{"id":384405,"date":"2022-03-29T07:14:18","date_gmt":"2022-03-29T10:14:18","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=384405"},"modified":"2022-03-29T07:14:18","modified_gmt":"2022-03-29T10:14:18","slug":"casaroes-e-galpoes-antigos-revelam-historia-da-industria-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/casaroes-e-galpoes-antigos-revelam-historia-da-industria-na-bahia\/","title":{"rendered":"Casar\u00f5es e galp\u00f5es antigos revelam hist\u00f3ria da ind\u00fastria na Bahia"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__image\" style=\"text-align: justify;\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/f\/7\/csm_CreditoMuseuCredito_Tempostal_Reproducao_c257d2db4f.jpg\" alt=\"Velhas ind\u00fastrias (Foto: Museu Tempostal\/Reprodu\u00e7\u00e3o)\" \/><\/picture><span class=\"noticias-single__image-caption\">Velhas ind\u00fastrias (Foto: Museu Tempostal\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Mem\u00f3rias da hist\u00f3ria industrial de Salvador est\u00e3o, em sua maioria, em ru\u00ednas e abandonadas<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Mesmo que algu\u00e9m se d\u00ea o trabalho de caminhar pelas ruas da Cidade Baixa, principalmente as que margeiam a Ba\u00eda de Todos os Santos, entre a Cal\u00e7ada e a Ribeira, dificilmente perceber\u00e1 sem aux\u00edlio que muitos daqueles casar\u00f5es e galp\u00f5es antigos guardam a hist\u00f3ria da ind\u00fastria na Bahia. Ainda que diante da Pra\u00e7a Luiz Tarqu\u00ednio, na avenida de mesmo nome, poucos conseguem identificar o que restou da primeira vila oper\u00e1ria do Brasil, obra de um baiano, filho de lavadeira, que se tornou um dos maiores industriais do pa\u00eds, no S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Por enquanto, este \u00e9 um roteiro que pode ser feito preferencialmente de carro \u2013 de prefer\u00eancia, quando o combust\u00edvel estiver mais em conta. As mem\u00f3rias da hist\u00f3ria industrial de Salvador est\u00e3o, na sua maioria, em ru\u00ednas e abandonadas, ent\u00e3o resta aos interessados passar pelos locais e, no m\u00e1ximo, uma parada r\u00e1pida na porta para fazer uma selfie.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00danica exce\u00e7\u00e3o, com abertura \u00e0 visita\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 o Solar do Unh\u00e3o \u2013 sim, um dos principais palcos da m\u00fasica instrumental na Bahia e sede do Museu de Arte Moderna j\u00e1 abrigou uma f\u00e1brica de rap\u00e9. Em outras antigas f\u00e1bricas, como a Fratelli Vita e a F\u00e1brica de Linhos Nossa Senhora de F\u00e1tima, h\u00e1 planos para a abertura do espa\u00e7o \u00e0 visita\u00e7\u00e3o no futuro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A faixada da Companhia Emp\u00f3rio Industrial do Norte (CEIN) segue de p\u00e9 por quase toda a Avenida Luiz Tarqu\u00ednio. Em sua entrada principal ainda \u00e9 poss\u00edvel ler, num branco encardido, a palavra \u201cemp\u00f3rio\u201d. Alguns caminh\u00f5es circulam no espa\u00e7o em que j\u00e1 funcionou uma f\u00e1brica de tecidos \u2013 uma das muitas que a capital baiana j\u00e1 teve.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Embora n\u00e3o tenha local destinado a estacionar, o tr\u00e2nsito tranquilo na regi\u00e3o permite uma parada r\u00e1pida para a aprecia\u00e7\u00e3o da sede de um dos grandes imp\u00e9rios industriais brasileiros no S\u00e9culo XIX. A Bahia, ali\u00e1s, em determinado momento do S\u00e9culo XIX chegou a ter seis das 11 unidades de ind\u00fastrias t\u00eaxteis em opera\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Na capital baiana tamb\u00e9m j\u00e1 prosperaram no passado fabricantes de sab\u00f5es, detergentes, cervejas, refrigerantes, fumo, chocolates e at\u00e9 cristais. E embora a industrializa\u00e7\u00e3o soteropolitana nunca tenha registrado uma intensidade suficiente para atribuir ao fen\u00f4meno o status de \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d, houve \u201csurtos\u201d de desenvolvimento. Alguns bem intensos, como os do final do S\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, outro argumento que ajuda a entender que j\u00e1 houve um grande parque industrial instalado em Salvador est\u00e1 nos motivos que levaram a uma gentil expuls\u00e3o da atividade do per\u00edmetro urbano: o n\u00famero de f\u00e1bricas se multiplicou tanto que passou a causar transtornos para a vida na cidade. Quest\u00f5es como a preocupa\u00e7\u00e3o com a polui\u00e7\u00e3o de Salvador e dificuldades na mobilidade urbana est\u00e3o entre os principais argumentos que levaram \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do Centro Industrial de Aratu (CIA), entre os anos 40 e 50 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/2\/9\/csm_FotoMuseu_Tempostal_Reproducao_14fdf1bfef.jpg\" width=\"1000\" height=\"746\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">F\u00e1brica de tecidos (Foto: Museu_Tempostal\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O historiador Daniel Rebou\u00e7as j\u00e1 publicou um livro sobre a hist\u00f3ria da ind\u00fastria na Bahia e outro sobre a implanta\u00e7\u00e3o da eletricidade. Para ele, as publica\u00e7\u00f5es dialogam entre si. \u201cAs limita\u00e7\u00f5es na oferta de eletricidade explicam um pouco da dificuldade de industrializar Salvador\u201d, conta.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em &#8216;Ind\u00fastria na Bahia \u2013 Um olhar sobre sua hist\u00f3ria&#8217;, o historiador acompanha o recorte temporal desde o S\u00e9culo XIX at\u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o do Polo de Cama\u00e7ari. \u201cSe a gente ampliar o conceito de ind\u00fastria para a produ\u00e7\u00e3o fabril, \u00e9 poss\u00edvel falar em produ\u00e7\u00f5es industriais no S\u00e9culo XIX\u201d, explica. Neste caso, ele destaca os primeiros relatos de f\u00e1bricas logo depois da independ\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cOs primeiros levantamentos de produ\u00e7\u00f5es fabris em Salvador surgem por volta de 1830, com pequenas unidades que, em geral, est\u00e3o relacionadas ao setor de alimentos e de produtos necess\u00e1rios ao dia a dia\u201d, explica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Eram produtos como vinagre, sab\u00e3o, cerveja, trigo e os primeiros ensaios de beneficiamento do fumo produzido na regi\u00e3o de Cachoeira. Ainda n\u00e3o era o charuto, mas o rap\u00e9, que teve no Solar do Unh\u00e3o uma de suas primeiras unidades de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O primeiro registro de que se tem not\u00edcia est\u00e1 relacionado ao fumo, que se inicia na antiga Fazenda Areia Preta e posteriormente migra para o local onde hoje \u00e9 o Solar do Unh\u00e3o, conta Rebou\u00e7as. Mais adiante, algumas d\u00e9cadas depois, a cidade abrigaria tamb\u00e9m f\u00e1bricas de cigarros. No Bonfim existiam duas f\u00e1bricas. Uma era a S\u00e3o Domingos da Leite Alves, que depois migra para Cachoeira, e a San Martin, que teve papel econ\u00f4mico relevante, analisa o historiador. Nestas f\u00e1bricas, h\u00e1 registros do uso de equipamentos mec\u00e2nicos mais modernos.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No Solar do Unh\u00e3o, o acesso de visitantes \u00e9 permitido de ter\u00e7a a sexta, das 13h \u00e0s 18h, e nos s\u00e1bados e domindos, das 14h \u00e0s 18h. As JAMs que eram realizadas no local foram suspensas por conta da pandemia e ainda n\u00e3o retornaram.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Voca\u00e7\u00f5es antigas<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Salvador tamb\u00e9m abrigava uma importante atividade de manufatura naval. \u201cSalvador era um importante ponto colonial e depois imperial de navega\u00e7\u00e3o. Talvez tenha sido um dos locais mais importantes do Oceano Atl\u00e2ntico, ent\u00e3o essa manufatura de embarca\u00e7\u00f5es era um setor importante\u201d, lembra. \u201cApesar de n\u00e3o ter resultado em grandes desdobramentos posteriormente, foi bastante relevante no S\u00e9culo XIX\u201d, conta. Havia espa\u00e7os para constru\u00e7\u00e3o e consertos de navios, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A capital baiana tamb\u00e9m se destacou no que se pode considerar o grande universo fabril do S\u00e9culo XIX, com a produ\u00e7\u00e3o de tecidos, aproveitando a disponibilidade de algod\u00e3o e de recursos para investimentos na regi\u00e3o. Em meados do S\u00e9culo XIX, j\u00e1 existia uma estrutura industrial mais consolidada, com maior n\u00edvel de mecaniza\u00e7\u00e3o. Neste per\u00edodo, das nove ind\u00fastrias t\u00eaxteis existentes no Brasil, cinco estavam na Bahia, a maior parte em Salvador.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA cidade vai manter uma atua\u00e7\u00e3o relevante no mercado de tecidos at\u00e9 a virada do S\u00e9culo XX\u201d, conta o historiador. As primeiras f\u00e1bricas surgem na Cidade Baixa. Um dos destaques \u00e9 a antiga F\u00e1brica S\u00e3o Br\u00e1s, cujas ru\u00ednas se mant\u00e9m de p\u00e9, pr\u00f3ximas \u00e0 linha f\u00e9rrea, em Plataforma. No Bonfim, havia unidades, cujos pr\u00e9dios se perderam, lamenta Daniel Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O historiador e urbanista Ernesto Carvalho explica que, apesar de existirem f\u00e1bricas no Brasil antes de 1830, quando se institui o primeiro c\u00f3digo comercial do pa\u00eds, o crescimento acelerado da atividade econ\u00f4mica se d\u00e1 a partir do marco legal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAntes disso, existiam os engenhos de a\u00e7\u00facar e rap\u00e9, mas n\u00e3o d\u00e1 para se falar no patrim\u00f4nio fabril, este sim \u00e9 algo percept\u00edvel a partir do S\u00e9culo XIX\u201d, explica. Neste per\u00edodo, a capital abriga diversas f\u00e1bricas de tecidos, fabrica\u00e7\u00e3o de cristais.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cNossas gera\u00e7\u00f5es passaram a associar a ind\u00fastria \u00e0quela primeira fase da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, com chamin\u00e9s extremamente poluidoras, f\u00e1bricas que impactavam a rotina das cidades, mas isso deixou de ser assim\u201d, pondera.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A abertura para a industrializa\u00e7\u00e3o em Salvador acontece em dois momentos. Primeiro com a chegada da fam\u00edlia Real ao Brasil e depois com o atendimento \u00e0s demandas da pr\u00f3pria cidade. \u201cCom o passar do tempo, a atividade industrial vai ganhando corpo e complexidade, mas n\u00e3o houve uma grande revolu\u00e7\u00e3o industrial aqui. A grande atividade econ\u00f4mica de Salvador sempre esteve relacionada ao porto\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, \u00e9 essa liga\u00e7\u00e3o com o mar que explica a implanta\u00e7\u00e3o do polo industrial soteropolitano nas proximidades da Cal\u00e7ada, adentrando a Cidade Baixa at\u00e9 a Ribeira. No S\u00e9culo XIX, a estrada de ferro cumpria o papel de movimenta\u00e7\u00e3o de cargas, o que dava \u00e0 Cal\u00e7ada uma condi\u00e7\u00e3o log\u00edstica privilegiada, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u00c9 justamente \u00e0s margens da antiga estrada de ferro, no bairro de Plataforma, em que \u00e9 poss\u00edvel encontrar a antiga F\u00e1brica de Tecidos S\u00e3o Br\u00e1s. O imponente edif\u00edcio abandonado fica quase em frente ao terminal mar\u00edtimo do bairro, na Rua Almeida Brand\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA voca\u00e7\u00e3o de Salvador, desde o seu come\u00e7o e inclusive no S\u00e9culo XIX, sempre foi o com\u00e9rcio. O mundo sempre viu o Brasil, e ainda v\u00ea, como um pa\u00eds de commodities. N\u00f3s envi\u00e1vamos mat\u00e9rias-primas e receb\u00edamos produtos acabados\u201d, conta. \u201c\u00c0 medida em que os processos econ\u00f4micos foram se tornando mais complexos, surgiram demanda pela fabrica\u00e7\u00e3o de algumas coisas aqui mesmo. A\u00ed surgiram f\u00e1bricas de tecidos, cristais, tintas e uma s\u00e9rie de outros produtos\u201d, destaca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Para Ernesto Carvalho, a melhor defini\u00e7\u00e3o \u00e9 de um \u201csurto industrial\u201d, nada al\u00e9m disso. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para falar numa revolu\u00e7\u00e3o industrial, nossa base econ\u00f4mica sempre foi agr\u00e1ria e extrativa-mineral. A ind\u00fastria teve um surto relativamente forte, mas n\u00e3o d\u00e1 para falar numa revolu\u00e7\u00e3o\u201d, adverte. \u201cFoi um surto diversificado, que inclusive deixou um patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico, parte arruinado, abandonado ou reaproveitado de alguma forma. \u00c9 um patrim\u00f4nio t\u00e3o diverso quanto os produtos que eram fabricados e que mexe com nossa imagina\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cJ\u00e1 tivemos uma f\u00e1brica como a Chadler, Coca-Cola, a Fratelli Vita, que fabricava refrigerantes e cristais. Olha a diversidade. Isso tudo foi desativado e virou patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico\u201d, diz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Luiz Tarqu\u00ednio<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A grande representante da hist\u00f3ria industrial de Salvador foi a CEIN, estruturada por Luiz Tarqu\u00ednio. \u201cTalvez tenha sido a ind\u00fastria mais pujante da virada do S\u00e9culo XX, mesmo tendo convivido com a S\u00e3o Br\u00e1s, que tamb\u00e9m foi muito importante e talvez mere\u00e7a um resgate hist\u00f3rico maior\u201d, pondera o historiador Daniel Rebou\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, parte da inova\u00e7\u00e3o que se reconhece na atua\u00e7\u00e3o do Emp\u00f3rio de Luiz Tarqu\u00ednio era tamb\u00e9m experimentada na S\u00e3o Br\u00e1s. Destacam-se a oferta de moradia para trabalhadores e eletricidade, por exemplo. \u201cEra um momento bastante delicado para os industriais porque estamos falando de uma sociedade que vinha de 380 anos de trabalho escravo e o trabalho livre era associado \u00e0 trabalhadores de origem afro-brasileira, ent\u00e3o para estes empres\u00e1rios, lidar com quest\u00f5es de mobilidade e moradia, era delicado\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O historiador Daniel Rebou\u00e7as conta que Salvador registrou \u201cpequenos lampejos\u201d de industrializa\u00e7\u00e3o no final do S\u00e9culo XIX e in\u00edcio do S\u00e9culo XX principalmente por causa da fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos. \u201cNeste per\u00edodo havia uma imagem associada \u00e0 cidade do que a gente chama de burgo industrial, no sentido tradicional da palavra mesmo, de um sistema fechado\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A Companhia Industrial Emp\u00f3rio do Norte \u00e9 descrita por Ernesto Carvalho como um dos mais ic\u00f4nicos exemplos do processo industrial em Salvador. \u201c\u00c9 um exemplo inovador, porque lan\u00e7ou uma vila oper\u00e1ria, escolas, mercado, tudo, um paralelo ao que acontecia na Europa. Talvez seja o nosso maior exemplo porque ele n\u00e3o se restringiu \u00e0 ind\u00fastria, \u00e9 uma hist\u00f3ria de impacto social\u201d, destaca.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">\u201cPouca gente sabe, mas as filhas dos Luiz Tarqu\u00ednio estudavam nas escolas da vila, junto com as filhas dos oper\u00e1rios. Ele se consolidou entre os grandes industriais brasileiros, com uma influ\u00eancia que ultrapassou as fronteiras da Bahia\u201d, destaca.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ao noticiar o sepultamento de Luiz Tarqu\u00ednio, em 8 de outubro de 1903, o antigo jornal Correio do Brasil, descrito como &#8220;o baiano not\u00e1vel&#8221; e de &#8220;incontest\u00e1vel intelig\u00eancia&#8221;. Em meio a uma longa lista de presentes, surgem os &#8220;oper\u00e1rios da vila&#8221;, em &#8220;numerosa comiss\u00e3o&#8221;. Naquele dia, a est\u00e1tua do industrial foi coberta e as escolas, creche, bibliotecas, armaz\u00e9ns e o consult\u00f3rio m\u00e9dio da vila n\u00e3o abriram, em sinal de respeito.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Hoje, o que restou das casas da antiga vila se localiza na Pra\u00e7a Luiz Tarqu\u00ednio. O espa\u00e7o arborizado e relativamente tranquilo poderia n\u00e3o tem qualquer indica\u00e7\u00e3o do seu passado hist\u00f3rico, a n\u00e3o ser a est\u00e1tua do industrial.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Decl\u00ednio<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A partir da D\u00e9cada de 40, a conviv\u00eancia entre o espa\u00e7o urbano e a atividade industrial passou a ser vista como um problema muito s\u00e9rio, principalmente por conta da polui\u00e7\u00e3o e pelos problemas na mobilidade urbana. \u201cAs usinas e f\u00e1bricas passaram a incomodar e este foi um dos argumentos utilizados para explicar a constru\u00e7\u00e3o do Centro Industrial de Aratu (CIA), fora do per\u00edmetro urbano\u201d, conta. \u201cEssas empresas foram estimuladas a abrir unidades industriais no CIA, ent\u00e3o receberam terrenos com valores simb\u00f3licos, promessas de melhorias na infraestrutura na regi\u00e3o, como a instala\u00e7\u00e3o de asfalto e outras facilidades para que elas deixassem Salvador\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse movimento desindustrializou a capital, mas at\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo passado, quem morava em Salvador tinha um conv\u00edvio muito pr\u00f3ximo com a realidade industrial\u201d, explica. Ou seja, ao contr\u00e1rio do que se pensa hoje, a ind\u00fastria soteropolitana chegou a ser t\u00e3o grande que causou inc\u00f4modos \u00e0 din\u00e2mica urbana. \u201cUma das mem\u00f3rias que eram muito fortes para quem vivia na Cidade Baixa era do cheiro do chocolate produzido pela Chadler. Isso \u00e9 lembrado como uma boa mem\u00f3ria por muita gente, por\u00e9m quem vivia mais perto lembra do quanto incomodava\u201d, comenta Daniel, que n\u00e3o viveu a experi\u00eancia, mas lembra com clareza do relato em um blog sobre a Cidade Baixa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em 1995, a crise da vassoura de bruxa levou a Chadler, uma das principais produtoras de chocolates do mundo na \u00e9poca, a desistir de Salvador. Um ano antes, a empresa tinha registrado um faturamento de US$ 65 milh\u00f5es, de acordo com uma reportagem da Folha de S. Paulo. No ano seguinte, este volume j\u00e1 tinha ca\u00eddo para US$ 50 milh\u00f5es com as dificuldades para comprar cacau no pa\u00eds. A dire\u00e7\u00e3o da empresa percebeu que era mais f\u00e1cil importar o produto a partir dos Estados Unidos do que daqui. Um investimento de US$ 10 milh\u00f5es, em Bridgeport, pr\u00f3xima \u00e0 Filad\u00e9lfia, levou para longe da Avenida Conselheiro Zacarias, nos Mares, o cheiro do cacau.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do \u201cinc\u00f4modo\u201d que causava \u00e0 din\u00e2mica urbana, a atividade teve o seu crescimento freado tamb\u00e9m pela pouca disponibilidade de eletricidade, diz o historiador. Enquanto outros centros urbanos passaram a contar com a oferta de eletricidade est\u00e1vel e com disponibilidade para atender a atividade produtiva no in\u00edcio do S\u00e9culo XX, apenas na D\u00e9cada de 60 esse cen\u00e1rio foi percebido em Salvador. \u201cAt\u00e9 a D\u00e9cada de 30, a cidade dispunha de duas usinas termel\u00e9tricas e Bananeiras, fora do per\u00edmetro urbano, onde hoje \u00e9 Pedra do Cavalo. Essa estrutura produzia exatamente o que a cidade precisava. Se botasse uma l\u00e2mpada a mais, era capaz de derrubar o sistema\u201d, brinca. Mesmo com a inaugura\u00e7\u00e3o de Pedra do Cavalo, a cidade continuou \u201cno limite\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Patrim\u00f4nio<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Parte do desafio de preservar o que sobrou de patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico de casar\u00f5es ou galp\u00f5es que abrigaram f\u00e1bricas antigas passa por disputas judiciais, trabalhistas ou relacionadas ao esp\u00f3lio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Um exemplo disso \u00e9 o caso da F\u00e1brica S\u00e3o Br\u00e1s. A partir das d\u00e9cadas de 20 e 30 do s\u00e9culo passado, ela passa ao controle da fam\u00edlia Catarino. O encerramento das atividades aconteceu deixando um n\u00famero significativo de passivos trabalhistas. \u201cO que aconteceu \u00e9 que a documenta\u00e7\u00e3o foi anexada a processos judiciais e acabou sendo guardada pela empresa, que fechou as portas. Todas as minhas tentativas de acessar documenta\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter hist\u00f3rico foram negadas porque elas est\u00e3o sob resguardos pelos passivos trabalhistas\u201d, explica Rebou\u00e7as. \u201cN\u00e3o sei nem falar muito, mas at\u00e9 por isso as possibilidades de restauro do espa\u00e7o, tanto p\u00fablicas quanto privadas, ficaram prejudicadas. \u00c9 um local ainda em disputa e prejudicou a manuten\u00e7\u00e3o desse complexo arquitet\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O atual Mercado Ia\u00f4 j\u00e1 foi a sede de uma ind\u00fastria de tecidos. A antiga F\u00e1brica de Linhos Nossa Senhora de F\u00e1tima, na pen\u00ednsula Itapagipana, hoje produz cultura e os sonhos de quem deseja viver da economia criativa. No local, h\u00e1 espa\u00e7o para a comercializa\u00e7\u00e3o e experi\u00eancias nas \u00e1reas de artesanato, artes pl\u00e1sticas, moda, decora\u00e7\u00e3o, gastronomia, m\u00fasica, dan\u00e7a e literatura. O espa\u00e7o pertence \u00e0 F\u00e1brica Cultural. As duas organiza\u00e7\u00f5es ocuparam e trouxeram vida<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">novamente para um casar\u00e3o hist\u00f3rico, que foi cedido pelo governo da Bahia. A revitaliza\u00e7\u00e3o da antiga f\u00e1brica de linhos \u00e9 um dos objetivos do Mercado Ia\u00f4. N\u00e3o fosse a gigantesca chamin\u00e9, dificilmente algum dos muitos visitantes que passam pelo local saberiam que ali j\u00e1 foi uma ind\u00fastria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA Fratelli Vita \u00e9 um outro exemplo de aproveitamento do espa\u00e7o\u201d, lembra Daniel Rebou\u00e7as. Ele conta que conseguiu pouca documenta\u00e7\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da f\u00e1brica, que hoje abriga um campus universit\u00e1rio da Est\u00e1cio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Ernesto Carvalho acredita que Salvador deveria aproveitar melhor os espa\u00e7os deixados pelas antigas f\u00e1bricas. \u201cTem muitas estruturas que ainda est\u00e3o de p\u00e9. De qualquer modo, \u00e9 muito mais barato readequar algo que j\u00e1 existe do que derrubar e come\u00e7ar uma coisa nova do zero\u201d, pondera.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A regi\u00e3o do Emp\u00f3rio Industrial do Norte, por exemplo, que atualmente tem apenas a antiga faixada e poucas casas da antiga vila oper\u00e1ria, tem tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para se tornar um \u201cespa\u00e7o cultural vivo\u201d para a cidade, sugere. \u201cN\u00f3s estamos falando de um local com uma hist\u00f3ria bonita, que poderia abrigar projetos de gastronomia, arquitetura e m\u00fasica. Temos muito para onde ir\u201d, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O gerente da unidade da Est\u00e1cio que funciona na antiga f\u00e1brica da Fratelli Vita, Luiz Henrique, diz que a universidade gostaria de utilizar o espa\u00e7o para se conectar melhor aos moradores da Cidade Baixa. \u201cN\u00f3s pensamos neste local como um indutor de desenvolvimento para a Cidade Baixa. Estamos abertos para discutir projetos voltados \u00e0 regi\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, entre as a\u00e7\u00f5es previstas est\u00e3o a cria\u00e7\u00e3o de uma roda empresarial, envolvendo os comerciantes do entorno, al\u00e9m de investir cada vez mais em projetos de impacto social. \u201cN\u00f3s restauramos este pr\u00e9dio em 2015 para que seja uma base nossa na regi\u00e3o, mas ainda vemos muitos estudantes que moram por aqui e preferem se deslocar at\u00e9 o outro lado da cidade para estudar\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Luiz Henrique explica que a Est\u00e1cio pretende tamb\u00e9m \u201cmovimentar mais o pr\u00e9dio culturalmente\u201d, com exposi\u00e7\u00f5es de fotografias antigas e de cristais que foram produzidos l\u00e1.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Quase tudo o que conta a hist\u00f3ria industrial de Salvador se localiza na regi\u00e3o da Cidade e uma tarde \u00e9 tempo suficiente para ver os locais. Uma boa pedida \u00e9 come\u00e7ar a visita a partir da Cal\u00e7ada, pela f\u00e1brica da Fratelli Vita, e a partir da\u00ed passar pela Chadler, Emp\u00f3rio e vila oper\u00e1ria, na Luiz Tarqu\u00ednio e seguir para a f\u00e1brica de linhos, na Ribeira, onde o p\u00f4r do sol deve encerrar o passeio com chaves de ouro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Made in salvador<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Fumo<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A f\u00e1brica come\u00e7ou com uma pequena produ\u00e7\u00e3o na antiga Fazenda Areia Preta, onde hoje \u00e9 Ondina, e depois migra para o pr\u00e9dio onde hoje \u00e9 o Solar do Unh\u00e3o. Posteriormente, a cidade recebe f\u00e1bricas de cigarros, com registro de duas unidades mais relevantes, no Bonfim.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ind\u00fastria Naval<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Local pr\u00f3ximo a onde hoje est\u00e1 instalada a Marinha do Brasil no Com\u00e9rcio e o bairro da Ribeira, na Cidade Baixa, abrigaram unidades de fabrica\u00e7\u00e3o de navios.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ind\u00fastria t\u00eaxtil<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A Bahia chegou a abrigar mais da metade das ind\u00fastrias de produ\u00e7\u00e3o de tecidos no Brasil. Grande parte dessas unidades estavam localizadas em Salvador, gra\u00e7as \u00e0 disponibilidade de algod\u00e3o e de recursos financeiros para investimentos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Chocolates<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 1995, Salvador abrigava uma unidade da Chadler, uma das processadoras de cacau do mundo, na regi\u00e3o da Cidade Baixa. Com a crise da vassoura de bruxa, a empresa transferiu a produ\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo que algu\u00e9m se d\u00ea o trabalho de caminhar pelas ruas da Cidade Baixa, principalmente as que margeiam a Ba\u00eda de Todos os Santos, entre a Cal\u00e7ada e a Ribeira, dificilmente perceber\u00e1 sem aux\u00edlio que muitos daqueles casar\u00f5es e galp\u00f5es antigos guardam a hist\u00f3ria da ind\u00fastria na Bahia. Ainda que<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":384406,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-384405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/galpao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=384405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/384405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/384406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=384405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=384405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=384405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}