{"id":381214,"date":"2022-02-20T09:45:10","date_gmt":"2022-02-20T12:45:10","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=381214"},"modified":"2022-02-21T08:37:33","modified_gmt":"2022-02-21T11:37:33","slug":"o-anjo-bom-que-a-bahia-apagou-da-memoria-conheca-maria-de-lima-das-merces","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-anjo-bom-que-a-bahia-apagou-da-memoria-conheca-maria-de-lima-das-merces\/","title":{"rendered":"O anjo bom que a Bahia apagou da mem\u00f3ria: conhe\u00e7a Maria de Lima das Merc\u00eas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Protetora dos \u00f3rf\u00e3os, ex-escravizada criou institui\u00e7\u00e3o beneficente no s\u00e9culo 19. Recebeu apoio de imperatriz, mas sua obra social foi &#8216;apagada&#8217; da hist\u00f3ria. Por qu\u00ea?<\/strong><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-381216 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-357x500.jpg\" alt=\"\" width=\"357\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-357x500.jpg 357w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-214x300.jpg 214w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-768x1076.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-160x224.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1-640x896.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces1.jpg 834w\" sizes=\"auto, (max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Maria de Lima das Merc\u00eas, a protetora dos \u00f3rf\u00e3os, viveu em Salvador entre 1800 e 1864<\/strong>\u00a0(Foto: Acervo Hermann Kummler\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O Dia Internacional da Mulher est\u00e1 chegando, e muitas delas \u2014 da minha m\u00e3e \u00e0 sua amiga falsiane \u2014 ser\u00e3o justa e dignamente homenageadas daqui a pouco. Apesar disso, aposto que ningu\u00e9m vai se incomodar se eu queimar a largada para apresentar (e saudar) uma verdadeira hero\u00edna da Bahia, que no s\u00e9culo 19 antecipava facetas de outra baiana que seria reconhecida santa, no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">E pior que usar o termo \u201capresentar\u201d nem \u00e9 for\u00e7a de express\u00e3o, porque tenho quase certeza que voc\u00ea nunca ouviu falar de Maria de Lima das Merc\u00eas. Ao menos n\u00e3o at\u00e9 este m\u00eas, quando come\u00e7ou a viralizar, no dia 3, um texto que traz breve perfil da professora, ex-escravizada, que dedicou sua vida para acolher e educar crian\u00e7as que viviam nas ruas da velha S\u00e3o Salvador, entre 1820 a 1864. As obras sociais desse anjo bom s\u00e3o, simplesmente, ignoradas \u2014 embora nos anos corridos de sua gra\u00e7a, at\u00e9 gente da Fam\u00edlia Real tenha reconhecido os servi\u00e7os prestados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No post intitulado \u201cUma Esquecida Protetora dos \u00d3rf\u00e3os de Salvador\u201d, que aparece em perfis gerenciados por Daniel Jorge Marques Filho, professor e mestre em Hist\u00f3ria pela UFRJ, surge a descri\u00e7\u00e3o da \u201cmulher negra alforriada, de origem humilde, (que) dedicou sua vida \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as de rua da Capital da Bahia\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Conta o professor, com quem tentei contato (sem sucesso), que ela era conhecida pelo povo como a \u201cVirtuosa Maria de Lima das Merc\u00eas\u201d, pois \u201csacrificou sua vida humilde pela caridade de quem era ainda mais miser\u00e1vel.\u201d Ele cita ainda uma publica\u00e7\u00e3o que a descrevia (em portugu\u00eas antigo) dessa forma:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cMaria recebia in\u00fameras crian\u00e7as, aquellas, a rir, a brincar despreoccupadas, olhar limpido como a sua consciencia, ou languido pela febre, das urgentes necessidades, que conduzem a mais das vezes \u00e1 podrid\u00e3o do vicio e do vicio \u00e1 cadeia e de l\u00e1 aos prezidios\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Trata-se de trecho do livro \u2018Mulheres Illustres do Brazil\u2019, lan\u00e7ado em 1899, e que tem como autora a tamb\u00e9m baiana Ignez Sabino. Na obra, ela perfila v\u00e1rias personagens importantes da hist\u00f3ria do pa\u00eds at\u00e9 ent\u00e3o \u2014 inclusive outras conterr\u00e2neas que tiveram merecidos reconhecimentos, como Maria Quit\u00e9ria e Ana Nery.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ignez Sabino quase n\u00e3o fora contempor\u00e2nea de Maria de Lima das Merc\u00eas [que nasceu e morreu dentro do per\u00edodo da escravid\u00e3o no pa\u00eds, s\u00f3 abolida em 1888], mas n\u00e3o fosse a luta dessa poetisa e bi\u00f3grafa pelos direitos das mulheres, a hist\u00f3ria da filantropa ignorada estaria completamente apagada.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\" data-google-query-id=\"CLi42JKmjvYCFWwDuQYdlj8KTw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_internas_300x250_05_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Parceiros<\/strong><br \/>\nNo livro de Ignez, Maria das Merc\u00eas \u00e9 descrita ainda como uma educadora de m\u00e3o cheia e m\u00e3e posti\u00e7a muit\u00edssimo bem quista. \u201cOs pequeninos achavam nella os melindres do amor materno. Pois n\u00e3o era ella mulher. Desse punhado de orph\u00e3as que gratas a sua protectora, cobriam de affagos a quem soube educar homens para o trabalho e mulheres honestas para o exercicio util da vida pratica\u201d.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-381217\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-300x236.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-300x236.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-620x487.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-768x604.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-160x126.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1-640x503.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/maria-merces-1.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Capa do (\u00fanico?) livro que registra feitos de Maria das Merc\u00eas. No Reposit\u00f3rio da Ufba n\u00e3o h\u00e1 nenhuma men\u00e7\u00e3o ao nome dela. Sobre Irm\u00e3 Dulce, h\u00e1 cita\u00e7\u00f5es em 6,8 mil trabalhos<\/strong>\u00a0(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\" data-google-query-id=\"CO7I2JKmjvYCFUMDuQYd30wACg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_internas_300x250_06_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Assim como a Santa Dulce dos Pobres, que buscou um espa\u00e7o para abrigar os desvalidos \u2014 no caso, o galinheiro do Convento Santo Ant\u00f4nio, onde praticamente nasceu a OSID \u2014, Maria das Merc\u00eas tamb\u00e9m brigou por um espa\u00e7o para receber os desamparados. \u201cOs magn\u00edficos predios, os terrenos devolutos, alguns dos quaes pertenciam ao Mosteiro de S. Bento, t\u00e3o rico, com fazendas e propriedades, em quanto ella invejava um cantinho d\u2019aquellas terras para nellas fundar um modesto asylo em proveito da infancia desvalida\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O desejo se realizaria com a providencial ajuda do padre Francisco Gomes de Souza, de quem ficou amiga. \u201cAmbos principiaram a agir. \u00c1 final, \u00e1 custa de muitos sacrificios. (&#8230;) Foi um dia de festa para o seu espirito, o da inaugura\u00e7\u00e3o da Casa dos Desprotegidos da Sorte, cuja direc\u00e7\u00e0o inteira, era sua, somente sua\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do padre br\u00f3der, Maria tamb\u00e9m lutou e conseguiu apoios \u2014 assim como Dulce \u2014 das mais altas inst\u00e2ncias governamentais. Em 1859, por exemplo, recebeu o t\u00e3o esperado aux\u00edlio financeiro da imperatriz Teresa Cristina, durante uma sua visita a Salvador. Maria ganharia um ordenado at\u00e9 a morte, em 1864 \u2014 dinheiro esse que era tamb\u00e9m usado para a filantropia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Corre\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO texto do professor da UFRJ, que viralizou, tem um erro em rela\u00e7\u00e3o a esse \u2018cargo\u2019 que Maria das Merc\u00eas ocupou. Consta l\u00e1 que ela \u201cdirigiu entre 1827 at\u00e9 o ano de sua morte o Col\u00e9gio Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, nas depend\u00eancias da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia\u201d, o que foi corrigido pela assessoria da Santa Casa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo Rosana Souza, coordenadora do Centro de Mem\u00f3ria Jorge Calmon, arquivo hist\u00f3rico da Santa Casa da Bahia, n\u00e3o h\u00e1 o conhecimento de nenhum abrigo para crian\u00e7as administrado por Maria das Merc\u00eas na institui\u00e7\u00e3o. \u201cAntes da compra da Pupileira, a Santa Casa mantinha as crian\u00e7as nas depend\u00eancias do Hospital de Caridade, do Recolhimento de Mulheres ou em educa\u00e7\u00e3o externa, n\u00e3o havendo condi\u00e7\u00f5es e nem espa\u00e7o f\u00edsico para abrigar outro tipo de asilo fundado por terceiros\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A confus\u00e3o deve ter ocorrido porque a Associa\u00e7\u00e3o S\u00e3o Vicente de Paula foi quem vendeu o pr\u00e9dio da Pupileira para a Santa Casa, em 1852. Com a morte de Maria das Merc\u00eas, o abrigo ficou aos cuidados, justamente, daquela que \u00e9 hoje chamada de Congrega\u00e7\u00e3o Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paula. N\u00e3o consegui o contato de ningu\u00e9m da congrega\u00e7\u00e3o para tratar do assunto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Apagamento e viol\u00eancia<\/strong><br \/>\nO texto de Ignez termina citando a \u201cingratid\u00e3o humana\u201d que tornou Maria das Merc\u00eas \u201cesquecida\u201d. \u201cNem ao menos o seu retrato ficou, para que a posteridade venerasse-lhe a memoria. Ella era uma alma ignorada, dessas que se encontram semeando os beneficios, porem recebendo os espinhos cruentos do olvido [esquecimento]\u201d, finaliza a autora sobre a conterr\u00e2nea.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na verdade, essa parte do retrato tamb\u00e9m acabou sendo corrigida depois. No livro \u2018Ethnographic portraits of Indigenous women of Pernambuco and Bahia 1861-1862\u2019, o su\u00ed\u00e7o Hermann Kummler publicou um registro de Maria das Merc\u00eas, em 1862, ao lado de uma aluna. H\u00e1 um ar de santidade quase natural na imagem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Natural n\u00e3o \u00e9, no entanto, o que aconteceu com sua mem\u00f3ria, segundo a professora Denise Santos, mestra em Hist\u00f3ria e especialista em Hist\u00f3ria da Cultura Africana e Afro-brasileira.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cA narrativa dominante, umas das caracter\u00edsticas da colonialidade, tem suas ra\u00edzes em atingir, nos \u00e2mbitos f\u00edsico e mental, violentamente as popula\u00e7\u00f5es negras. Essa narrativa invisibiliza, ridiculariza, despreza e desumaniza a hist\u00f3ria de mulheres e homens que tiveram contribui\u00e7\u00f5es significativas ao nosso pa\u00eds\u201d<\/strong>, pontua.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cInfelizmente \u00e9 o que aconteceu com Maria de Lima das Merc\u00eas que teve a sua hist\u00f3ria massacrada pela vis\u00e3o colonizadora euroc\u00eantrica, racista, mis\u00f3gina e patriarcal\u201d, refor\u00e7a a especialista, ao defender a necessidade de \u201couvir, pesquisar e ler sobre as hist\u00f3rias das popula\u00e7\u00f5es negras, sobretudo das mulheres, j\u00e1 que al\u00e9m de enfrentar o racismo, historicamente enfrentam tamb\u00e9m a barreira de g\u00eanero, inferiorizando-as.\u201d<\/p>\n<hr \/>\n<div>\n<div class=\"\" dir=\"auto\">\n<div id=\"jsc_c_1l\" class=\"ecm0bbzt hv4rvrfc ihqw7lf3 dati1w0a\" data-ad-comet-preview=\"message\" data-ad-preview=\"message\">\n<div class=\"j83agx80 cbu4d94t ew0dbk1b irj2b8pg\">\n<div class=\"qzhwtbm6 knvmm38d\">\n<div class=\"kvgmc6g5 cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Uma Esquecida Protetora dos \u00d3rf\u00e3os de Salvador<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Maria de Lima das Merc\u00eas, era uma mulher negra alforriada, de origem humilde, nascida no ano de 1800, dedicou sua vida a prote\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as de rua da Capital da Bahia entre os anos de 1820 a 1864.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Com a ajuda do Padre Francisco Gomes de Souza, Maria de Lima das Merc\u00eas dirigiu entre 1827 at\u00e9 o ano de sua morte em 1864 o Col\u00e9gio Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, nas depend\u00eancias da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Salvador, direcionado ao abrigo e educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as de rua da Capital Baiana.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Maria sabia ler e escrever, e com a pouca instru\u00e7\u00e3o que tinha ensinava mais de 300 \u00f3rf\u00e3os do Col\u00e9gio com o aux\u00edlio das irm\u00e3s vicentinas as diferentes artes de of\u00edcio para que logo pudessem se sustentar. Em 1859 recebeu o t\u00e3o esperado aux\u00edlio financeiro da Imperatriz Dona Teresa Cristina durante sua Visita a Cidade de Salvador.<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Era conhecida pelo povo como a &#8220;Virtuosa Maria de Lima das Merc\u00eas&#8221; pois sacrificou sua vida humilde pela caridade de quem era ainda mais miser\u00e1vel. Um peri\u00f3dico da \u00e9poca descreveu que: &#8220;Maria recebia innumeras crian\u00e7as, umas brancas como os jasmins, outras negras como a noite sem estrellas, aquellas, a rir, a brincar despreoccupadas, olhar limpido como a sua consciencia, ou languido pela febre, das urgentes necessidades, que conduzem a mais das vezes a podrid\u00e0o do vicio e do vicio \u00e1 cadeia e de la aos prezidios&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Ap\u00f3s sua morte em 1864 , a ingratid\u00e3o humana tornou-a esquecida da Hist\u00f3ria.&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql o9v6fnle ii04i59q\">\n<div dir=\"auto\">Em 1862 o Fot\u00f3grafo Hermann Kummler fez o \u00fanico registro conhecido de Dona Maria das Merc\u00eas, fotografada com uma das crian\u00e7as do seu abrigo. Fonte: Mulheres illustres do Brazil &#8211; P\u00e1gina 153\/ Diario official do estado da Bahia &#8211; P\u00e1gina 477\/Revista do Instituto Geografico e Hist\u00f3rico da Bahia<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"jsc_c_1m\" class=\"l9j0dhe7\">\n<div class=\"l9j0dhe7\">\n<div>\n<div class=\"bp9cbjyn cwj9ozl2 j83agx80 cbu4d94t ni8dbmo4 stjgntxs l9j0dhe7 k4urcfbm\">\n<div>\n<div class=\"do00u71z ni8dbmo4 stjgntxs l9j0dhe7\">\n<div class=\"pmk7jnqg kr520xx4\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"i09qtzwb n7fi1qx3 datstx6m pmk7jnqg j9ispegn kr520xx4 k4urcfbm bixrwtb6\" src=\"https:\/\/scontent.frec7-1.fna.fbcdn.net\/v\/t39.30808-6\/272880561_3004598326537031_8363901377993143630_n.jpg?stp=dst-jpg_p526x296&amp;_nc_cat=110&amp;ccb=1-5&amp;_nc_sid=8bfeb9&amp;_nc_eui2=AeF7454KimOHVtjewDye0I_JqZxDVNfnNgipnENU1-c2CLT7bvZ_NAjWfaDaEBpwry52zWspMCV3YsB42iz7ZtKP&amp;_nc_ohc=zfTI_lf0BjEAX_VDEdq&amp;_nc_oc=AQkAXMy9RpD_bVnMKJLbYFdeowEiu3ru5u9zsAEEpn7gS5WLQvrT439ijbBHlKTaeTHbNR_u0Pmr39kIbYxpbikW&amp;_nc_ht=scontent.frec7-1.fna&amp;oh=00_AT-FNtaTJkknensHa3hi5BMI0rE5QoOYRkSFDWLaf3Hcmg&amp;oe=62169D26\" alt=\"Pode ser uma imagem de 2 pessoas\" width=\"526\" height=\"822\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"linmgsc8 opwvks06 i09qtzwb n7fi1qx3 hzruof5a pmk7jnqg j9ispegn kr520xx4\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"stjgntxs ni8dbmo4 l82x9zwi uo3d90p7 h905i5nu monazrh9\" data-visualcompletion=\"ignore-dynamic\">\n<div class=\"cwj9ozl2 tvmbv18p\">\n<div class=\"ecm0bbzt hv4rvrfc e5nlhep0 dati1w0a j83agx80 btwxx1t3 lzcic4wl\">\n<div class=\"rj1gh0hx buofh1pr ni8dbmo4 stjgntxs rz4wbd8a\">\n<form class=\"o6r2urh6 l9j0dhe7 b3i9ofy5 e72ty7fz qlfml3jp inkptoze qmr60zad rt8b4zig n8ej3o3l agehan2d sk4xxmp2 j83agx80 bkfpd7mw\" role=\"presentation\">\n<div class=\"l9j0dhe7 rz4wbd8a qt6c0cv9 dati1w0a ecm0bbzt j83agx80 btwxx1t3 lzcic4wl\" tabindex=\"-1\" role=\"article\" aria-label=\"Coment\u00e1rio de Augusto Albuquerque h\u00e1 2 semanas\">\n<div class=\"rj1gh0hx buofh1pr ni8dbmo4 stjgntxs hv4rvrfc\">\n<div class=\"bvz0fpym c1et5uql q9uorilb sf5mxxl7\">\n<div class=\"k4urcfbm sf5mxxl7 l9j0dhe7 pq6dq46d\">\n<div class=\"k4urcfbm hpfvmrgz g5gj957u buofh1pr mg4g778l\">\n<div class=\"b3i9ofy5 e72ty7fz qlfml3jp inkptoze qmr60zad rq0escxv oo9gr5id q9uorilb kvgmc6g5 cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x d2edcug0 jm1wdb64 l9j0dhe7 l3itjdph qv66sw1b\">\n<div class=\"tw6a2znq sj5x9vvc d1544ag0 cxgpxx05\">\n<div class=\"ecm0bbzt e5nlhep0 a8c37x1j\">\n<div class=\"kvgmc6g5 cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql\">\n<div dir=\"auto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/form>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protetora dos \u00f3rf\u00e3os, ex-escravizada criou institui\u00e7\u00e3o beneficente no s\u00e9culo 19. Recebeu apoio de imperatriz, mas sua obra social foi &#8216;apagada&#8217; da hist\u00f3ria. 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