{"id":382478,"date":"2022-03-06T14:26:03","date_gmt":"2022-03-06T17:26:03","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=382478"},"modified":"2022-03-06T14:26:03","modified_gmt":"2022-03-06T17:26:03","slug":"mateus-solano-lembra-que-globo-resistiu-a-beijo-gay-em-novela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mateus-solano-lembra-que-globo-resistiu-a-beijo-gay-em-novela\/","title":{"rendered":"Mateus Solano lembra que Globo resistiu a beijo gay em novela"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-sm-12 ig-container_headerText\">\n<h1 id=\"noticia-titulo-h1\" class=\"noticia-titulo-h1-ig_V04\"><\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">Em &#8220;Amor \u00e0 Vida&#8221;, ator interpretou F\u00e9lix, que beijou Niko (Thiago Fragoso)<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"share-page\"><\/div>\n<div id=\"noticia-other\" class=\"noticia-other-ig_V04\">\n<div class=\"author-container\">\n<p>Por\u00a0<strong>Ag\u00eancia O Globo<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"contentNoticia\">\n<div class=\"main-content\">\n<div class=\"row\">\n<section class=\"noticia col-sm-12 plf-0\">\n<div id=\"noticia\">\n<div class=\"Noticia_Foto\">\n<figure class=\"foto-legenda \">\n<div class=\"foto-legenda-img\">\n<div id=\"standard_1\" class=\"st-placement standard_1 inImage\">\n<div class=\"st-adunit st-reset st-show\">\n<div class=\"st-adunit-ad st-reset\">\n<div class=\"st-display-render st-reset\">\n<div class=\"st-reset\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container open HalfPage display-standard fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fhxwyqa\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el faq3dtq\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-container undefined fssquz2\">\n<div class=\"important-styled st-canvas-el fhxwyqa\">\n<div class=\"important-styled display-render x-to-close f34xbyh\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Mateus Solano\" src=\"https:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/18\/ps\/ow\/18psowbrtiikw6wysi9gnvnvv.jpg\" alt=\"Mateus Solano\" width=\"906\" height=\"509\" \/><\/div><figcaption class=\"foto-legenda-citacao \"><cite>Thais Teles<\/cite><\/p>\n<div class=\"foto-legenda-citacao-text\" data-gtm-vis-recent-on-screen-214867_1952=\"6827\" data-gtm-vis-first-on-screen-214867_1952=\"6827\" data-gtm-vis-total-visible-time-214867_1952=\"100\" data-gtm-vis-has-fired-214867_1952=\"1\">Mateus Solano<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"\">\n<p>\u201cEu tenho muita disposi\u00e7\u00e3o para ser feliz\u201d, atesta Mateus Solano sobre o seu costumeiro bom humor. Mesmo interpretando o mais sisudo dos quatro protagonistas de \u201cQuanto mais vida, melhor\u201d, o ator fez com que o cirurgi\u00e3o card\u00edaco Guilherme ca\u00edsse nas gra\u00e7as do p\u00fablico, colorindo o texto de Mauro Wilson com seu carisma. E a afei\u00e7\u00e3o se acentua nesta nova fase da novela das sete, em que o Doutor das Gal\u00e1xias e a descolada dan\u00e7arina Fl\u00e1via (Valentina Herszage) trocaram de corpos. Da fus\u00e3o, surgiu um novo personagem, louro, leve e solto.<\/p>\n<p>No Twitter, rede social que ele ativou para acompanhar os coment\u00e1rios sobre a trama, a comunidade \u201cFlagui\u201d anda em polvorosa. E o elenco celebra ter atingido sua primeira meta: entregar um produto divertido em tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Solano j\u00e1 havia demonstrado ter talento para subverter uma poss\u00edvel antipatia inicial dos telespectadores ao emprestar sua pele ao \u00e1cido F\u00e9lix, de \u201cAmor \u00e0 vida\u201d (2013). De vil\u00e3o frio e ambicioso, o personagem que \u201cescondia\u201d a sua sexualidade, apesar dos trejeitos acentuados, apaixonou quem assistia \u00e0 obra de Walcyr Carrasco e ganhou torcida at\u00e9 dos mais conservadores. \u201cOs homof\u00f3bicos olhavam pra mim, davam uma risada e diziam: \u2018P\u00f4, voc\u00ea tem que dar um beijo naquele cara!\u2019. Foi muito especial essa unanimidade.<\/p>\n<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com F\u00e9lix, eu consegui cumprir um dos objetivos do artista: fazer com que o p\u00fablico reveja seus preconceitos\u201d, afirma ele, que escreveu sua hist\u00f3ria na teledramaturgia brasileira ao encenar com Thiago Fragoso o primeiro beijo entre homens numa novela. E no hor\u00e1rio nobre! Homem cisg\u00eanero, heterossexual e simpatizante da bandeira arco-\u00edris, Solano defende mais espa\u00e7o na televis\u00e3o para atores LGBTQIAP+.<\/p>\n<div id=\"preAds_ad_mrec_intext2\"><\/div>\n<p>Nesta entrevista, al\u00e9m de rever momentos marcantes de suas duas d\u00e9cadas e meia de carreira, o ator reflete sobre a chegada aos 40 anos (1\/3 da vida, na concep\u00e7\u00e3o da comunidade judaica, \u00e0 qual pertence) e a n\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o com a vaidade (\u201cEstou careca, e adoraria poder aparecer assim em cena, na TV\u201d, entrega). Tamb\u00e9m compartilha o que pensa sobre a morte, tema central da novela das sete; conta particularidades da vida em fam\u00edlia, como filho do diplomata Jo\u00e3o e da psic\u00f3loga Miriam, marido da atriz Paula Braun e pai de Flora, de 11 anos, e Benjamin, de 6; entrega outras habilidades art\u00edsticas, como o piano e a tape\u00e7aria; e ensina sobre sustentabilidade. Confira os melhores trechos do papo:<\/p>\n<h2>Pap\u00e9is marcantes<\/h2>\n<p>\u201cO p\u00fablico gostou muito quando fiz Ronaldo B\u00f4scoli, em \u2018Maysa\u2019, e os g\u00eameos Miguel e Jorge, em \u2018Viver a vida\u2019 (ambas em 2009). Mas, sem d\u00favida, o F\u00e9lix de \u2018Amor \u00e0 vida\u2019 \u00e9 imbat\u00edvel em popularidade. Foi um caso de amor, bateu a qu\u00edmica entre o personagem e os telespectadores. Ele foi acontecendo ao longo da hist\u00f3ria e mudou os paradigmas. Porque o dito \u2018primeiro beijo gay em novelas\u2019 aconteceu a partir da popularidade do F\u00e9lix, que depois abra\u00e7ou o casal com Niko (Thiago Fragoso). A Globo resistiu, n\u00e3o queria esse beijo. E os mais conservadores, mais homof\u00f3bicos, olhavam pra mim, davam uma risada e diziam: \u2018P\u00f4, voc\u00ea tem que dar um beijo naquele cara!\u2019. Foi muito especial essa unanimidade. Com F\u00e9lix, eu consegui cumprir um dos objetivos do artista: fazer com que o p\u00fablico reveja seus preconceitos. Mas todos os meus personagens me orgulham de formas diferentes. Z\u00e9 Bonitinho, da \u2018Escolinha\u2019 (no ar na Globo nas tardes de s\u00e1bado), foi uma del\u00edcia de fazer. Rubi\u00e3o, de \u2018Liberdade, liberdade\u2019 (2016), embora \u00e1spero, fez o p\u00fablico se emocionar. H\u00e1 personagens que fiz no teatro sem os quais n\u00e3o teria escrito a minha hist\u00f3ria. Todos fizeram parte de uma caminhada, nenhum degrau anula o outro\u201d.<\/p>\n<h2>Cota para artistas LGBTQIAP+ na TV<\/h2>\n<p>\u201cEu apoio. Da \u00faltima vez em que conversei com Thiago (Fragoso) falei sobre a quest\u00e3o da representatividade de F\u00e9lix e Niko. S\u00e3o personagens homossexuais que carregam estere\u00f3tipos muito fortes. Por mais que F\u00e9lix fosse profundo, trouxesse uma m\u00e1goa, um drama que tocou as pessoas, ele era muito afetado. Mais afetado do que poderia ser um diretor de hospital. Isso fazia parte da aceita\u00e7\u00e3o dele, brincava com o preconceito que as pessoas t\u00eam. Hoje, j\u00e1 n\u00e3o seria bem visto. Fico me perguntando se n\u00e3o \u00e9 por isso que a novela nunca foi reprisada. Agora, se eu fosse convidado para interpretar uma travesti, eu n\u00e3o me sentiria confort\u00e1vel. E perguntaria ao m\u00e1ximo de travestis poss\u00edveis a opini\u00e3o delas antes de cogitar aceitar o papel. Esse \u00e9 um trabalho para quem \u00e9. Em \u2018Quanto mais vida, melhor\u2019, temos A Maia (que interpreta a Morte) e Carol Marra (a Alice da hist\u00f3ria) fazendo pap\u00e9is de mulheres (al\u00e9m de Nany People, que faz Lourdes, a recepcionista do motel Arriba Caracas), e n\u00e3o de homens que transformaram seus corpos para o feminino. N\u00e3o se fala nisso. \u00c9 preciso pensar at\u00e9 que ponto o ator ou a atriz, neste caso, \u00e9 quem escolhe fazer um papel estigmatizado ou se s\u00f3 lhe \u00e9 oferecido esse tipo de papel\u201d.<\/p>\n<h2>Novela, obra fechada?<\/h2>\n<p>\u201cEu n\u00e3o considero o que a gente fez uma novela, que precisa de um di\u00e1logo com o p\u00fablico. Foram 178 cap\u00edtulos pr\u00e9-gravados, em meio a uma pandemia com protocolos. Terminamos quando a obra estava h\u00e1 apenas uma semana no ar. Est\u00e1 longe de ser o ideal, porque um bom ator est\u00e1 sempre se estudando. Pra mim, \u00e9 fundamental me ver em cena, acertar detalhes. Hoje, assistindo aos cap\u00edtulos, meu olhar \u00e9 supercr\u00edtico, mas tamb\u00e9m generoso. Sei do m\u00e1ximo que consegui ir, dentro das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. N\u00e3o posso ser cruel comigo mesmo. Mas, se ainda pudesse, apertaria alguns parafusos. Por exemplo: tentaria uma interpreta\u00e7\u00e3o menos vitimizada para Guilherme, que j\u00e1 \u00e9 infantil. Agora, qualquer elogio do p\u00fablico \u00e9 lucro, porque n\u00e3o d\u00e1 pra mudar nada. Mas tudo foi feito com muito amor, e tenho ficado feliz com a boa repercuss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Rela\u00e7\u00e3o com a morte<\/h2>\n<p>\u201cEstou com 40 anos, quase 41 (em 20 de mar\u00e7o). Com 30 e poucos, veio o alerta, uma taquicardia ao pensar no momento derradeiro. Eu sempre fui criado como parte da natureza, e n\u00e3o como dono dela. A cren\u00e7a de que a nossa alma segue algum caminho depois da morte do corpo \u00e9 uma vis\u00e3o um tanto egoc\u00eantrica do ser humano. T\u00edpica de uma esp\u00e9cie que j\u00e1 se desligou tanto da natureza que n\u00e3o consegue enxergar a d\u00e1diva, o milagre que \u00e9 se misturar com a terra. Tem coisa mais incr\u00edvel do que virar comida de minhoca e depois virar uma outra coisa? Somos muito mais que s\u00f3 esta vida. Somos parte de um todo. Esse desprendimento da individualidade, ser parte e n\u00e3o o bastante, \u00e9 o caminho que eu trilho. \u00c9 absurdo o ser humano, em pleno 2022, ter tanto medo da \u00fanica certeza que a gente tem. \u00c9 in\u00fatil tentar adiar a morte com pl\u00e1sticas e outras interven\u00e7\u00f5es, deixando de valorizar cada segundo atual e correndo atr\u00e1s do que j\u00e1 passou\u201d.<\/p>\n<h2>A arte imita a vida, em parte<\/h2>\n<p>\u201cMinhas semelhan\u00e7as com Guilherme param por a\u00ed: tamb\u00e9m ter uma m\u00e3e psic\u00f3loga (risos). Uma das coisas que eu procurei saber no in\u00edcio da novela foi como Celina (Ana L\u00facia Torre), com um psicol\u00f3gico t\u00e3o ruim, poderia ter essa profiss\u00e3o. Ao que alguns psic\u00f3logos me responderam: tem gente que cursa Psicologia para fugir de si pr\u00f3prio e come\u00e7ar a apontar o dedo para os outros. Minha m\u00e3e sempre teve a sua analista. Eu achava isso muito curioso na inf\u00e2ncia, perguntei, e ela me disse: \u2018Eu tamb\u00e9m preciso, sou um ser humano como outro qualquer\u2019. Dona Miriam, por mais ciumenta que possa se mostrar em algum momento, \u00e9 uma mulher que se reinventa, muito juvenil. Ela tem 71 anos, mas n\u00e3o cristaliza a\u00e7\u00f5es e pensamentos, se permite mudar. Uma das maiores li\u00e7\u00f5es que minha m\u00e3e me d\u00e1 \u00e9 essa eterna curiosidade sobre si mesma, nunca achar que est\u00e1 certa e pronta. E a rela\u00e7\u00e3o dela com minha mulher \u00e9 \u00f3tima (ao contr\u00e1rio de Celina e Rose, interpretada por B\u00e1rbara Colen). \u00c9 sogrete pra c\u00e1, norete pra l\u00e1&#8230; Outro dia, fiquei sabendo que as duas ficaram horas falando sobre mim. Minha orelha at\u00e9 co\u00e7ou. \u2018Espero que tenham falado bem\u2019, eu disse. E elas: \u2018\u00c9, de tudo um pouco&#8230;\u2019\u201d.<\/p>\n<h2>Terapia<\/h2>\n<p>\u201cDos meus 15 aos 38 anos, fiz terapia. Se n\u00e3o fosse ela, eu n\u00e3o seria metade da metade do que sou hoje. No momento, n\u00e3o estou fazendo, mas posso voltar a qualquer hora. A terapia me trouxe muita paz e crescimento. Boa parte dos males do corpo s\u00e3o resultantes de coisas mal resolvidas dentro da cabe\u00e7a. Parei por um tempo por n\u00e3o conseguir conciliar com o trabalho\u201d.<\/p>\n<h2>Influ\u00eancia paterna<\/h2>\n<p>\u201cEu nasci em Bras\u00edlia, morei dois anos nos Estados Unidos e um em Portugal. Quando eu tinha 4 anos, meus pais se separaram, e minha m\u00e3e veio para o Rio de Janeiro comigo e com meu irm\u00e3o. Ela cuidou da gente sozinha, apenas com a ajuda financeira do meu pai. Mas muito do meu amor pela arte vem de uma influ\u00eancia dele, que sempre nos levou a concertos, pe\u00e7as e exposi\u00e7\u00f5es. Ele me formou uma pessoa muito curiosa, e a curiosidade \u00e9 um dos principais combust\u00edveis para o artista. Quando eu era crian\u00e7a, engatinhava em volta do piano enquanto ele tocava. Mas foi s\u00f3 de tr\u00eas anos pra c\u00e1 que eu chamei um professor particular para me ensinar a tocar, tinha um piano parado em casa\u201d.<\/p>\n<div class=\"maislidas_container\">\n<div id=\"perdeu_maislidas\" class=\"perdeu_maislidas-content\">\n<div class=\"swiper theSwiper swiper-initialized swiper-horizontal swiper-pointer-events swiper-free-mode swiper-backface-hidden\">\n<div id=\"swiper-wrapper-bb22fbb35382f39e\" class=\"swiper-wrapper\" aria-live=\"polite\">\n<div class=\"swiper-slide\" role=\"group\" aria-label=\"3 \/ 3\">\n<div class=\"perdeu_maislidas-content-item\">\n<div class=\"perdeu_maislidas-content-item-link-img\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"swiper-pagination\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Outros talentos<\/h2>\n<p>\u201cTenho estudado m\u00fasica e etimologia do Portugu\u00eas. Durante a novela \u2018Pega pega\u2019 (2017), fiz metade de um tapete de esmirna, enquanto aguardava para gravar. Ainda quero estudar m\u00fasica indiana. Estou sempre em busca de alguma novidade. Na minha adolesc\u00eancia, comecei a tentar pintar como Mir\u00f3 (artista pl\u00e1stico espanhol). Lembro que consegui atingir um tra\u00e7o meio parecido com o dele e, nas aulas de Artes, me colocaram para pintar camisas. Eu gosto de brincar de misturar artes\u201d.<\/p>\n<h2>De todas as cores<\/h2>\n<p>\u201cUma coisa que me impacta, no mundo atual, s\u00e3o os n\u00edveis que o ser humano inventou para se separar. De g\u00eanero, de ra\u00e7a, de cren\u00e7a, de posi\u00e7\u00e3o social&#8230; Uma s\u00e9rie de fronteiras para ficar se comparando, competindo, em vez de cooperar, se unir numa coisa s\u00f3. Com esse ensaio de fotos (que acompanha esta mat\u00e9ria), quero chamar aten\u00e7\u00e3o para o fato de que somos todos coloridos. A gente \u00e9 muito mais do que uma opini\u00e3o, do que um presidente\u201d.<\/p>\n<h2>Bom humor<\/h2>\n<p>\u201cFa\u00e7o quest\u00e3o de estar bem-humorado o m\u00e1ximo de tempo poss\u00edvel. Mas tamb\u00e9m aprendi a n\u00e3o me desrespeitar. Quando n\u00e3o estou bem, n\u00e3o for\u00e7o a barra. Tenho muita alegria, bem-aventuran\u00e7a, gratid\u00e3o por ser reconhecido no que mais amo fazer. Eu tenho muita disposi\u00e7\u00e3o para ser feliz, esta \u00e9 uma boa frase sobre mim. N\u00e3o acordo sorrindo, absolutamente. Levanto cedo da cama querendo voltar a dormir. Sou elegante na forma de falar, no jeito de me portar, educadinho. Mas escreveu, n\u00e3o leu, a gente sai da linha (risos)\u201d.<\/p>\n<h2>Transforma\u00e7\u00f5es pela profiss\u00e3o<\/h2>\n<p>\u201cO louro da fase atual do Guilherme \u00e9 peruca. N\u00e3o valia a pena pintar o cabelo de verdade, porque ele volta ao castanho em seguida, e eu tirava e colocava peruca v\u00e1rias vezes no mesmo dia para gravar cenas n\u00e3o sequenciais. Mas n\u00e3o consigo pensar em nada que eu n\u00e3o faria por um personagem. Engordar muito ou emagrecer ainda mais seria um prazer. Eu, inclusive, tinha come\u00e7ado a ganhar peso porque faria Guimar\u00e3es Rosa em \u2018Passaporte para liberdade\u2019, mas Rodrigo Lombardi acabou ficando com o papel, o ingl\u00eas dele era mais fluente que o meu. Outra coisa: estou careca, e adoraria poder aparecer assim em cena, na TV. Tanto para Eric (de \u2018Pega pega\u2019) quanto para Guilherme, usaram spray para esconder as falhas no meu couro cabeludo, eu meio a contragosto. Os diretores n\u00e3o relacionam a calv\u00edcie com a imagem do gal\u00e3, o que eu acho um absurdo, porque tivemos Raul Cortez e tantos outros lindos homens carecas. Hoje em dia, com essa coisa de pl\u00e1sticas e implantes, est\u00e1 tudo artificial demais. Aos 30 anos, meu pai j\u00e1 era bem careca. Eu, aos 40, estou muito no lucro assim. Sempre tomei Finasterida, para evitar uma queda maior dos fios, mas nunca foi uma grande preocupa\u00e7\u00e3o pra mim\u201d.<\/p>\n<h2>Quarent\u00e3o<\/h2>\n<p>\u201cEu sou judeu, e a gente fala que vai viver at\u00e9 os 120 com muita sa\u00fade. Imagina o marasmo dos 100 aos 120, gente (gargalhadas)! At\u00e9 l\u00e1, j\u00e1 v\u00e3o ter criado uma cadeira voadora pra eu poder aproveitar a vida viajando. Envelhecer \u00e9 assustador, mas tamb\u00e9m pode ser encantador. Depois dos 40, a gente enferruja muito mais r\u00e1pido. Se sento por cinco minutos, sinto uma dorzinha em algum lugar ao levantar, preciso alongar. Minha mem\u00f3ria e a minha aten\u00e7\u00e3o est\u00e3o mais falhas tamb\u00e9m. Ao mesmo tempo, essa idade me trouxe um olhar muito mais tranquilo para a vida. Nos meus 20 anos, eu era desesperado, intenso. Agora, consigo ver (de um jeito) mais amplo. Esse tem sido o meu desejo de anivers\u00e1rio para todos os amigos: boas surpresas e amplid\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Z\u00e9 Bonitinho, Solano Bonit\u00e3o<\/h2>\n<p>\u201cTenho me achado mais bonito. Quando eu e Paula nos conhecemos, eu tinha 29 anos, e ela falou: \u2018Voc\u00ea vai ficar um quarent\u00e3o muito gato!\u2019. Foi vision\u00e1ria (risos)! Mas sou mais desleixado do que deveria com a minha apar\u00eancia. Tenho voltado cada vez mais a minha aten\u00e7\u00e3o para o corpo, com rela\u00e7\u00e3o a alimenta\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcios f\u00edsicos. Interven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, n\u00e3o, de jeito nenhum!\u201d.<\/p>\n<h2>\u00c0 flor da pele<\/h2>\n<p>\u201cPreciso cuidar mais da minha pele porque desenvolvi vitiligo recentemente. S\u00e3o manchas muito localizadas, mas na novela d\u00e1 pra ver uma em cima do meu l\u00e1bio. N\u00e3o existe um diagn\u00f3stico definitivo para vitiligo, dizem que \u00e9 emocional. H\u00e1 dois ou tr\u00eas anos, perdi uma tia muito querida, e essa morte caiu como uma pedra na minha vida. Seis meses depois, come\u00e7aram a me aparecer essas manchas brancas. \u00c9 a \u00fanica coisa com que eu consigo relacionar. Considero uma homenagem a Michael Jackson, sou muito f\u00e3. \u00c9 claro que tenho os meus abismos, mas busco sempre o olhar positivo. Eu me lembro do (ator) Paulo Jos\u00e9, ainda vivo. A m\u00e3o dele n\u00e3o parava de tremer, e ele chamava a doen\u00e7a de Parkinson de divers\u00f5es. Brincava com a pr\u00f3pria dor, tentava enxergar de forma criativa sua condi\u00e7\u00e3o. E \u00e9 nesse lugar em que me coloco\u201d.<\/p>\n<h2>Filhos ruivos<\/h2>\n<p>\u201cFlora e Benjamin nunca se sentiram segregados por serem ruivos. Ao contr\u00e1rio, Flora n\u00e3o aguenta mais os elogios. Na Disney, as princesas todas repetiam: \u2018What a beautiful hair!\u2019 (\u2018Que cabelo bonito!\u2019), e ela revirava os olhos. A gente sempre explicou para eles a quest\u00e3o gen\u00e9tica. O gene recessivo deve vir dos av\u00f3s, j\u00e1 que nem eu nem a m\u00e3e somos ruivos\u201d.<\/p>\n<h2>Mateus pai<\/h2>\n<p>\u201cSou liberal com meus filhos quando Paula quer ser durona. E dur\u00e3o, quando ela quer ser liberal (risos). Tem que ter o equil\u00edbrio. Flora e Benjamin veem a novela comigo, pela primeira vez, e torcem pelo personagem. Mas as consequ\u00eancias da minha profiss\u00e3o na vida deles ainda n\u00e3o surgiram. Flora pegou mais essa quest\u00e3o da fama. Quando ela era beb\u00ea, eu estava come\u00e7ando a ser reconhecido, com todas as dores e del\u00edcias disso. Mas, hoje em dia, h\u00e1 tanta gente de quem nunca ouvi falar com milh\u00f5es de seguidores&#8230; Sou uma celebridade em meio a tantas outras, nem sei o que me difere\u201d.<\/p>\n<h2>Morar fora do Brasil<\/h2>\n<p>\u201cEu n\u00e3o descarto morar no exterior com minha fam\u00edlia. Mas vontade, sinceramente, n\u00e3o tenho. Meu irm\u00e3o, por exemplo, vive na B\u00e9lgica desde 2003. Acontece que eu gosto de ser caipira. Adoro viajar e falar \u2018Oh, estou em Paris!\u2019, sabe? Tenho tr\u00eas primas que moram l\u00e1, no sub\u00farbio, passam perrengue. Viver em outro pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 moleza, voc\u00ea vai ser sempre estrangeiro. Meu lugar \u00e9 o Brasil\u201d.<\/p>\n<h2>Casamento<\/h2>\n<p>\u201cS\u00e3o 14 anos com Paulinha. A gente se conheceu num curta-metragem (\u2018Marido, amantes e pisantes\u2019, em 2008), em que cheguei para substituir outro ator. E ela j\u00e1 estava de lingerie, pronta pra gravar. Interpret\u00e1vamos dois amantes, fizemos o caminho contr\u00e1rio. Do beijo que seria t\u00e9cnico, nasceu a paix\u00e3o. Durante a pandemia, a gente se uniu ainda mais. Essa conviv\u00eancia intensa foi boa. Agora, estamos radiantes que ela vai estar em \u2018Cara e coragem\u2019, novela que suceder\u00e1 \u2018Quanto mais vida, melhor\u2019. Muda o esquema todo. Ficarei cuidando da casa e das crian\u00e7as, nessa posi\u00e7\u00e3o em que ela costuma ficar por mim\u201d.<\/p>\n<h2>Redes sociais<\/h2>\n<p>\u201cTenho um perfil fechado no Instagram, em que compartilho fotos das crian\u00e7as com os mais \u00edntimos. Quero preservar a privacidade deles. E no perfil aberto, s\u00f3 eu mexo. Tudo o que eu posto l\u00e1 vai direto para o Facebook. Deste, sim, tenho uma equipe cuidando. Tenho feito lives no camarim de \u2018Irma Vap\u2019 (cl\u00e1ssico teatral com que est\u00e1 em turn\u00ea pelo Brasil com Luis Miranda). Mostro nosso altarzinho, com todos os elementos em refer\u00eancia ao \u2018terrir\u2019 (terror + riso). Tem de Chucky a Michael Jackson, de boneco do Z\u00e9 Bonitinho a Pok\u00e9mon, passando por Iemanj\u00e1. \u00c0s vezes, fa\u00e7o lives na minha composteira (ecossistema higi\u00eanico que ajuda a reduzir o lixo e as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa); outras, fa\u00e7o tocando piano. E no Twitter eu entrei s\u00f3 para comentar a novela com os f\u00e3s. Atualizo com as fotos de bastidores que guardei por tanto tempo. Eles adoram!\u201d.<\/p>\n<h2>\nReconhecido por grandes \u00eddolos<\/h2>\n<p>\u201cAquele Projac \u00e9 uma Disney, um parque de divers\u00f5es. Eu ia l\u00e1 para assistir aos debates dos presidenci\u00e1veis, pedi para tirar foto com Marina Silva. L\u00e1 voc\u00ea cruza com gente usando roupa de \u00e9poca, seminua, com adere\u00e7os&#8230; \u00c9 uma diversidade doida! Eu sempre me emociono, por exemplo, com Ded\u00e9 Santana. Ele tem meu n\u00famero e me manda mensagens, desejando felicidades. Fico tocado quando pessoas que sempre admirei gostam do meu trabalho. \u00c9 uma grande realiza\u00e7\u00e3o pessoal, por exemplo, ter recebido um e-mail assinado por Tarc\u00edsio Meira e Gl\u00f3ria Menezes elogiando a minha atua\u00e7\u00e3o como F\u00e9lix. Receber um telefonema ou um \u00e1udio de Antonio Fagundes e Tony Ramos comentando uma cena minha. S\u00e3o artistas que me fizeram rir e chorar com seus trabalhos\u201d.<\/p>\n<h2>Colega gente boa<\/h2>\n<p>\u201cEu sou excelente colega. Acho que \u00e9 legal trabalhar comigo porque eu amo o que fa\u00e7o. N\u00e3o sou metido, n\u00e3o. Se sou considerado foda, \u00e9 porque gosto muito do meu of\u00edcio. O motor \u00e9 o tes\u00e3o que tenho pelas artes c\u00eanicas. \u00c9 eleque move a minha simpatia, o meu talento, a minha disposi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h2>Ciclista apaixonado pelo Rio<\/h2>\n<p>\u201cEu uso muito a bicicleta, para lazer e para ir at\u00e9 o trabalho. Moro no Jo\u00e1, \u00e9 um pedacinho bom at\u00e9 os Est\u00fadios Globo (em Jacarepagu\u00e1), um superexerc\u00edcio. Eu gostaria que a bicicleta fosse mais valorizada como meio de transporte. O Rio de Janeiro \u00e9 uma cidade incr\u00edvel para se pedalar, s\u00f3 que necessita de um incentivo maior \u00e0 seguran\u00e7a dos ciclistas. N\u00e3o preciso nem falar da ciclovia assassina que foi constru\u00edda (na Avenida Niemeyer), despencou e hoje est\u00e1 l\u00e1 depredada, n\u00e9?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma coisa que me impacta, no mundo atual, s\u00e3o os n\u00edveis que o ser humano inventou para se separar. De g\u00eanero, de ra\u00e7a, de cren\u00e7a, de posi\u00e7\u00e3o social&#8230; Uma s\u00e9rie de fronteiras para ficar se comparando, competindo, em vez de cooperar, se unir numa coisa s\u00f3. 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