que explica isso \u00e9 a vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Camargo.<\/p>\n<h3>Medo de abra\u00e7ar a filha<\/h3>\n<p>A rotina do m\u00e9dico ga\u00facho, que esteve em todo momento na linha de frente do atendimento de pacientes com covid, tamb\u00e9m passou por mudan\u00e7as no decorrer da pandemia. O pior momento, segundo ele, foi a segunda onda da covid, quando passou a se deparar com conhecidos ao aplicar os sedativos necess\u00e1rios \u00e0 intuba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como anestesista, era ele, muitas vezes, o \u00faltimo rosto que o paciente via antes de dormir para receber a ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. Na entrevista de mar\u00e7o \u00e0 BBC News Brasil, Camargo havia acabado de se deparar com o vizinho na UTI e participado da intuba\u00e7\u00e3o dele. Na \u00e9poca, o homem estava em estado grave com covid e manifestou muito medo de ser intubado e n\u00e3o acordar mais.<\/p>\n<p>Mas, a not\u00edcia neste caso \u00e9 boa. Camargo contou que o vizinho se recuperou e j\u00e1 est\u00e1 em casa. &#8220;Aquelas semanas de mar\u00e7o e abril foram assustadoras. A gente entrava nas UTIs e quem estava l\u00e1 eram pessoas da nossa idade, pais de fam\u00edlia, conhecidos. Felizmente, o meu vizinho se recuperou depois de ficar semanas internado e teve alta.&#8221;<\/p>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/c.files.bbci.co.uk\/3A85\/production\/_122218941_765d6d82-6027-475f-909b-18d4d28e48d3.jpg\" alt=\"Mulher sendo vacinada no Brasil\" \/><\/p>\n<footer>REUTERS\/Pilar Olivares<\/footer><figcaption>Com avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o no Brasil, Camargo diz que o perfil de internados mudou. Agora, segundo ele, quase todos os casos graves que ele recebe s\u00e3o de n\u00e3o vacinados e idosos que tomaram a segunda dose h\u00e1 mais de cinco meses<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diariamente em contato com pacientes graves com covid-19, Camargo tamb\u00e9m diz que viveu mais de um ano &#8220;com medo de chegar em casa&#8221; e transmitir a doen\u00e7a para a esposa e a filha de quatro anos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu chegava em casa, estacionava o carro, tomava banho de \u00e1lcool, depois colocava a roupa para lavar e tomava banho antes de ficar perto delas. Mesmo assim, eu tinha medo de abra\u00e7ar a minha filha.&#8221;<\/p>\n<p>Na segunda onda da pandemia no Brasil, al\u00e9m de lidar com a escassez de sedativos, Camargo e seus colegas tinham que administrar uma fila di\u00e1ria de pacientes graves esperando leito de UTI. &#8220;Tinha dias em que a gente amanhecia no pronto-socorro com cinco pacientes aguardando UTI, da\u00ed os pacientes iam piorando, e mais pessoas em estado grave chegavam&#8221;, contou.<\/p>\n<p>&#8220;No decorrer da tarde, leitos vagavam e, de noite, a gente finalmente conseguia colocar esses pacientes na UTI. No dia seguinte, tudo se repetia, era a mesma coisa: fila de pacientes esperando UTI. A gente chegou a pensar: &#8216;se isso continuar, n\u00e3o sei se vamos aguentar&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>O anestesista diz que, neste m\u00eas, o fluxo finalmente voltou a patamares semelhantes ao per\u00edodo pr\u00e9-covid. &#8220;Em mar\u00e7o e abril, chegamos a ter 72 pacientes em terapia intensiva. Agora, voltamos ao n\u00famero normal de 30 leitos. Hoje, n\u00e3o temos nenhum paciente ativo (que esteja atualmente testando positivo) de covid na UTI.&#8221;<\/p>\n<h3>Li\u00e7\u00f5es da pandemia<\/h3>\n<p>Camargo diz que, apesar do drama de presenciar tantas mortes, os grandes momentos de tens\u00e3o e crise na pandemia serviram para melhorar as pr\u00e1ticas nos hospitais, tanto em t\u00e9cnicas de higiene e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, quanto na gest\u00e3o de medicamentos.<\/p>\n<p>&#8220;Aprendemos a evitar ao m\u00e1ximo o desperd\u00edcio de rem\u00e9dios, melhoramos pr\u00e1ticas de higiene, passamos a usar m\u00e1scaras com prote\u00e7\u00e3o mais alta e tivemos que melhorar as pr\u00e1ticas m\u00e9dicas e de enfermagem para dar vaz\u00e3o \u00e0s cirurgias eletivas que ficaram paralisadas na pandemia&#8221;, destaca.<\/p>\n<p class=\" \">J\u00e1 imunizado com a terceira dose da vacina contra a covid-19, Camargo agora se sente mais confort\u00e1vel para abra\u00e7ar a filha e visitar a m\u00e3e de 70 anos, que mora em Santa Catarina, mas diz que, na pr\u00f3pria fam\u00edlia, teve que lidar com resist\u00eancias \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>&#8220;Meu sogro n\u00e3o queria se vacinar. Ele pegou covid e s\u00f3 depois disso tomou a vacina. Como m\u00e9dico que acompanha interna\u00e7\u00f5es por covid desde o in\u00edcio da pandemia, observo na pr\u00e1tica o efeito da vacina e a import\u00e2ncia, agora, da dose de refor\u00e7o.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem bloqueadores musculares para intuba\u00e7\u00e3o, Camargo precisava combinar medicamentos em desuso para garantir que os pacientes continuassem inconscientes e temia chegar ao ponto de ter que amarrar pessoas ao leito para que n\u00e3o arrancassem o tubo de oxig\u00eanio, ferindo laringe e traqueia, caso acordassem da seda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, quase nove meses depois, o cen\u00e1rio \u00e9 bem diferente. 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