{"id":377715,"date":"2022-01-16T10:18:26","date_gmt":"2022-01-16T13:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=377715"},"modified":"2022-01-16T10:18:26","modified_gmt":"2022-01-16T13:18:26","slug":"vimos-que-a-nova-onda-de-covid-19-chegaria-por-que-nao-nos-afastamos-dela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/vimos-que-a-nova-onda-de-covid-19-chegaria-por-que-nao-nos-afastamos-dela\/","title":{"rendered":"Vimos que a nova onda de covid-19 chegaria. Por que n\u00e3o nos afastamos dela?"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Thais Borges<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/6\/b\/csm_orla_da_barra_paula_4ba5607a3c.jpg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/6\/b\/csm_orla_da_barra_paula_94203db5d9.jpg\" alt=\"No R\u00e9veillon, a Orla da Barra ficou lotada em Salvador\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">No R\u00e9veillon, a Orla da Barra ficou lotada em Salvador (Foto: Paula Fr\u00f3es\/Arquivo CORREIO)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Pandemia evidencia realidades e respostas desiguais; brasileiros precisam enfrentar a desconfian\u00e7a<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Voc\u00ea piscou e, de uma hora para outra, estava todo mundo com covid-19. S\u00f3 que n\u00e3o foi t\u00e3o \u2018de uma hora para outra\u2019 assim. Pelo contr\u00e1rio: desde o final de novembro, os cientistas j\u00e1 alertavam para uma nova variante &#8211; a \u00d4micron &#8211; considerada muito mais transmissiva do que tudo que se tinha not\u00edcia at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela veio fazendo estrago por onde passou &#8211; da \u00c1frica do Sul, onde foi sequenciada primeiro, em novembro, ao Reino Unido e Estados Unidos, onde fez subir as interna\u00e7\u00f5es. Em algum momento, chegaria aqui. Mas n\u00e3o mudamos nada; pelo contr\u00e1rio. Mantivemos festas e passamos a cada vez mais andar por a\u00ed sem m\u00e1scara. Por que n\u00e3o aceitamos os avisos?<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Se por um lado \u00e9 poss\u00edvel fazer uma rela\u00e7\u00e3o com o filme \u2018N\u00e3o Olhe Para Cima\u2019, lan\u00e7ado em dezembro pela Netflix, por outro, os brasileiros ficaram no escuro. No filme, dois cientistas descobrem que um meteorito est\u00e1 prestes a se chocar com a Terra e precisam alertar a popula\u00e7\u00e3o. No caso da \u00d4micron no Brasil, havia o alerta dos pa\u00edses por onde ela j\u00e1 tinha chegado, mas praticamente n\u00e3o existiam dados que mostrassem a situa\u00e7\u00e3o aqui. No m\u00eas passado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade foi alvo de um ataque hacker que desestabilizou as principais bases de dados do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com sistemas inst\u00e1veis ou imposs\u00edveis de serem acessados, gestores e pesquisadores n\u00e3o tinham no\u00e7\u00e3o do problema em tempo real.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cQuando vimos casos surgindo na Europa e nos EUA, poderiam ter tomado medidas preventivamente\u201d<\/strong>, refor\u00e7a o infectologista Fernando Badar\u00f3, professor da Unifacs.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Ao mesmo tempo que as autoridades mantinham as flexibiliza\u00e7\u00f5es, as pessoas continuaram com suas programa\u00e7\u00f5es de fim de ano. &#8220;Vendo a situa\u00e7\u00e3o hoje, eu teria ficado em casa&#8221;, diz a designer Renata*, 44 anos, que passou o R\u00e9veillon com dois amigos, sem m\u00e1scara, em uma pousada em Arraial D\u2019Ajuda. Na \u00e9poca, com os tr\u00eas vacinados, n\u00e3o se sentiu insegura. &#8220;Mesmo sabendo que eles, teoricamente, n\u00e3o estavam contaminados, havia todo o entorno, as outras mesas, pessoas circulando&#8221;. Quando retornou de viagem, come\u00e7ou a ver relatos de pessoas infectadas. &#8220;Tenho evitado sair de casa desde ent\u00e3o&#8221;, conta.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Desigual<\/strong><br \/>\nAinda que a pandemia afete a todos, n\u00e3o se deve esperar que todas as pessoas reajam da mesma forma, como ressalta o soci\u00f3logo Leonardo Nascimento, coordenador do Laborat\u00f3rio de Humanidades Digitais da Universidade Federal da Bahia (Ufba).<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cImaginar que todas as pessoas t\u00eam acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e v\u00e3o estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de causalidade entre usar m\u00e1scara e n\u00e3o pegar a doen\u00e7a \u00e9 um equ\u00edvoco. \u00c9 esperar muito de uma sociedade desigual. \u00c9 muito dif\u00edcil as pessoas pensarem o mundo do ponto de vista biom\u00e9dico&#8221;.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">O pr\u00f3prio ciclo de tempo da covid-19 acaba sendo um desafio, inclusive para os gestores, como prefeitos e governadores. &#8220;A aglomera\u00e7\u00e3o acontece agora, no Natal ou no Ano Novo, e os sintomas s\u00f3 v\u00e3o come\u00e7ar em 15 dias. Esse prazo faz com que as pessoas desconectem as coisas. Nesse meio tempo, tem um aumento da contamina\u00e7\u00e3o&#8221;, analisa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para o professor, a colabora\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com a sita\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria em outros pa\u00edses n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa quanto no Brasil. Mesmo assim, h\u00e1 uma cultura de acreditar que o que vem da Europa ou dos Estados Unidos \u00e9 mais civilizado.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Na Europa, hoje, as pesoas usam menos m\u00e1scaras do que aqui. As pessoas n\u00e3o se vacinam. Em termos comparativos, o Brasil est\u00e1 dando um show de comportamento sanit\u00e1rio. \u00d3bvio que ainda tem problemas, porque as pessoas est\u00e3o usando menos m\u00e1scaras, por exemplo&#8221;, pondera.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1, ainda, a influ\u00eancia da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no pa\u00eds. Isso se conectou a uma postura de gestores maiores, como o pr\u00f3prio presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro, e o ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga. Em diferentes momentos, eles questionaram a pandemia e a efic\u00e1cia das vacinas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Tem um processo de descredibilizar a ci\u00eancia e as vacinas que est\u00e1 presente nessas pessoas. Isso deixa sequelas ruins porque voc\u00ea est\u00e1 tendo conflito em todos os espa\u00e7os da sociedade por conta disso. O tecido social est\u00e1 muito tensionado&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Confian\u00e7a<\/strong><br \/>\nN\u00e3o basta recorrer ao clich\u00ea de que brasileiros n\u00e3o seguem regras ou sempre buscam o \u201cjeitinho\u201d, como pondera o psic\u00f3logo Tiago Ferreira, professor do Instituto de Psicologia da Ufba e especialista em An\u00e1lise de Comportamento.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Seguir regras depende de uma estabilidade das pessoas ou das institui\u00e7\u00f5es que as determinam. Ou seja: pessoas que nasceram numa fam\u00edlia que costuma respeitar determinadas normas provavelmente v\u00e3o aprender a segui-las porque boas consequ\u00eancias vir\u00e3o disso.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cMas quando vivemos em uma comunidade em que podemos seguir as regras, mas as pessoas que as estabelecem n\u00e3o necessariamente v\u00e3o corresponder com boas consequ\u00eancias, precisamos aprender a funcionar de uma forma mais flex\u00edvel\u201d,\u00a0<\/strong>explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">No contexto maior, existe, ainda, um problema de confian\u00e7a. Historicamente, os brasileiros aprenderam a n\u00e3o confiar nas autoridades &#8211; ou a desconfiar primeiro. \u201cN\u00f3s aprendemos a viver numa sociedade de desconfian\u00e7a em que a palavra do outro, seja autoridade ou n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 aquilo que deve reger minha vida inteiramente\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Esta semana, um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo revelou que brasileiros e latino-americanos confiam menos nas pessoas do que o restante do mundo. Segundo a pesquisa, essa desconfian\u00e7a contribuiria para o baixo desenvolvimento econ\u00f4mico e social da Am\u00e9rica Latina. Se o \u00edndice dos latinos \u00e9 baixo &#8211; 12,6% -, o dos brasileiros \u00e9 ainda pior: s\u00f3 4,69% da popula\u00e7\u00e3o acredita nos outros.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cN\u00e3o necessariamente as pessoas s\u00e3o melhores seguidoras de regras, mais obedientes. Mas quando voc\u00ea vive num pa\u00eds em que as estruturas pol\u00edticas e institucionais funcionam perfeitamente, seguir regras \u00e9 quase uma deriva\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria disso. Mas quando precisamos dar um jeito por nossa conta para sobreviver, seguir regras n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o apreciado assim\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Nome fict\u00edcio\u00a0<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o basta recorrer ao clich\u00ea de que brasileiros n\u00e3o seguem regras ou sempre buscam o \u201cjeitinho\u201d, como pondera o psic\u00f3logo Tiago Ferreira, professor do Instituto de Psicologia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":374766,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-377715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/reveillon-em-juazeiro1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377715"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377715\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/374766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}