{"id":390618,"date":"2022-06-12T12:42:12","date_gmt":"2022-06-12T15:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=390618"},"modified":"2022-06-12T12:42:12","modified_gmt":"2022-06-12T15:42:12","slug":"o-frances-que-descobriu-a-bahia-antes-de-verger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-frances-que-descobriu-a-bahia-antes-de-verger\/","title":{"rendered":"O franc\u00eas que \u2018descobriu\u2019 a Bahia antes de Verger"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"noticias-single__title noticias-single__title--desktop visible visible-lg\"><\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\"><strong>Em guia escrito sobre o estado em 1957, soci\u00f3logo Roger Bastide fala de festas mortas, dos burros cinzentos nas ruas e do candombl\u00e9<\/strong><\/div>\n<div class=\"noticias-single__content-area noticias-single__content-area--before-content\">\n<div class=\"chamada-assinatura\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content is-blocked\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\">A aposta era mais em um passeio suave do que em um efetivo mergulho. Ainda assim, ou talvez por isso mesmo, os guias franceses Od\u00e9 tiveram pertinente e longevo sucesso editorial por mais de duas d\u00e9cadas, traduzidos em v\u00e1rios idiomas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Coloridos e pequenos \u2014 f\u00e1ceis de serem guardados em palet\u00f3s ou bolsas \u2014 foram cicerones agrad\u00e1veis em viagens, tornando-se, anos depois, objeto de fetiche para colecionadores.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"sosevnocorreio_300x250_01\" data-google-query-id=\"COrF5qieqPgCFektuQYdRsQCrw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/44585206\/c24h_sosevnocorreio_300x250_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">A primeira edi\u00e7\u00e3o saiu em 1943, com o t\u00edtulo de \u2018Paris como amamos\u2019. \u00c0 \u00e9poca, a capital francesa iniciava seu processo de liberta\u00e7\u00e3o do julgo nazista, ainda durante a Segunda Grande Guerra (1939-1945).<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/Roger_Batisde.jpg\" width=\"434\" height=\"650\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Roger Bastide viveu no Brasil por um tempo e fez um amplo estudo imersivo sobre o candombl\u00e9 da Bahia<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Desde o princ\u00edpio, o organizador Dor\u00e9 Ogrizek entendeu que precisava equilibrar textos relativamente curtos, bem escritos e profundos. Para tanto, buscou colaboradores de renome, tanto entre os imortais da Academia Francesa, quanto entre professores das universidades de Sorbonne e Paris.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981264142-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Numa flagrante farsa geogr\u00e1fica, depois de ter lan\u00e7ado edi\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre pa\u00edses de menor extens\u00e3o territorial (Portugal, B\u00e9lgica e Su\u00ed\u00e7a), em 1957, a Am\u00e9rica do Sul \u2014 na vis\u00e3o euroc\u00eantrica \u2014 era novamente \u2018descoberta\u2019.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nesta primeira publica\u00e7\u00e3o, Venezuela, Col\u00f4mbia e Equador se espremiam para caber nas 414 p\u00e1ginas, das quais o Brasil ocupava a maior parte do comp\u00eandio.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em 1958, um volume II fez a gin\u00e1stica de apinhar ainda mais na\u00e7\u00f5es no guia: Argentina, Uruguai, Paraguai, Peru, Bol\u00edvia e Chile.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558981401166-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A BAHIA DO NORDESTE<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mesmo com as generaliza\u00e7\u00f5es e espa\u00e7o reduzido, a vers\u00e3o sobre o Brasil tra\u00e7a um panorama hist\u00f3rico da Col\u00f4nia ao governo JK, presidente \u00e0 \u00e9poca. A rivalidade entre Rio (ainda capital do pa\u00eds) e S\u00e3o Paulo n\u00e3o escapa do registro, bem como cita\u00e7\u00f5es a Villa-Lobos, Di Cavalcanti, Machado de Assis e Castro Alves \u2014 chamado de o \u2018Victor Hugo brasileiro\u2019.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Bahia tem um cap\u00edtulo especial, assinado por Roger Bastide, soci\u00f3logo que, em 1938, a convite da rec\u00e9m-criada Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), veio morar no Brasil.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1558985512674-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Por aqui, o franc\u00eas estudou as religi\u00f5es afro-brasileiras. Envolveu-se tanto no assunto que, mesmo sendo presbiteriano, se iniciou no candombl\u00e9, filho de Xang\u00f4.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Como fruto do seu trabalho de doutorado na Sorbonne, publicou o cl\u00e1ssico \u2018O Candombl\u00e9 da Bahia\u2019, em 1958. A obra, relan\u00e7ada pela Companhia das Letras em 2001, fala do transe, dos ritos, das dan\u00e7as e da rela\u00e7\u00e3o sofisticada entre o homem e o cosmos na religi\u00e3o. Bastide foi fonte de pesquisa e inspira\u00e7\u00e3o do seu compatriota e contempor\u00e2neo Pierre Verger (1902-1996).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Quando contribuiu com o Guia Od\u00e9, Roger Bastide j\u00e1 n\u00e3o morava mais no pa\u00eds. Em 54, voltou para a Fran\u00e7a para lecionar na Universidade de Paris. Em seu texto h\u00e1 in\u00fameras preciosidades sobre a capital e tamb\u00e9m o interior do estado.<\/p>\n<div class=\"single-publicidade\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1563386375579-0\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Na abertura, uma pol\u00eamica. O franc\u00eas diz que a Ba\u00eda de Todos-os-Santos n\u00e3o \u00e9 \u201ct\u00e3o imponente como a do Rio (Guanabara)\u201d, mas n\u00e3o \u201cfica devendo em beleza\u201d.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/bresil.jpg\" width=\"584\" height=\"600\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Guia franc\u00eas sobre o Brasil<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Ele desmistifica a lenda de Salvador ter tantas igrejas quanto os dias do ano, enaltece a Rua Chile (ent\u00e3o principal via da cidade) e se espanta pelo fato de muitas vias ainda serem mais ocupadas por \u201cburros cinzentos\u201d do que autom\u00f3veis.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O soci\u00f3logo se impressiona com a quantidade de manifesta\u00e7\u00f5es sagradas e profanas do calend\u00e1rio, listando Concei\u00e7\u00e3o da Praia, Bom Jesus dos Navegantes, Bonfim, Iemanj\u00e1 e Cosme e Dami\u00e3o como as principais.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cA cidade da Bahia \u00e9 de todos os santos e de todos os pecados. N\u00e3o sei se h\u00e1 mais pecadores aqui do que em outras partes do mundo. Mas, para todos os santos venerados nas igrejas barrocas, ainda tem que adicionar os deuses da \u00c1frica do candombl\u00e9&#8230;\u201d, brinca.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cO carnaval oferece tamb\u00e9m \u00e0 Bahia suas particularidades, como os afox\u00e9s, que s\u00e3o a descida dos reis africanos do candombl\u00e9, com seus tambores e ins\u00edgnias, para a festa das ruas\u201d, completa.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/f\/5\/csm_vertical_bastide_cd8249a1cd.jpg\" width=\"750\" height=\"1000\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Texto de Bastide sobre a Bahia com descri\u00e7\u00f5es de Salvador, do interior e sert\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p class=\"text-center\">(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Em seu relato, constam ainda duas prociss\u00f5es que existiam na cidade e perderam for\u00e7a ao longo do tempo. O Pastoral de Natal, em dezembro, e o Canto da Ver\u00f4nica, na Sexta-Feira da Paix\u00e3o, com os fi\u00e9is caminhando com panos brancos em alus\u00e3o \u00e0s l\u00e1grimas de Cristo que precisam ser secadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Esticando a viagem para o interior, Bastide cita Cachoeira, Santo Amaro, Feira de Santana, Canudos e Bom Jesus da Lapa, dando destaque \u00e0 igreja constru\u00edda dentro da gruta e a peregrina\u00e7\u00e3o dos romeiros.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sobre o sert\u00e3o, faz cr\u00edticas aos governantes, fala da fome e como uma viagem \u00e0s margens do S\u00e3o Francisco \u00e9 uma \u201cvolta ao passado, ao longo de s\u00e9culos, como se remontasse ao Brasil colonial\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O tom, no entanto, \u00e9 quase sempre de encanto. Nas \u00faltimas linhas, o franc\u00eas se derrete, por completo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cEsse \u00e9 um pa\u00eds que o batuque dos negros tem r\u00edtmica com a dan\u00e7a do desejo e com a possess\u00e3o m\u00edstica. Mas, n\u00e3o muito distante deste primeiro Nordeste, h\u00e1 outro Nordeste mais secreto, com o c\u00e9u azul implac\u00e1vel, com as plantas que s\u00e3o mais que espinhos, dos homens rudes feitos \u00e0 imagem da natureza que os circunda. Quem conhece esses dois deseja se encantar por eles\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"paywall-barreiras-trial\" class=\"modal hide paywall-barreiras-inread paywall-barreiras--trial-wall is-active\" tabindex=\"-1\" role=\"dialog\" data-type=\"trial\" data-base-url=\"https:\/\/assine.correio24horas.com.br\/v2\" data-enable-modal=\"false\" data-enable-swg=\"true\" data-sku-plan=\"basic_monthly\" data-chartbeat=\"false\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__content\">\n<div class=\"paywall-barreiras-inread__header\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em guia escrito sobre o estado em 1957, soci\u00f3logo Roger Bastide fala de festas mortas, dos burros cinzentos nas ruas e do candombl\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":390619,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,4,7],"tags":[],"class_list":["post-390618","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-destaque","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/Roger_Batisde.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390618","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=390618"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/390618\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/390619"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=390618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=390618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=390618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}