{"id":387549,"date":"2022-05-07T08:08:29","date_gmt":"2022-05-07T11:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=387549"},"modified":"2022-05-07T08:08:29","modified_gmt":"2022-05-07T11:08:29","slug":"virou-ringue-ansiedade-e-panico-por-provas-podem-explicar-brigas-nas-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/virou-ringue-ansiedade-e-panico-por-provas-podem-explicar-brigas-nas-escolas\/","title":{"rendered":"Virou ringue? Ansiedade e p\u00e2nico por provas podem explicar brigas nas escolas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop  visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a palavra, os alunos: eles apontam ansiedade, pavio curto e p\u00e2nico pelo conte\u00fado pedag\u00f3gico como fatores para as confus\u00f5es que viralizam nas redes<\/strong><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Aos 15 anos, Manuel de Jesus* sempre foi considerado o amig\u00e3o de todo mundo, carinhoso e popular no Col\u00e9gio Estadual Jo\u00e3o das Botas, na Barra. No \u00faltimo dia 2 de maio, se atracou com um colega da escola, na t\u00edpica hora da sa\u00edda. \u201cNunca tinha brigado, mas estou de pavio curto depois desse retorno das aulas. N\u00e3o sei o que \u00e9, qualquer coisa me irrita e soube que o cara falou da minha namorada. Quando vi ele, fui pra cima. Apanhei mais que bati, pois nunca tinha brigado na vida. Mas acho que bati tamb\u00e9m\u201d, disse Manuel, ainda sem entender o que aconteceu com ele para se envolver naquela confus\u00e3o. A briga n\u00e3o teve feridos, apenas vermelhid\u00e3o pelo corpo. Contudo, Manuel faz parte de um fen\u00f4meno que tem chamado aten\u00e7\u00e3o nestes primeiros meses desde o retorno das aulas presenciais: as brigas entre alunos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Com a palavra, os pr\u00f3prios estudantes: \u201ca galera est\u00e1 brigando por qualquer besteira, \u00e9 por causa de namorado, porque olhou torto, brincou na hora errada, pegou a caneta [sem pedir]&#8230; \u00c9 o dia inteiro a gente sendo provocado e provocando. No in\u00edcio foi bem dif\u00edcil, passava o dia todo escapando de gente ca\u00e7ando briga comigo. Est\u00e1 diminuindo, mas ainda tem. \u00a0E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aluno. No m\u00eas passado (em abril), um aluno deu um murro no porteiro, que revidou. O coitado foi demitido. Ningu\u00e9m soube porque n\u00e3o saiu na m\u00eddia\u201d, lembra Adriana, da mesma escola de Manuel.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Entrevistamos 15 alunos de cinco escolas, a maioria do ensino m\u00e9dio da rede estadual. O recorte \u00e9 proposital, pois engloba justamente os \u00faltimos acontecimentos que envolveram estudantes desta faixa et\u00e1ria, entre 15 e 17 anos, brigando e viralizando nas redes sociais. \u00c9 uma fase tamb\u00e9m desafiadora para a retomada do conv\u00edvio social no ambiente escolar. Ap\u00f3s dois anos isolados, a maioria reportou despreparo emocional e t\u00e9cnico para este retorno sem uma adapta\u00e7\u00e3o gradual de ressocializa\u00e7\u00e3o. Sem contar o Enem batendo na porta. Isto, para muitos, \u00e9 o principal motivo para ansiedade, medo e brigas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o significa que os alunos da rede estadual s\u00e3o mais violentos. Eles est\u00e3o apenas mais expostos e numerosos tamb\u00e9m. Segundo o \u00faltimo censo estudantil do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), em 2021 as escolas p\u00fablicas estaduais abrigaram 84,5% dos alunos do ensino m\u00e9dio em todo pa\u00eds. Para se ter uma ideia, o ensino privado teve apenas 15% dos estudantes entre 15 e 17 anos no Brasil. Os demais foram divididos entre municipais e federais.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/05\/06\/Serravalle.jpg\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/p>\n<p>Picha\u00e7\u00e3o &#8216;Massacre Dia 25\/04&#8217; no espelho do banheiro da escola assustou alunos e professores<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Nas escolas p\u00fablicas estaduais na Bahia, 740 mil alunos foram matriculados em 2022, segundo o Governo do Estado. Nas redes municipais, a maioria das escolas trabalham com ensino fundamental I, boa parte crian\u00e7as fora da faixa et\u00e1ria dos adolescentes. Nas escolas municipais de Salvador, segundo relat\u00f3rio da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, foram 146.500 matr\u00edculas este ano.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Voltemos aos alunos. Curiosamente, nenhum dos estudantes entrevistados reportou o bullying como fator decisivo para \u00a0as recentes brigas que viralizaram nas redes sociais. O problema atual \u00e9 outro: o pavio curto. \u201cIsso tudo que voc\u00eas viram na TV acontecia demais no in\u00edcio do ano. Imagina todo mundo preso em casa, sem aula, durante dois anos e volta para escola assim, como se nada tivesse acontecido. Est\u00e1 todo mundo louco, nervoso, se irritando com tudo. Tem tempo para bullying com todo mundo sofrendo? N\u00e3o. \u00c9 crise na cabe\u00e7a mesmo\u201d, disse D\u00e9bora, de 16 anos, do Col\u00e9gio Estadual M\u00e1rio Costa Neto, na Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O Costa Neto foi palco de uma das primeiras confus\u00f5es filmadas em col\u00e9gios de Salvador no retorno das aulas presenciais. Ocorreu em dezembro do ano passado e alunos apontam que diminu\u00edram bastante desde ent\u00e3o, mas ainda acontecem fora dos muros da escola. \u201cN\u00e3o tem sido com a mesma frequ\u00eancia, acho que as pessoas est\u00e3o se segurando mais. Mas continuamos com o pavio curto e nem todo mundo segura a emo\u00e7\u00e3o. Outro dia vi dois colegas discutindo por causa de fac\u00e7\u00e3o criminosa, se era certo ou errado. Quase saem no tapa, mas n\u00e3o chegaram a tanto\u201d, conta Gabriela, outra aluna do M\u00e1rio Costa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A diretoria do col\u00e9gio n\u00e3o concedeu entrevista, mas funcion\u00e1rios disseram que a briga foi resolvida com a presen\u00e7a dos pais dos envolvidos e os alunos frequentam normalmente a aula. Eles alegam que s\u00e3o pontuais as brigas e que, geralmente, o clima \u00e9 de uni\u00e3o. Vale lembrar que este mesmo col\u00e9gio estava amea\u00e7ado de fechar em 2018, mas os alunos protestaram e conseguiram evitar o fechamento, juntos. \u201cMuita gente mora perto um do outro, somos unidos na maioria das vezes, pelo menos antes da pandemia. O que est\u00e1 acontecendo hoje \u00e9 por causa da covid. Todo mundo voltou com paci\u00eancia zero. Est\u00e1 horr\u00edvel para muita gente. Precisamos de ajuda\u201d, completa Gabriela.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O m\u00eas de abril bateu recordes de v\u00eddeos que mostram alunos brigando. Foram pelo menos cinco epis\u00f3dios amplamente divulgados, como agress\u00f5es f\u00edsicas, amea\u00e7as de massacres e um caso de infra\u00e7\u00e3o penal, onde um aluno esfaqueou o outro no Col\u00e9gio Estadual Helena Celestino Magalh\u00e3es, no bairro do IAPI. O aluno ferido passa bem.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Um dos casos de agress\u00e3o ocorreu no Col\u00e9gio Estadual Santos Dumont, em Piraj\u00e1. Segundo relatos, os dois garotos que brigaram eram primos e aquilo j\u00e1 havia sido consequ\u00eancia de desaven\u00e7as fora do ambiente escolar. \u201cFoi um caso isolado, mas que nos chamou muita aten\u00e7\u00e3o. Depois do epis\u00f3dio, resolvemos trabalhar o lado psicol\u00f3gico dos alunos e j\u00e1 sentimos a diferen\u00e7a. Promovemos rodas de conversa, atendimentos individualizados e trabalhos l\u00fadicos. Se precisar interromper a aula para conversarmos, faremos. N\u00e3o tivemos mais casos de agress\u00e3o e discuss\u00f5es ap\u00f3s medidas preventivas\u201d, conta o vice-diretor da casa, Vivaldo Marcos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Solicitamos \u00e0 Secretaria Estadual de Ensino os n\u00fameros e registros sobre confus\u00f5es e brigas nas escolas estaduais, al\u00e9m de programas de preven\u00e7\u00f5es e representantes que falassem sobre as recentes brigas, mas n\u00e3o obtivemos retorno durante duas semanas de pedidos e liga\u00e7\u00f5es. A Secretaria n\u00e3o atualiza os indicadores educacionais e o Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Educa\u00e7\u00e3o desde 2015. Cabe, ent\u00e3o, aos pr\u00f3prios alunos responderem.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/f\/3\/csm_IAPI_escola_b3240450ff.jpg\" width=\"700\" height=\"329\" \/><\/p>\n<p>Estudante esfaqueia colega dentro de escola p\u00fablica em Salvador, no IAPI<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu passei dois anos da minha vida sem estudar. O estudante da rede p\u00fablica que disse ter mantido os estudos na pandemia \u00e9 mentira. Ficamos parados. Agora voltamos assim, como se nada tivesse acontecido, com assuntos mais dif\u00edceis e sem base nenhuma. Eu passei de ano em 2021 sem estudar. N\u00e3o estou preparado\u201d, disse Jonas, de 16 anos. \u201cPassei um ano sem saber nada e agora me sinto despreparado psicologicamente para a retomada. Sem contar que n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es para um psic\u00f3logo, como t\u00eam os adolescentes do [col\u00e9gio] particular. Eu mesmo briguei duas vezes no in\u00edcio do ano. Explodi. N\u00e3o aguento ver uma prova de matem\u00e1tica na minha frente que d\u00e1 vontade de bater em todo mundo\u201d, completa o garoto, estudante do Col\u00e9gio Central, em Nazar\u00e9.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Para a psic\u00f3loga e psicopedagoga Ana Krauss, este processo de retorno ao conv\u00edvio social, ap\u00f3s quase dois anos de isolamento, est\u00e1 causando esta sensa\u00e7\u00e3o de medo e ansiedade nas crian\u00e7as e jovens, o que pode explicar tanta confus\u00e3o. Para ela, ser\u00e1 preciso um processo gradual de readapta\u00e7\u00e3o e desmama.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cOs jovens e as crian\u00e7as passaram por um processo, digamos, de enjaulamento na pandemia. Agora a jaula foi aberta novamente, mas eles est\u00e3o reaprendendo a voar. \u00a0\u00c9 como um passarinho que fica preso e isolado na gaiola. Quando soltamos, ele precisa de uma readapta\u00e7\u00e3o de como era o processo de voar. \u00c9 assim com os jovens. Eles est\u00e3o reaprendendo o autocontrole, o contato f\u00edsico, o di\u00e1logo com outras pessoas da idade deles. Precisamos de paci\u00eancia\u201d, disse a psic\u00f3loga, que tamb\u00e9m trabalha \u00a0no Grupo Perfil de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Outro aspecto que Krauss aponta \u00e9 o conv\u00edvio intenso com a morte nos \u00faltimos anos. Se imagine com 15 anos, vendo parentes e conhecidos morrerem, o medo de pegar covid-19 e notici\u00e1rios falando sobre morte e futuro incerto. \u00c9 intenso demais. \u201cIsso leva a estes fatores psicol\u00f3gicos, como o pr\u00f3prio pavio curto. Os jovens ficaram expostos ao medo da morte e da perda de entes queridos. \u00c9 preciso compreender que eles passaram por momentos bem intensos. Se n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil para n\u00f3s, adultos, imagina para os mais novos\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Este processo de readapta\u00e7\u00e3o e as suas consequ\u00eancias, como a viol\u00eancia na escola, \u00e9 um recorte nacional e n\u00e3o est\u00e1 restrito apenas aos col\u00e9gios baianos. Segundo dados da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, de f\u00e1cil acesso nas suas plataformas, foram 4.021 casos registrados de brigas e agress\u00f5es nas escolas estaduais de l\u00e1, somente nos primeiros tr\u00eas meses de 2022. Um aumento de 48,5% em rela\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Em Recife, Pernambuco, vinte e seis alunos de uma escola estadual tiveram uma crise de ansiedade coletiva e precisaram de atendimento de urg\u00eancia, no in\u00edcio de abril. Muitos apresentavam quadros de falta de ar, tremor e crise de choro. Guarde bem esta informa\u00e7\u00e3o: todos eram do ensino m\u00e9dio e estavam em semana de prova.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cDe fato, n\u00f3s professores precisamos saber o momento de apertar o freio na cobran\u00e7a excessiva. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que talvez nenhuma gera\u00e7\u00e3o viveu e precisamos saber quando \u00e9 o momento de deixar os alunos respirarem. N\u00e3o d\u00e1 para achar que \u00e9 tudo como antes da pandemia\u201d, disse o professor Marcus Reis, que ensina qu\u00edmica em escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Marcus conta que n\u00e3o presenciou situa\u00e7\u00f5es de brigas e agress\u00f5es nas escolas que ensina. Por\u00e9m, afirma que \u00e9 evidente a oscila\u00e7\u00e3o de comportamento dos seus alunos, muitas vezes de forma mais destoantes do considerado normal. Ele conta que os pr\u00f3prios alunos, ap\u00f3s uma situa\u00e7\u00e3o inusitada e mais r\u00edspida, voltam a si e pedem desculpas, sem entender aquela atitude. \u00a0\u201cSitua\u00e7\u00f5es que seriam facilmente resolvidas em 2919, acaba tendo um peso maior neste contexto atual, seja na rede p\u00fablica ou privada\u201d, resume.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Marcus tamb\u00e9m aponta a import\u00e2ncia maior no cuidado com os alunos da rede p\u00fablica, pois o fator social tamb\u00e9m pesa. \u201cN\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de certo ou errado, mas existem diferen\u00e7as sociais que facilitam ou dificultam neste momento. Tenho aluno da iniciativa particular que me conta ter ido para Miami no fim de semana, enquanto alguns alunos da escola p\u00fablica pedem para acabar mais cedo a aula, pois est\u00e1 com fome e aquela refei\u00e7\u00e3o talvez seja a \u00fanica que ele ter\u00e1 no dia. Agora junte isso com a pandemia\u2026 \u00c9 surreal\u201d, completa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Todo este turbilh\u00e3o tamb\u00e9m tem levado a casos ainda mais inusitados em Salvador. Al\u00e9m das agress\u00f5es, ainda ocorreram dois casos de amea\u00e7as de massacre nas escolas. No dia 8 de abril, uma mensagem no col\u00e9gio particular Salesiano Dom Bosco viralizou, alegando que uma aluna do oitavo ano faria um massacre na institui\u00e7\u00e3o. Aulas foram suspensas. No dia 25 do mesmo m\u00eas, o Col\u00e9gio Estadual Raphael Serravalle amanheceu com uma picha\u00e7\u00e3o que dizia &#8220;Massacre Dia 25\/04&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMinha filha n\u00e3o foi para escola por causa deste ato. Falei com duas m\u00e3es e com o secret\u00e1rio do Serravalle sobre quais seriam as a\u00e7\u00f5es sobre a seguran\u00e7a. Assim, somente tr\u00eas dias depois enviamos nossos filhos\u201d, conta a professora Estela Oliveira. Ela n\u00e3o leciona no Serravalle, mas sua filha estuda l\u00e1. Alunos que conversaram com o CORREIO alegaram que, na verdade, o massacre n\u00e3o passou de uma estudante que estava com p\u00e2nico de fazer prova. O dia que supostamente seria o massacre era dia de avalia\u00e7\u00e3o que acabou suspensa. Este p\u00e2nico n\u00e3o est\u00e1 apenas no Serravalle.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\u201cAbril foi o m\u00eas de avalia\u00e7\u00f5es e talvez explique tanta confus\u00e3o. Eu estou tomando rem\u00e9dio de ansiedade, mas n\u00e3o adianta quando \u00e9 dia de prova. Criei p\u00e2nico, pois passei dois anos parada e n\u00e3o estou preparada para avalia\u00e7\u00f5es e testes. Vejo gente chorando e tendo ataques de ansiedade em dia de prova. Teve o caso l\u00e1 de Pernambuco que um monte de aluno teve crise de ansiedade em dia de prova, n\u00e3o foi? Aqui n\u00e3o teve assim, mas muita gente entra em p\u00e2nico tamb\u00e9m\u201d, disse D\u00e9bora, aluna do Col\u00e9gio Central.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Roberto \u00e9 aluno do Col\u00e9gio Sagrado, da rede particular de ensino. Ele tamb\u00e9m j\u00e1 se envolveu em confus\u00e3o, mas nada com agress\u00e3o f\u00edsica. Um colega jogou \u00e1gua nele, ele jogou suco de volta e ficou por isso mesmo. Aos 16 anos, Roberto s\u00f3 comprova o que D\u00e9bora disse. \u201cEu n\u00e3o me senti muito abalado por conta da pandemia e j\u00e1 cheguei a ajudar alguns amigos. Realmente, muita gente tem problemas na hora de fazer a prova, como minha melhor amiga. Ela ficou nervosa da hora da prova e n\u00e3o conseguia fazer. Ent\u00e3o eu fiz a prova e troquei com ela, que s\u00f3 precisou botar o nome dela. Ajudei da minha maneira, n\u00e3o foi?\u201d, conta. Algumas coisas nunca mudam\u2026<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\n**Os nomes de alunos e alunas, todos \u00a0menores de idade, foram alterados.*<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\n*\u00daltimos registros de confus\u00e3o nas escolas baianas*<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">13\/12\/2021 &#8211; Dois estudantes foram filmados enquanto trocavam socos e chutes dentro de uma escola estadual, em Salvador. A a\u00e7\u00e3o aconteceu no Col\u00e9gio Estadual M\u00e1rio Costa Neto, localizado na Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">23\/03\/2022 &#8211; Um estudante foi ferido com golpes de faca dentro da sala de aula no Complexo Integrado de Educa\u00e7\u00e3o, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">04\/04\/2022 &#8211; Uma amea\u00e7a de atentado amedrontou os pais de estudantes do Centro Educacional Tit\u00e2nia, em Cajazeiras. Mas, o que parecia ser um ataque violento, suspeita-se de que seja apenas uma brincadeira espalhada em uma rede social.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">08\/04\/2022 &#8211; Uma estudante esfaqueou outra jovem dentro do Col\u00e9gio Estadual Helena Celestino Magalh\u00e3es, no bairro do IAPI, em Salvador.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">08\/04\/2022 &#8211; Alunos do Col\u00e9gio Salesiano Dom Bosco, em Salvador, ficaram assustados depois que mensagens sobre um suposto &#8220;massacre&#8221; na institui\u00e7\u00e3o viralizaram por meio de um aplicativo de mensagens. O texto dizia que o crime seria cometido por uma aluna do oitavo ano da escola.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">12\/04\/2022 &#8211; Alunos do Col\u00e9gio Estadual Alberto Santos Dumont, localizado no bairro de Piraj\u00e1, trocaram tapas e socos durante a briga. O v\u00eddeo circulou nas redes sociais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">25\/04\/2022 &#8211; A dire\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Estadual Raphael Serravalle, localizado na Pituba, em Salvador, suspendeu as provas que seriam aplicadas. O motivo seria uma amea\u00e7a de atentado pichada no espelho de um banheiro da institui\u00e7\u00e3o. Na picha\u00e7\u00e3o estava escrito &#8220;Massacre Dia 25\/04&#8221;. Alunos alegam que uma aluna, com p\u00e2nico da prova, resolveu forjar uma suposta amea\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">*Alunos brigando, o que fazer?*<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Especialistas aconselham um cuidado especial em cada envolvido<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Alunos<br \/>\nSabemos que n\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil. Entre os menores, \u00e9 preciso que os pais se atentem a comportamentos mais agressivos e crises de ansiedade. Nos maiores, geralmente do ensino m\u00e9dio, procurar ajuda quando sintomas psicol\u00f3gicos e mudan\u00e7as repentinas de humor forem constantes e atrapalharem o conv\u00edvio e rendimento escolar. \u00a0N\u00e3o caia em provoca\u00e7\u00f5es e converse com professores e diretores de sua escola. Tamb\u00e9m se abra com seus pais sobre a carga psicol\u00f3gica que est\u00e1 enfrentando.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Professores<br \/>\nO tempo perdido n\u00e3o volta mais. Lembre-se que os alunos ficaram em isolamento social e nem todos puderam estudar. Aperta o freio quando sua turma apresenta sintomas de ansiedade por conta de uma prova, por exemplo. Fique atento a comportamentos violentos dos seus alunos e reportem aos diretores para uma poss\u00edvel abordagem mais ben\u00e9fica poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Escola<br \/>\nTrabalhos l\u00fadicos, palestras e rodas de conversa devem fazer parte do novo curr\u00edculo escolar pand\u00eamico. Ajuda a acalmar os \u00e2nimos dos alunos. Se poss\u00edvel, tenha sempre de prontid\u00e3o para um acompanhamento psicol\u00f3gico. Em caso de confus\u00e3o sem agress\u00e3o, tente resolver com uma boa conversa, sem culpados. Caso a briga seja f\u00edsica, procure os respons\u00e1veis. Em caso de brigas com infra\u00e7\u00f5es penais, a pol\u00edcia deve ser chamada.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Pais<br \/>\nN\u00e3o entregue toda responsabilidade ao col\u00e9gio. Crian\u00e7as e adolescentes conviveram com o medo da morte, isolamento e tudo que a pandemia trouxe ao mundo. Se aproxime da escola, converse sobre o comportamento do seu filho e todas as dificuldades que ele est\u00e1 demonstrando no conv\u00edvio e aprendizado. Procure ajuda psicol\u00f3gica sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Fonte: Correio<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a palavra, os alunos: eles apontam ansiedade, pavio curto e p\u00e2nico pelo conte\u00fado pedag\u00f3gico como fatores para as confus\u00f5es que viralizam nas redes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":387550,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,27,6],"tags":[],"class_list":["post-387549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-justica","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/viatura-na-porta-de-escola.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387549","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=387549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/387549\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/387550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=387549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=387549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=387549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}