{"id":384823,"date":"2022-04-02T09:53:02","date_gmt":"2022-04-02T12:53:02","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=384823"},"modified":"2022-04-02T09:53:02","modified_gmt":"2022-04-02T12:53:02","slug":"inadequado-estudantes-de-colegios-militares-denunciam-advertencias-por-cabelos-crespos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/inadequado-estudantes-de-colegios-militares-denunciam-advertencias-por-cabelos-crespos\/","title":{"rendered":"&#8216;Inadequado&#8217;: estudantes de col\u00e9gios militares denunciam advert\u00eancias por cabelos crespos"},"content":{"rendered":"<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__image\" style=\"text-align: justify;\"><picture class=\"noticias-single__picture\"><img decoding=\"async\" class=\"noticias-single__image-source\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/0\/4\/csm_220401_GRIDA_cabeloInterna_1_148dcc0e00.jpg\" alt=\"'Inadequado': estudantes de col\u00e9gios militares denunciam advert\u00eancias por cabelos crespos\" \/><\/picture><\/div>\n<div class=\"noticias-single__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"noticias-single__image-caption\">(Morgana Miranda e Ians\u00e3 Negr\u00e3o (Grida) com foto Shutterstock)<\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col-xs-12 noticias-single__stick-parent\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12 col-md-7 col-lg-7\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-xs-12\">\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Caso em S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9 chamou aten\u00e7\u00e3o para o debate sobre racismo nas institui\u00e7\u00f5es de ensino<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"bodytext\">Os problemas vieram ap\u00f3s uma mudan\u00e7a de cabelo. No final de 2017, a estudante de Direito Maria Ant\u00f4nia Desid\u00e9rio, 21 anos, fez o &#8216;big chop&#8217; &#8211; um corte que retira toda a parte alisada do cabelo ou com vest\u00edgios de qu\u00edmica. Na \u00e9poca, era aluna do Col\u00e9gio Militar de Salvador (CMS), onde entrou em 2013 depois de ser selecionada por concurso p\u00fablico.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 ent\u00e3o, ela alisava os cabelos. Ao longo dos cinco primeiros anos, Maria Ant\u00f4nia nunca levou reprimendas quanto \u00e0 apar\u00eancia &#8211; a apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos itens de cuidado obrigat\u00f3rio em institui\u00e7\u00f5es militares ou militarizadas. Mas, dali em diante, a coisa mudou de figura.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Em 2018, quando meu cabelo come\u00e7ou a crescer, comecei a tomar advert\u00eancia porque ele estava fora do padr\u00e3o. S\u00f3 que \u00e9 uma coisa estranha, na verdade, uma coisa racista mesmo, porque o manual tinha modelos de meninas. Mas todas as meninas eram brancas&#8221;,<\/strong>\u00a0lembra, referindo-se \u00e0 cartilha com as orienta\u00e7\u00f5es quanto ao dress code da escola.\u00a0<strong>&#8220;O tipo de cabelo curto previsto era chanel. Meu cabelo curto nunca vai ficar chanel&#8221;<\/strong>, acrescenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A discuss\u00e3o sobre cabelos crespos em col\u00e9gios militares cresceu nos \u00faltimos dias depois do caso da adolescente Eloah Monique, 13, na Escola Municipal Dr. Jo\u00e3o Paim, em S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9, na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador. No dia 21 de mar\u00e7o, ela foi\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticia\/nid\/adolescente-de-13-anos-e-expulsa-de-aula-por-causa-do-cabelo-crespo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mandada para casa<\/a><\/strong>\u00a0ao chegar \u00e0 institui\u00e7\u00e3o &#8211; uma escola militarizada, com conv\u00eanio com a Pol\u00edcia Militar &#8211; com o que foi considerado um penteado \u2018inadequado\u2019.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A m\u00e3e da jovem, a vigilante Jaciara Tavares, 31, denunciou que a situa\u00e7\u00e3o foi motivada pelo fato de Eloah ter cabelos crespos &#8211; o funcion\u00e1rio, um PM da reforma, teria dito que o cabelo da menina estava \u2018inchado\u2019. Tanto a diretoria da escola quanto a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9 e a PM negam. Segundo eles, a medida &#8211; ap\u00f3s advert\u00eancias verbais em dois dias da semana anterior &#8211; foi motivada pela forma como a estudante arrumou o cabelo, n\u00e3o pelo tipo do fio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas, para jovens como Maria Ant\u00f4nia, que viveram situa\u00e7\u00f5es assim em suas respectivas escolas, a situa\u00e7\u00e3o de Eloah foi um gatilho para trazer as mem\u00f3rias de volta. No CMS, ela diz que a postura de professores e oficiais era de que a quest\u00e3o do cabelo n\u00e3o era um problema, ainda que estudantes pensassem diferente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Eu achava que era um problema com Maria Ant\u00f4nia, mas \u00e9 um problema com todas as meninas negras e com os meninos negros tamb\u00e9m, porque eles levam mais advert\u00eancia com corte de cabelo do que os meninos brancos. Eles t\u00eam que cortar muito mais vezes o cabelo do que meninos brancos que \u00e0s vezes ficam com a franja enorme e os caras n\u00e3o punem&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O caso ainda coloca luz sobre uma realidade em crescimento na Bahia: as escolas militarizadas. O estado j\u00e1 despontava como um dos expoentes da educa\u00e7\u00e3o militar no Brasil, n\u00e3o apenas pelo CMS, mas pelos Col\u00e9gios da Pol\u00edcia Militar &#8211; vinculados ao governo estadual, s\u00f3 em Salvador s\u00e3o cinco unidades.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m disso, desde 2018, existem os conv\u00eanios para a transforma\u00e7\u00e3o de escolas municipais em escolas militarizadas, numa gest\u00e3o compartilhada entre a prefeitura e a PM. \u00c9 numa delas que Eloah estuda. Em menos de quatro anos, quando foi inaugurada a primeira dessas escolas, em Campo Formoso, o conv\u00eanio deu um salto. Hoje, s\u00e3o 117 institui\u00e7\u00f5es do tipo, em cerca de 100 munic\u00edpios baianos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Manual\u00a0<\/strong><br \/>\nO problema \u00e9 que, segundo alunos e ex-alunos, nem sempre as institui\u00e7\u00f5es militarizadas conseguem se adaptar \u00e0 realidade dos estudantes. Quando percebeu o que provavelmente estaria por tr\u00e1s das advert\u00eancias que come\u00e7ou a levar no CMS, a estudante Maria Ant\u00f4nia Desid\u00e9rio passou a ter um objetivo: mudar o manual dos alunos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Tirou fotos dela pr\u00f3pria e de outras amigas negras para enviar \u00e0 diretoria. Para alguns, a mudan\u00e7a seria pequena &#8211; trocar fotos para imagens que contemplassem a realidade de uma escola em uma cidade de popula\u00e7\u00e3o majoritariamente negra. Mas n\u00e3o adiantou. Nunca conseguiu levar adiante.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No regulamento, por exemplo, n\u00e3o havia previs\u00e3o do cabelo black power ou de tran\u00e7as afro, mesmo que as estudantes usassem um coque. Por alguns anos, ela diz que notava uma certa &#8216;interpreta\u00e7\u00e3o&#8217; do manual em Salvador, por parte de alguns militares. Alguns, considerados por ela mais &#8216;progressistas&#8217;, n\u00e3o viam problema nas tran\u00e7as. Outros, por\u00e9m, sempre as proibiam. Virava rotina, ent\u00e3o, entre os alunos, tentar fugir de alguns militares ou mesmo de n\u00e3o cruzar com eles.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Era a mesma coisa com o cabelo black de Maria Ant\u00f4nia. Ela nunca foi impedida de assistir \u00e0s aulas, mas vivia em estado de alerta. Em 2019, em um ano j\u00e1 dif\u00edcil pelo calend\u00e1rio dos vestibulares e do Enem, ela chegou a pensar em voltar a alisar o cabelo, para evitar mais repreens\u00f5es, mas acabou n\u00e3o fazendo.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Na minha \u00e9poca, n\u00e3o tinha muita menina negra estudando l\u00e1, ainda que fosse uma quantidade maior do que nos particulares. Todas botavam muito gel, tinham que acordar n\u00e3o sei quantas mil horas mais cedo, esticavam para caramba com a escova ou at\u00e9 alisavam mesmo para poder fazer o coque&#8221;,<\/strong>\u00a0diz. As tran\u00e7as dependiam mesmo dos comandantes do batalh\u00e3o.\u00a0<strong>&#8220;Sempre era uma coisa incerta. Ningu\u00e9m sabe direito, era uma anomalia. Uns ligavam, outros n\u00e3o estavam preparados e era uma coisa de todo o sistema&#8221;,\u00a0<\/strong>lamenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u2018Abacaxi\u2019<\/strong><br \/>\nA not\u00edcia sobre o caso de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9 tamb\u00e9m fez Diana*, 22, lembrar de uma situa\u00e7\u00e3o que viveu quando estudava na unidade Dendezeiros do Col\u00e9gio da Pol\u00edcia Militar (CPM). Naquele dia, anos antes, as estudantes estavam se apresentando para a confer\u00eancia com o uniforme da Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O padr\u00e3o, nesses dias, era de rabo de cavalo no cabelo para as meninas. Diana passou inc\u00f3lume pela revista, sem nenhuma advert\u00eancia. Outras duas colegas &#8211; ambas de cabelo crespo, por\u00e9m &#8211; levaram a puni\u00e7\u00e3o. O capit\u00e3o encarregado da fiscaliza\u00e7\u00e3o anotava os nomes e, segundo ela, debochava das alunas. &#8220;Ele dizia &#8216;venha c\u00e1, cabelo de abacaxi. venha c\u00e1, cabelo de cebolinha&#8217;, para elas. O padr\u00e3o do CPM \u00e9 branco?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Diana decidiu intervir. Ao ver que as duas colegas n\u00e3o se sentiam \u00e0 vontade para reclamar, foi at\u00e9 o major respons\u00e1vel &#8211; um homem negro &#8211; falar sobre a situa\u00e7\u00e3o. Pediu que o major a advertisse, j\u00e1 que o capit\u00e3o n\u00e3o tinha feito o mesmo e ela usava o mesmo penteado, mas tinha o cabelo liso.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Eu disse: &#8216;consta no manual que o cabelo deve estar com rabo de cavalo. O senhor est\u00e1 vendo algo diferente de rabo de cavalo aqui?&#8217;. O major chamou a aten\u00e7\u00e3o desse capit\u00e3o e foi uma situa\u00e7\u00e3o bem desconfort\u00e1vel&#8221;.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A auxiliar administrativa Hanna Ferreira, 22, estudou por 12 anos em col\u00e9gios da PM &#8211; primeiro, a unidade Dendezeiros; depois, foi transferida para a do Lobato. Durante todo o tempo\u00a0em que esteve na institui\u00e7\u00e3o, alisou os cabelos. At\u00e9 ent\u00e3o, nunca tinha pensado em assumir os cachos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;L\u00e1 dentro, era uma raridade ver uma pessoa com o cabelo crespo de black ou s\u00f3 cacheado mesmo. Tinha que estar cheio de gel, sem nenhum fio para tr\u00e1s. O grande problema \u00e9 que tinha que estar com o cabelo liso para tr\u00e1s, independente de ser liso&#8221;, diz.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00f3 que um cabelo crespo n\u00e3o fica igual a um cabelo liso em penteados, como refor\u00e7a a trancista e cabeleireira Andrezza Miranda, especializada em crespos e cacheados. Ao apertar as madeixas para fazer um rabo de cavalo ou um coque, por exemplo, os fios lisos v\u00e3o fazer com que o el\u00e1stico termine escorrendo. Eventualmente, o penteado ficar\u00e1 mais folgado.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cNo cabelo crespo ou cacheado voltado ao crespo, n\u00e3o tem isso. Se apertou, vai ficar apertado. N\u00e3o vai escorrer, at\u00e9 por conta do afro puff (penteado que lembra um coque). Isso \u00e9 muito prejudicial, imagine todos os dias ter que fazer isso estimulando o seu bulbo capilar e a alopecia, ou seja, perder o fio da regi\u00e3o e n\u00e3o crescer mais pelo estresse de tracionar todos os dias\u201d,<\/strong>\u00a0pontua.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">De acordo com ela, as box braids, que s\u00e3o as tran\u00e7as feitas desde a raiz do cabelo, foram usadas no in\u00edcio tamb\u00e9m para simular um cabelo liso tran\u00e7ado. Era uma forma de camuflar o cabelo crespo ou cacheado. \u201cQue bom que isso, hoje em dia, caiu bastante e as tran\u00e7as s\u00e3o usadas como aceita\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, estimular o cabelo curto como chanel liso \u00e9 de tamanha estupidez porque o crescimento do crespo \u00e9 diferente do liso, que cresce para baixo\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Tran\u00e7a<\/strong><br \/>\nA adolescente Eloah Monique come\u00e7ou a estudar no Col\u00e9gio Municipal Dr. Jo\u00e3o Paim em 2019, justamente quando come\u00e7ou a transi\u00e7\u00e3o para o modelo militarizado. A situa\u00e7\u00e3o com a jovem aconteceu durante tr\u00eas dias diferentes, segundo a m\u00e3e da adolescente, a vigilante Jaciara Tavares. Primeiro, no dia 16 de mar\u00e7o, ela foi \u00e0 escola usando tran\u00e7as tipo dread. Estava com o coque obrigat\u00f3rio, com a redinha de cobertura, mas os funcion\u00e1rios disseram que ela n\u00e3o poderia usar as tran\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a escola, ela estava com tran\u00e7as cor de rosa. A m\u00e3e diz que Eloah tinha duas ou tr\u00eas tran\u00e7as com detalhes em rosa. Nos col\u00e9gios militares, n\u00e3o \u00e9 permitido usar cores de cabelo diferentes das naturais ou muito chamativas. Assim, naquele mesmo dia, Eloah tirou as tran\u00e7as em casa.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;No outro dia, ela foi com o cabelo normal e disseram que era pra apertar mais o cabelo. E voc\u00ea sabe a dificuldade que \u00e9 para uma pessoa de cabelo black apertar o cabelo. Precisa de bastante creme, gel, para fazer um coque decente como o que eles pedem. E disseram que o cabelo dela estava inchado&#8221;,<\/strong>\u00a0conta a m\u00e3e, referindo-se \u00e0 quinta-feira, dia 17.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na segunda-feira, 21, Eloah n\u00e3o teria nem mesmo conseguido acessar a \u00e1rea da escola. Da entrada mesmo teria ouvido de um dos PMs que ela n\u00e3o estava adequada \u00e0s regras da escola e deveria pedir \u00e0 m\u00e3e que a matriculasse em outro lugar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Ela n\u00e3o tem culpa que o cabelo dela \u00e9 crespo. Inclusive, no dia do fato, ela xingou o pr\u00f3prio cabelo. Disse &#8216;tudo isso por conta desse diabo desse cabelo&#8217;. Imagine a raiva que ela n\u00e3o sentiu do pr\u00f3prio cabelo. Uma pessoa dessa pode se desgostar o resto da vida porque uma pessoa fez isso. A mente dela n\u00e3o \u00e9 a mente de um adulto, ela ainda est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Jaciara.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/b\/5\/csm_WhatsApp_Image_2022-03-30_at_14.10.08_e8ffefec1c.jpeg\" width=\"563\" height=\"1000\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>A cartilha de orienta\u00e7\u00e3o dos alunos na escola Jo\u00e3o Paim foi criticada pela m\u00e3e da adolescente, por n\u00e3o trazer exemplos de meninas negras<\/strong>\u00a0(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Jaciara chegou a pedir as imagens das c\u00e2meras de seguran\u00e7a da escola, para tentar ver o exato momento em que a filha \u00e9 mandada para casa, mas ouviu que a c\u00e2mera que registra o local exato estava com defeito. Ela conversou com o PM e com a diretora da institui\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ter registrado o caso na delegacia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Os policiais militares (da companhia da regi\u00e3o) foram l\u00e1 no outro dia e ele continuou dizendo que minha filha n\u00e3o estava seguindo as regras da escola. Inclusive, ele usou o termo &#8216;se for poss\u00edvel, alisa o cabelo dela&#8221;.\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Ela critica, ainda, a filha ter sido mandada para casa sozinha, sem a ci\u00eancia dos pais. &#8220;As pessoas t\u00eam que se colocar no lugar do outro. Imagine ela indo embora depois de ter passado a vergonha toda na frente das pessoas. Ela tem o cabelo crespo e aceita, por isso \u00e9 uma indigna\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande&#8221;, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Di\u00e1logo<\/strong><br \/>\nTanto a diretora da escola quanto a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9 e a PM negam que o policial instrutor tenha dito para Eloah alisar o cabelo. A secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o da cidade, Heide Andrade, ponderou que muitos estudantes da institui\u00e7\u00e3o t\u00eam cabelos crespos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O problema com a aluna, no primeiro dia, teria sido o cabelo colorido; nos dias seguintes, o coque estaria desarrumado, com fios de cabelo saindo do penteado. &#8220;Em momento algum, o di\u00e1logo que tivemos foi de estimular situa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias. A gente vem trazendo a necessidade de se cumprir o que est\u00e1 proposto no manual. Nossa escola tem a maioria de alunos negros ou afrodescendentes e com cabelos crespos, seus coques&#8221;, cita.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Quanto \u00e0 ida da aluna para casa, a posi\u00e7\u00e3o da escola \u00e9 de autorizar os estudantes que j\u00e1 t\u00eam o costume de ir e voltar para casa sem acompanhante &#8211; que era o caso de Eloah. O PM envolvido na situa\u00e7\u00e3o continua trabalhando na escola.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;A gente n\u00e3o\u00a0est\u00e1 descartando a hip\u00f3tese de di\u00e1logo e esclarecimento da situa\u00e7\u00e3o. O que a gente pode fazer em quest\u00f5es pedag\u00f3gicas \u00e9 minimizar qualquer dano que possa ser causado nessa aluna, porque, se ela est\u00e1 trazendo, \u00e9 porque incomodou. J\u00e1 colocamos como pauta na escola para intensificar projetos e rodas de conversa sobre quest\u00f5es inclusivas e todo tipo de diferen\u00e7a&#8221;<\/strong>, enfatiza.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Conv\u00eanio<\/strong><br \/>\nEm S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Pass\u00e9, o munic\u00edpio tem sete institui\u00e7\u00f5es de Ensino Fundamental II (v\u00e3o do sexto ao nono ano). Segundo a secret\u00e1ria de educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 fila para matricular os filhos na Dr. Jo\u00e3o Paim, a \u00fanica militarizada entre todas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas ter ao menos duas escolas de Ensino Fundamental II \u00e9 um dos crit\u00e9rios do chamado Modelo CPM de Gest\u00e3o Compartilhada. Al\u00e9m de a metodologia s\u00f3 ser implantada nas s\u00e9ries do 6\u00ba ao 9\u00ba ano, \u00e9 preciso haver mais institui\u00e7\u00f5es na cidade, para que estudantes n\u00e3o se sintam obrigados a estudar na que \u00e9 militarizada. A ideia \u00e9 que eles possam fazer a escolha, como explica a major Fabiana Guanaes, coordenadora da iniciativa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ideia para o modelo surgiu em 2018, por cria\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o comandante-geral da PM, o coronel Anselmo Brand\u00e3o. Historicamente, os col\u00e9gios da PM s\u00e3o considerados um sucesso nos munic\u00edpios onde h\u00e1 unidades, como Feira de Santana, Ilh\u00e9us e Teixeira de Freitas. Por isso, era comum que as prefeituras solicitassem a implanta\u00e7\u00e3o, como conta a major. No entanto, a instala\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 um processo complexo, que precisa tamb\u00e9m de um efetivo grande de policiais. Hoje, s\u00e3o 15 em toda a Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Assim, em pouco tempo, o novo projeto conseguiu atingir muito mais munic\u00edpios, chegando a praticamente um quarto do estado.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;As demandas das prefeituras s\u00e3o espont\u00e2neas. O prefeito envia um comunicado ao Comando-Geral e, quando a gente recebe, damos in\u00edcio ao processo observando os crit\u00e9rios da implanta\u00e7\u00e3o&#8221;,<\/strong>\u00a0diz Fabiana.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A prefeitura deve informar, ainda, a quantidade de alunos na escola que far\u00e1 parte do projeto, para que a PM possa calcular quantos policiais da reserva remunerada precisam atuar na disciplina dos alunos. H\u00e1, assim, uma divis\u00e3o de atribui\u00e7\u00f5es: a disciplina fica a cargo da PM, enquanto a parte pedag\u00f3gica continua com a administra\u00e7\u00e3o municipal. Os policiais passam por uma avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, j\u00e1 que v\u00e3o atuar com crian\u00e7as e adolescentes, e s\u00e3o selecionados a partir disso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O modelo ser\u00e1, ent\u00e3o, apresentado \u00e0s autoridades do munic\u00edpio, \u00e0 comunidade escolar e aos pais dos alunos, para que s\u00f3 depois disso assinem um termo de compromisso. Depois dessas etapas, o comandante-geral da PM vai \u00e0 cidade para assinar um termo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e toda a apresenta\u00e7\u00e3o do modelo \u00e9 feita novamente. Assim, as prefeituras j\u00e1 saem das reuni\u00f5es com os manuais de informe e de estrutura f\u00edsica, al\u00e9m da cartilha do aluno. O tempo para a implanta\u00e7\u00e3o pode variar de munic\u00edpio para munic\u00edpio, mas dura em torno de duas semanas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pela boa avalia\u00e7\u00e3o entre as prefeituras, a tend\u00eancia \u00e9 que o projeto continue sendo ampliado e levado a mais escolas. Segundo a major, a procura dos pais pelas escolas militarizadas se tornou comum nos munic\u00edpios onde j\u00e1 h\u00e1 escolas conveniadas. &#8220;A minha mesa \u00e9 repleta de solicita\u00e7\u00f5es de diversos munic\u00edpios. Est\u00e3o todos entrando em an\u00e1lise de viabilidade&#8221;, adianta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cartilha do aluno \u00e9 repassada a todos os estudantes. O lema da PM \u00e9 de que a apresenta\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o-verbal de um indiv\u00edduo, logo, h\u00e1 um padr\u00e3o comum para toda a escola. De acordo com a major, o cabelo curto pode ser de todo jeito, desde que fique acima da gola da camisa. Se for maior do que isso, \u00e9 preciso usar um coque, no caso das meninas.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/9\/4\/csm_WhatsApp_Image_2022-03-31_at_10.30.49_41875cf8ec.jpeg\" width=\"1000\" height=\"513\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><strong>O uniforme das escolas militarizadas tamb\u00e9m conta com um chap\u00e9u<\/strong>\u00a0(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">O uniforme das escolas militarizadas n\u00e3o \u00e9 o mesmo dos col\u00e9gios militares, mas segue a mesma l\u00f3gica. H\u00e1, inclusive, um chap\u00e9u que lembra a boina usada nos CPMs ou no CMS. Seria esse, portanto, o balizador do penteado das estudantes.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a tran\u00e7a. A tran\u00e7a pode. A quest\u00e3o \u00e9 o volume que se d\u00e1 para entrar no gorro. Se (o cabelo) entrar e ficar assentado, pode. A gente nunca est\u00e1 se referindo ao tipo do fio do cabelo, mas \u00e0 forma como se arruma&#8221;,\u00a0<\/strong>afirma ela.\u00a0<strong>&#8220;A quest\u00e3o que me passaram \u00e9 que ela foi um dread rosa que fazia volume e n\u00e3o estava adequado ao modelo. A gente fica extremamente triste com essa not\u00edcia, porque entende que n\u00e3o \u00e9 o nosso objetivo. Nosso objetivo \u00e9 levar disciplina \u00e0 vida das crian\u00e7as e adolescentes no intuito de trazer prosperidade no futuro&#8221;,<\/strong>\u00a0completa.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Ensino\u00a0<\/strong><br \/>\nNormalmente, o que motiva estudantes e suas fam\u00edlias a buscarem col\u00e9gios militares \u00e9 a qualidade do ensino. De modo geral, todas as ex-estudantes ouvidas pela reportagem destacaram bons professores e os benef\u00edcios de terem aprendido a se virar por l\u00e1. Alguns gatilhos, por\u00e9m, permaneceram.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;O CMS me deu uma base estrutural muito boa. Tive acesso a esportes, viagens, bons professores. Mas era como se aquele lugar n\u00e3o pertencesse a mim. \u00c0 medida que fui crescendo, fui compreendendo que, mesmo que seguisse todas as regras, todos os protocolos, a minha pessoa n\u00e3o era prevista, mesmo que falassem que todo mundo era igual&#8221;, conta a estudante Maria Ant\u00f4nia Desid\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para a jovem Diana*, que estudou no CPM Dendezeiros, os anos em que esteve na institui\u00e7\u00e3o foram importantes para aprender sobre hor\u00e1rios, responsabilidade e hierarquia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u201cEu trago isso at\u00e9 hoje para o meu trabalho. Foi um col\u00e9gio que me trouxe muita coisa, apesar de eu n\u00e3o gostar do militarismo em si e das regras exacerbadas. Infelizmente, o que tem que ser feito agora \u00e9 falar e n\u00e3o aceitar esse tipo de coisa (como a situa\u00e7\u00e3o do cabelo). Eu digo que vi o caso dessa menina dentro da minha escola porque n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. \u00c9 comum, frequente e a gente tem que contar\u201d,\u00a0<\/strong>refor\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a major Fabiana Guanaes, o projeto sempre pode rever e melhorar as pr\u00e1ticas. &#8220;Claro que vamos rever nossos processos porque nada \u00e9 fixo. A gente melhora as demandas para as crian\u00e7as e adolescentes, mas regras existem em qualquer lugar. Nossa disciplina n\u00e3o est\u00e1 baseada apenas na comunidade escolar naquele momento e sim quando o aluno sai e vai para o mundo corporativo. Tem regras, normas e prazos que precisam se adequar para ter uma vida de sucesso l\u00e1 fora&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00e3o comuns, diz ela, os depoimentos positivos de pais de estudantes que agora est\u00e3o nas escolas militarizadas. &#8220;Os pais falam da diferen\u00e7a do comportamento do aluno que est\u00e1 nessa filosofia, nesse regulamento de ordem, de valores, porque a disciplina n\u00e3o \u00e9 a obedi\u00eancia de regras e normas por si. \u00c9 uma perspectiva de vida&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Autorizado<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 o Ex\u00e9rcito Brasileiro, atrav\u00e9s do Centro de Comunica\u00e7\u00e3o Social, informou que, no Sistema Col\u00e9gio Militar do Brasil, existe uma regulamenta\u00e7\u00e3o para a apresenta\u00e7\u00e3o individual dos alunos, sem distin\u00e7\u00e3o por tipo de cabelo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo o Ex\u00e9rcito, uso de tran\u00e7as do tipo box braids e cabelo estilo Black Power s\u00e3o autorizados, assim como quaisquer outros tipos de cabelo, desde que sigam a orienta\u00e7\u00e3o prevista no regulamento interno.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No caso do Col\u00e9gio Militar de Salvador, o Ex\u00e9rcito diz que h\u00e1 monitoras &#8211; as respons\u00e1veis por acompanhar disciplinarmente os alunos &#8211; que usam cabelos com tran\u00e7as tipo box braids e cabelo estilo Black Power.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cAssim, resta claro que n\u00e3o h\u00e1 diferencia\u00e7\u00e3o, para fins de advert\u00eancia disciplinar, para alunas com quaisquer tipo cabelo. Por fim, o Ex\u00e9rcito Brasileiro n\u00e3o coaduna com qualquer tipo de preconceito de ra\u00e7a, cor, etnia e religi\u00e3o\u201d, completam.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>\u2018Qualquer regra que n\u00e3o respeita a diversidade \u00e9tnico-racial \u00e9 racista\u2019, diz pesquisadora<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A viol\u00eancia simb\u00f3lica contra estudantes negras e negros, em muitas situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 feita abertamente. Quem diz isso \u00e9 a professora K\u00e1tia Barbosa, mestra em Hist\u00f3ria da \u00c1frica, da Di\u00e1spora e dos Povos Ind\u00edgenas pela Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), integrante do Coletivo Angela Davis e autora do livro &#8216;Cabelo ruim? Que mal ele te fez?&#8217;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo ela, a condu\u00e7\u00e3o dessas situa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, faz com que alunas e alunos internalizem que seus cabelos n\u00e3o s\u00e3o &#8216;adequados&#8217;.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;O cabelo crespo tende a ser volumoso, a crescer para cima e o pr\u00f3prio Black Power mostra isso. Quando questionamos v\u00e1rias meninas e mulheres negras sobre experi\u00eancias racistas, negativas sobre o cabelo crespo e\/ou cacheado, muitas v\u00e3o relembrar e falar de epis\u00f3dios ocorridos dentro da escola&#8221;,<\/strong>\u00a0argumenta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Por vezes, esses epis\u00f3dios revelam situa\u00e7\u00f5es com palavras pejorativas como &#8216;cabelo ruim&#8217;, &#8216;inchado&#8217;, &#8216;armado&#8217;, &#8216;juba&#8217; e &#8216;bucha&#8217;. Assim, muitas entendem que, para ser aceitas, precisam alisar o cabelo. O que a pesquisadora chama de &#8216;disciplinamento&#8217; capilar seria, portanto, uma recoloniza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da est\u00e9tica &#8211; e, portanto, fere o pluralismo, a toler\u00e2ncia e a educa\u00e7\u00e3o pauta no antirracismo.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Qualquer regra, padr\u00e3o, norma que n\u00e3o respeita a diversidade \u00e9tnico-racial \u00e9 excludente e racista. \u00c9 inadmiss\u00edvel que as a\u00e7\u00f5es e os saberes ainda sejam trabalhados numa perspectiva conservadora e euroc\u00eantrica&#8221;,<\/strong>\u00a0refor\u00e7a.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Para ela, uma das principais diferen\u00e7as entre as escolas militares ou militarizadas e as que n\u00e3o s\u00e3o assim \u00e9 que as primeiras teriam legitimidade para &#8216;excluir&#8217;, com base\u00a0nas cartilhas de conduta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Esse documento deixa bem claro que \u00e9 &#8216;vetado o uso de penteado exagerado (cheio ou alto)&#8217;\u00a0e analisando um dos penteados mais utilizados por meninas e mulheres negras que \u00e9 o Afro Puff, n\u00e3o precisa nem escrever que o corpo e cabelo das pessoas negras n\u00e3o s\u00e3o respeitados e que a metodologia aplicada nessa escola \u00e9 predominantemente de um referencial branco e europeu de modelo de beleza, civilidade e de conhecimento&#8221;, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na \u00faltima ter\u00e7a-feira (29), a Defensoria P\u00fablica da Bahia (DPE) requisitou esclarecimentos ao Col\u00e9gio Municipal Dr. Jo\u00e3o Paim quanto \u00e0s provid\u00eancias adotadas no caso da adolescente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA escola \u00e9 um instrumento de enfrentamento do racismo estrutural, por isso cabe \u00e0 institui\u00e7\u00e3o a promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o antirracista e n\u00e3o perpetua\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o e preconceitos. \u00c9 responsabilidade da institui\u00e7\u00e3o a prepara\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o do seu corpo docente e de seus funcion\u00e1rios com o fim de prevenir e coibir tais atos, podendo a omiss\u00e3o implicar o manejo de todas as medidas administrativas ou judiciais cab\u00edveis\u201d, afirma a defensora p\u00fablica Eva Rodrigues, em nota.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><em>*Nome fict\u00edcio<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Correio<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caso em S\u00e3o 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