{"id":384399,"date":"2022-03-29T06:56:31","date_gmt":"2022-03-29T09:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=384399"},"modified":"2022-03-29T06:56:31","modified_gmt":"2022-03-29T09:56:31","slug":"um-passeio-cheio-de-historia-pelos-terreiros-de-candomble-em-salvador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/um-passeio-cheio-de-historia-pelos-terreiros-de-candomble-em-salvador\/","title":{"rendered":"Um passeio cheio de hist\u00f3ria pelos terreiros de candombl\u00e9 em Salvador"},"content":{"rendered":"<div class=\"row visible-lg\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__tags\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-3\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__meta\">\n<div class=\"noticias-single__author\">\n<div>Fernanda Santana<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 col-lg-9\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"noticias-single__image\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><source srcset=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/7\/9\/csm_Bu__zios_bb358bc028.jpeg\" media=\"(min-width: 420px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/7\/9\/csm_Bu__zios_22a0af47bf.jpeg\" alt=\"Jogos de b\u00fazios s\u00e3o uma das 'portas de entrada' dos terreiros, diz antrop\u00f3logo\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">Jogos de b\u00fazios s\u00e3o uma das &#8216;portas de entrada&#8217; dos terreiros, diz antrop\u00f3logo (Marina Silva\/CORREIO)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop noticias-single__title--with-image visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Na capital, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Preserva\u00e7\u00e3o da Cultura Afroamer\u00edndia (AFA) calcula que h\u00e1 1.738 terreiros<\/strong><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">As portas da casa n\u00ba 222, no bairro do Curuzu, s\u00f3 fecham \u00e0 noite &#8211; \u00a0a contragosto de Dot\u00e9 Amilton, 70 anos, que gostaria de deix\u00e1-las sempre abertas, mas a vida na cidade n\u00e3o permite. \u00c0s 6h30, ele manda tirar o cadeado dos port\u00f5es brancos do Terreiro Vodun Zo, fechados novamente s\u00f3 \u00e0s 22h. \u00c9 um convite a quem quiser entrar, basta bater as palmas em sinal de aviso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em Salvador, est\u00e3o 1.738 terreiros de Candombl\u00e9, calcula a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Preserva\u00e7\u00e3o da Cultura Afroamer\u00edndia (AFA). Sem desrespeitar os mist\u00e9rios reservados aos iniciados, h\u00e1 templos que abrem as portas \u00e0 comunidade externa. Para quem promove esse movimento, \u00e9 uma tentativa de contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e desatar os n\u00f3s do racismo que violenta a religi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Deixar o terreiro aberto foi uma das primeiras atitudes de Amilton como Dot\u00e9, sacerdote da na\u00e7\u00e3o Jeje (o Candombl\u00e9 possui sete na\u00e7\u00f5es diferentes), h\u00e1 40 anos. \u201cEu sempre achei que deveria ser assim\u201d, conta ele.\u00a0(<em>Leia mais:\u00a0veja no fim da reportagem lista de templos que aceitam visita\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Um portal de bronze identifica que o visitante chegou ao Vodun Zo,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/terreiro-no-curuzu-e-o-primeiro-a-ser-tombado-pela-lei-de-preservacao-do-patrimonio-cultural-de-salvador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o primeiro terreiro Jeje tombado pelo munic\u00edpio<\/a>. \u201cConjunto Monumental tombado\u201d \u00e9 o an\u00fancio gravado na entrada da Vila Braulino. Para chegar l\u00e1, \u00e9 s\u00f3 descer a Rua Direta do Curuzu e entrar a segunda \u00e0 esquerda &#8211; de carro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Se estiver a p\u00e9, \u00e9 melhor perguntar a um morador, porque h\u00e1 outros terreiros na regi\u00e3o. \u00c9 o caso do tradicional Il\u00ea Ax\u00e9 Jitol\u00fa, a 160 metros do Vodun Zo, que aceita visitas e possui uma trajet\u00f3ria\u00a0intrinsecamente ligada ao do primeiro bloco afro do Brasil, o Il\u00ea Aiy\u00ea.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A visita a terreiros de Candombl\u00e9 proporciona minutos ou horas &#8211; depende do seu tempo e do que ficou combinado com a lideran\u00e7a respons\u00e1vel &#8211; de resist\u00eancia, arte e preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cAqui n\u00e3o temos um memorial s\u00f3, o terreiro \u00e9 o pr\u00f3prio memorial, nosso quintal \u00e9 um memorial\u201d<\/strong>, afirma Dot\u00e9 Amilton.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na entrada do Vodun Zo,\u00a0uma fonte com a escultura de uma sereia dourada recebe o visitante.\u00a0De cima, o quintal do terreiros\u00a0\u00e9 uma mancha verde no Curuzu: s\u00e3o 2 mil m\u00b2\u00a0de \u00e1rea. Por l\u00e1 crescem as \u00e1rvores sagradas, como as gameleiras, e as frut\u00edferas, como jaqueiras e\u00a0abacateiras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Quem chega quer conhecer o terreiro de 132 anos, que resistiu ao tempo e<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/pm-instaura-inquerito-para-apurar-invasao-de-policiais-em-terreiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0\u00e0s invas\u00f5es<\/a> &#8211; simb\u00f3licas e f\u00edsicas. Dot\u00e9 Amilton se disponibiliza a contar aquilo que pode ou autoriza filhos de santo mais velhos a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 telhas transparentes, entre as marrons, que deixam feixes de luz entrar e iluminam o barrac\u00e3o do terreiro, onde Dot\u00e9 Amilton recebe a reportagem. Ele gosta do efeito natural das cores. Obras de arte religiosas ornamentam as paredes, junto \u00e0s fotos da m\u00e3e e av\u00f3 dele.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAntes vinham mais estudantes, professores, pessoas de fora, hoje observo um interesse maior de outras pessoas, jovens, gente de Salvador\u201d, conta o l\u00edder religioso, que autoriza guias de turismo a levarem grupos at\u00e9 l\u00e1. Seja perto ou distante dali, outras portas tamb\u00e9m se abrem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><b>Tradi\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria<\/b><br \/>\nA 10 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, chegamos ao Il\u00e9 \u00d4s\u00fam\u00e0r\u00e8 Ar\u00e0k\u00e1 \u00d2g\u00f4d\u00f3 (Il\u00ea Ax\u00ea Oxumar\u00ea), na Federa\u00e7\u00e3o. Saindo da Liberdade, \u00e9 poss\u00edvel fazer o trajeto de \u00f4nibus, o que demanda entre 45 minutos e uma hora, a depender do tr\u00e2nsito e da regularidade do transporte p\u00fablico. Na Avenida Vasco da Gama, h\u00e1 uma escadaria que tamb\u00e9m d\u00e1 acesso ao terreiro, no fim da 2\u00aa travessa Pedro Gama de Baixo. H\u00e1 quem suba, curioso do que est\u00e1 por vir.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/e\/f\/csm_Baba___Pece_7d3f0f8373.jpeg\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Bab\u00e1 Pec\u00ea, olu\u00f4 e babalorix\u00e1 do Oxumar\u00ea<\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cQueremos desmistificar o que muitas pessoas pensam ser o Candombl\u00e9\u201d, conta Bab\u00e1 Pec\u00ea, o sacerdote \u00e0 frente do Oxumar\u00ea,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/festa-de-oxumare-renovacao-da-fe-e-da-devocao-ao-arco-iris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos mais tradicionais da cidade<\/a>. Um livro de 84 p\u00e1ginas acaba de ser preenchido com a assinatura de visitantes que passaram por l\u00e1 desde 2002. O substituto j\u00e1 vai em 26 p\u00e1ginas preenchidas.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Antes de visitar um terreiro, \u00e9 aconselh\u00e1vel ligar. H\u00e1 casos em que o espa\u00e7o n\u00e3o pode ser frequentado, exceto por filhos da casa. Os terreiros cumprem per\u00edodos de obriga\u00e7\u00f5es que podem exigir reclus\u00e3o e outros deles modificaram o funcionamento durante a pandemia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, em S\u00e3o Gon\u00e7alo do Retiro, um dos pioneiros, na d\u00e9cada de 80, em convidar a comunidade externa, est\u00e1 temporariamente fechado para visita\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u00e9poca de obriga\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o Tumba Junsara, no Engenho Velho de Brotas, pausou a visita\u00e7\u00e3o devido \u00e0 pandemia. Ambos devem retom\u00e1-la\u00a0at\u00e9 meados do ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No Oxumar\u00ea, onde o barrac\u00e3o principal e as casas dos orix\u00e1s se escondem entre e sobre o verde, h\u00e1 tr\u00eas pessoas habilitadas a apresentarem o terreiro, al\u00e9m do babalorix\u00e1. Desde 2019, filhas de santo ocupam a fun\u00e7\u00e3o. O l\u00edder da casa incentiva um processo de musealiza\u00e7\u00e3o do terreiro, onde existe at\u00e9 uma lojinha de suvenires para visitantes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>B\u00fazios<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em busca da hist\u00f3ria material que os visitantes cruzam as portas azuis do Oxumar\u00ea. \u201c\u00c9 como ir a Roma e n\u00e3o ver o papa\u201d, brinca o babalorix\u00e1, sobre quem faz quest\u00e3o de consultar seu jogo de b\u00fazios. Ele, como Dot\u00e9 Amilton e outros sacerdotes e sacerdotisas, s\u00e3o olu\u00f4s, pessoas que veem e interpretam o que os b\u00fazios t\u00eam a dizer sobre os caminhos da vida.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O jogo de b\u00fazios \u00e9 uma porta de entrada para o Candombl\u00e9 &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de inicia\u00e7\u00e3o &#8211; e atrai visitantes aos terreiros.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">As m\u00e3os sacodem, jogam os 16 b\u00fazios para cima &#8211; cada um representa um orix\u00e1 &#8211; e aguardam no ar a queda do or\u00e1culo. O mist\u00e9rio est\u00e1 naquele mil\u00e9simo de segundo. A partir dali \u00e9 com Exu, o orix\u00e1 mensageiro, e depois com os olu\u00f4s, que interpretar\u00e3o as quedas.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/3\/7\/csm_16_bu__zios_35e5391c3b.jpeg\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>16 b\u00fazios s\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 mesa pelos olu\u00f4s<\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Esse sistema adivinhat\u00f3rio desembarcou em Salvador com africanos escravizados. \u201c\u00c9 um dos muitos sistemas adivinhat\u00f3rios que o continente africano nos legou\u201d, explica o antrop\u00f3logo, babalorix\u00e1 e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Vilson Caetano. O jogo dos b\u00fazios existe h\u00e1, pelo menos, cinco mil anos, sobretudo entre os iorub\u00e1s do sudoeste da Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em Salvador, s\u00e3o associados a grandes olu\u00f4s nomes como o de Bab\u00e1 Pec\u00ea, Dot\u00e9 Amilton, Pair Air, Pai C\u00edcero, M\u00e3e V\u00e2nia, M\u00e3e Ana de Xang\u00f4, M\u00e3e Neuza e M\u00e3e Nilzete \u00a0&#8211; h\u00e1, claro, outros. O Candombl\u00e9, vale lembrar, valoriza o conhecimento dos mais velhos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cLer os b\u00fazios \u00e9 combinar caminhos, e a partir da\u00ed as pessoas s\u00e3o orientadas, se precisar que se prescreve algo, como oferendas, para que caminhos sejam abertos\u201d<\/strong>, explica Vilson, tamb\u00e9m um olu\u00f4 e babalorix\u00e1 do Terreiro Il\u00ea Ob\u00e1 L&#8217;ok\u00ea, em Lauro de Freitas, Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O jogo de b\u00fazios \u00e9 uma parte fundamental da economia dos terreiros, onde h\u00e1 custos para tudo. \u201cComo todo sistema adivinhat\u00f3rio, h\u00e1 uma troca. O valor da troca pode ser simb\u00f3lico, uma vela, por exemplo, mas a l\u00f3gica \u00e9 que o ax\u00e9 \u00e9 uma for\u00e7a a ser trocada\u201d, afirma Vilson.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Os valores dependem do terreiro e devem ser consultados com cada um &#8211; h\u00e1 aqueles que s\u00f3 aceitam pessoas encaminhadas por conhecidos dos l\u00edderes religiosos, como no Vodun Zo, no Curuzu.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A fama dos olu\u00f4s corre longe dos limites dos terreiros onde os b\u00fazios s\u00e3o consultados. No bairro de Plataforma, est\u00e1 o Terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Kal\u00ea Bokun, o \u00fanico da na\u00e7\u00e3o Ijex\u00e1 tombado pelo munic\u00edpio.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/6\/7\/csm_Vilson_Caetano_a3b2371eb8.jpeg\" width=\"1000\" height=\"622\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Antrop\u00f3logo e babalorix\u00e1, Vilson Caetano destaca o jogos de b\u00fazios como &#8216;porta de entrada&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A sacerdotisa \u00e0 frente da casa, M\u00e3e V\u00e2nia, 69 anos, \u00e9 procurada pela olu\u00f4 (leitora de b\u00fazios) que \u00e9. \u00c0s ter\u00e7as, quartas e quintas, ela recebe pessoas que n\u00e3o querem apenas conhecer o terreiro, mas consultar o or\u00e1culo. Por dia, ela atende, no m\u00e1ximo, cinco pessoas. \u201cSexta de jeito nenhum e domingo tiro para o lazer\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No Kal\u00ea Bokun, a 30 minutos da Esta\u00e7\u00e3o de Metr\u00f4 Piraj\u00e1, h\u00e1 regras para as visitas. A ialorix\u00e1 prefere que os mais velhos na religi\u00e3o estejam por perto: os mais novos est\u00e3o em fase de aprender, n\u00e3o de explicar. \u201cAgora s\u00f3 n\u00e3o gosto quando vem barganhar com o orix\u00e1\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>O in\u00edcio da troca<\/strong><br \/>\nHistoricamente, terreiros s\u00e3o espa\u00e7os de agrega\u00e7\u00e3o, e o di\u00e1logo com a sociedade exterior foi decisivo para a sobreviv\u00eancia deles. Entre 2017 e 2018, a turism\u00f3loga Ofir Souza, 33, estudou a hospitalidade em dois terreiros de Candombl\u00e9 de na\u00e7\u00e3o ketu. Para ela, a visita\u00e7\u00e3o &#8211; sem compromisso religioso &#8211; \u00e0s casas de Ax\u00e9 podem ser vistas como um segmento dos turismos \u00e9tnico, que valoriza o patrim\u00f4nio material e imaterial de grupos \u00e9tnicos, e religioso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Foi o interesse de pesquisadores e artistas &#8211; como Jorge Amado, Caryb\u00e9 e Pierre Verger &#8211; que primeiro agu\u00e7ou o imagin\u00e1rio social a respeito das culturas afro-brasileiras, segundo Ofir. M\u00e3e Menininha do Gantois, do Il\u00e9 \u00ccy\u00e1 Omi \u00c0se \u00ccy\u00e1mas\u00e9 (Terreiro do Gantois), filha de Oxum, uma das ialorix\u00e1s mais famosas do Brasil, se tornou um dos s\u00edmbolos desse imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A filha de Oxum inspirou at\u00e9 m\u00fasicas, como Ora\u00e7\u00e3o de M\u00e3e Menininha, de Dorival Caymmi, e \u00e9 a \u00fanica m\u00e3e de santo homenageada por um memorial.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"embed-content\" style=\"text-align: justify;\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g0ERSk5mzmA\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-1_19=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o funciona dentro do terreiro, na Federa\u00e7\u00e3o, e pode ser visitado ap\u00f3s\u00a0agendamento. Enquanto estava viva, aquele era o quarto de M\u00e3e Menininha, onde est\u00e3o preservados objetos como um pote azul e dourado usado em rituais religiosos na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e Senhora, a terceira ialorix\u00e1 a comandar o Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, mostra Ofir, &#8220;foi uma das primeiras a abrirem as portas dos terreiros para pessoas externas&#8221;. O Op\u00f4 Afonj\u00e1 \u00e9 o primeiro terreiro, em 1982, a abrir um museu &#8211; o Il\u00ea Ohun Lalai. Hoje, o espa\u00e7o est\u00e1 fechado devido \u00e0 pandemia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Os terreiros, que s\u00e3o tamb\u00e9m segundos quilombos, onde todos s\u00e3o bem-vindos, passam a ter uma visibilidade para a comunidade externa&#8221;<\/strong>, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 em 2003 a discuss\u00e3o sobre o turismo em terreiros come\u00e7ou. Naquela \u00e9poca, estava em quest\u00e3o o fato de ag\u00eancias de viagem produzirem &#8220;shows folcl\u00f3ricos em templos\u201d, lembra Leonel Monteiro, presidente da AFA.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Esse \u00a0assunto n\u00e3o foi plenamente resolvido, mas os terreiros come\u00e7aram a pensar numa nova forma, que desconstrua a deturpa\u00e7\u00e3o que se faz da religi\u00e3o\u201d<\/strong>, explica Leonel.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O religioso acredita que, assim como as igrejas cat\u00f3licas s\u00e3o visitadas e se movimentam economicamente, \u00e9 poss\u00edvel pensar em modelos para os terreiros. Com diferen\u00e7as, \u00e9 claro:\u00a0roupas pretas e curtas devem ser evitadas na hora de visitar um templo da religi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Outros terreiros investiram, ao longo dos anos, em memoriais. Nos fundos do Pil\u00e3o de Prata, na Boca da Rio, est\u00e1 o Memorial Lajuomim do terreiro, onde pain\u00e9is e fotografias contam a hist\u00f3ria de membros da fam\u00edlia de Bambox\u00ea Obitik\u00f4.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Esse babala\u00f4 nigeriano, na Bahia, ajudou a estabelecer as bases para o culto aos orix\u00e1s que levou \u00e0 abertura do primeiro terreiro ketu brasileiro &#8211; o de Il\u00ea \u00c0se Iy\u00e1 Nass\u00f4 (Casa Branca), que tamb\u00e9m abre as portas para que visitantes conhe\u00e7am parte da sua hist\u00f3ria e beleza.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira o roteiro com 10 terreiros na capital:<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Iy\u00e1 Omi Ax\u00e9 Iyamass\u00ea (Terreiro do Gantois)<br \/>\nEndere\u00e7o: Alto do Gantois, 33, Federa\u00e7\u00e3o<br \/>\nTelefone: (71) 3331-9231<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f3 Afonj\u00e1<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Direta de S\u00e3o Gon\u00e7alo do Retiro, 557, Cabula<br \/>\nTelefone: (71) 3384-5229<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Ax\u00e9 Iy\u00e1 Nass\u00f4 Ok\u00e1 (Terreiro da Casa Branca)<br \/>\nEndere\u00e7o: Avenida Vasco da Gama, 463, Engenho Velho da Federa\u00e7\u00e3o<br \/>\nTelefone: (71) 3335-3100<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Terreiro Hunkpame Savalu Vodun Zo Kwe<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua do Curuzu, 222, Bairro da Liberdade<br \/>\nTelefone: (71) 3256-7230<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Maroi\u00e1 L\u00e1ji\u00e9 (Terreiro de Alaketu ou Olga de Alaketu)<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua Luis Anselmo 67 \u2013 Matatu de Brotas<br \/>\nTelefone: ( 71) 3244-2285<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00e9 \u00d2s\u00f9m\u00e0r\u00e8 Ar\u00e0k\u00e1 \u00c0se \u00d2g\u00f2d\u00f3 (Casa de Oxumar\u00e9)<br \/>\nEndere\u00e7o: Avenida Vasco da Gama, 343, Federa\u00e7\u00e3o<br \/>\nTelefone: (71) 3237-2859<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Mansu Bandu Kenk\u00ea (Terreiro do Bate Folha)<br \/>\nEndere\u00e7o: Travessa de S\u00e3o Jorge 65, Mata Escura<br \/>\nTelefone: (71) 3261-2354<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Od\u00f4 Og\u00ea (Terreiro do Pil\u00e3o de Prata)<br \/>\nEndere\u00e7o: Estrada do Curralinho, Boca do Rio<br \/>\nTelefone: (71) 3341-9055<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Il\u00ea Ax\u00e9 Jitol\u00fa (Il\u00ea Aiy\u00ea)<br \/>\nEndere\u00e7o: Rua do Curuzu, 231, Liberdade<br \/>\nTelefone: (71) 3386-2148<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tumba Junsara<br \/>\nEndere\u00e7o: Engenho Velho de Brotas, Ladeira da Vila Am\u00e9rica, Vila Colombina, 30<br \/>\nContato: @terreirotumbajunsara (Instagram)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na capital, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Preserva\u00e7\u00e3o da Cultura Afroamer\u00edndia (AFA) calcula que h\u00e1 1.738 terreiros<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":384400,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-384399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/buzos.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/384400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}